Thursday, February 11, 2016

Anas Tinto 2014: Mais uma preciosidade vinda do Alentejo

A Herdade do Sobroso, produtora do vinho em questão, nos seus 160 hectares de terras, concilia a produção de vinho com a fruição do espaço e da natureza, utilizando-os enquanto centro de lazer. Situada no região do Alentejo, mais especificamente na Vidigueira, a Herdade do Sobroso está delimitada pela Serra do Mendro ao norte, pelo Guadiana a leste e a sul pela enorme planície que se estende até perder de vista. A Herdade do Sobroso caracteriza-se por apresentar solos franco-argilosos e arenosos apostando na implantação de vinhas de acordo com critérios que visam a produção de uvas com elevada qualidade. No que diz respeito ao clima esta região é conhecida pelos seus Invernos frios, seguidos por Verões longos e quentes. As castas tintas dominantes são Aragonez, Alicante Bouschet, Cabernet Sauvignon, Syrah, Alfrocheiro e Trincadeira, enquanto os vinhos brancos provêm essencialmente das castas Antão Vaz, Arinto e Perrum.


Sobre o Anas Tinto 2014, podemos ainda acrescentar que é um vinho feito a partir das castas alicante Bouschet, Syrah e Aragonez estagiando por cerca de 3 meses em barricas de carvalho americano (uma parcela do vinho somente). Como curiosidade, o vinho tem suas uvas plantadas junto ao Rio Guadiana, onde Anas foi o nome com que batizaram este rio, que significa "dos patos". Daí o nome e a ilustração no rótulo do vinho. Vamos as impressões?

Na taça o vinho apresentou uma bonita coloração violácea de média para grande intensidade, bom brilho e boa limpidez. Lágrimas finas, rápidas e ligeiramente colorida faziam parte do quadro visual também.

No nariz o vinho apresentou aromas de frutas vermelhas frescas, flores e ervas.

Na boca o vinho apresentou corpo médio, boa acidez e taninos macios. O retrogosto confirma o olfato e o final era de média duração.

Um bom vinho português para o dia a dia, para se beber despretensiosamente e sem pensar muito a respeito. Sempre chama o próximo gole. Vale a prova.

Em casa harmonizamos o vinho com escondidinho de carne seca com mandioca e olha, vou te dizer que ficou bom pacas.

Até o próximo!

Friday, February 5, 2016

Casa Perini Solidário Cabernet Sauvignon Merlot 2014

Os imigrantes Antonio e Giuseppe Perini chegavam ao Brasil trazendo da Itália a arte de transformar a uva em vinho há mais de 130 anos atrás, no entanto, a produção vinícola teve início mais tarde, com João Perini em 1928, quando a partir daí começou a expansão e, gradativamente, o aprimoramento do processo de elaboração em todos os aspectos, desde o cultivo de novas variedades viníferas até o produto final. Foi em 1970 que Benildo Perini, neto de Giuseppe e atual diretor da vinícola, iniciou a transformação do pequeno empreendimento familiar em empresa, engarrafando seu vinho com a marca Jota Pe em homenagem ao seu pai João Perini. Já em Garibaldi, as atividades têm início em 1996, quando a Perini terceiriza uma infraestrutura para elaborar seus Espumantes Casa Perini e no mesmo ano, a marca Casa Perini é lançada também para os Vinhos Finos da Vinícola. Atualmente, a Vinícola Perini conta com 12 hectares de vinhedos localizados em Garibaldi e 80 hectares em Farroupilha, agregando uma área total de 92 hectares. (retirado do site do próprio produtor). Hoje com uma linha muito diversificada, a Vinícola Perini aposta em descomplicar o vinho e trazer para o mercado em todas suas linhas produtos de excelente custo benefício e que tendem a agradar uma vasta gama de paladares do brasileiro.


Sobre o Casa Perini Solidário Cabernet Sauvignon Merlot 2014 podemos ainda acrescentar que é uma ação filantrópica da Vinícola Perini, na qual os produtos vendidos dedicarão R$1,00 por garrafa de doação direta dividida entre as entidades envolvidas, no caso, a Federação Brasileira de Hemofilia e ao Instituto da Mama do Rio Grande do Sul. Assim, a cada compra, você atua diretamente nos processos de educação, reabilitação, articulação e mobilização social em favor da saúde dos pacientes vinculados à tais instituições. Além disso, é um vinho feito a partir das castas supracitadas, numa proporção 50% para cada e cerca de 5% do vinho tem passagem em barrica de carvalho francês por 6 meses. O vinho permanece ainda 4 meses em garrafa antes de ser comercializado. Vamos as impressões?

Na taça o vinho apresentou coloração rubi violácea de media intensidade, bom brilho e limpidez. Lágrimas finas, rápidas e incolores se faziam presentes.

No nariz o vinho apresentou aromas de frutos vermelhos e escuros, especiarias, floral e leve baunilha.

Na boca o vinho apresentou corpo leve para médio, acidez na medida e taninos fininhos. O retrogosto confirma o olfato e o final era de média duração.

Mais um bom vinho tinto brasileiro para o dia a dia e que, ainda por cima, tem uma bonita ação social por trás. Eu recomendo a prova  e por consequência, a ajuda a quem precisa.

Até o próximo!

Wednesday, February 3, 2016

Westend Estate Down Under Shiraz 2014

Apesar de ser portador de uma rara alergia causada pelos ácidos no vinho que o impede de engolir esta bebida, a visão e determinação de Bill Calabria colocam-no no topo da lista dos produtores que elevaram enormemente a qualidade dos vinhos elaborados em Riverina nos últimos anos. Estabelecida em 1945 por seus pais, imigrantes italianos, em Griffith, no coração de Riverina, que é a segunda maior região produtora da Austrália. De lá saem 70% dos vinhos do Estado de Nova Gales do Sul e a região é famosa por seus vinhos de sobremesa estilo Sauternes. O reconhecido crítico James Halliday concedeu quatro estrelas e meia à vinícola em seu Australian Wine Companion 2015.


Sobre o Westend Estate Down Under Shiraz 2014, podemos ainda acrescentar que é um vinho feito 100% com uvas Syrah da região de Riverina, na Austrália, e passa por 6 meses de envelhecimento em barricas de carvalho francês e americano. Vamos as impressões?

Na taça o vinho apresentou uma bonita coloração violácea de grande intensidade, bom brilho e limpidez. Lágrimas finas, rápidas e ligeiramente coloridas também se faziam presentes.

No nariz o vinho apresentou aromas de frutas escuras, especiarias (pimenta em evidência), baunilha e leve toque animal ao fundo.

Na boca o vinho tinha corpo médio, boa acidez e taninos suaves. O retrogosto confirma o olfato e o final era de média duração.

Um gostoso vinho australiano que foi um belo escudeiro para uma boa pizza de sexta feira. Eu recomendo a prova.

Até o próximo!

Tuesday, February 2, 2016

Waiki Cabernet Sauvignon Barrel Selection 2013

A Viña Pérez Cruz, produtora do vinho, é considerada uma vinícola boutique por ter uma produção considerada de pequena para médio porte para os padrões chilenos e com uma curiosidade: quase não é conhecida em seu país de origem tendo focado a quase totalidade de sua produção para exportação. Sua história se inicia com a aquisição das terras onde hoje se encontram a vinícola por Don Pablo Pérez Zañartu, um empresário chileno muito conhecido, e posteriormente com a criação da vinícola por sua família após seu falecimento. Don Pablo nunca chegou a ver o projeto da vinícola funcionando já que esta teria sido fundada em 2002. Dada as condições do clima e de terreno do lugar (alguém lembrou do termo "terroir"), a Viña Pérez Cruz tem sua produção exclusivamente de vinhos tintos, tendo como grande estrela a casta Cabernet Sauvignon e depois a casta emblemática do Chile, a Carmenére. Podemos dividir seus vinhos em 3 linhas: a de entrada com um Cabernet mais básico, a intermediária com os varietais Limited Edition Malbec (lá chamado de côt), Carmenére, Syrah além do Chaski (Petit Verdot) e a linha top com os blends Liguai e o Quelén. A vinícola é muito moderna e sustentável, se utilizando das mais recentes técnicas relativas tanto a edificação da vinícola quanto a produção dos vinhos. O prédio da Viña Pérez Cruz é feito de madeira e tem o um formato de duas barricas juntas, com os telhados abaulados, de modo a facilitar a circulação do ar, fazendo com que a temperatura interna do prédio seja regulada e se mantenha amena com a subida do ar mais quente e menos denso, e mantendo o ar mais refrescado. Grande parte da movimentação do mosto/vinho é feita por gravidade desde o recebimento das uvas num andar mais superior até a fermentação nos tanques de inox e posterior malolática e envelhecimento em carvalho francês e americano.


Sobre o Waiki Cabernet Sauvignon Barrel Selection 2013 podemos acrescentar que é um vinho feito 100% com uvas Cabernet Sauvignon de vinhedos mais jovens da vinícola. Além disso, ao menos 50% do vinho passa por estágio de 10 meses em barricas de carvalho usada. Vamos as impressões?

Na taça o vinho apresentou coloração rubi violácea intensa, profunda e com bom brilho. Lágrimas finas, coloridas e ligeirinhas também se fizeram notar.

No nariz o vinho apresentou aromas de frutas vermelhas, especiarias, florais e leve toque herbáceo, dando sensação de frescor em detrimento aquele herbáceo verde comumente desagradável.

Na boca o vinho apresentou corpo médio, boa acidez e taninos maduros e elegantes. O retrogosto confirma o olfato e o final era de longa duração.

Mais um bom vinho vindo da Pérez Cruz, uma vinícola que eu aprendi a apreciar e admirar ainda mais, quando visitei a vinícola em 2012. Eu recomendo a prova.

Até o próximo!

Monday, February 1, 2016

Tolentino Winemaker's Selection Malbec 2014

Nós brasileiros já estamos mais do que acostumados com os vinhos provenientes tanto de Argentina como Chile, mas quando nos deparamos com alguns exemplares que fogem do usual, costumamos comentar por aqui. E por fugir do usual podemos entender que temos vinhos tintos mais elegantes, menos bombados e que entregam por vezes qualidade condizente com o preço, um pouco maior do que os vinho considerados de entrada. E foi o caso deste Tolentino Winemaker's Selection Malbec 2014.


O vinho é produzido pela Bodega Cuarto Dominio, localizada em La Consulta, Valle de Uco, bodega esta pertencente e operada pela quarta geração de produtores de Mendoza. Tudo começou há mais de um século atrás, quando a primeira geração viajou para a Argentina da Europa com a esperança de transformar o seu vinho tornando sonhos em realidade em Mendoza. Mais de 110 anos depois, o legado vive e está prosperando com as seguintes gerações dos produtores continuando a cultivar e produzir vinhos de distinção, qualidade e autenticidade nas vinhas de alta elevação do Vale do Uco.

A curiosidade fica por conta do sobrenome do presidente da bodega, o Sr. Javier Catena, que é membro da conhecida família produtora de vinhos argentinos, muito embora não utilize este nome para divulgar seus vinhos, o motivo eu realmente não sei. De qualquer maneira, um nome de peso a frente da bodega e a presença do gene enólogo no dna parece ter ajudado a criar belos caldos.

Sobre o Tolentino Winemaker's Selection Malbec 2014 podemos acrescentar que é um vinho que, apesar de rotulado como varietal (de acordo com a legislação argentina) possui cerca de 5% de Cabernet Franc em sua composição, além é claro da Malbec do rótulo. O vinho permanece de 6 a 8 meses em barricas de carvalho francês para afinamento e envelhecimento. Vamos as impressões?

Na taça o vinho apresentou uma bonita cor violácea de grande intensidade, bom brilho e limpidez. Lágrimas gordas, mais lentas e coloridas tingiam as paredes da taça.

No nariz o vinho apresentou aromas de frutos escuros, café com leite, flores e leve tostado ao fundo.

Na boca o vinho apresentou corpo médio, acidez alta e taninos macios. O retrogosto confirma o olfato e o final era de média duração.

Um belo e elegante vinho argentino, que se diferencia dos demais justamente por esta elegância e por ter arestas muito bem aparadas, sem exageros de álcool ou extração das frutas. Eu recomendo a prova.

Até o próximo!