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Friday, December 6, 2013

Os EUA e a Lei Seca

Enquanto passeava pelo mundo virtual no dia de ontem, 05 de Dezembro, descobri que esta é a data que se comemora a "abolição" da Lei Seca nos EUA pois é quando a imenda constitucional que tratava do assunto fora superada por outra que tornava então legal a produção e venda de bebida alcoólica em todo os EUA. Mas o que foi e como aconteceu a Lei Seca?

Na história dos Estados Unidos, a Lei Seca, também conhecida como The Noble Experiment, caracteriza o período de 1920 a 1933, durante o qual a venda, fabricação e transporte de bebidas alcoólicas para consumo foram banidas nacionalmente como estipulou a 18°. Aditamento da Constituição dos EUA. Na teoria esta lei viria como um salvamento para o povo norte americano da pobreza e da violência que assolava o país. Num primeiro momento houve grande apoio de diversas partes do povo norte americano, mas com o passar do tempo a fabricação e o comércio ilegal começou a criar uma guerrilha urbana sob as vistas grossas do governo americano. É ai que surge também a máfia e o contrabando. 

Mas tudo isso não passou de um grande fiasco e aos poucos, os próprios defensores da luta anti-álcool se decepcionaram com seus resultados. Argumentando ainda que a legalização das bebidas levaria a um aumento no nível de emprego e uma elevação da economia os opositores do então presidente na época o convenceram a ir ao Congresso e batalhar pela legalização das bebidas alcoólicas. O primeiro passo foi dado com a cerveja e, em 1933, o Congresso americano aboliu por inteiro a Lei Seca.

É claro que existiram muitas outras motivações por trás desta lei, desde religiosas até mesmo xenófobas e anti imigrantes. Mas espero que este pequeno resumo apresentado aqui possa servir de começo para uma discussão saudável. No entanto, só se for regada a muito vinho.

Até o próximo!

Wednesday, June 5, 2013

Quem chegou primeiro no mundo dos vinhos: os franceses ou outros povos?

Recente pesquisa arqueológica identificou uma prensa de pedra em uma cidade mediterrânea, com cerca de 2400 anos, que pode fazer parte da primeira incursão francesa no mundo vitivinícola. A princípio se confundiu tal artefato com uma prensa de azeite, mas ao final de algumas rodadas de análises químicas provou se tratar de um instrumento utilizado na produção de vinhos. Em decorrência de tais descobertas, começou-se a questionar não só a exatidão anteriormente relatada sobre quando os franceses começaram a produzir vinho mas também quem realmente os ensinou a fazer tal.

Foto originalmente do site da revista WineSpectator
A evolução da produção de vinho francesa aconteceu em fases. Primeiro, antigas civilizações do Mediterrâneo, como os fenícios e os gregos começaram a vender taças e vinho para os gauleses nativos. No que se diz respeito ao sul da França, foram os etruscos que trouxeram os celtas e/ou os gauleses para o mercado de vinhos. A partir dai, tais técnicas se se espalham até o Rhône e, eventualmente, se estabelece o que é a cultura do vinho de hoje. Então, como indicado pela prensa de pedra encontrada, os gauleses iniciaram a produção de vinho em torno de 425 AC.

O sítio arqueológico em torno da prensa apoia a teoria de que o comércio e a produção de vinhos passaram de mão em mão. Os primeiros artefatos relacionados com o vinho no local consistem em recipientes de barro trazidos por comerciantes gregos e etruscos para venda aos gauleses nativos. Um século ou ainda mais tarde, a produção de vinho local, conforme indicado pela prensa, surgiu lado a lado com o comércio de vinhos. Os celtas e os gauleses importaram alguns conjuntos de vinhos muito elegantes, feitos de ouro ou bronze, que mostravam o quão rico eles eram na época. E a partir do momento que eles foram na direção da importação do vinho, se deu também o interesse pela produção própria de vinho. Os pesquisadores também encontraram sementes de uva enterradas ao lado da prensa e identificaram prensas estruturalmente semelhantes em antigas pinturas etruscas relacionadas a produção de vinho.

Apesar de 425 AC soar antigo, é mais ou menos o mesmo tempo em que Sócrates viveu. As novas descobertas implicam que a França chegou no jogo da vitivinicultura um pouco tarde. Comerciantes da Israel moderna e Líbano trouxeram conhecimentos do vinho do Oriente Médio ao norte da África, Grécia, Espanha e Itália, centenas de anos antes de os franceses estabelecerem sua primeira produção de vinhos. No entanto, com base nos vinhos que de lá vem, estes gauleses conseguiram compensar o "tempo perdido".

Monday, December 17, 2012

Em busca das origens do vinho

Eu confesso que gosto muito de ler reportagens/posts/etc sobre vinhos na internet e sempre que acho algo interessante, tento trazer aqui pro blog e divulgar para meu leitores, pessoas que prezo muito. E não vai ser diferente hoje. Acredito que todos nós, enófilos de plantão, sempre tivemos curiosidade e saber como/quando e onde o vinho surgiu, sob que circunstâncias, etc. E existem diversos estudos e teorias sobre o assunto, mas me parece que agora um botânico geneticista suíço em cooperação com um arqueologista biomolecular se envolveram em uma pesquisa de mais de 10 anos sobre o assunto, e alguns resultados surgiram dai. Segue abaixo a matéria traduzida e adaptada do site www.winespectator.com . Espero que gostem.

Através de perfis de DNA e da arqueologia, os pesquisadores descobriram o que acreditam ser o berço do cultivo de vinhas e produção de vinhos. Ainda segundo esta nova pesquisa destes cientistas, a longa história da humanidade ligada ao cultivo de uvas viníferas começou no sudeste da Anatólia, localizada onde atualmente se encontra a Turquia. A pesquisa mostrou também que as nossas uvas viníferas favoritas estão mais relacionadas entre si do que se pensava anteriormente.

Os pesquisadores já acreditavam que onde são encontradas a maior diversidade de videiras silvestres e estas compartilhem a maioria das semelhanças com as uvas viníferas cultivadas pelo homem, e as espécies europeias de vinhas de castas mais top pertencem a este grupo, que seria o lugar onde o homem primitivo começou a cultivar uvas especificamente para o vinho.

O sudeste da Anatólia tem aparecido na lista de prováveis ​​locais de nascimento da viticultura, juntamente com áreas próximas na Armênia, na Transcaucásia, na Geórgia e no Azerbaijão. Esta região (Anatólia) é parte do Crescente Fértil, onde se supõe que os agricultores da Idade da Pedra "domesticaram" os primeiros grãos selvagens. Essas culturas proveram uma base de abastecimento alimentar estável e permitiram que nossos ancestrais, nômades até então, pudessem se estabelecer dando origem aos povoados, à sociedade e à civilização como conhecemos hoje.

As evidências sugerem que as videiras eram abundantes na região naquela época. Uvas colhidas e não imediatamente consumidas podem ter sido armazenadas em uma cesta e inevitavelmente algumas teriam sido esmagadas, com as leveduras selvagens presentes nas cascas transformando rapidamente o suco em algo mais interessante. "Se algum homem ou mulher tinha provado este suco, observando o efeito de euforia, ele tinha uma única idéia: começar de novo". Por que então o homem começaria a plantar vinhas ao invés de colher uvas selvagens, como havia feito durante séculos? As uvas silvestres não seriam presas fáceis-as videiras subiram em árvores, fazendo com que a colheita das bagas se tornasse difícil e perigosa.

Ao combinar os dois campos de pesquisa (arqueologia e pesquisa de DNA) então as conclusões nos remetem a uvas domesticadas pela primeira vez entre 6000 e 8000 aC, possivelmente mais cedo. Os argumentos estão sempre ligados a que o ser humano tem tido a vontade de apreciar o vinho desde sempre e que existe uma verdade saga na busca de se evitar que o vinho vire vinagre. Usando métodos intensivos e precisos de identificação de compostos orgânicos deixados pelo vinho, estão sendo testados antigos vasos de barro da Anatólia claramente destinados para armazenamento e consumo da bebida. Ainda segundo a pesquisa, as amostras do leste da Turquia são realmente emocionantes, dizem os pesquisadores.

Há algumas conexões surpreendentes nestas descobertas também,que incluem as árvores genealógicas de 1.368 variedades de uva, com base na pesquisa de seu respectivo DNA. Por exemplo, a uva Syrah é a bisneta da Pinot. Outra surpresa: a uva Gouais Blanc, que sofre muito preconceito por parte de alguns supostamente por produzir vinhos de qualidade duvidosa, tem mais de 80 descendentes em circulação, inclusive Gamay, Chardonnay, Riesling e Furmint.

Para uvas viníferas européias, 13 "uvas fundadoras," ancestrais chave de nossas variedades favoritas, têm sido isoladas até agora, junto com os países cujos pesquisadores acreditam que prosperaram primeiro: na França, eles incluem Pinot Noir (Pinot Blanc e Gris são mutações) , Gouais Blanc, Savagnin, Cabernet Franc e Mondeuse Noire; na Itália, Garganega, Nebbiolo, Teroldego, Luglienga; na Itália ou na Grécia, Muscat Blanc Petit Grain; na Espanha, Cayetana Blanca; na Suíça ou na Áustria, Reze e na Croácia , Tribidrag.

Evidentemente existe muito mais para descobrir nos relacionamentos e linhagens dessas uvas viníferas. Estes mesmos estudos apontam para as variedades Savagnin e Pinot como as mais antigas, com idades entre um ou dois mil anos, ambas responsáveis ​​por uma série de cruzamentos que deram origem ao que cultivamos hoje.

Quanto a onde os primeiros viticultores começaram o seu trabalho, a investigação continua na Geórgia, e o Irã poderia guardar alguns segredos. Uma jarra de vinho encontrada no noroeste do Irã remonta a 5400 AC mas ainda não foi possível a coleta de amostras das videiras que lá estão até agora.


E nossa aula de história fica por aqui. Tem algo a acrescentar? Elogios, críticas e/ou sugestões? Estou aguardando seus comentários! 

Até o próximo!