quinta-feira, 5 de maio de 2011

Viagem a Punta Del Este Parte 2: Visita a Bodega Alto de La Ballena

Aproveitando a oportunidade que tinha de estar num país que tem alguma produção vinicola consistente e que disponibiliza visitas as bodegas, mesmo numa época do ano em que as vindimas já ocorreram, comecei a procurar na internet (por causa de meu pouco conhecimento sobre o mercado Uruguaio) e descobri que muito perto de Punta havia uma bodega que vinha gerando certo “barulho” devido a grande qualidade que seus vinhos vinham demonstrando em pouco de tempo de produção. A bodega se chama Alto de La Ballena. Comecei os contatos através de um email disponível no site deles e não tardei a fechar data, horário e demais instruções para o dia da visita.



No dia e horário marcados me dirigi a propriedade e quando cheguei ao estacionamento fiquei um pouco preocupado: além do carro em que nos encontrávamos existia somente mais um, de onde saira uma senhora com um pequeno cão galgo. Ela logo se apressou a se apresentar para nós: era a dona da bodega. Um pouco mais confiante, fomos direcionados então a o deck de degustações da vinícola onde começaríamos nossa visita. Depois de alguns minutos de preparação, a Sra. Paula Pivel (dona da bodega juntamente com seu esposo Álvaro Lorenzo) se juntou a eu e minha namorada em uma das mesas do deck e começou a nos contar um pouco sobre ela e como começou o empreendimento Alto de La Ballena, além é claro de informações mais técnicas sobre o cultivo, vinificação e tudo que envolve a produção de seus vinhos.

Paula e o marido conheceram-se quando cursavam MBA, se casaram e desde então perseguiram um sonho que era o de produzir vinhos de qualidade em Maldonado, no Uruguay. Em meados de 2000 adiquiriam os quase 20 ha de terra que possuem na Serra de Ballena e começaram as plantações em 2001. Desde então eles vem cultivando as seguintes castas:  Mertot, Tannat, Viognier, Cabernet Franc e Syrah sendo que a primeira colheita se deu já em 2005 e os primeiros vinhos ingressaram no mercado em 2007. Trabalhando muito a qualidade de seus vinhos a partir dos vinhedos, o casal trabalha com rendimentos baixos (entre 1 e 2 kg por planta) em altas densidades de plantação. Adicionalmente, utilizam-se de todas técnicas necessárias para elevar sempre a qualidade de seus frutos, tais como podas, manejos, etc. O que mais impressiona na propriedade é o solo em que as vinhas se encontram, muito pedregosos com presença de granitos, quartzos, nos mais variados tamanhos, tendo que ser abertos/preparados por ação mecanizada mas que por outro lado geram uma boa drenagem, essencial para o amadurecimento e qualidade das uvas. Complementam ainda o terroir a proximidade do oceano, de um grande lago, boa exposição solar, amplitudes térmicas generosas e brisas noturnas frias.  Um pequeno parentese na descrição da visita: uma dos grandes atrativos da visita é, além dos bons vinhos que eles produzem, o visual do lugar. Situada bem no ápice da Serra de La Ballena, a bodega tem um dos por do sol mais deslumbrantes que eu já vi.

Voltando a visita, depois de explicar como surgiu a idéia da bodega, um pouco de sua vida e etc, Paula nos convidou a subir até um dos pontos mais altos de sua propriedade e ver os vinhedos de uva Syrah, para nos mostrar como é o solo do local, como estão conduzidas as vinhas, e todo o processo desde o plantio até a colheita anual. Ficamos por lá alguns minutos conversando sobre as vinhas e tudo que as envolve, agronomica e viticuturalmente falando. E que mulher simpática e atenciosa ela se mostrou. De volta ao deck, daríamos início as degustações. Nos foram disponibilizados 5 vinhos para a degustação, que serão descritos a seguir com uma breve impressão sobre cada um deles. Para acompanhar, queijos e pães artesanais.



1 – Alto de La Ballena Rosé 2010: Se não me engano esta foi a safra apresentada. O vinho foi produzido num corte de Cabernet Franc, Merlot e Tannat cujas proporções eu não anotei (fui extremamente relapso e me deixei levar pelo clima extremamente amigável e descontraido da visita e acabei por não tirar muitas fotos nem tomar muitas notas). Vinho de cor bem escura para um rosé, apresentou aromas de frutas vermelhas bem suculentas e alguma coisa de especiarias ao fundo. Retrogosto apresentou um que mineral que eu não consegui entender ao certo com um pouco de amargor final. Mostrou corpo e músculos não usuais para um rosé, em virtude das uvas de sua composição. Um pouco quente ao final, mostrou boa acidez e frescor. Apesar de não ser de meu agrado, não pode se questionar a qualidade do mesmo;

2 – Alto de La Ballena Tannat Merlot Cabernet Franc 2008: Vinho de entrada da bodega, este corte já começou a mostrar a carácter dos vinhos produzidos por eles. Muito frutado, cerejas, morangos e frutos vermelhos em geral, especiarias e algo herbáceo. Bom corpo e acidez, taninos finos e quase imperceptíveis. Final de boa persistência com algo de Tabaco;

3 – Alto de La Ballena Tannat Viognier 2008: Este vinho apresenta um corte inusitado mas que agrada em cheio. Aromas florais se juntam ao frutado dando um requinte todo especial. Taninos amaciados pelos 10% de Viognier porém presentes e em maior quantidade que o anterior geram boa complexidade. Acidez na medida e final elegante. Me parece muito gastronômico;

4 – Alto de La Ballena Cabernet Franc Reserva 2007: Um dos xodós dos donos da vinícola, mesmo com um “começo”desacreditado, o vinho se mostrou de muita personalidade. Notas de frutas vermelhas, especiarias e algo de menta e/ou horelã, dando certa elegância ao conjunto. Taninos firmes e boa acidez. Deve cair bem com uma carne vermelha.

5 – Alto de La Ballena Merlot Reserva 2007: Sem dúvida foi o que mais me agradou. Posso dizer que me apaixonei por este vinho. Um merlot diferente de tudo que eu já havia provado antes. Encorpado, gordo em boca, taninos firmes, presentes, elegantes, boa acidez. Aromas de frutas mais escuras, algo doce como chocolate e lembrança de tostado. Lindo tanto no nariz como em boca! Tanto que repeti algumas vezes o mininão. E aproveitei pra adiquirir uma garrafa pra trazer pro Brasil. 



Depois de mais algum papo informal, que contou ainda com a presença do Sr. Álvaro do meio para o final da degustação e de uma italiana que estava morando no Uruguay a algum tempo, tive que me despedir deste amável casal e retornar ao hotel uma vez que a noite caia cada vez mais escura e eu ainda teria que pegar estrada. Uma visita muito interessante que proporcionou inigaláveis momentos com pessoas incríveis. Se você leitor tiver a oportunidade e estiver no Uruguay (seja em Montevideo ou em Punta Del Este) não deixe de visitá-los. Eu recomendo!

2 comentários:

  1. Estou indo pra lá agora do final do ano... estava pesquisando sobre a vinícola...
    Legal, já estou marcando com eles!
    Agora já vou com um foco melhorado!
    :D

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    1. Jane querida, obrigado pela visita. Faça a visita mesmo, você não vai se arrepender!
      Depois me conte os detalhes, certo?

      Beijos

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