sexta-feira, 20 de maio de 2011

Aromas de petróleo da Riesling seriam defeitos?

Semana passada estávamos estudando Alemanha e Áustria na aula de sommellerie e nos deparamos com os famosos vinhos brancos alemães elaborados a partir da casta Riesling, quando chegamos na discussão dos aromas normalmente encontrados em vinhos desta uva, aromas estes provenientes em sua maioria da própria uva.  Especialmente em sua maturidade, vinhos desta casta tem grande potencial de expressar o solo em que são plantadas e comumente mostram também aromas químicos de derivados de petróleo (querosene, por exemplo).

Acontece que pouco depois desta aula, me deparei com um artigo escrito por Adam Lechmere para o site Decanter.com (um dos mais conceituados em se tratando de vinhos no mundo) onde ele dizia que segundo Michel Chapoutier, famoso produtor do Vale do Rhone (França), tais aromas de petróleo e derivados nos vinhos produzidos com uvas Riesling seria um grave erro de viticultura/enologia na elaboração dos mesmos. Segundo Chapoutier defeitos históricos do vinho estão se tornando características intrisecas dos vinhos, sem o devido cuidado na vinificação dos mesmo.

O principal problema, ainda segundo Chapoutier, é que estes aromas de petróleo e derivados vem da decomposição de veios internos da pele da uva (“casca”) , proavelmente por prenssagem em demasia dos bagos nas vinícolas em geral. O detalhe principal na vinificação da uva Riesling, continua o artigo (e Chapoutier é claro) é a prensa de modo o mais gentil possível , sem a dilaceração das película (“casca”) externa, nem das sementes/cabinhos para a produção destes vinhos.

Apesar disso, existem correntes que defendem ainda que estes aromas devem estar presentes principalmente em vinhos considerados mais maduros, até pelo potencial de envelhecimento que a uva tem apresentado. Além disso, a qualidade está também relacionado aos baixos rendimentos aplicados por produtores de maior qualidade. Além disso, devemos prestar atenção também ao local de origem do vinho, uma vez que a maturidade das uvas tem muito a ver com o clima, exposição ao sol, calor, etc. Enfim, diversos aspectos tem que ser considerados nesta discussão.

Evidentemente não possuo conhecimento suficiente para me colocar de um lado ou de outro mas a questão é que muitos vinhos desta uva, principalmente no velho mundo e de aclamados produtores apresentam estes aromas, e por mais que se fale em massificação da produção, alguns deles possuem muita qualidade. A questão está aberta e gostaria de contar com a discussão de todos neste aspecto. Qual é a sua opinião?

2 comentários:

  1. Oi Victor,

    Parece que ele estava se referindo só aos dominantes aromas de petróleo no riesling jovem, não os toques que aparecem com o tempo em um grande riesling da Alemanha.

    Se entendo bem, as uvas riesling que recebem muito calor e sol, e amadurecendo rapidamente, desenvolvem mais carotenóide e potencial para aromas de petróleo como jovem. Aparentemente especialmente uvas queimadas desenvolvem o pigmento carotenóide.

    Um abraço
    Ulf

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  2. Ulf,

    Obrigado pela participação e informações fornecidas.

    Abraços.

    Victor

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