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Wednesday, January 3, 2018

Viapiana Barricas Selecionadas Lote I

O último mês do ano de 2017 reservou diversos desafios a nós aqui do Balaio e, como consequência, estivemos um pouco ausentes como vocês já devem ter notado. Mas as coisas estão se acertando e finalmente pretendemos voltar com toda força já neste início de 2018, trazendo os vinhos que andamos provando neste período além é claro de muita informação e divulgação. Começo hoje com um vinho nacional que me foi apresentado por amigos de confraria e que deixou uma baita boa impressão. Este vinho é o Viapiana Barricas Selecionadas Lote I. Vamos conhecer um pouco mais sobre ele e sobre o produtor?


A história de vinhos na família Viapiana, cuja vinícola é homônima, chegou ao Brasil com a vinda dos primeiros imigrantes da Província de Mântova, na Itália. Datados de 1925, a família preserva o certificado e medalha recebidos pelo patriarca no primeiro concurso de vinhos em que participou, promovido no Brasil em comemoração ao cinquentenário da imigração italiana no país. Passada de geração em geração, a paixão pela produção de vinhos foi a motivação para, em 1986, ser elaborada a primeira safra da vinícola. Sempre atenta às novidades em tecnologia e processos, tanto em vinhedos quanto em vinícola, em pouco tempo a Viapiana se consolidou como sinônimo de qualidade e confiança. Em 2009, percebendo o potencial enoturístico da região, inaugurou o Enoespaço Viapiana, evidenciando diferenciação e consolidando a marca em conceito grife. O mesmo posicionamento é aplicado aos produtos, sempre elaborados em quantidade limitada. Limpos e atrativos, os rótulos de cada linha possuem um diferencial: os vinhos jovens apresentam obras de artistas renomados e as espumantes evidenciam o tempo de contato com as leveduras; já a linha premium alia elegância e descontração, através da apresentação de jogos interativos. Micro Lotes e Ícone são vinhos conceito, sinônimos de sofisticação em apresentação e complexidade de produto.

Já sobre o Viapiana Barricas Selecionadas Lote I, podemos ainda afirmar que o vinho é feito a partir de um corte de vinhos de diferentes castas e uvas, a saber: 60% Merlot 2012, 20% Cabernet Sauvignon 2012, 10% Cabernet Sauvignon 2011 e 10% Marselan 2012. O vinho conta ainda com estágio entre 25 a 38 meses em barricas de carvalho francesas e americanas (de acordo com a safra e/ou casta utilizada). Vamos finalmente as impressões sobre o vinho?

Na taça o vinho apresentou coloração rubi violácea de média para grande intensidade com algum brilho e boa limpidez. Lágrimas finas, ligeiramente mais lentas e coloridas também se faziam notar.

No nariz o vinho apresentou aromas de frutos escuros, especiarias (em especial pimenta e canela/cravo da índia), coco, chocolate e algo de tostado.

Na boca o vinho apresentou corpo médio, boa acidez e taninos domados. O retrogosto confirma o olfato e o final era de média para longa duração.

Mais um bom vinho nacional que conhecemos por aqui e que nos faz sempre questionar o por que do Brasil não conseguir criar e manter um mercado de vinhos mais sólido, tendo em vista que temos bons vinhos sendo feitos por aqui. Eu recomendo a prova.

Até o próximo!

Wednesday, May 13, 2015

Bella Quinta Cabernet Sauvignon Reserva 2006

Eu gosto de ser surpreendido e quando isso acontece com um vinho que eu provo, é melhor ainda. Sabe que este vinho estava guardado em minha adega a algum tempo pois eu queria testar o envelhecimento do mesmo. E como o tempo deu uma boa esfriada nos últimos tempos aproveitei para fazer o teste. O vinho testado: Bella Quinta Cabernet Sauvignon Reserva 2006. Vamos ver no que deu?


A história do vinho em São Paulo se confunde com a história de São Roque, uma vez que a cidade já chegou a contar com mais de 100 vinícolas em sua época de fartura. É claro que quando falamos em vinho por lá, e até no Brasil de uma forma geral, muito vinho de garrafão (uvas não viníferas) está inserido nestes números, o que não descaracteriza no entanto o trabalho deste vinhateiros desde meados dos anos 20 / 30. E a Vinícola Bella Quinta não foge destas características. Chegando a quarta geração da família e em mais uma bem sucedida associação a vinícolas do sul do país (mais especificamente em Flores da Cunha) começam então em 2005 a fazer vinhos finos com uvas Cabernet Sauvigon. Mas o projeto é mais ousado e o Gustavo Borges, o proprietário da vinícola, e as pessoas que lá trabalham já fazem experimentos com uvas viníferas em solo paulista.

Sobre o Bella Quinta Cabernet Sauvignon Reserva 2006, podemos acrescentar ainda que passou aproximadamente 8 meses  em barricas de carvalho e mais um tempo em garrafa. Vamos as impressões?

Na taça o vinho apresentou uma bonita cor rubi violácea de grande intensidade com ligeiro halo granada. Lágrimas finas, em pouca quantidade e incolores também se faziam notar.

Na nariz o vinho apresentou aromas de frutos vermelhos bem maduros em primeiro plano. Depois especiarias e leve toque herbáceo.

Na boca o vinho apresentou o tripé acidez, taninos e corpo muito equilibrado, sendo macio e fácil de beber. O retrogosto confirma o olfato e o final era de média duração.

Um bom vinho para o dia a dia, que mostra boa evolução e que envelheceu de forma muito boa durante seus quase 10 anos de vida. Eu gostei bastante e recomendo a prova.

Até o próximo!

Monday, January 19, 2015

Degustando as novas safras dos vinhos da Vinícola Góes & Venturini!

Em recente viagem a São Roque, no interior paulista, aproveitei a oportunidade e (re)visitei a sede da Vinícola Góes. Eu sei que muitos que leram até esta linha já torceram o nariz quando leram vinho e São Roque na mesma frase. Mas eu já adianto que os vinhos que provei e irei comentar aqui não são feitos no interior paulista, com uvas não viníferas e coisas do gênero. São feitos por uma joint venture entre a vinícola paulista (Góes) e a gaúcha (Casa Venturini), que aos poucos, com produtos de entrada e de média gama, a empresa tem trazido alguns bons caldos pro mercado. 


Como já comentei algumas vezes sobre esta joint venture e inclusive já falei sobre alguns de seus produtos, vou poupar o tempo precioso que vocês, leitores do blog, dispõe e vou direto ao ponto e irei comentar os vinhos que provei e as novidades encontradas.


Comecei a degustação pelo Espumante Vivere Brut, feito a base de 80% Chardonnay (Campanha Gaúcha), 20% Pinot Noir (Serra Gaúcha) pelo método champenoise. Um vinho espumante de coloração palha com reflexos esverdeados, muito límpido e brilhante. Borbulhas em boa quantidade, constantes e pequeninas. No nariz o vinho tinha aromas de pêssego, abacaxi, floral e algo leve de mel. Era possível também sentir um pouco de amanteigado com fermento, lembrando croissant e massa folhada. Na boca o vinho tinha corpo leve para médio, boa acidez com boa formação de borbulhas. O retrogosto confirma o olfato. Final de média duração. Um bom espumante para o dia a dia.


O vinho seguinte da degustação foi o Casa Venturini Chardonnay Reserva 2013, um varietal 100% Chardonnay de uvas provenientes da região da Campanha Gaúcha sem passagem por madeira. Coloração típica amarelo com reflexos dourados, bom brilho e transparência. No nariz frutos cítricos e tropicais marcados: abacaxi e pêssego; com algo de floral. Na boca corpo médio, boa acidez e retrogosto confirmando o olfato. Final de longa duração. Um bom vinho e de custo benefício interessante. 


Passamos então ao Casa Venturini Merlot Reserva 2011, este uma novidade pra mim. O vinho é um varietal 100% de uvas Merlot provenientes de Campos de Cima da Serra, no Rio Grande do Sul e tem passagem por madeira. Na taça o vinho apresentou coloração violácea de média para grande intensidade, algum brilho e pouca transparência. No nariz o vinho mostrou aromas de frutas vermelhas com toques de especiarias e baunilha. Na boca corpo médio, boa acidez e taninos finos e em boa quantidade. Retrogosto confirma o olfato e o final era de média duração. Grata surpresa, vinho honesto e sem defeitos, deve ir bem com comida.


O próximo da degustação foi o Casa Venturini Cabernet Sauvignon Reserva 2012, este por sua vez um varietal 100% Cabernet Sauvignon de uvas cultivadas nas regiões da Serra Gaúcha, e Campanha Gaúcha e passa por envelhecimento em barricas de carvalho francês. Vinho de coloração violácea de grande intensidade, algum brilho e com pouca transparência. No nariz aromas de frutos vermelhos e escuros com toques especiados e herbáceos. Leve lembrança de baunilha. Na boca corpo médio, boa acidez e taninos macios. Retrogosto confirma o olfato e o final é de média duração. Leve amargor que chega a incomodar um pouco. Não figura entre os meus favoritos.


Ficou reservado para o final um vinho que eu gosto muito, o Casa Venturini Tannat Reserva 2012. É um varietal 100% de uvas Tannat cultivadas na região da Campanha Gaúcha e passa por envelhecimento em barricas americanas de carvalho. O vinho apresenta uma bonita cor violáceo de grande intensidade, pouca transparência e brilho médio. No nariz mostra aromas de frutas vermelhas e escuras, toques de especiarias e lembrança de aromas animais. Na boca um vinho de corpo médio, boa acidez e taninos secos, rústicos e marcantes mas de boa qualidade. Retrogosto confirma o olfato com frutas e especiarias em evidência marcando um final de média para longa duração. Esse vinho se tornou um xodó pra mim, dado que é vinho muito barato e que sempre propicia bom prazer. 

Para quem ainda não conhece estes vinhos nacionais, recomendo que o façam. Se você estiver em um final de semana de bobeira, estiver em Sampa ou proximidades e quiser fazer um passeio bacana e descompromissado com a família, visite a sede da Vinícola Góes em São Roque, aprecie a vista muito bacana, o lago das carpas, almoce em seu restaurante e claro, deguste os vinhos da Casa Venturini, eu recomendo.

Até o próximo!

Tuesday, March 18, 2014

Wine Class Bella Quinta: Parte final

Dando continuidade a postagem anterior, como eu vinha dizendo, continuávamos a aprender sobre o processo de vinificação e agora teríamos uma chance de ouro: provaríamos um vinho da uva Merlot que tinha acabado de passar pela fermentação alcoólica e não havia passado pela malolática. Era um recém nascido assim por se dizer. Em virtude da etapa do processo em que se encontrava o vinho, ainda não conseguíamos sentir os aromas que normalmente sentimos quando estamos com uma taça de vinho em nossas mãos. Ele tinha álcool sobrando e no nariz tinha um frutado mais voltado para o aroma das uvas ainda. Na boca tinha uma acidez um pouco mais agressiva, era quente (álcool sobressaindo) e tinha taninos bem marcados. Aliás a combinação álcool e taninos quando combinada e em excesso tende a crescer um pouco mais. Um quê de amargor no final que em determinado incomodou um pouco.

Cristais de tártaro nas paredes internas da cave, que antes foram utilizadas também como lagares
Passada a fase experimental e prática da aula, passaríamos então a uma área externa da vinícola, a mesma em que tivemos o privilégio de tomar o café da manhã, mas com uma vista ainda mais bonita: o céu nos brindara com um azul de brigadeiro e um sol bonito iluminando o dia que se seguia. Era hora de provar alguns vinhos que a vinícola produz e almoçar. Tentando não deixar o post cansativo e muito grande como o anterior, vou destacar aqui 3 vinhos.

Cardápio do almoço
O primeiro vinho que gostaria de destacar é um exemplar curioso: apesar de ser um vinho considerado de mesa, em boca não demonstra tal vocação. Falo do Palmares Branco Seco Moscato. Vinho simples, fragrante e perfumado com toques de frutos e flores, é fresco na medida e agradável. Serve bem de aperitivo e para uma entradinha leve, tanto que com os petiscos e com a saladinha foi bem. Entrega o que promete sem cerimonias.


Depois a coisa ficou séria e um vinho que também tem a vocação de ser para o dia a dia, até pelo preço praticado, mas que também se mostrou companheiro de uma boa refeição. Era a vez do Bella Quinta Cabernet Sauvignon Reserva 2006. Vocês não leram errado não, era um vinho 2006 mesmo. Passou 8,5 meses em barricas de carvalho e mais um tempo em garrafa. Frutos vermelhos bem maduros em primeiro plano. Depois especiarias e leve toque herbáceo. Tripé acidez, taninos e corpo muito equilibrado. Macio e fácil de beber. Esse acompanhou de forma heróica suculentos bifes de filé mignon.


Por fim uma grande, e grata, surpresa. Um vinho de sobremesa incrível e inusitado. Falo do Branco Licoroso Niágara. E haja curiosidade também com este vinho. As uvas, de mesa e não viníferas, da primeira safra que compõe o vinho foram colhidas em 1990 e ficaram em um tonel de 1500 litros desde então, sendo sempre retiradas amostras do vinho e repostas a cada vez que isso ocorre. As uvas são dali mesmo, num parreiral que conseguíamos avistar e chegar bem perto. De coloração âmbar e com notas de frutos secos como damasco e toques de mel o vinho era doce mas não era enjoativo pois tinha uma acidez que conseguia fazer um contra ponto interessante. Esse foi companheiro de sorvete de creme e manjar branco.

Área externa da vinícola
E assim passamos mais um pedaço da tarde, curtindo a vista, a comida, a bebida e os amigos. Era o fim de uma grande experiência, de muito aprendizado e de uma oportunidade incrível de participar, mesmo que de maneira curta, no processo de produção de uma vinho. A quem nunca teve oportunidade, recomendo fortemente que o faça. O Gustavo, da Bella Quinta, costuma fazer isso sempre ao final da vindima e, tem projetos audaciosos para sua vinícola em São Roque. Quer transformar o lugar num espaço enoturístico aos moldes dos que já encontramos em regiões mais ao sul do país. Eu apoio a idéia e no que depender do blog, estaremos sempre prontos a divulgar e apoiar tais iniciativas.


Até o próximo!

Monday, March 17, 2014

Vinícola Bella Quinta & São Roque: recuperando a identidade do vinho paulista!

Eu tenho a idéia de que muitos, ao simplesmente lerem o título deste post provavelmente irão desistir de ler seu conteúdo ou irão até desdenhar do que pode vir abaixo. Entretanto, recomendo aos que chegaram até aqui, que esperem um pouco e não irão se arrepender. As notícias que trago diretamente "do campo" são extremamente gratificantes e encorajadoras paras aqueles que gostam de vinho ou mesmo que um dia pensam em trabalhar com isso. Tive a oportunidade de participar no dia de ontem de uma "wine class" na Vinícola Bella Quinta, em São Roque (interior de São Paulo), que dentre outros assuntos, trouxe um sopro de esperança para a vitivinicultura paulista em geral. A "wine class" foi conduzida por Gustavo de Camargo Borges (proprietário da vinícola) e Fábio Lenk (enólogo e Coordenador do Curso de Vitivinicultura do Instituto Federal de São Paulo).

Interior da vinícola
A história do vinho em São Paulo se confunde com a história de São Roque, uma vez que a cidade já chegou a contar com mais de 100 vinícolas em sua época de fartura. É claro que quando falamos em vinho por lá, e até no Brasil de uma forma geral, muito vinho de garrafão (uvas não viníferas) está inserido nestes números, o que não descaracteriza no entanto o trabalho deste vinhateiros desde meados dos anos 20 / 30. E a Vinícola Bella Quinta não foge destas características. Chegando a quarta geração da família e em mais uma bem sucedida associação a vinícolas do sul do país (mais especificamente em Flores da Cunha) começam então em 2005 a fazer vinhos finos com uvas Cabernet Sauvigon. Mas o projeto é mais ousado e Gustavo e as pessoas que lá trabalham já fazem experimentos com uvas viníferas em solo paulista.

Gustavo e Fábio em sua introdução a vinícola e ao vinho
Fomos recebidos na sede da vinícola para um gostoso café da manhã com produtos artesanais, feitos ali pela região, como pães e queijos, entre outros, além do gostoso suco de uva feito pela vinícola. Após abastecermos os tanques, era hora de começar nossa imersão no vinho.


Após um breve apresentação da vinícola e da história da família, conduzida por Gustavo, fomos então apresentados ao Fábio, que conduziria o restante da "aula" de vinificação. Fábio é, como muitos brasileiros, cosmopolita e já viveu em diversas regiões do Brasil e fora dele. Cursou enologia em Petrolina e desde então, apesar de experiência industrial, enveredou pela área acadêmica. E era exatamente aqui que surgia a primeira notícia bacana, ao menos pra mim: São Roque ganhou um curso superior de vitivinicultura e enologia pelo Instituto Federal de São Paulo! Vejam só, agora quem quiser se enveredar e começar a aprender sobre como fazer vinhos, técnicas e tudo que circunda a profissão poderá estudar aqui em São Paulo, sem precisar se mudar para Bento Gonçalves ou Petrolina (duas pontas do Brasil). O curso é com duração de 3 anos e dá a formação de tecnólogo, que pode perfeitamente assinar pela vinícola. Ou seja, a evolução do mercado de vinhos e produtivo passa sempre pela base, que é a educação, e começamos a disponibilizar a ferramenta. Eu simplesmente achei fantástica esta informação.

Um pouco mais da wine class na prática
Seguindo nossa "wine class", Fábio também comentou sobre projetos a serem desenvolvidos principalmente em regiões como São Paulo com relação ao plantio de uvas viníferas, tais como inversão de ciclo da videira, estudo de porta enxertos e variedades que melhor se adaptam ao "terroir" paulista, enfim, um resgate e/ou criação de uma identidade para o vinho por aqui cultivado e produzido! E Fábio tem boas razões para acreditar no sucesso destes experimentos, uma vez que sua bagagem lhe mostra isso, parte dela adquirida no sertão nordestino onde teoricamente vinho seria algo impossível tempos atrás. Isso não é excelente? Eu achei esta informação muito bacana e por isso resolvi compartilhar com vocês. Afinal hoje em dia com modernas técnicas de enologia se pode produzir vinhos de qualidade fora das regiões (latitudes) consideradas excelentes. Veja, não estou dizendo aqui que o vinho virá a ser melhor ou pior que outros tantos por aqui mas sim que o vinho terá sua qualidade, simples assim.


Fábio continuou nos ensinando sobre as etapas de produção do vinho, desde a vinha até a garrafa, muito didaticamente e pacientemente com todas perguntas (em excelente professor diga-se de passagem), mostrando uma cuba de fermentação (laboratorial) e explicando detalhadamente cada etapa do processo. Foi ai que entrou o fator diversão do dia: todos que acompanhavam a aula agora entrariam no processo de fabricação e participariam do mesmo, mais especificamente na etapa do desengace das uvas. E lá fomos nós, caixa após caixa vendo as uvas se separarem de seus "cabinhos" e o mosto sendo transportado para os tanques de cimento (lagares) onde ali fermentaria e daria origem a nossa cultuada bebida de Baco. Aliás aqui outra curiosidade: muitas vinícolas após utilizarem grandes tanques de madeira e mais atualmente o inox estavam voltando um pouco na história e utilizando tanques de cimento nesta etapa do processo uma vez que o próprio cimento faz o controle da temperatura e não deixa que esta suba muito durante a fermentação. Daqui ainda teríamos mais algumas explicações sobre como as leveduras atuavam, como era feito o processo de preparação e inserção das leveduras no mosto e assim por diante.

Engaço devidamente separado
Continuando nossa aula, e daqui pra frente, degustamos o vinho em algumas etapas do processo e partiríamos para a degustação dos vinhos propriamente ditos e um belo almoço preparado pelo pessoal da vinícola. Mas como o post ficou um pouco comprido, isso será assunto para a segunda parte dessa nossa wine class. Espero que estejam gostando do que viram até aqui.

E até o próximo!

Tuesday, December 27, 2011

Casa Venturini Vivere Brut

Este espumante também fez parte das festividades de natal. É um espumante simples, mas que com certeza te tudo pra agradar aqueles que gostam de uma bebida viva e refrescante, ainda mais com o calor se anuncia neste nosso verão. 

Este vinho é feito na joint venture criada entre a vinícola paulista Góes (de São Roque) e a vinícola Casa Venturini (de Flores da Cunha, no Rio Grande do Sul) através do método charmat de segunda fermentação em tanques de inox. Não consegui muitas informações sobre o vinho, até por que o site da vinícola ainda se encontra fora do ar, mas parece que foi feito com uvas chardonnay colhidas lá na região sul do país. Não encontrei por exemplo tempo em que o espumante fica em caves antes de ir ao mercado, ou coisas do gênero, e portanto vou deixar o que tenho até aqui e vamos as minhas impressões. Vale ressaltar que não sou grande conhecedor de espumantes, mas vamos lá.


Na taça o vinho apresentou uma coloração palha com reflexos esverdeados, muito límpido e brilhante. Borbulhas em boa quantidade, constantes e pequeninas. 

No nariz o vinho tinha aromas de pêssego, abacaxi, floral e algo leve de mel. Era possível também sentir um pouco de amanteigado com fermento, lembrando croissant e massa folhada. Mostrava muito frescor, pois as frutas era bem frescas no nariz!

Na boca o vinho tinha corpo leve para médio, boa acidez, e formava quase um colchão de borbulhas na boca, tudo muito agradável. Tinha um retrogosto trazendo frutas e mel e um final delicado de média duração, com um pouco de floral também.

Um belo espumante, com uma excelente relação custo benefício, e que deve agradar a todos, até aqueles que não estão muito acostumados em tomar vinhos. Eu recomendo!

Até o próximo!