sexta-feira, 10 de março de 2017

Sans Souci Bistrô: surpreendente e não-convencional

Eu gosto muito de dividir minhas experiências enogastronômicas com vocês, leitores aqui do blog, mesmo que eu não seja especialista no assunto (apesar dos cursos na área do vinho). De qualquer maneira, sei que ando em falta com o blog. Ando um pouco desanimado é verdade e as vezes falta inspiração para escrever. Mas, vez ou outra, aparecem oportunidades que reacendem, ainda que timidamente, a paixão por compartilhar algumas maravilhas que descobrimos por ai, como no caso do Sans Souci Bistrô, em Campos do Jordão, cidade da Serra da Mantiqueira no interior paulista muito conhecida pelo frio, pelas malhas vendidas por lá e é claro pela gastronomia.

O restaurante fica encrustado no prédio da malharia Genève (vejam só) onde os clientes se deparam primeiro com um pequeno café que mostra em suas vitrines pãezinhos, croissant e doces que parecem muito apetitosos, e depois com o salão onde fica o bistrô propriamente dito. A decoração do Sans Souci Bistrô é exagerada, fantasiosa, sentimental, em meio a xícaras, bibelôs e bichinhos de pelúcia, em sua maioria garimpados em antiquários e lugares afins. A filosofia da comida foi trazida com o chef e é conhecida como slow food, claramente num objetivo de que possamos saborear grandes pratos com uma maior apreciação da comida, valorização dos ingredientes e dos produtores da mesma.


No Sans Souci Bistrô somos recebidos com pequenos mimos como uma pipoca "gourmet", coberta de queijo parmesão e salsa trufada além de um pequeno "shot" de uma gelatina feita a base de vinho espumante com aquela pedrinhas de laranja que explodem na boca. Tudo isso já deixa a imaginação solta e o paladar muito aguçado.


Com o menu conciso do Sans Souci Bistrô, não foi muito difícil até de imaginar o que cada um de nós pediríamos neste jantar especial que estava só se iniciando. Eu como de costume optei pelo "Bourguignon de cordeiro com legumes da horta e couscous marroquino", já minha esposa foi de "Filé Mignon com molho de cogumelos, purê de batata com paris fresco e azeite trufado" ao passo que a baixinha foi na segurança com o "Ravioli com mussarela de búfala, molho de tomate fresco e manjericão". O que dizer? As carnes estavam no ponto em que foram solicitadas, tenras e muito saborosas. A massa perfeitamente al dente, cozida a perfeição e com um molho delicioso. Notava-se ainda que os sabores e os ingredientes eram harmônicos entre si e formavam pares muito elegantes (cordeiro e o couscous, filé mignon e os cogumelos além do ravioli o molho fresco, por exemplo).


Para acompanhar a refeição, não poderíamos fugir de um vinho, no caso o vinho português Porta 6 Tinto, um vinho produzido pela Vidigal Wines a partir das castas Aragonez, Castelão e Touriga Nacional, rotulado como um vinho regional de Lisboa e com ligeira passagem em madeira. Apresentava coloração violácea de grande intensidade, bom brilho e limpidez. Nos presentou com um nariz de frutos vermelhos frescos, toques florais e algo de nozes. Na boca mostrou corpo médio e uma ótima acidez, escoltada por taninos macios e sedosos. A escolha foi muito boa, caiu bem com os pratos sem sobrepujar ou sumir, na medida certa.


Uma bela refeição e um belo vinho para fechar uma noite de passeio em família de maneira magistral. Eu recomendo a prova, do Sans Souci Bistrô e do Porta 6. Quem ainda não foi, deve ir . Penso que não se arrependerá. Mas vá preparado, a conta não será barata. Entretanto, valerá cada centavo.

Até o próximo!

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