terça-feira, 18 de outubro de 2011

Quinta do Farfão Reserva 2003

E hoje é dia de falar dos meus vinhos preferidos, os portugueses. E eu digo preferidos pois comparativamente, no quesito custo x benefício, dificilmente vinhos do velho mundo conseguem bater os portugueses, quando falamos de mercado brasileiro. E temos também laços ancestrais, certo? Este exemplar em questão vem do Douro, região amplamente conhecida por dois fatores principais: as plantações de vinhas em socalcos/patamares em virtude da inclinação dos terrenos e pelo vinho do Porto, que apesar do nome é feito por lá. Eu ainda incluiria um terceiro fator: o intenso calor, quase desértico, principalmente no verão quando as temperaturas beiram os 50oC.

Falando um pouco sobre o vinho em si, as uvas são pisadas em lagares de granito, como era feito no passado. É composto por um corte de Tinta Roriz, Touriga Franca, Tinta Barroca, Tinto Cão, como também é costume na região. Evidentemente que não se sabe bem quais as proporções uma vez que as uvas normalmente eram plantadas todas misturadas, as famosas vinhas velhas portuguesas, e tudo era vinificado junto. não consegui confirmar tempo de estágio em madeira, mas pela evolução do vinho eu creio que deve ter passado algum tempo. Vamos as impressões.


Na taça o vinho apresentou uma cor rubi granada, com bordas atijoladas. Lágrimas finas, incolores e rápidas também eram notadas. O vinho pede decantação, pela idade e por não ser filtrado, apresentando grandes quantidades de borra e precipitados. O vinho já mostra aqui toda sua evolução e eu acho que ele já atingira seu auge, sendo que agora só lhe restaria o declínio.

No nariz, aromas bem complexos de ervas secas, chá preto, barrica de carvalho, mato e alguma coisa de solo molhado. Bem vinoso, tinha também um pouco de frutas vermelhas bem maduras a fundo. Tudo muito elegante e um pouco fechado de início.

Na boca o vinho tinha corpo médio, acidez ainda bem viva e taninos finos e bem integrados. Confirma chá e ervas em boca. Final de média duração sem amargor final.

O vinho foi comprado em uma ponta de estoque na D'Olivino e valeu o quanto foi pago na época, embora acho que deveria ter sido consumido um pouco mais cedo. Mas sabe quando temos um vinho e acabamos por esquece-lo na adega? Foi mais ou menos isso que aconteceu. De qualquer maneira, é um típico vinho velho mundo e agradou pela complexidade. Cresceu ainda com comida.

Até o próximo.

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