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Tuesday, January 20, 2015

Gries Gewürztraminer Kabinett halbtrocken 2012: Deutsch Wein im Glas!

Eu estou sempre aberto a provar novos vinhos e mais do que isso, gosto sempre de ter algumas coisas diferentes na adega. Acontece que vez ou outra, acabamos indo para o óbvio e tomando mais do mesmo. Só que algumas oportunidades exigem uma busca mais minuciosa nos vinhos entocados na adega e eu acabo "descobrindo" preciosidades escondidas nas profundezas, como foi o caso deste Gries Gewürztraminer Kabinett halbtrocken 2012. Só a título de informação, aquela expressão em alemão escrita no título quer dizer: vinho alemão na taça.


Este vinho é produzido pela Weingut Gries, uma vinícola alemã de cunho familiar, onde cada tarefa é delegada a determinado membro da família que tem mais afinidade e competência para a atividade. Seus vinhedos estão localizados nas encostas da Floresta do Palatinado e se estendem até o início do Vale do Reno. A família Gries utiliza o que há de mais moderno em pesquisa e tecnologia mas consegue aliar tudo isso com a tradição na arte de fazer vinhos. 

Sobre o Gries Gewürztraminer Kabinett halbtrocken 2012, podemos acrescentar que é um varietal 100% de uvas Gewürztraminer da região do Palatinado (Pfalz) e não passa por madeira. Conforme denominação do rótulo (halbtrocken) o vinho é considerado um vinho semi seco, apresentando algum açúcar residual. Vamos as impressões?

Na taça o vinho apresentou uma bonita coloração amarelo com reflexos dourados, bem brilhante e com limpidez invejável.

No nariz o vinho apresentou aromas de frutos maduros (lichia em evidência) e toques florais.

Na boca o vinho tinha boa untuosidade e acidez na medida. Leve sensação de dulçor, mais na entrada de boca. Retrogosto confirmava o olfato e o final era de longa duração. 

Um vinho delicioso e que caiu bem, mais uma vez com o nosso calor senegalês. Pelas palavras de minha esposa: "Eu tomaria um barril desse vinho". Daí já da pra ver que vale a pena ao menos provar, não é? Eu recomendo.

Até o próximo!

Thursday, May 1, 2014

Kloster Heilsbruck Riesling 2009: vinho alemão para a #CBE

É dia de Confraria Brasileira de Enoblogs (#CBE) aqui no blog hoje. E o tema deste mês ficou a cargo da nossa querida amiga Evelyn (do blog Taças e Rolhas): "Depois de receber o convite eu pensei bastante no tema que escolheria, mas percebi que não posso fugir da minha essência. Quem me conhece sabe eu sou aficionada por vinhos elaborados com a casta Riesling. Se eu encontro um rótulo diferente, lá estou eu comprando-o. Por isso, o tema da CBE deste mês é um vinho elaborado com a querida Riesling, de qualquer região e em qualquer faixa de preço!" E cá estamos nós com o Kloster Heilsbruck Riesling 2009.


A uva Riesling é originária da Alemanha e já era cultivada pelos Romanos nos vales do Mosel e do Reno, muito embora também tenha suas origens ligadas a Alsácia (França) e algumas regiões da Áustria. Normalmente associada a uma acidez marcante e de grande personalidade, tem sido empregada numa vasta gama de vinhos que vão desde brancos secos aos licorosos de sobremesa com doçura proeminente. Costuma adaptar-se muito bem aos climas frios.

O vinho em destaque hoje é produzido pela vinícola Kloster Heilsbruck na região de Pfalz (também conhecida aqui como Palatinado), mais precisamente em Einzellage, dentro dos muros de um convento, o convento Heilsbruck, na Alemanha. Com cerca de 23.461 hectares (57.970 acres) sob cultivo até 2008, a região é a segunda maior região vinícola da Alemanha após Rheinhessen. Há cerca de 6.800 viticultores que produzem cerca de 2,5 milhões de hectolitros de vinho por ano. É uma das regiões vinícolas da Alemanha mais quente, ensolarada e seca. Voltando ao produtor em si, a vinícola Kloster Heilsbruck produz vinhos exclusivos de alta qualidade. Suas videiras encontram-se protegidas de tempestades entre muros do convento de Heilsbruck. Em 2005 a vinícola ganhou ainda do governo alemão o certificado de "Bio-Betrieb" (empresa que produz produtos biodinâmicos avaliada e controlada pelo governo) sob o registro de n°D-RP-006-15179-ABD.

Finalmente, tecendo breves linhas sobre o vinho em si, o Kloster Heilsbruck Riesling 2009 é elaborado com 100% de uvas Riesling e embora seja seco, suas uvas são de colheita tardia. Não encontrei qualquer indício de que o vinho passe por madeira, o que não é muito comum de qualquer maneira quando falamos de vinhos produzidos a partir desta casta. Tem teor alcoólico de 13,5%. Vamos então as impressões?

Na taça o vinho apresentou uma bonita cor amarelo palha já com alguns reflexos tendendo ao dourado. Lágrimas finas, rápidas e incolores escorriam de forma abundante pelas paredes da taça.

No nariz o vinho apresentou aromas de frutos como pêra e lichia, toques de plástico novo e algo de mel ao fundo.

Na boca o vinho mostrou corpo médio para mais, acidez na medida e ligeira sensação de dulçor na entrada. Retrogosto confirmou o olfato. Ficava por um bom tempo no palato, um final bem seco e de longa duração.

Um grande vinho, delicioso e intrigante que faz a garrafa secar rapidamente. Acompanhou bem um fondue de queijo e o frio que começou a aparecer lá pelos nossos lados. Eu recomendo. Este é trazido pela Weinkeller, da qual falarei mais tarde em outro post.

Até o próximo!

Saturday, December 28, 2013

Müller-Thurgau Riesling Spätlese Feinherb 2012


O natal e o final de ano invariavelmente acabam se tornando uma perdição de comilança e as vezes é necessário em um dia no meio de tudo isso buscarmos alternativas mais leves para balancearmos nossas refeições sem esquecer, é claro, da qualidade e do prazer que esta refeição deve proporcionar. E foi exatamente pensando nisso que resolvemos nos preparar uma bela massa (vinda diretamente da Itália) com tomates cereja, abobrinha refogada com chalotas e queijo fresco despedaçado além é claro da salsa trufada. Embora não precisássemos de mais nada, resolvemos ainda incluir um peixinho a milanesa (filés de tilápia) para acompanhamento. E é claro que precisávamos de um vinho, e o escolhido foi este Riesling Spätlese Feinherb 2012. 

Foto dos vinhedos da propriedade, retiradas do site do produtor.

A Alemanha é o país com vinhedos mais ao norte dentre o grupo da Europa Central, possuindo um clima frio que marca sua produção de vinhos com características próprias. Historicamente a Alemanha sempre produziu vinhos brancos, devido à melhor adaptação das uvas brancas ao seu verão curto que impede a maturação de uvas tintas, com exceção da Pinot Noir – localmente chamada Spätburgunder – e algumas outras, que amadurecem precocemente. Entretanto, nos últimos 10 anos, os produtores de algumas regiões vêm retomando a produção de tintos, que havia sido praticamente abandonada por várias décadas. A leitura dos rótulos de seus vinhos pode ser bem confusa existindo muitas informações que não são muito utilizadas pelo consumidor em geral como, por exemplo, o nome do produtor, região, comuna, safra e nome da uva. Entretanto existe uma informação que considero uma das mais importantes para eles, que é a categorização dos vinhos baseados no estado em que a uva é colhida e que definem a qualidade/padrão do tipo de vinho.


O vinho em questão é classificado como Spätlese, que quer dizer que o vinho é de colheita tardia, sendo que as uvas utilizadas em sua produção são colhidas no mínimo sete dias ou mais após a colheita principal, contendo grande conteúdo de açúcar. São vinhos intensos e concentrados em versões doce ou seco. Além disso, o mesmo é oriundo da região de Pfalz, uma das regiões mais secas e ensolaradas da Alemanha. O produtor em questão, Weingut Heinz Pfaffmann, é de grande tradição é prestígio na região. Sua história data ainda do século 17. Vamos as impressões.

Na taça o vinho apresentou uma bonita cor dourada com reflexos ligeiramente verdeais com muito brilho, lágrimas finas e sem cor.

No nariz aromas de frutos tropicais como pêssego e lembranças de mel e especiarias. 

Na boca um vinho untuoso, excelente acidez contrastando com um ligeiro dulçor inicial. Retrogosto confirma o olfato e trás também um toque mineral (aspecto salgado) no final, que é de longa duração.

Um belo vinho, com muita qualidade e de excelente custo benefício (custou cerca de 45 dinheiros) e entregou o quanto custou. Escortou bem a comida e trouxe alegrias e frescor a uma noite destas, quente e entre festas. Eu recomendo.

Até o próximo!

Ps.: Usei como fontes de pesquisa os sites: Sonoma, Academia do Vinho e o site do produtor.