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Tuesday, February 19, 2019

Casa Marin Miramar Vineyard Riesling 2008

Ontem tive uma experiência muito legal com um vinho e não poderia deixar de compartilha-la aqui com vocês. Nós enófilos sempre compramos mais vinhos do que consumimos e, vez ou outra, esquecemos uma garrafa no fundo da adega por algum tempo e quando os reencontramos, sempre bate aquele medo de que o vinho já tenha passado do ponto. Mas para nossa felicidade, o exemplo que trago aqui é de uma grata surpresa. Hoje falaremos do Casa Marin Miramar Vineyard Riesling 2008.


Antes, falemos um pouco sobre o produtor para relembrar. A famosa vinícola chilena Casa Marin na Provincia de San Antonio, com vinhedos muitos próximos ao oceano pacífico. A história da vinícola começa com o sonho de sua fundadora, proprietária e enóloga: María Luz Marín. Nada descreve melhor a vinícola do que a história desta mulher que lutou arduamente para criar uma vinha inovadora que expressa nos seus vinhos finos e exclusivos o único terroir de Lo Abarca. Marilú sempre quis estabelecer sua vinícola em Lo Abarca, mas teve que enfrentar muitos desafios antes de ser capaz de alcançá-lo devido ao clima extremo, falta de água e às dúvidas de seus pares no setor. Apesar de todas essas dificuldades, em 2000, Marilú tornou-se a única mulher a ser a proprietária fundadora e enóloga de um vinhedo na América do Sul. Conseguindo isso, criando uma empresa cujos vinhos foram reconhecidos e premiados internacionalmente, ajudando a posicionar o Chile como produtor de vinhos finos de alta qualidade e alto valor de mercado.

Falando novamente sobre o Casa Marin Miramar Vineyard Riesling 2008, podemos ainda acrescentar que o mesmo é feito com uvas 100% Riesling colhidas no vinhedo chamado Miramar, no Vale do Santo Antonio no Chile. Possui 12,5% de grau alcoólico e não passa por madeira. Vamos as impressões?

Na taça o vinho apresentou uma coloração amarelo palha com reflexos dourados de média intensidade. Lágrimas finas, rápidas e incolores também fazem parte do aspecto visual.

No nariz o vinho apresentou aromas lembrando parafina, flores brancas e frutos de polpa branca bem maduros. Toques de manteiga também se faziam notar com mais tempo na taça. Todos estes aromas muito bem misturados e se alternando na taça. Um verdadeiro perfume engarrafado.

Na boca foi onde o vinho mais me surpreendeu. No alto dos seus 11 anos de idade, manteve uma acidez deliciosa e que fazia salivar a cada gole, muito viva e acachapante. Corpo médio. O retrogosto confirma o olfato e o final era longo e saboroso.

Como o mundo do vinho é delicioso, não acham? Eu não esperava que um vinho branco fosse se apresentar tão bem com 11 anos. Se tiverem uma garrafa por ai, provem e depois se puderem, compartilhem suas impressões comigo, eu ficarei imensamente grato. Eu recomendo a prova.

Até o próximo!

Tuesday, January 15, 2019

Henry of Pelham Riesling 2017

Bom dia prezados leitores. Depois de um longo período de abstinência aqui no blog (e só por aqui, por que beber nós continuamos de maneira normal) estamos de volta. Peço desculpas pela ausência sem aviso mas, um mix de bloqueio criativo e uma série de outras situações em minha vida particular e profissional fez com que eu me afastasse neste período, período este que espero ter acabado. E voltamos por aqui com um vinho até então nunca degustado por aqui: um Riesling canadense. Vamos ver o que descobrimos sobre ele por aqui?


No final do século XVIII, o tataravô de Henry, Nicholas, recebeu a título de doação a terra em que se encontra a vinícola atualmente por seus serviços prestados durante a revolução, e mesmo tendo avançado seis gerações, a vinícola se mantém na mesma fazenda da família. O vinhedo de 300 hectares da Henry of Pelham está localizado no Short Hills Bench, sub-denominação da Península de Niágara, em Ontário, no Canadá. A vinícola foi nomeada Henry of Pelham a partir de Henry, cujo senso de humor bem seco, criou o apelido “Henry of Pelham” a partir de um primeiro-ministro britânico. Ele era um grande empreendedor, construindo uma pousada e taberna na propriedade e operando uma estrada de pedágio. Ele criou ovelhas. E cultivou uvas - algumas das primeiras a serem plantadas no Canadá. A sala de degustação e loja de vinhos estão na casa de carruagens de Henry. O Short Hills Bench é o mais oriental das sub-denominações localizadas dentro da Niagara Escarpment. Ela abrange a terra que se eleva da planície da península ao sul da Estrada Regional 81 até a Escarpment e situada entre o Twelve Mile Creek e o Fifteen Mile Creek. As colinas ondulantes e vales das Colinas Curtas, que repousam sobre um antigo vale enterrado que uma vez cortou o Niagara de Escarpa e ligado as bacias do Lago Ontário e do Lago Erie, proporcionam longas encostas suaves com excelente drenagem e exposição solar. Os dias quentes e ensolarados e as noites frias características desta área são perfeitos para desenvolver os intensos sabores da uva derivados de seus complexos solos. Todas as uvas dos vinhos Henry of Pelham Estate e Speck Family Reserve são cultivadas na sub-denominação Short Hills Bench.

Falando agora sobre o Henry of Pelham Riesling 2017, podemos ainda afirmar que o vinho é feito exclusivamente com uvas Riesling oriundas das vinhas mais velhas da Henry of Pelham (30+ anos) da região de Short Hills Bench fermentado em tanques de aço inoxidável. Vamos finalmente as impressões?

Na taça o vinho apresentou coloração amarelo palha com reflexos ligeiramente dourados, muito brilho e limpidez.

No nariz o vinho apresentou aromas de frutas  cítricas e tropicais, toques florais e minerais adicionando boa complexidade.

Na boca o vinho apresentou corpo médio com um acidez crocante e vibrante. O retrogosto confirma o olfato e o final era de longa duração.

Um belo vinho sem dúvidas nenhuma, muito saboroso e de um local de onde ainda não havia provado vinhos. Fez par com comida japonesa e se saiu muito bem. Eu recomendo a prova. Veio na mala em minha última viagem a NY.

Até o próximo!

Tuesday, January 10, 2017

Ponto Nero Celebration Brut

Se você é daqueles que gostam de um bom espumante no dia a dia, que se mostra imprescindível nestes dias quentes que vivemos no verão brasileiro mas que ao mesmo tempo são descontraídos, descomplicados e leves, o vinho espumante de hoje é uma dica que você não pode perder. 


A Domno Importadora nasce em 2008 de um novo projeto do Grupo Famiglia Valduga, reconhecido por seu padrão de excelência e pela tradição, como um projeto ambicioso que caracteriza-se por duas frentes de negócios: a importação de vinhos e a elaboração e exportação de espumantes. Só um grupo seguro do crescimento do setor de vinhos e espumantes no Brasil poderia efetuar tal movimento. O empreendimento esta localizado na cidade de Garibaldi (RS), terra dos espumantes, em uma área de mais de 60mil m2.

Já falando do Ponto Nero Celebration Brut, podemos falar que o vinho espumante é feito a partir das uvas Chardonnay, Riesling, Pinot Noir e Prosecco pelo método Charmat, onde a segunda fermentação ocorre dentro de tanques de inox. O vinho espumante fica em contato com as leveduras por dois meses antes do envase. Vamos as impressões?

Na taça o vinho espumante apresentou coloração amarelo palha com reflexos esverdeados com bom brilho e limpidez. Boa formação de um perlage fino e persistente.

No nariz o vinho espumante apresentou aromas de frutos cítricos e tropicais, principalmente abacaxi e pêssego, leve toque floral e de mel.

Na boca o vinho espumante mostrou corpo leve para médio e muito frescor. O retrogosto confirma o olfato e o final era de média duração.

Mais um bom vinho espumante nacional degustado por aqui, uma opção bem econômica e que demonstra todo o potencial do sul do país para a fabricação de espumantes. Um vinho espumante que deve cair bem em qualquer ocasião, até pra ser bebido sozinho.

Até o próximo!

Thursday, September 24, 2015

Paralela Grasevina 2013: Vinho branco croata para combater o calor!

Passando por essa onda de calor que nos assolou em pleno inverno e que persiste ainda na primavera, tenho bebido muito vinho branco, coisa pouco comum em casa, e tenho me surpreendido positivamente cada vez mais. O vinho que trago hoje é oriundo da Croácia, o Paralela Grasevina 2013. Vamos ver o que descobrimos sobre ele?


A Krauthaker Vineyards & Winery, produtora do vinho em questão, possui vinhedos onde 38 diferentes variedades de uvas crescem, e estão localizados na região vinícola Kutjevo, na encosta sul de Krndija - uma colina eslovena parcialmente inserida dentro do Papuk Nature Park. Tudo isso na Croácia. Difícil não? E é, pois é muito pouco divulgado por aqui, em nosso mercado. Vlado Krauthaker, bacharel em agronomia e enólogo, proprietário da Krauthaker Vineyards & Winery, contribui para enriquecer a viticultura e a enologia da região Kutjevo. Na época de sua fundação, a vinícola tinha em sua propriedade 1 hectare de vinhas, no entanto, até 2010, a vinícola tornou-se proprietária de 32 hectares de vinhedos. A adega opera hoje com mais 68 hectares de vinhas de propriedade de terceiros. A atenção especial é dada à variedade indígena conhecida como "Graševina", cujos vinhos são frequentemente premiados com medalhas de ouro em feiras e exposições de vinho ao redor do mundo. Entretanto, são produzidos vinho de outras variedades de uva: Chardonnay, Pinot Gris, Zelenac, Merlot e Pinot Noir. 

Sobre o vinho de hoje, o Paralela Grasevina 2013, podemos ainda acrescentar que o vinho é um corte da uva nativa Graševina com a internacional Riesling sem estágio por madeira. Vamos as impressões?

Na taça o vinho apresentou uma bonita cor amarelo palha com tendência ao dourado, brilhante e bem limpida. Lágrimas finas, incolores e rápidas também apareciam na taça.

No nariz o vinho apresentou aromas de frutos cítricos (limão siciliano) e frutos tropicais (pêssego), toques herbáceos e algo de mel.

Na boca o vinho apresentou corpo médio com uma acidez na medida. O retrogosto confirma o olfato e adiciona um quê mineral, algo como maresia, salobridade. O final era de média duração.

Mais um curioso vinho diretamente da Croácia que ajudou a diminuir o calor de uma noite dessas em Sampa. Acompanhou filé de peixe ao molho de tomates c/ cogumelos frescos e brócolis. Eu recomendo a prova. Este é mais um vinho do clube de vinhos da Winelands, o clube que eu assino e recomendo.

Até o próximo!

Tuesday, July 7, 2015

Szemelt Rizling 2012: Ouro líquido vindo da Hungria!

É sempre bom poder provar vinhos de regiões pouco exploradas por nós, seja em virtude dos preços, disponibilidade, conhecimento e afins. A questão muitas vezes mora também na quantidade informação que está acessível. Hoje trago um vinho da Hungria que faz parte deste conjunto. A grande barreira que se apresenta para a difusão da informação infelizmente é a linguística e muitos produtores que disponibilizam informações na internet, o fazem em sua própria língua natal, o que não facilita muito a nossa vida. O pouco de informação disponível será retirado de outros sites, cujos nome serão listados ao final. O vinho? O Szemelt Rizling 2012.


O Szemelt Rizling 2012 é produzido pela Vinícola Vargas (Vargas Pincészet), na região de Badacsony, na Hungria. A região é conhecida por ser uma região quase que exclusiva para vinhos brancos encontra-se a cerca de 200 km a sudoeste de Budapeste, junto ao lago Balaton (maior lago da Europa Central). No dia 4 de janeiro de 1993 a Varga Pincészet teve o início de sua história. Quando um húngaro, juntamente com sua esposa e seus pais decidiu fundar a empresa, ele tinha como meta repassá-la para as próximas gerações para continuarem a elaborar rótulos que encantassem os quatro cantos do mundo. Nas últimas duas décadas o vinho húngaro passou por uma série de transformações (profissionais e tecnológicas) para elevar consideravelmente a sua qualidade. Seguindo o padrão europeu ocidental, a produção de rótulos da Hungria busca expressar as mais belas características de cada terroir do país. Atualmente a vinícola possui cerca de 250 hectares para cultivar seus vinhedos e também suas castas autóctones e estrangeiras. Já sobre o Szemelt Rizling 2012, podemos acrescentar que é um vinho feito com 100% de uvas Riesling e que, apesar de parecer, não existe informação sobre envelhecimento em madeira. Vamos as impressões?

Na taça o vinho apresenta uma coloração amarelo palha com reflexos dourados, bom brilho e boa limpidez.

No nariz o vinho apresenta aromas de frutos cítricos, toques de plástico e algo de amendoado ao fundo. 

Na boca o vinho era gordo e corpulento em contraponto a uma saborosa e salivante acidez. O retrogosto confirma o olfato e o final era de longa duração. 

Um bom vinho, diferente do usual e que pode agradar mesmo nesta época mais fria do ano por ser mais encorpado e sugerir harmonizações mais ousadas. Eu recomendo a prova.


Até o próximo!


Informações obtidas em www.evino.com,br

Thursday, June 18, 2015

Becker Landgraf Riesling Trocken 2013: jantar alemão no Balaio!

Apesar de achar que o dia dos namorados é muito mais comercial do que qualquer outra coisa, é gostoso estar ao lado da pessoa amada e, de alguma forma, fazer alguma coisa diferente neste dia. Nós aqui na sede do Balaio do Victor resolvemos que ficaríamos em casa e que aproveitaríamos a oportunidade para colocar em prática um antigo anseio: faríamos um jantar com inspiração na cozinha alemã. O vinho escolhido para a noite? Foi o Becker Landgraf Riesling Trocken 2013.


A vinícola Becker Landgraf está situada no coração de Rheinhessen, na Alemanha, ao longo de suaves colinas, onde nascem suas vinhas e também seus vinhos. Seus proprietários, Julia e Johannes Landgraf, lá escolheram viver com a sua família e é claro, construir sua adega, continuando a tradição de duas famílias já bastante conhecidas no mundo do vinho alemão. Assim, um dos motivos pelos quais vemos J2 nos rótulos de seus vinhos é para celebrar esta união com as iniciais de seus nomes, mas também para celebrar suas próprias convicções e abordagem com relação a produção de vinhos. Segundo os proprietários ainda, o diferencial de seus vinhos começa nos cuidados com a videira, desde a poda até a colheita, além é claro de trabalho mais próximo do natural possível, em harmonia com o meio ambiente.

Adicionalmente, o Becker Landgraf Riesling Trocken 2013 é um vinho feito com 100% de uvas Riesling e antes de ir pra garrafa, passou por 6 meses em contato com leveduras naturais para ganhar complexidade. Vamos as impressões?

Na taça o vinho apresentou uma bonita e brilhante coloração amarelo palha com reflexos dourados além de uma boa limpidez.

No nariz o vinho apresentou aromas de frutos como pêssego e maçã verde, toques de mel e plástico além de uma leve lembrança de flores brancas.

Na boca o vinho tinha corpo de médio com certa untuosidade e uma acidez instigante. Retrogosto confirma o olfato e o final era longo e duradouro.


O vinho era excelente e fez frente aos pratos preparados para a noite: salsichas diversas grelhadas (Viena, branca, etc), farofa de páprica, salada de batatas e chucrute, todos habilmente preparados pela minha esposa. O prato seguiu os preceitos da receita da chef Rachel Codreanschi e seu famoso pf alemão.

Até o próximo!

Tuesday, June 9, 2015

Atelier Lagorthi Riesling 2013: vinho grego e comida japonesa!


Aqui em casa todos gostam muito de comida japonesa e, dia desses, aproveitamos para irmos ao nosso restaurante japonês preferido, o Kazami Sushi, pertinho de casa, para comemorar o aniversário da patroa. E olha, aqui em casa também não podemos fazer uma comoração sem um bom vinho e por isso aproveitamos a oportunidade de levar o vinho grego Atelier Lagorthi Riesling 2013 para escoltar a refeição oriental.


O Kazami Sushi (unidade Mandaqui) é uma casa muito interessante de comida japonesa que apresenta um extenso cardápio de pratos a la carte além de dois tipos de rodízio: o básico, que nos dá direito a pratos quentes, sushis e sashimis variados (peixe branco, atum e salmão), shimeji, tempurá, guioza entre outros; já o rodízio especial conta ainda com frutos do mar em adição aos pratos já citados no básico. O local é muito bem decorado, limpo e climatizado, criando uma boa sensação para todos presentes. Além disso, o serviço é muito atencioso e o gerente sempre presente para verificar a satisfação dos cliente.

A Cavino Winery SA, produtora do vinho em questão, é um grupo grego que tem sua fundação ainda em meados dos anos 50 na região do Peloponeso, na Grécia, mas que passou por algumas grandes modificações em todo este caminho. Aparentemente o ano de 1999 é o que detém a marca mais recente na vinícola, quando começa a introduzir no mercado local e nos mercados internacionais vinhos de alta gama no quesito qualidade. De lá pra cá contou com uma expansão forte em mais de 26 países e construiu uma linha de engarrafamento que dizem ser o estado da arte no quesito tecnologia, com capacidade de produção de 7000 garrafas por hora.

Já sobre o Atelier Lagorthi Riesling 2013, podemos ainda acrescentar que o vinho faz parte da linha premium da Cavino Winery e que é feito a partir de um corte das uvas Riesling (55%) e a autóctone Lagorthi (45%). Passa por um período de 2 meses em contato com as leveduras em tanques de inox antes do engarrafamento. Vamos as impressões?

Na taça o vinho apresentou uma bonita cor amarelo palha com reflexos de tendência dourada. Lágrimas finas, ligeiramente mais lentas e espassadas também se faziam notar nas paredes da taça. 

No nariz o vinho trouxe aromas de frutos tais como abacaxi e pêssego bem maduros, toques de flores brancas, plástico e algo de mineral ao fundo.

Na boca o vinho se mostrou untuoso, bem gordinho mesmo e com uma ótima acidez. Retrogosto confirma o olfato e o final era de longa duração. 

Conforme o esperado, o vinho se saiu muito bem ao lado dos pratos servidos no sistema de "rodízio" do restaurante. Mais um vinho do clube de vinhos da Winelands, o clube que eu assino e recomendo.

Até o próximo!

Thursday, December 18, 2014

Rhein Extra Brut Impérial: final de ano com espumante romeno na #CBE!

É mais uma vez aquela época do mês em que os enoblogueiros espalhados por este Brasil (e mundo) afora se unirem em mais uma degustação virtual, a já conhecida por aqui #CBE - Confraria Brasileira de Enoblogs. Neste mês, um pouco antes do prazo que normalmente é o primeiro dia de cada mês, tivemos que escolher um "Espumante feito pelo método tradicional" para compilar uma espécie de "sugestão de lista de compras" para o final de ano dos leitores. Desta vez o "culpado" pela escolha foi o Gustavo Kauffman do blog Enoleigos. E o vinho que escolhemos por ai? Foi o Rhein Extra Brut Impérial. Vamos saber um pouco sobre ele?


O vinho é produzido pela Halewood Wines, fundada em 1978 por John Halewood. A empresa logo se tornou o maior produtor nacional independente de vinhos e bebidas alcoólicas no Reino Unido. A empresa passou a deter participações em áreas-chave da indústria de bebidas em todo o mundo. Com um volume de negócios anual superior a 500 milhões de Euros, a Halewood International Ltd. distribui mais de 1.400 produtos no Reino Unido e 30 países mundo a fora. Quatro das marcas do grupo Halewood International Ltd. podem ser encontradas nas dez melhores marcas em sua categoria no Reino Unido. Hoje, depois de um investimento de 10 milhões de euros, a empresa possui quatro subsidiárias na Romênia. O principal objetivo da empresa era comercializar vinhos romenos às expectativas internacionais. A Halewood Romênia atualmente vende seus vinhos para mais de 40 países e se tornou o maior exportador de vinho engarrafado romeno. Tais países incluem China, Japão, Coréia do Sul, México, Peru e, claro, o Reino Unido e os Estados Unidos. A Halewood Romênia utiliza castas internacionais, como Merlot, Cabernet Sauvignon, Pinot Noir, Chardonnay, Pinot Gris, Sauvignon Blanc, Gewürztraminer, e as incríveis variedades locais Feteasca Neagra, Feteasca Alba, Feteasca Regala e Iordana. Com tal diversidade, a Halewood Romênia é capaz de fornecer ao mercado nacional e internacional vinhos de alta qualidade, os quais têm personalidades bem definidas.

O Rhein Extra Brut Impérial é elaborado pelo método tradicional desde 1906, onde a segunda fermentação ocorre em garrafa. Tem como base a uva Chardonnay, mas recebe também no corte as uvas Feteasca Regala e Riesling todas colhidas da região de Sebes (Alba) na Romênia. De curiosidade, é considerado o melhor espumante da Romênia e serve ao palácio presidencial de lá desde a sua primeira safra. Vamos as impressões?

Na taça o vinho espumante apresentou uma bonita cor amarela com reflexos dourados, bom brilho e boa transparência. Produção de pequenas borbulhas em bastante quantidade e de modo bem persistente. 

No nariz o vinho espumante mostrou aromas de frutos como pêssego, mel, panificação e leve fundo floral. 

Na boca o vinho espumante mostrou bastante cremosidade e uma deliciosa e refrescante acidez. Retrogosto confirma o olfato e o final é longo e ajuda a limpar o palato e prepara-lo para a próxima garfada!

Tarefa dada é tarefa cumprida, #CBE em dia! Além de ser uma grata surpresa vinda das terras de meus ancestrais e que mostrou que até nós reles mortais podemos tomar o vinho dos reis! Recebi esse belo exemplar do Winelands Clube do Vinho, o clube que eu assino e recomendo.

Até o próximo!

Friday, October 10, 2014

Prahova Valley Spumant Brut: O vinho espumante do Conde Drácula!


Mais uma vez me sinto estasiado com o mundo do vinho e o motivo é um só: a oportunidade de descobrir novas regiões e novos vinhos sempre que possível. E desta vez, para minha surpresa, descobri um espumante que é feito na Romênia, terra de meus antepassados e também conhecida pela história da origem do vampiro mais famoso da literatura, o Conde Drácula (daí a brincadeira com o título do post). Estou falando é claro do Prahova Valley Spmant Brut.


O vinho é produzido pela Halewood Wines, fundada em 1978 por John Halewood. A empresa logo se tornou o maior produtor nacional independente de vinhos e bebidas alcoólicas no Reino Unido. A empresa passou a deter participações em áreas-chave da indústria de bebidas em todo o mundo. Com um volume de negócios anual superior a 500 milhões de Euros, a Halewood International Ltd. distribui mais de 1.400 produtos no Reino Unido e 30 países mundo a fora. Quatro das marcas do grupo Halewood International Ltd. podem ser encontradas nas dez melhores marcas em sua categoria no Reino Unido. Hoje, depois de um investimento de 10 milhões de euros, a empresa possui quatro subsidiárias na Romênia. O principal objetivo da empresa era comercializar vinhos romenos às expectativas internacionais. A Halewood Romênia atualmente vende seus vinhos para mais de 40 países e se tornou o maior exportador de vinho engarrafado romeno. Tais países incluem China, Japão, Coréia do Sul, México, Peru e, claro, o Reino Unido e os Estados Unidos. A Halewood Romênia utiliza castas internacionais, como Merlot, Cabernet Sauvignon, Pinot Noir, Chardonnay, Pinot Gris, Sauvignon Blanc, Gewürztraminer, e as incríveis variedades locais Feteasca Neagra, Feteasca Alba, Feteasca Regala e Iordana. Com tal diversidade, a Halewood Romênia é capaz de fornecer ao mercado nacional e internacional vinhos de alta qualidade, os quais têm personalidades bem definidas.

Já sobre o vinho, é um espumante feito a base das uvas Chardonnay, Feteasca Regala (autóctone romena) e Riesling produzido pelo método tradicional (segunda fermentação em garrafa) e passa por 12 meses de contato com as leveduras. Vamos as impressões?

Na taça o vinho espumante apresentou uma bonita coloração amarelo palha com reflexos ligeiramente tendendo ao dourado. Borbulhas de pequenas para médias em grande quantidade e bastante persistentes. 

No nariz o vinho espumante apresentou aromas de frutos cítricos e de polpa branca com ligeiro toque de fermento.

Na boca o vinho espumante se mostrou fresco e cremoso. O retrogosto confirma o olfato e o final é saboroso e de média duração.

Uma grata surpresa vinda das terras de meus ancestrais e que mostrou que vinho bom não precisa ser famoso e conhecido, aliás, bem ao contrário. Recebi esse belo exemplar do Winelands Clube do Vinho, o clube que eu assino e recomendo.

Até o próximo!

Wednesday, September 17, 2014

Espumante Salton Intenso: Para fechar o domingo com chave de ouro!

Ainda em meados de junho tivemos um Winebar com lançamentos da Vinícola Salton (relembrem aqui), que na oportunidade contou com 3 vinhos para a degustação. Até aquela data no entanto não havíamos tido a chance de provar todos os três vinhos mas, neste final de semana fechamos a trinca com o Espumante Salton Intenso.  Sobre a Vinícola Salton já cansamos de falar por aqui e por isso irei poupá-los de mais amolação e repetição de histórias ok? Vamos ver o que achamos sobre o vinho espumante então?
 
 
O Espumante Salton Intenso é uma edição limitada da vinícola e é produzido pelo método denominado Charmat, onde a segunda fermentação acontece dentro de tanques de inox. A composição deste espumante não é muito usual: Chardonnay, Pinot Noir e Riesling. O vinho espumante, após a segunda fermentação, passa 18 meses em contato com as leveduras nos tanques de inox. Vamos as impressões?
 
Na taça o vinho espumante apresentou uma bonita coloração amarelo palha com reflexos verdeais bem brilhante e com ótima transparência. Boa formação de espuma com borbulhas pequenas e persistentes.
 
No nariz o vinho espumante mostrou aromas de frutos cítricos e tropicais, toques florais e leve lembrança de panificação.
 
Na boca o vinho espumante se mostrou muito fresco, com uma excelente acidez e uma ótima formação de colchão de espuma. Retrogosto confirma o olfato e o final tem de média para longa duração.
 
Mais um bom espumante brasileiro que provamos por aqui, reforçando a idéia de que ao menos no tocante a este tipo de vinho o Brasil realmente está muito bem posicionado no mercado. Eu recomendo.
 
Até o próximo!

Thursday, May 1, 2014

Kloster Heilsbruck Riesling 2009: vinho alemão para a #CBE

É dia de Confraria Brasileira de Enoblogs (#CBE) aqui no blog hoje. E o tema deste mês ficou a cargo da nossa querida amiga Evelyn (do blog Taças e Rolhas): "Depois de receber o convite eu pensei bastante no tema que escolheria, mas percebi que não posso fugir da minha essência. Quem me conhece sabe eu sou aficionada por vinhos elaborados com a casta Riesling. Se eu encontro um rótulo diferente, lá estou eu comprando-o. Por isso, o tema da CBE deste mês é um vinho elaborado com a querida Riesling, de qualquer região e em qualquer faixa de preço!" E cá estamos nós com o Kloster Heilsbruck Riesling 2009.


A uva Riesling é originária da Alemanha e já era cultivada pelos Romanos nos vales do Mosel e do Reno, muito embora também tenha suas origens ligadas a Alsácia (França) e algumas regiões da Áustria. Normalmente associada a uma acidez marcante e de grande personalidade, tem sido empregada numa vasta gama de vinhos que vão desde brancos secos aos licorosos de sobremesa com doçura proeminente. Costuma adaptar-se muito bem aos climas frios.

O vinho em destaque hoje é produzido pela vinícola Kloster Heilsbruck na região de Pfalz (também conhecida aqui como Palatinado), mais precisamente em Einzellage, dentro dos muros de um convento, o convento Heilsbruck, na Alemanha. Com cerca de 23.461 hectares (57.970 acres) sob cultivo até 2008, a região é a segunda maior região vinícola da Alemanha após Rheinhessen. Há cerca de 6.800 viticultores que produzem cerca de 2,5 milhões de hectolitros de vinho por ano. É uma das regiões vinícolas da Alemanha mais quente, ensolarada e seca. Voltando ao produtor em si, a vinícola Kloster Heilsbruck produz vinhos exclusivos de alta qualidade. Suas videiras encontram-se protegidas de tempestades entre muros do convento de Heilsbruck. Em 2005 a vinícola ganhou ainda do governo alemão o certificado de "Bio-Betrieb" (empresa que produz produtos biodinâmicos avaliada e controlada pelo governo) sob o registro de n°D-RP-006-15179-ABD.

Finalmente, tecendo breves linhas sobre o vinho em si, o Kloster Heilsbruck Riesling 2009 é elaborado com 100% de uvas Riesling e embora seja seco, suas uvas são de colheita tardia. Não encontrei qualquer indício de que o vinho passe por madeira, o que não é muito comum de qualquer maneira quando falamos de vinhos produzidos a partir desta casta. Tem teor alcoólico de 13,5%. Vamos então as impressões?

Na taça o vinho apresentou uma bonita cor amarelo palha já com alguns reflexos tendendo ao dourado. Lágrimas finas, rápidas e incolores escorriam de forma abundante pelas paredes da taça.

No nariz o vinho apresentou aromas de frutos como pêra e lichia, toques de plástico novo e algo de mel ao fundo.

Na boca o vinho mostrou corpo médio para mais, acidez na medida e ligeira sensação de dulçor na entrada. Retrogosto confirmou o olfato. Ficava por um bom tempo no palato, um final bem seco e de longa duração.

Um grande vinho, delicioso e intrigante que faz a garrafa secar rapidamente. Acompanhou bem um fondue de queijo e o frio que começou a aparecer lá pelos nossos lados. Eu recomendo. Este é trazido pela Weinkeller, da qual falarei mais tarde em outro post.

Até o próximo!

Friday, March 28, 2014

Salton Reserva Ouro Brut

Dando continuidade aos trabalhos do último Winebar Salton Talento 10 anos que participamos, o último vinho a ser degustado e comentado por aqui é o espumante Salton Reserva Ouro Brut. E eu acho que poderíamos dizer que fechamos com chave de "ouro". Trocadilho infame, mas acho que funcinou por aqui.


Este vinho espumante é produzido pelo método charmat, ou seja, tem sua segunda fermentação em tanques de inox onde fica em contato com as leveduras por aproximadamente 6 meses. Tem ainda em sua composição 60% Chardonnay, 20% Riesling e 20% Pinot Noir. Existe ainda uma curiosidade a cerca da produção deste vinho, onde 20% do vinho foi fermentado e conservado em barris de carvalho novo, norte americano e meio tostado. Vamos as impressões?

Na taça uma bonita cor amarelo palha com toques esverdeados. Borbulhas de tamanho médio, boa intensidade e persistência. 

No nariz o vinho apresentou aromas de frutos como abacaxi e pêssego, toques de fermentação e mel. Leve lembrança floral.

Na boca o vinho tinha bom corpo, acidez pronunciada e boa cremosidade. Retrogosto confirma o olfato e tem um final de média duração.

Um bom vinho espumante, pelo preço me parece justo e bem competitivo. Acompanhou uma refeição leve de tilápia a milanesa com abobrinha refogada com azeitonas e aliche. Eu recomendo.

Até o próximo!

Saturday, March 1, 2014

Fetzer Quartz White Blend 2011 - #CBE

E é chegada a hora da Confraria Basileira de Enoblogs por aqui, momento este que ocorre sempre no primeiro dia de cada mês, onde todos confrades e confreiras postam suas impressões sobre um vinho baseado em um casta, país, região, tipo, etc, que fora escolhido previamente por algum destes mesmos confrades/confreiras. Este mês (Março) a escolha foi do Deco Rossi, e veja o que ele falou: "Pra aproveitar o calor e tentar variar um pouco, vamos com um vinho branco de corte de qualquer faixa de preço." Missão dada é missão cumprida e eis que surge em nossa mesa o Fetzer Quartz White Blend 2011. Confesso que já havia visto este vinho nas prateleiras de um supermercado que costumo frequentar e que o rótulo dele sempre me chamou a atenção, mas acabava sempre comprando algum outro vinho ou bebida e deixa pra lá. Mas eis que com o desafio da CBE deste mês, a chance surgiu e eu o trouxe pra casa. 


Os vinhos da vinícola Fetzer vem da ensolarada e linda Califórnia, na costa Oeste dos Estados Unidos, mais precisamente do condado de Mendocino. Sua fundação ocorreu em 1968 e desde então a vinícola se dedicou a um trabalho sério e de maneira sustentável, sempre acreditando que quanto mais harmônico fosse o convívio do homem com a terra e com a plantação, maior a qualidade de seus vinhos. Desde sempre apostaram na força das castas brancas como Chardonnay, Gewürztraminer e Riesling quando a moda ditava que o Cabernet Sauvignon era o vinho com a cara da Califórnia. A linha Crimson and Quartz traz vinhos macios, amigáveis, fáceis de beber e ligeiramente não usuais. 

O que falar então do Fetzer Quartz White Blend 2011? Este vinho é um blend bem incomum de 35% de Chardonnay, 23% de Riesling, 18% de Gewürstraminer, 14% de Pinot Grigio, 7% de Muscat e ainda 3% de outras uvas brancas misturadas. Ao que parece não passa por madeira. Vamos as impressões?

Na taça o vinho apresentou uma bonita cor amarelo palha com alguns reflexos esverdeados, muito brilhante e límpido. Lágrimas finas e incolores complementavam o aspecto visual.

No nariz o vinho apresentou aromas de frutos tropicais, cítricos, toques florais, plástico e fósforo. Um vinho muito fragrante e perfumado. 

Na boca o vinho apresentou uma entrada de boca ligeiramente adocicada, corpo médio e boa acidez. Retrogosto confirma o olfato com muita fruta e tem um final de curta para média duração. 

Um bom e curioso vinho, muito saboroso e que cai bem com o nosso clima mesmo. Além disso foi um excelente companheiro de uma quiche de presunto, queijo e cebolas caramelizadas com a qual minha esposa nos presentou. Eu recomendo.

Até o próximo!

Monday, January 6, 2014

Espumante Salton Brut: tradição e qualidade!

Ainda falando do final do ano e um pouco dos vinhos e espumantes que bebemos por aqui, chegamos a este espumante nacional da Salton, degustado ainda na noite da virada. A Vinícola Salton é uma das gigantes do mercado nacional e já foi bastante discutida e mostrada por aqui, por isso pouparei vocês leitores de mais sobre ela, falando apenas do vinho em destaque, o espumante Salton Brut.


O vinho é um corte composto pelas seguintes uvas: Chardonnay, Riesling, Malvasia, Trebiano e Semillon, todas colhidas na Serra Gaúcha, no Rio Grande do Sul. A base é então fermentada a primeira vez em tanques de inox sendo que a segunda fermentação também ocorre em tanques, ou seja, este espumante é feito pelo método charmat. Este processo de segunda fermentação acontece por um mês, segundo informações do próprio produtor. O vinho pertence a linha Fantasia, uma das linhas de entrada da vinícola, o que no entanto não pode desmerecer o produto apresentado. Vamos as impressões?

Na taça o vinho apresentou uma bonita cor amarelho palha brilhante com toques esverdeados. Boa perlage, consistente e persistente. Pequenas borbulhas em grande quantidade.

No nariz o vinho apresentou aromas de frutas cítricas, floral e leve lembrança de panificação. 

Na boca o vinho tinha um corpo leve, boa e refrescante acidez e bom colchão de espuma criando uma agradável sensação de cremosidade. Retrogosto confirma o olfato num final de média duração.

Acompanhou bravamente um bom Tambaqui assado e seus acompanhamentos. Foi um presente de meu amado pai e combinou perfeitamente com a ocasião. Eu recomendo.

Até o próximo!

Saturday, December 28, 2013

Müller-Thurgau Riesling Spätlese Feinherb 2012


O natal e o final de ano invariavelmente acabam se tornando uma perdição de comilança e as vezes é necessário em um dia no meio de tudo isso buscarmos alternativas mais leves para balancearmos nossas refeições sem esquecer, é claro, da qualidade e do prazer que esta refeição deve proporcionar. E foi exatamente pensando nisso que resolvemos nos preparar uma bela massa (vinda diretamente da Itália) com tomates cereja, abobrinha refogada com chalotas e queijo fresco despedaçado além é claro da salsa trufada. Embora não precisássemos de mais nada, resolvemos ainda incluir um peixinho a milanesa (filés de tilápia) para acompanhamento. E é claro que precisávamos de um vinho, e o escolhido foi este Riesling Spätlese Feinherb 2012. 

Foto dos vinhedos da propriedade, retiradas do site do produtor.

A Alemanha é o país com vinhedos mais ao norte dentre o grupo da Europa Central, possuindo um clima frio que marca sua produção de vinhos com características próprias. Historicamente a Alemanha sempre produziu vinhos brancos, devido à melhor adaptação das uvas brancas ao seu verão curto que impede a maturação de uvas tintas, com exceção da Pinot Noir – localmente chamada Spätburgunder – e algumas outras, que amadurecem precocemente. Entretanto, nos últimos 10 anos, os produtores de algumas regiões vêm retomando a produção de tintos, que havia sido praticamente abandonada por várias décadas. A leitura dos rótulos de seus vinhos pode ser bem confusa existindo muitas informações que não são muito utilizadas pelo consumidor em geral como, por exemplo, o nome do produtor, região, comuna, safra e nome da uva. Entretanto existe uma informação que considero uma das mais importantes para eles, que é a categorização dos vinhos baseados no estado em que a uva é colhida e que definem a qualidade/padrão do tipo de vinho.


O vinho em questão é classificado como Spätlese, que quer dizer que o vinho é de colheita tardia, sendo que as uvas utilizadas em sua produção são colhidas no mínimo sete dias ou mais após a colheita principal, contendo grande conteúdo de açúcar. São vinhos intensos e concentrados em versões doce ou seco. Além disso, o mesmo é oriundo da região de Pfalz, uma das regiões mais secas e ensolaradas da Alemanha. O produtor em questão, Weingut Heinz Pfaffmann, é de grande tradição é prestígio na região. Sua história data ainda do século 17. Vamos as impressões.

Na taça o vinho apresentou uma bonita cor dourada com reflexos ligeiramente verdeais com muito brilho, lágrimas finas e sem cor.

No nariz aromas de frutos tropicais como pêssego e lembranças de mel e especiarias. 

Na boca um vinho untuoso, excelente acidez contrastando com um ligeiro dulçor inicial. Retrogosto confirma o olfato e trás também um toque mineral (aspecto salgado) no final, que é de longa duração.

Um belo vinho, com muita qualidade e de excelente custo benefício (custou cerca de 45 dinheiros) e entregou o quanto custou. Escortou bem a comida e trouxe alegrias e frescor a uma noite destas, quente e entre festas. Eu recomendo.

Até o próximo!

Ps.: Usei como fontes de pesquisa os sites: Sonoma, Academia do Vinho e o site do produtor.

Monday, July 15, 2013

Faces, os vinhos oficiais da Copa do Mundo de 2014

O blog acompanhou o lançamento oficial dos vinhos Faces em São Paulo

Na última sexta feira (12/07) o blog teve o privilégio de acompanhar em São Paulo o lançamento dos vinhos oficiais da Copa do Mundo de 2014. E o local escolhido não poderia ter sido melhor: a churrascaria Vento Haragano na região do Itaim, zona sul da capital.


A vinícola escolhida pela Fifa, após muita disputa com outras vinícolas nacionais e internacionais, foi a Lídio Carraro e seus vinhos de boutique, e para quem não conhece a vinícola, um breve histórico: Fundamentados no conceito de vinícola boutique (já discutido aqui no blog), seus vinhos tendem a expressar o "terroir" no qual são plantados através da busca pela integridade e quebra de paradigmas, de maneira sustentável e pouco ou nenhum uso de recursos externos para controle dos vinhedos/vinhos (baixo uso de defensivos químicos, não utilização de carvalho para correção dos vinhos, etc). Como também já comentei um pouco sobre os seus vinhos em outras oportunidades (aqui, aqui ou aqui) não irei me alongar muito nisso.


Os vinhos da copa são dois até o momento, um branco e outro tinto, e até o final do ano teremos ainda uma terceira opção, um rosé. O conceito da marca "Faces" , criada para a Copa do Mundo é no entanto, o que   mais me chama a atenção. Com a tentativa de resgatar a "brasilidade"e o mix de povos e culturas que acabou por formar o que hoje chamamos de brasileiros serve de base para todo o projeto, que nos foi muito passionalmente apresentado pela Enóloga e Diretora Técnica da vinícola, Monica Rossetti. Aliás, uma curiosidade e também motivo de grande orgulho pra nós brasileiros apreciadores de vinhos: além do trabalho para a Lidio Carraro, a Monica também presta consultoria para vinícolas italianas no Piemonte e na Toscana.

O Faces branco é um vinho de corte produzido a partir de três uvas: Chardonnay, Moscato e Riesling Itálico na proporção de 1/3 para cada na composição final e como de praxe os vinhos não passam por madeira. Pelo que a Monica nos passou, apenas o Chardonnay passa por fermentação malolática. Um vinho de cor amarelho palha com reflexos verdeais. Aromas de frutas cítricas e tropicais, toques de flores e leve lembrança de baunilha. Corpo leve para médio. Acidez refrescante. Fica um tempo médio em boca. Um vinho bacana, e se o preço for mesmo o que foi revelado, em torno de 40 dinheiros, acho um bom vinho para o dia a dia.


Já o Faces tinto é um pouco mais "complicado". Explico. É um vinho de corte que utiliza 11 uvas em sua composição, lembrando alguns pesos pesados do mundo do vinho europeu (apenas em termos de composição, algo não muito familiar ao brasileiro acostumado com vinhos varietais). A idéia aqui complementa ainda a campanha Faces pois simula a escalação de um time de futebol (e seus 11 jogadores). E estas uvas são: Cabernet Sauvignon, Merlot, Tannat, Pinot Noir, Touriga Nacional, Malbec, Nebbiolo, Alicante, Ancellotta, Teroldego e Tempranillo. Na taça uma cor violácea, trás no nariz aromas de frutas vermelhas e escuras frescas misturadas além de toques de especiarias. Na boca um corpo de leve a médio, boa acidez e taninos bem finos e suaves. Sem defeitos, agrada mas não tanto quanto o branco. Com o mesmo preço do branco, empolga menos mas mesmo assim ainda é justo.

Depois disso ainda pude rever alguns vinhos das outras linhas da Lidio Carraro, conversar com a equipe Lidio Carraro presente na apresentação (Leonardo Khouri - Gerente de Contas e Ana Cristina - Representante Comercial para São Paulo) sobre vinhos, mercado, etc além é claro de um belo almoço com os já aprovados cortes de carne disponíveis na casa.

Mais do que apresentar os vinhos da Copa do Mundo para a imprensa e lojistas, o evento e a campanha da Lidio Carraro tem que servir para despertar o consumidor brasileiro e o produtor nacional para que juntos façamos o mercado crescer. Agradeço mais esta oportunidade e vamos junto na divulgação.

Até o próximo!

Monday, June 17, 2013

Meu dia dos namorados combinou com Riesling: um ode ao amor!

Sei que estou um pouco atrasado nesta postagem, mas um misto de falta de tempo e um pouco de preguiça eu acabei postergando um post que pra mim, é muito especial. Veja, eu sei que a data é muito mais comercial do que qualquer outra coisa porém o significado dela quando estamos com a pessoa amada é muito grande e complexamente difícil de descrever em texto. Portanto eu passei um tempo pensando como colocar as coisas aqui de uma maneira que pudesse minimamente expressar meus sentimentos neste 12 de junho de 2013. Como alguns de vocês já sabem, me casei este ano e por isso seria nosso primeiro dia dos namorados como marido e mulher. Desta maneira achei que, melhor do que falar sobre o vinho em questão (que até já tomei anteriormente e escrevi sobre ele aqui) decidi que traçaria alguns paralelos com as características do vinho e o amor além de uma homenagem a minha esposa, em virtude também desta data. Ah, só lembrando, o vinho escolhido foi o Casa Marin Riesling Miramar Vineyard 2009, escolhido pra acompanhar um salmão assado ao tempero de limão e pimenta com um risoto de ervas finas. 



O brilho da coloração dourada que o vinho mostrava na taça me lembrou do brilho do seu olhar, meu amor, ao cruzar os meus olhos no nosso reencontro, quando num bar mexicano aqui da zona norte, pude ver dentro dos seus olhos que uma faísca ali aparecia.


Seu aroma floral prontamente me remete a você e suas orquídeas, o amor e carinho como as trata e a maneira como gosta de vê-las sempre belas e floridas. O que dizer então dos aromas de frutos brancos? O toque de dulçor que estes frutos acrescentam ao vinho me fazem lembrar de como você é doce e com aquela sua vontade de sempre se preocupar e me deixar confortável e satisfeito, não deixando que nada nos falte. Já o aroma de plástico, empireumático, prontamente me recorda de algo novo, novidade, que é como estamos criando nossa vida em conjunto, com nosso casamento ainda com aquele gostinho de lua de mel.

Fechando, não poderia deixar de comentar aquele gostinho mineral que me faz lembrar de nossa viagem de final de ano a Ilha Bela, dias gostosos, em família, um delícia.

Bom, o vinho? É bom e só confirmou minhas impressões postadas em artigo anterior. Sobre a data? O primeiro dia dos namorados com você, meu amor, foi inesquecível e tenho certeza que será o primeiro de infindáveis. Obrigado, mais uma vez, por estar este tempo a meu lado. Te amo!

Até o próximo!

Wednesday, January 16, 2013

E para o calor: sorvete de vinho!

Está certo que o clima mudou um pouco nos últimos dias, mas estávamos vivendo as voltas com o calor senegalês que vinha nos castigando durante nosso verão. E, aparentemente atrasado, me deparei com uma matéria inusitada: foi lançado nos EUA sorvetes com "sabores" de vinho.

Imagem retirada do site do fabricante

Ao que tudo indica, uma antiga fábrica de sorvetes dos EUA chamada "Merce's Dairy", resolveu inovar e resolveu unir sorvetes a vinhos, criando assim a sua linha de sorvetes "wine ice cream". As uvas são colhidas a mão, e após a fermentação são misturados aos demais ingredientes que constituem formando esta inovadora forma de sobremesa. E nem pensem que isso é brincadeira de criança, afinal o sorvete tem em média 5% em volume de álcool.


Os sabores são descritos assim pelo fabricante:  cherry merlot (conhecida por conter os aromas/sabores de ameixas e cerejas escuras, a uva merlot foi escolhida e enriquecida com cerejas especialmente vindas de Bordeaux), chocolate cabernet ( a união de uma uva que normalmente é associada a aromas/sabores de cereja seca e notas de cassis com chocolate meio amargo), peach white zinfandel (zinfandel vinificado em branco com açúcar residual numa mistura com pêssegos bem maduros), port (bem encorpado e final suave e agradável), red raspberry chardonnay (chardonnay envelhecido em barrica com toques de baunilha no nariz e final amanteigado misturado com framboesas vermelhas bem frescas) e finalmente o riesling (com sua fruta fresca e qualidade "quase efervescente").


Pelas descrições, fiquei até com água na boca, mas ao que parece os mesmos não estarão disponíveis em territórios fora dos EUA. Para quem quiser mais informações sobre o produto, sugiro acessar o site do fabricante em http://www.mercersdairy.com/Wine_Ice_Cream_home_page.php .

Até o próximo!

Tuesday, September 25, 2012

Casa Marin Riesling Miramar Vineyard 2009

Como já é de praxe aos domingos, um almocinho diferente e gostoso costuma ser preparado por meus pais.  E não foi diferente neste final de semana. Um belo salmão feito no forno, coberto de alcaparras, tomate, cebola e champignons numa cama de cebola, levemente temperado com pimenta e sal. Como acompanhamento, um arroz com brócolis. Eu sempre me deparo então com a pergunta clássica: que vinho eu vou abrir pra acompanhar estes pratos? E foi ai que a resposta veio quase que instintivamente, tendo em vista que dias atrás havia comprado alguns vinhos brancos da Casa Marin e estava doido pra prová-los. Foi então a escolha do dia: Casa Marin Riesling Miramar Vineyard 2009.


Sobre a vinícola, falei um pouco sobre no blog em outra ocasião (relembrem aqui) e por isso vou tentar me manter somente no vinho, para não tornar a postagem cansativa. O vinho é feito com uvas 100% Riesling colhidas no vinhedo chamado Miramar, no Vale do Santo Antonio no Chile. Possui 12,5% de grau alcoólico e não passa por madeira. Vamos as impressões.

Na taça o vinho apresentou uma coloração amarelo palha com reflexos dourados de média intensidade. Lágrimas finas, rápidas e incolores também fazem parte do aspecto visual.

No nariz o vinho apresentou aromas lembrando plástico, flores e frutos de polpa branca. Todos bem misturados e se alternando na taça. Uma delícia.

Na boca o vinho tinha corpo médio, ótima acidez e trazia notas minerais acentuadas, deixando o final do retrogosto frutado com aquela sensação salgada numa boa dose de duração.

Mais um grande vinho produzido por esta vinícola, que vale o quanto custou (algo em torno de R$ 70 reais). Este é trazido pela Vinea. Combinou muito bem com os pratos deste domingo. Eu recomendo!

Até o próximo!

Friday, May 20, 2011

Aromas de petróleo da Riesling seriam defeitos?

Semana passada estávamos estudando Alemanha e Áustria na aula de sommellerie e nos deparamos com os famosos vinhos brancos alemães elaborados a partir da casta Riesling, quando chegamos na discussão dos aromas normalmente encontrados em vinhos desta uva, aromas estes provenientes em sua maioria da própria uva.  Especialmente em sua maturidade, vinhos desta casta tem grande potencial de expressar o solo em que são plantadas e comumente mostram também aromas químicos de derivados de petróleo (querosene, por exemplo).

Acontece que pouco depois desta aula, me deparei com um artigo escrito por Adam Lechmere para o site Decanter.com (um dos mais conceituados em se tratando de vinhos no mundo) onde ele dizia que segundo Michel Chapoutier, famoso produtor do Vale do Rhone (França), tais aromas de petróleo e derivados nos vinhos produzidos com uvas Riesling seria um grave erro de viticultura/enologia na elaboração dos mesmos. Segundo Chapoutier defeitos históricos do vinho estão se tornando características intrisecas dos vinhos, sem o devido cuidado na vinificação dos mesmo.

O principal problema, ainda segundo Chapoutier, é que estes aromas de petróleo e derivados vem da decomposição de veios internos da pele da uva (“casca”) , proavelmente por prenssagem em demasia dos bagos nas vinícolas em geral. O detalhe principal na vinificação da uva Riesling, continua o artigo (e Chapoutier é claro) é a prensa de modo o mais gentil possível , sem a dilaceração das película (“casca”) externa, nem das sementes/cabinhos para a produção destes vinhos.

Apesar disso, existem correntes que defendem ainda que estes aromas devem estar presentes principalmente em vinhos considerados mais maduros, até pelo potencial de envelhecimento que a uva tem apresentado. Além disso, a qualidade está também relacionado aos baixos rendimentos aplicados por produtores de maior qualidade. Além disso, devemos prestar atenção também ao local de origem do vinho, uma vez que a maturidade das uvas tem muito a ver com o clima, exposição ao sol, calor, etc. Enfim, diversos aspectos tem que ser considerados nesta discussão.

Evidentemente não possuo conhecimento suficiente para me colocar de um lado ou de outro mas a questão é que muitos vinhos desta uva, principalmente no velho mundo e de aclamados produtores apresentam estes aromas, e por mais que se fale em massificação da produção, alguns deles possuem muita qualidade. A questão está aberta e gostaria de contar com a discussão de todos neste aspecto. Qual é a sua opinião?