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Thursday, March 22, 2018

Quinta dos Murças Minas 2016: Douro em sua melhor forma!

Localizada no centro da DOC Douro, a Quinta dos Murças doi adquirida pela Herdade do Esporão em 2008 devido suas condições e diversidades. Possui um terroir marcado pelas montanhas, altitude, solos xistosos e pelo clima característico do vale do rio Douro. Nas vinhas foram plantadas dezenas de castas autóctones, segundo Produção Biológica e Produção Integrada. Seu enólogo, José Luis Moreira, procura conhecer de forma particular cada parcela, cada vinha, cada unidade de terroir e toda diversidade da Quinta: "Só assim acreditamosser possível perceber, interpretar e exprimir a diferenciação e perfil dos vinhos". Na Quinta são produzidos os vinhos Assobio DOC Douro (tinto, branco e rosé), Murças Minas, Murças Margem, Murças Reserva, VV47, os Portos Murças Vintage e Murças Tawny além do azeita Extra Virgem.


Falando especificamente do Quinta dos Murças Minas 2016, nova safra disponível no Brasil, é feito a partir das uvas Touriga Nacional, Touriga Franca, Tinta Francisca, Tinta Roriz e Tinto Cão provenientes de vinhas plantadas numa encosta entre os 110 e os 300 metros de altitude. Estas vinhas, orientadas a Sul, mais expostas ao sol, produzem uvas com maior concentração. Nestas mesmas encostas existem várias minas de água, que vão refrescando o ambiente e permitindo um equilíbrio entre a maior maturação e a frescura tão característica de Murças. A fermentação e envelhecimento são feitos em cubas de betão e em barricas de carvalho francês usado, durante cerca de 9 meses. Vamos as impressões?

Na taça o vinho apresentou coloração violácea de grande intensidade com algum brilho e limpidez. Lágrimas finas, rápidas e bem coloridas também se faziam presentes.

No nariz o vinho apresentou aromas de frutos vermelhos, especiarias, flores e algo de balsâmico ao fundo. 

Na boca  o vinho apresentou corpo médio, boa acidez e taninos redondos. O retrogosto confirma o olfato e o final era e longa duração.

Mais um belo exemplar de vinho português que provamos por aqui e mais uma vez, um deleite. Sou muito suspeito é verdade por que eu adoro o país, a gastronomia, os vinhos, enfim. Se eu recomendo a prova? Claro que sim! O vinho é trazido ao país exclusivamente pela Qualimpor e pode ser encontrado nos melhores empórios e lojas especializadas.

Até o próximo.

Tuesday, May 17, 2016

Vale de Cavalos Douro 2012 & Poças Porto 10 Years Old Tawny

Semana passada tivemos um evento bacana aqui em Sampa, que foi o Cantu Day, da Importadora Cantu. Neste evento, normalmente anual, a importadora abre as portas do seu galpão na zona oeste de São Paulo para mostrar um pouco mais sobre o seu portfólio, fazendo com que clientes, imprensa e convidados possam degustar uma dezena de rótulos por eles trazidos ao Brasil, dentre os quais as novidades do ano. Bem, aqui hoje não irei falar exatamente uma novidade, a vinícola Poças esta à aproximadamente dois anos trabalhando com a Cantu, mas foram alguns dos vinhos que chamaram minha atenção. Vou falar de dois, de fato, o Vale de Cavalos Douro 2012 e o Poças Porto 10 Years Old Tawny.

Para a vinícola Poças, tudo começou em 1918, quando Manoel Domingues Poças Júnior, nascido no centro da azáfama do Vinho do Porto, decidiu fundar o seu próprio negócio. Era 15 de agosto, poucos meses antes do Armistício. Manoel Poças tinha 30 anos e alguma experiência de trabalho na área. Com o seu tio, fundou uma empresa para vender brandies a grandes produtores de Vinho do Porto. Pouco depois estabeleceu a sede que se mantém até hoje, em Vila Nova de Gaia. Primeiro o seu tio, depois os irmãos, a mulher, os netos: toda a família Poças veio a partilhar a sua paixão pelo vinho, combinando o respeito pela tradição com a mente aberta à inovação trazida pelas novas gerações. Hoje, com três quintas nas melhores localizações da Região Demarcada do Douro, a Poças tem o controle total da qualidade dos seus vinhos. E o envolvimento da família é mais forte do que nunca.


Sobre o Vale de Cavalos Douro 2012, podemos afirmar que é um blend tipico português a partir das uvas Touriga Nacional, Touriga Franca, Tinta Roriz e Tinta Barroca de vinhas com idades entre 40 e 60 anos oriundas do Douro Superior. Parte do vinho estagia por cerca de 8 meses em carvalho francês e americano. Vamos as impressões?

Na taça o vinho apresentou coloração rubi violácea de grande intensidade com bom brilho e limpidez. Lágrimas finas, rápidas e ligeiramente coloridas também se faziam notar. Já no nariz o vinho apresentou aromas de frutos vermelhos maduros, florais, especiarias e leve toque de baunilha. Em boca o vinho tinha médio corpo, excelente acidez e taninos redondinhos. Um bom vinho para o dia a dia, fácil de beber e que deve agradar o paladar brasileiro.


Já o Poças Porto 10 Years Old Tawny é um vinho fortificado feito a partir de uvas Touriga Nacional, Touriga Franca, Tinta Roriz, Tinta Barroca e Tinto Cão de vinhas cujas idades variam entre 20 e 40 anos. O vinho é obtido através do blend de vinhos selecionados de diferentes safras, envelhecidos em casco, e cuja média de idades é de 10 Anos. Vamos as impressões?

Na taça o vinho apresentou uma coloração tendendo ao granada, acastanhada, brilhante e límpido. As lágrimas eram viscosas, lentas e coloridas nas paredes da taça. No nariz o vinho apresentou aromas de frutos secos, tabaco, caramelo e algo de gengibre. Em boca o vinho era gordo, untuoso e acidez ainda viva. O retrogosto confirma o olfato e o final era de longa duração. Não é tão "doce" em boca, além de ter fruta seca ainda bem evidente no nariz. Me conquistou, uma delicia. 

Até o próximo!

Wednesday, June 17, 2015

Sino da Romaneira Tinto 2010: A força e elegância do Douro!

Já que o assunto do post anterior foi um vinho português, e quem me acompanha sabe do meu apreço por vinhos deste país, resolvi continuar por lá e mudar somente a região do vinho a ser comentado por aqui hoje. O vinho que irei comentar por aqui hoje é o Sino da Romaneira Tinto 2010 e foi degustado num jantar de comemoração do aniversário da minha sogra no meu restaurante português favorito, o Ora Pois. Vamos ver o que descobrimos sobre o vinho, já que sobre o restaurante já falei bastante (relembrem aqui)?


O vinho Sino da Romaneira é produzido pela Quinta da Romaneira, uma das mais grandiosas e históricas quintas na região do Douro, situada a norte de Portugal. A história da Quinta da Romaneira é bastante antiga, existindo inclusive, diversas teorias em torno da origem do seu nome. Em todo o caso, existem registos que atestam a existência de uma vinha na Quinta da Romaneira nos séculos XVII e XVIII, período durante o qual a propriedade pertenceu a três famílias distintas: Sousa Guimarães, cujas iniciais surgem na porta da Quinta com a data de 1854, Lacerda, D. Clara de Lacerda deu o seu nome a uma das casas da propriedade, e Monteiro de Barros, que, em 1940, ampliou a quinta para o tamanho que hoje conhecemos. Mas foi em 2004 que houve a grande retomada com a aquisição da propriedade por um grupo de apaixonados investidores, capitaneados pela dupla Christian Seely e Antonio Agrellos, responsável, nos últimos 18 anos, pelo renascimento de outra distinta propriedade do Douro, a Quinta do Noval.

Falando sobre a estrela do nosso post, o Sino da Romaneira Tinto 2010, podemos ainda dizer que o vinho é composto pelas castas Touriga Nacional (25%), Touriga Franca (25%), Tinta Roriz (30%) e Tinto Cão (20%). Além disso passa por 14 meses de envelhecimento e afinamento em barricas de carvalho francês. Vamos as impressões?

Na taça o vinho apresentou uma bonita cor rubi violácea de média para grande intensidade, bom brilho e limpidez.

No nariz o vinho mostrou aromas de frutos escuros, azeitona, flores e especiarias. Fundo de taça com toques tostados.

Na boca o vinho se mostrou de médio corpo para encorpado, acidez gulosa e taninos macios. Retrogosto confirma o olfato e o final era de média para longa duração.

Mais um belo exemplar de nosso patrícios, um vinho português que foi o fiel escudeiro de uma refeição a base de bacalhau que o Ora Pois sabe servir como ninguém. Eu recomendo a prova, do restaurante e do vinho. é claro.

Até o próximo!

Tuesday, October 18, 2011

Quinta do Farfão Reserva 2003

E hoje é dia de falar dos meus vinhos preferidos, os portugueses. E eu digo preferidos pois comparativamente, no quesito custo x benefício, dificilmente vinhos do velho mundo conseguem bater os portugueses, quando falamos de mercado brasileiro. E temos também laços ancestrais, certo? Este exemplar em questão vem do Douro, região amplamente conhecida por dois fatores principais: as plantações de vinhas em socalcos/patamares em virtude da inclinação dos terrenos e pelo vinho do Porto, que apesar do nome é feito por lá. Eu ainda incluiria um terceiro fator: o intenso calor, quase desértico, principalmente no verão quando as temperaturas beiram os 50oC.

Falando um pouco sobre o vinho em si, as uvas são pisadas em lagares de granito, como era feito no passado. É composto por um corte de Tinta Roriz, Touriga Franca, Tinta Barroca, Tinto Cão, como também é costume na região. Evidentemente que não se sabe bem quais as proporções uma vez que as uvas normalmente eram plantadas todas misturadas, as famosas vinhas velhas portuguesas, e tudo era vinificado junto. não consegui confirmar tempo de estágio em madeira, mas pela evolução do vinho eu creio que deve ter passado algum tempo. Vamos as impressões.


Na taça o vinho apresentou uma cor rubi granada, com bordas atijoladas. Lágrimas finas, incolores e rápidas também eram notadas. O vinho pede decantação, pela idade e por não ser filtrado, apresentando grandes quantidades de borra e precipitados. O vinho já mostra aqui toda sua evolução e eu acho que ele já atingira seu auge, sendo que agora só lhe restaria o declínio.

No nariz, aromas bem complexos de ervas secas, chá preto, barrica de carvalho, mato e alguma coisa de solo molhado. Bem vinoso, tinha também um pouco de frutas vermelhas bem maduras a fundo. Tudo muito elegante e um pouco fechado de início.

Na boca o vinho tinha corpo médio, acidez ainda bem viva e taninos finos e bem integrados. Confirma chá e ervas em boca. Final de média duração sem amargor final.

O vinho foi comprado em uma ponta de estoque na D'Olivino e valeu o quanto foi pago na época, embora acho que deveria ter sido consumido um pouco mais cedo. Mas sabe quando temos um vinho e acabamos por esquece-lo na adega? Foi mais ou menos isso que aconteceu. De qualquer maneira, é um típico vinho velho mundo e agradou pela complexidade. Cresceu ainda com comida.

Até o próximo.

Tuesday, September 6, 2011

Quinta Nova de Nossa Senhora do Carmo LBV 2006 Porto

Apesar de não ser minha primeira experiência com um vinho do Porto, acho que no blog é a primeira postagem a respeito. O vinho do Porto leva este nome em virtude da cidade onde é produzido, em Portugal. Normalmente as vinhas que dão origem a estes vinhos fortificados vem das margens do rio Douro e após sua produção, vão para a cidade de Vila Nova de Gaia para envelhecimento. Seu método de produção é curioso eu diria, e consiste em parar a fermentação das uvas utilizadas em determinado momento pela adição de aguardente vínica, o que faz com que o vinho possua uma certa quantidade de açúcar residual (não fermentado) e um elevado teor alcoólico. Após este processo o vinho passa por diversos transportes na adega a fim de se buscar uma evolução ideal para o mesmo, o que chamamos de trasfegas. Normalmente são utilizados grandes tonéis para o armazenamento e envelhecimento dos vinhos em Vila Nova da Gaia. Na produção dos vinhos do Porto são diversas as uvas permitidas, mas no exemplar em questão foram usadas Touriga Nacional, Touriga Franca, Tinta Roriz, Tinta Amarela, Tinto Cão, Souzão e Tinta Barroca. A última curiosidade a cerca deste vinho é que ele é um LBV - Late Bottled Vintage, vinhos produzidos em safras consideradas excepcionais e que tem um período de envelhecimento entre 4 e 6 anos. Vamos as minhas impressões.


O vinho apresentou uma cor violácea púrpura muito intensa na taça, manchando todas as paredes da mesma. Lágrimas lentas, coloridas e em abundância fechavam o aspecto visual.

No nariz o vinho mostrava aromas de frutas secas/passas como ameixa preta e uva, algo floral, leve amendoado e chocolate ao fundo. Álcool quase imperceptível levando em conta os potentes 20%. Tudo muito exuberante, mostrando ainda muita jovialidade.

Na boca o vinho foi um show, muito corpo, preenchia a boca com maestria. Acidez em abundância contrabalanceando com a doçura do açúcar residual, muita fruta passa/seca e um final longo com muito chocolate. Um delírio. Casou com maestria com um brigadeirão feito pela Milena, minha namorada, uma verdadeira delícia!!!

Enfim, apesar da pouca idade do vinho, se mostrou muito complexo e harmônico, pronto para o consumo. Como comprei duas garrafas na época,vou deixar uma descansando um pouco mais na adega pra ver se haverá alguma evolução. Depois revisitarei o post e comentarei a evolução.

Até o próximo!