quinta-feira, 19 de maio de 2011

Retsina, mistura de vinho e resina?

Eu sei que este título soa meio bizarro mas é isso mesmo. Ontem a aula de sommellerie era sobre Grécia, Israel e Líbano, países que eu realmente não tenho quase nenhum conhecimento, seja pela dificuldade de encontrarmos bons rótulos a preços acessíveis (talvez a exceção seja a Grécia) seja pela pouca informação que os meios de comunicação especializados divulgam sobre eles. A questão é que eu tive a oportunidade de conhecer um vinho branco bem peculiar produzido na Grécia, chamado de Retsina.

A história deste vinho remonta a mais de dois mil anos atrás, onde era usada uma espécie de resina vinda das árvores de pinho para a vedação das ânforas (vasos antigos de forma geralmente ovóide e possuidoras de duas alças simétricas, confeccionados em barro ou terracota, geralmente terminado em sua parte inferior por uma ponta ou um pé estreito) utilizados para manuseio, transporte e armazenamento do vinho na antiguidade. O que geralmente acontecia era que o contato do líquido no interior das ânforas com esta resina gerava aromas peculiares nestes vinhos, o que acabou por se tornar um vinho típico da região. Mesmo após a invenção de outras formas de vedação das ânforas por parte dos romanos, tais aromas provenientes desta resina se tornaram tão popularmente difundidos na Grécia que os gregos inventaram uma maneira de preservar esta "cultura". Passaram então a fazer a mistura da resina nos vinhos ou mesmo a adição de pequenos pedaços de pinho nas barricas do vinho com o intuito de aromatiza-los. 

Ao se degustar o vinho, conforme citou a professora Alexandra Corvo, a idéia é a já batida ame-o ou odeio-o, tamanhas as emoções que o vinho pode gerar em você. O vinho degustado na aula de ontem apresentou cor amarelo claro tendendo levemente ao dourado, aromas frescos de pinho lembrando produtos de limpeza em geral, com algum floral e frutado leve ao fundo. Tem boa estrutura, se apresentou até meio gordinho em boca porém o retrogosto é marcado em demasia por esta lembrança de "pinho sol" na boca (talvez uma lembrança traumática da época em que eu trabalhei na empresa que fabricava o dito cujo). Não tenho embasamento para discutir qualidade deste vinho, somente que é diferente e para meu paladar pessoal não agradou. Pode ser que com algum prato de frutos do mar possa melhorar um pouco, o que eu particularmente não acredito. Abaixo segue o rótulo do dito cujo.

Para finalizar, se sua intenção é expandir seu paladar e conhecer vinhos muito peculiares, vale a pena ao menos a prova deste vinho. Estudante ou amante de vinhos? Sem dúvida uma excelente pedida. Agora, se a intenção é ter alguns exemplares em adega, dividir com amigos em momentos de descontração, jantares romanticos e afins você e quem for degustar o vinho contigo tem que realmente gostar. De qualquer maneira foi uma experiência enriquecedora. Mal posso esperar por outras!!
Saúde e bons goles!

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