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Monday, March 26, 2012

Confraria Pane, Vinum Et Caseus: mais uma noite de gala

E foi neste final de semana que aconteceu o encontro mais esperado de todo mês, o encontro da Confraria Pane, Vinum et Caseus. E eu digo isso por que estes encontros são recheados de boas companhias, excelentes vinhos e muito comida de primeiríssima linha, sem nos esquecermos é claro dos anfitriões que sempre nos recebem maravilhosamente bem em sua casa. E não foi diferente neste final de semana.

As vezes, os confrades que normalmente tem o costume de chegar mais cedo, bem próximos ao horário marcado são recepcionados com um vinho especial. O desta noite foi um espanhol, o Dueto de Fontana 2004, um representante da região de La Mancha feito num corte 50/50 Cabernet Sauvignon e Merlot., vinhaço que trazia aromas marcantes de couro, frutas escuras e algo de tostado. De muita complexidade, mostrava também ótimo corpo e acidez, ainda com taninos finos e presentes. Já dava indícios que a noite seria uma beleza!


A partir dai entre a chegada de um confrade e a conversa sendo derramada por todos os cantos, alguns vinhos já conhecidos da confraria começaram a ser abertos e as taças começaram a trabalhar bastante nesta noite. Foi quando o primeiro escolhido para a noite fora desarolhado: o Montaia IGT Sangiovese 2006, vinho frutado, de corpo leve e boa acidez. Um vinho simples mas muito gostoso, e que abria com alegria a reunião da confraria. Mas o melhor ainda estaria por vir.


Era chagada a hora da estrela principal da noite. O jantar estava para ser servido e era composto de uma salada verde com peras e queijo gorgonzola, divinamente combinados com um molho honey mustard deixando a entrada já deliciosa. O sabor mais forte e salgado do queijo se contrapunha a leve doçura da pera e ao ácido do molho, formando um belo conjunto. Já o prato principal seria um Magret de Canard com Risoto de Abobrinhas e batata palha. O risoto estava divino, al dente e suculento ao mesmo tempo, ao passo que o pato estava realmente no ponto, sem ficar ressecado e com um sabor incrível! Mas e o(s) vinho(s) escolhido(s) para acompanhar tamanho banquete? A não poderia ser outra opção a não ser dois belos exemplares hermanos da Bodega Sotano: os Reserva da Família Cabernet Sauvingon e Malbec. A Bodega é conhecido por trabalhar no estilo boutique, com pequenas produções e foco na qualidade. E ambos os vinhos comprovaram a história: O Malbec mais potente, com aromas típicos de ameixas pretas, floral, toques achocolatados ao passo que o Cabernet um pouco mais sóbrio, herbáceo um pouco mais evidente, frutas em segundo plano e leve toque de baunilha. Muita tipicidade em ambos. E o casamento perfeito, a meu ver, foi do prato com o Malbec.




















Mas quem pensa que este era o gran finale da esbórnia enogastronomica se enganou completamente. Ainda havia espaço para a sobremesa e mais uma surpresa na noite. A sobremesa era uma bela torta mousse de chocolate e nozes, divinamente acompanhada por salada de frutas e calda de groselha. Nem preciso dizer que dava água na boca e que a torta combinava a maciez do mousse com a crocância das nozes em sabores intraduzíveis para palavras. E para acompanhar a sobremesa, uma surpresa: um vinho de sobremesa francês, o Domaine Bordenave-Coustarret Jurançon 2008, feito a partir das uvas Petit Manseng e Gros Manseng, o líquido que lembrava ouro derretido tinha aromas cítricos, florais e algo empireumáticos, lembrando por vezes vinhos oriundos de uvas botritizadas (não sei se isso acontece neste vinho). Preenchia a boca e era quase mastigável, com sua doçura e corpo contrabalanceados a uma boa acidez. Mais um casamento delicioso.


Depois disso ainda ficamos ao som de nossos confrades ao karaoke, com muita conversa por vir e mais vinhos. Mas a partir daqui meu senso de discernimento não estava mais funcionando 100% e eu só guardo na memória os bons momentos que tive, aguardando os próximos encontros!

Até o próximo!

Wednesday, December 28, 2011

Cuvée Domaine Nigri 2008

Finalizando a série de postagens relacionadas aos vinhos do natal, temos agora este vinho de sobremesa que foge um pouco dos habituais vinhos do porto, sautérnes e afins. Mais um que eu adquiri na Cave Jado, minha importadora favorita em se tratando de vinhos franceses com boa relação custo benefício.

O vinho em questão é feio na região sudoeste da França, na AOC Jurançon, e tem como uvas componentes a Gros Manseng (60%), vinficada e maturada em cubas termoreguladas e a Petit Manseng (40%), vinficada e maturada em toneis de carvalho, ambas uvas locais, emblemáticas e que compõe parte das permitidas dentro da regulamentação local.  Embora não se tenha mais informações sobre o vinho e o método de produção para que o vinho se torne doce, eu aposto que ao menos alguma das castas deva ter sido botrytisada. Sobre o produtor, retirado do site da importadora: "O Domaine Nigri existe desde 1685, o Jean Louis Lacoste dirige esta vinícola familiar há quase 20 anos. A vinícola está em conversão orgânica com práticas de cultura modernas no respeito ao meio ambiente. A diversidade dos solos e das uvas com um trabalho caprichado confere aos vinhos do domaine uma originalidade e uma grande complexidade na expressão aromática. A região do Jurançon tem influencias climáticas do Atlântico, dos Pireneus, temperaturas elevadas e é a região vinícola da França mais chuvosa, então o cuidado com a cobertura vegetal é muito importante para prevenir a erosão e preservar a vida orgânica dos solos, elementos essenciais da expressão dos terroirs. As uvas são colhidas separadamente e vinificadas parcela por parcela afim de revelar todo potencial aromático e expressar a diversidade dos solos". Vamos as impressões.


Na taça o vinho já impressiona pela coloração dourada com tendência âmbar, muito brilhante e bonita. Lágrimas lentas escorrem pelas paredes da taça. 

No nariz o vinho mostrava aromas de maracujá, mel e algo empireumático, lembrando plástico novo. Além disso, uma ponta de cítrico podia ser sentido no fundo da taça. 

Porém era na boca que o vinho realmente dava um show: untuoso, encorpado e com uma acidez interessante que contrapunha com a doçura do vinho, fazendo com que houvesse um delicioso equilíbrio no vinho. Retrogosto com muito mel e maracujá além de uma pitadinha de cítrico, que também aparecia por aqui. Uma delícia!

E o vinho não poderia ser melhor para harmonizar com uma torta mousse de maracujá com massa tipo podre e cobertura de chantili. Enfim, uma deliciosa combinação de Baco!! Eu recomendo!

Até o próximo!