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Monday, August 13, 2018

Atlántico Sur Reserve Tannat 2013

Juan Carlos Deicas nasceu em Montevidéu no dia 6 de setembro de 1937, tendo crescido no bairro de Piedras Blancas, estudou Ciências Econômicas e, antes de entrar no mundo vitivinícola, trabalhou como bancário. Casou-se em 1960 com Elida Heres, com quem teve dois filhos: Mariela e Fernando. Em 1979, Juan Carlos Deicas, fundou o Establecimento Juanicó, que hoje em dia é uma das principais vinícolas do Uruguai. Antes de ser propriedade da Família Deicas, as terras do Establecimiento Juanicó passaram por diferentes donos. Entre eles destacou-se Don Francisco Juanicó, quem em 1830 rompeu com a tradição da criação de gado na região e construiu uma cave subterrânea que lhe permitiu elaborar vinhos de grande qualidade, devido a sua climatização natural. Porém, a grande mudança produziu-se recentemente quando Fernando Deicas assumiu o controle da vinícola no começo dos anos 80. Com uma nova visão e uma “grande mudança de mentalidade” a Família Deicas incorporou novas tecnologias e fez um forte investimento industrial para enfrentar novos desafios e assim abrir as portas do novo mundo para a vinícola. As novas gerações têm contribuído com outras visões e enfoques mais modernos e internacionais. Em 2010, a Família Deicas decidiu separar a produção de certos vinhos especiais e nasceu então a vinícola Premium Família Deicas. Esta vinícola fica em Progresso, Canelones, e o seu ícone é um casarão antigo conhecido pelo nome de Domaine Castelar. Os vinhos da Família Deicas são produzidos em pequena escala, cuidando minuciosamente todo o processo, desde o vinhedo até a guarda. Hoje, três gerações desta família compartilham a mesma paixão: atingir o perfeito equilíbrio entre tradição e inovação.


Falando sobre o Atlántico Sur Reserve Tannat 2013, podemos ainda afirmar que o vinho é feito 100% com uvas Tannat através da combinação dos melhores uvas de seus diferentes micro terroirs. Cerca de 40% do vinho tem uma passagem por barris de carvalho francês de segunda utilização durante 6 meses. Vamos as impressões?

Ns taça o vinho apresentou coloração violácea de grande intensidade com bom brilho e limpidez. Lágrimas finas, rápidas e com alguma cor também se faziam presentes.

No nariz o vinho apresentou aromas de frutos vermelhos, especiarias doces, mentolado, chocolate e leve toque tostado no fundo de taça.

Um belíssimo vinho uruguaio, que serviu o propósito de celebrar uma situação tão bacana (estava em Campos do Jordão com as pessoas que amo, minha família). Não é um vinho barato, mas vale o quanto custa. Eu recomendo a prova.

Até o próximo!

Tuesday, May 8, 2018

Alto de La Ballena Tannat Merlot Cabernet Franc 2012

Em 1998, o casal Paula Pivel e Alvaro Lorenzo decidiram estabelecer uma pequena vinícola no departamento de Maldonado, na região sudeste do Uruguai. Paula e o marido conheceram-se quando cursavam MBA e se casaram pouco depois. Sem mais experiência do que sendo consumidores de bons vinhos, partiram para encontrar um lugar que combinasse aptidão vitícola, belas paisagens e uma boa localização. A seleção do terroir, considerando topografia, solo e clima, foi decisiva para alcançar uma excelente qualidade das uvas, essencial na produção de vinhos de alta qualidade. Adquiriram então quase vinte hectares na Sierra de la Ballena, a poucos quilômetros do mar e de Punta del Este, o principal balneário da América do Sul, fundando então a vinícola Alto de La Ballena. O primeiro plantio de videiras foi feito na primavera de 2001, continuando nos anos seguintes até atingir 8 hectares. As vinhas são compostas pelas variedades Merlot, Tannat, Cabernet Franc, Syrah e Viognier. O que mais impressiona na propriedade é o solo em que as vinhas se encontram, muito pedregosos com presença de granitos, quartzos, nos mais variados tamanhos, tendo que ser abertos/preparados por ação mecanizada mas que por outro lado geram uma boa drenagem, essencial para o amadurecimento e qualidade das uvas. Complementam ainda o terroir a proximidade do oceano, de um grande lago, boa exposição solar, amplitudes térmicas generosas e brisas noturnas frias. Atualmente, os vinhos Alto de La Ballena são vendidos em lojas especializadas, espaços gourmet e nos melhores restaurantes do Uruguai, principalmente em Montevidéu e Punta del Este. Eles também estão presentes no México e no Brasil, e logo nos Estados Unidos, Suécia, Bélgica, Holanda, Suíça e Argentina.


Falando um pouco sobre o Alto de La Ballena Tannat Merlot Cabernet Franc 2012, podemos ainda afirmar que é um corte composto da seguinte maneira: 50% de uvas Tannat, 35% de uvas Merlot e 15% de uvas Cabernet Franc. Apenas a uva Tannat passa por 9 meses em barricas de carvalho de 2o e 3o usos pós fermentação. Vamos as impressões?

Na taça o vinho apresentou coloração rubi violácea de média para grande intensidade com algum brilho e limpidez. Lágrimas finas, rápidas e ligeiramente coloridas também se faziam notar.

No nariz o vinho apresentou aromas de frutos escuros, especiarias , tabaco e algo herbáceo.

Na boca o vinho apresentou corpo médio, boa acidez e daninos macios. O retrogosto confirma o olfato e o final era de média para longa duração.

Um belo vinho uruguaio que, apesar de conter em seu corte a emblemática Tannat, também mostrao potencial de outras castas na região. Eu recomendo a prova e, caso você tenha a oportunidade, a visita a vinícola quando estiver passeando pelo país vizinho: é um dos pôr do sol mais lindos que já vi na vida. É trazido ao Brasil pela Winebrands!

Até o próximo!

Thursday, April 12, 2018

Guia Descorchados me fez conhecer o Deus dos ventos: Eolo!

Faz algum tempo que eu tenho olhado de maneira diferente para os vinhos do Uruguai pois eles tem demonstrado uma qualidade muito evidente. E alguns dos vinhos que eu tinha muita curiosidade em provar eram os vinhos da bodega Viñedos de Los Vientos, em especial, o Eolo. E não é que eu finalmente consegui? No último dia 10 de Abril tivemos em São Paulo o lançamento do Guia Descorchados, o maior guia mundial de vinhos da Argentina, Chile, Uruguai e Brasil. Num evento com a presença de mais de 400 produtores e uma quantidade ainda maior de vinhos, fica muito difícil de escolher o que provar mas, foquei em vinhos que não conhecia e que tinha interesse de conhecer.


A história da Viñedo de Los Vientos remete a 1920, quando Angelo Fallabrino chega com sua família à cidade de Montevidéu, escapando da primeira guerra. Nativo de Alexandria, Angelo sabe fazer grandes vinhos e cria a maior adega do Uruguai. Seu filho Alejandro segue seus passos e se destaca como uma das pessoas mais inovadoras da indústria vinícola do Uruguai nos anos 70 e 80. Infelizmente ambos morrem, Alejandro no ano 91 e Angelo em 1995. Em 1995, Pablo, um dos três filhos de Alejandro, toma as rédeas de Viñedo de los Vientos, que na época era apenas um vinhedo.
Em 1997, Pablo decidiu começar sua própria adega e, com esse propósito, adquiriu o melhor equipamento italiano. Março de 1998 é marcado como a primeira vindima de Viñedo de los Vientos e levou 3 anos de trabalho depois, para desenvolver o melhor potencial da vinha e criar desta forma, uma série de vinhos orientados para serem únicos e especiais.

Falando agora do Viñedo de Los Vientos Eolo Gran Reserva 2013, podemos ainda acrescentar que é um vinho feito a partir das castas Tannat (85%) e Ruby Cabernet (15%) com amadurecimento de 36 meses em barricas de carvalho francês. Vamos então as impressões?

Na taça o vinho apresentou coloração violácea de grande intensidade com bom brilho e limpidez.

No nariz o vinho apresentou aromas de frutos escuros, couro, especiarias, flores e algo de alcaçuz. Ao fundo também se nota baunilha.

Na boca o vinho se mostrou encorpado com uma boa acidez e taninos macios. O retrogosto confirma o olfato e o final era de longa duração.

Um belíssimo vinho uruguaio sem qualquer duvida e que pelo preço que é vendido, vale o quanto custa. Eu recomendo a prova.

Até o próximo!

Tuesday, November 21, 2017

Cerro da Cruz Cabernet Tannat Merlot 2012

A Cooperativa Nova Aliança, produtora do vinho de hoje, une a força, a experiência e a solidez de uma história de mais de 80 anos de cinco tradicionais cooperativas vitivinícolas da Serra gaúcha: Cooperativa Aliança e a Cooperativa São Victor, de Caxias do Sul, a Cooperativa São Pedro e a Cooperativa Santo Antônio, de Flores da Cunha, e a Cooperativa Linha Jacinto, de Farroupilha. Juntas, decidiram se transformar em uma única família, reunindo pessoas, valores e histórias para formar a Cooperativa Nova Aliança, que tem a missão de semear um futuro de oportunidades e desenvolvimento com o firme propósito de ser referência em seus segmentos de atuação e reconhecida pela atitude cooperativa e resultados alcançados. A Cooperativa Nova Aliança congrega aproximadamente 900 famílias associadas, distribuídas em três regiões produtoras com distintas características, representando o que o país oferece de melhor para o cultivo de videiras: Serra Gaúcha, Encruzilhada do Sul, Sudeste e Campanha Gaúcha. Desde 2013 a produção de suco e o envase de vinho e de espumante estão concentrados na nova sede da Cooperativa, em Flores da Cunha, que conta com prédio de 24 mil metros quadrados e capacidade para processar até 60 milhões de quilos de uva por ano.


Sobre o Cerro da Cruz Cabernet Tannat Merlot 2012, podemos ainda acrescentar que o vinho é um blend das uvas Cabernet Sauvignon, Tannat e Merlot com amadurecimento de 14 meses em barricas de carvalho francês e americano com posterior envelhecimento em garrafa por um ano. Vamos as impressões?

Na taça o vinho apresentou coloração violácea de grande intensidade com bom brilho e limpidez. Lágrimas finas, rápidas e coloridas também se faziam notar.

No nariz o vinho apresentou aromas de frutos vermelhos maduros, mentolado, chocolate, flores e especiarias.

Na boca o vinho se mostrou de corpo médio para encorpado com uma boa acidez e taninos redondos. O retrogosto confirma o olfato e o final era de longa duração.

Um ótimo vinho nacional que degustamos por aqui, realmente impressionou pela complexidade e equilíbrio, assim como pela qualidade. Eu recomendo demais a prova.

Até o próximo!

Wednesday, September 27, 2017

Enobrasil 2017: O vinho nacional que surpreende

Como eu já disse a alguns posts atrás, o mercado de vinhos nacionais tem evoluído com uma velocidade muito interessante, transformando regiões até então impensáveis em produtores de vinho. Reforçando o que eu disse por lá, deixemos de lado ainda o termo terroir, empregado a locais "seculares" e que possuem toda uma cultura ancestral quando falamos de cultivo de uvas e produção de vinhos, coisa que o Brasil ainda não tem a curto e médio prazo. E não existe uma maneira melhor de ter contato com este "novo" mercado nacional de vinhos do que um evento como o Enobrasil 2017 que ocorreu no último mês de agosto e que tive a oportunidade de visitar.

A sommelière Mikaela Paim que dentre outras atividades, é sommelière desde 2007, Presidente da Confraria Vinhos do Brasil, colaboradora da Osteria Generale há 15 anos e ainda trabalha com consultorias e Eventos Enogastronômicos além de guiar grupos de viagens enoturísticas com a Agência Stell Tour Turismo, acerta novamente em trazer a um mesmo espaço produtores nacionais de vinhos, queijos, azeites e outros alimentos/bebidas que vem surgindo por todos os cantos do nosso país. Para se ter como base, tivemos vinhos que vinham do Sul (Rio Grande do Sul e Santa Catarina), Nordeste (Pernambuco), Sudeste (São Paulo e Minas Gerais) e por ai vai. E esse foi o mote do evento: a diversidade de produtos e regiões que o país produz e que ainda não temos acesso.


Mantendo o padrão que tenho aplicado por aqui, pretendo apontar vinhos e vinícolas que mais me surpreenderam durante o evento (afinal, somos um blog de vinhos). O maior exemplo que tive neste evento foi uma pequena vinícola do interior de São Paulo (mais especificamente de Amparo), a Vinícola Terrassos. O surgimento deste empreendimento em solos paulistas se deu em 2003 com o início da plantação das vinhas (cerca de 20 variedades viníferas foram testadas) e as primeiras garrafas começaram a sair em 2010. Existe ainda o curioso uso da casta Máximo, desenvolvida em solos paulistas pelo cruzamento de uvas Seibel 11342 e Syrah. O vinho apresentado, um blend de Syrah e Máximo, se mostrou rústico e instigante, com aromas de frutos vermelhos e especiarias, além de um certo toque terroso. Em boca corpo médio e taninos marcados. Pareceu bem gastronômico. 


Outro destaque positivo vem do nordeste com a Vinícola Rio Sol e o seu Rio Sal Gran Reserva Alicante Bouschet (não poderia ser diferente, afinal a empresa pertence a Global Wines, com sede na região do Dão, em Portugal, e usar uma casta portuguesa faz sentido aqui, dadas as devidas ponderações). O vinho resultante é de médio corpo, boa acidez e taninos macios. Aromas de frutos vermelhos, especiarias, flores, chocolate e algo de tabaco. Tende a agradar paladares diversos.


Por fim, do Rio Grande do Sul (Campanha Gaúcha) vem o Cordilheira de Sant'Ana Tannat 2005. A vinícola homônima (Cordilheira de Sant'Ana) está localizada numa mesma latitude de grande áreas vinícolas de nossos hermanos mais reconhecidos mundialmente, o que já dá uma dica de que coisas boas podem vir daqui. Foi fundada em 1999 e os proprietários são o casal de enólogos Rosana Wagner e Gladistão Omizzolo. O vinho é muito escuro e denso, mesmo com tanto tempo em garrafa. Trouxe aromas de frutos escuros em compota, especiarias, flores, cacau e toques de minerais e animais. Em boca é encorpado com taninos domados e acidez na medida. Evoluído e elegante, um vinho que empolga.

E como era de se esperar, o Enobrasil 2017 cumpriu seu papel de forma magistral, apresentando o consumidor brasileiro aos produtos disponíveis em seu próprio país e que devem ser consumidos por aqui. Incrível é quebrar paradigmas e verificar que o Brasil pode sim fazer bons vinhos, em diversas regiões do país, e que pode sim competir com alguns de nossos vizinhos. O evento tende a crescer de tamanho e "conteúdo" já para o próximo ano, segundo a Mikaela. É o que nós esperamos. Vale a pena esperar até lá.

Até o próximo!

Monday, September 4, 2017

Wines of Uruguay Tannat Tasting Tour 2017

Atualmente, dos países vizinhos que produzem vinhos, o Uruguay tem sido o que mais me surpreende. E isto tem se devido principalmente a "domesticação" da rústica Tannat à descoberta de blends bem interessantes (usando até mesmo castas pouco usuais por estes lados) que tem sido criados por lá. E foi o que pude presenciar mais uma vez no Masterclass do Tannat Tasting Tour São Paulo, que aconteceu no Museu de Arte Contemporânea de São Paulo no último dia 22 de agosto, evento este organizado pela Wines of Uruguay. 


Não há como negar que, até como parte de um case de sucesso de marketing, a uva Tannat se tornou símbolo do país vizinho e, como não deveria deixar de ser, o mote da Masterclass é o uso da casta, seja em vinhos varietais e em cortes. Até grandes críticos do mundo do vinho acabaram por se render aos vinhos tintos vindos do Uruguay, como a aclamada Jancis Robinson, por exemplo. E o Brasil tem uma grande parcela contribuinte no consumo de vinhos vindos do nosso vizinho: cerca de 60% das exportações uruguaias tem como destino o nosso mercado, chegando a volumes que ultrapassam os 2 milhões de litros.


Sobre o evento em si, estavam disponíveis mais de 125 rótulos diferentes de vinhos além de representantes dos importadores e vinícolas, sempre solícitos no contato com o público em geral. O local escolhidos não poderia ser melhor: o visual de fim de tarde da cobertura do Museu de Arte Contemporânea de São Paulo (mesmo em um dia onde o clima não foi o parceiro ideal) adicionou um quê artístico ao tasting. Nas linhas abaixo vou destacar dois vinhos que me chamaram a atenção na Masterclass. Espero que tenham sido do agrado de vocês também.


O primeiro vinho que eu vou destacar é o Alto de La Ballena Tannat Viognier 2013, produzido por uma vinícola boutique localizada em Maldonado (Alto de La Ballena), muito próximo ao balneário de Punta Del Leste, numa belíssima serra da região. O vinho é feito a partir de um corte de Tannat (85%) e Viognier (15%). O interessante aqui é que as uvas Tannat são fermentadas em conjunto com as cascas da Viognier e o mosto da Viognier é fermentado separadamente. O vinho resultante do corte fica 9 meses em barricas de carvalho americano para amadurecimento. Temos como resultado um vinho de coloração rubi violácea de grande intensidade com bom brilho e limpidez. No nariz o vinho apresentou aromas de frutos vermelhos, flores, chocolate, especiarias e um fundo mineral. Na boca  o vinho se mostrou de corpo médio para encorpado, boa acidez e taninos macios. O retrogosto confirma o olfato e o final era longo. Um vinho elegante e potente.

Por último falaremos do Don Julio Ariano Tannat/Merlot/Syrah 2013, um vinho feito a partir de uvas Tannat selecionadas de uma parcela especial acrescidas de Merlot e Syrah. O vinho estagia por 18 meses em barricas francesas e americanas para amadurecimento. Além disso, antes da liberação ao mercado, o vinho passa por 12 meses em garrafa para envelhecimento. Este vinho foi criado em homenagem a Don Julio Ariano, um dos pioneiros da família na propriedade. Como resultado temos um vinho de coloração violácea profunda, brilhante e límpida. Trouxe no nariz aromas de frutas em compota, chocolate, flores, baunilha, especiarias doces e leve toque de tabaco. Na boca é encorpado, carnudo, de boa acidez e taninos redondos. O retrogosto confirma o olfato e o final era longo e saboroso. Baita vinho!

Foi isso que eu quis trazer pra vocês, meus prezados leitores, entretanto caso você tenha participado da Masterclass ou da feira, deixem nos comentários suas impressões, vinhos que mais gostaram e afins. Fico no aguardo.

Até o próximo!

Wednesday, August 24, 2016

Susana Balbo e seus belíssimos vinhos

Ainda repassando os eventos passados que participei nestes últimos tempos, hoje venho falar de um evento que ocorreu no mês de julho passado e que também trouxe muita coisa boa, nova e também repaginadas. Estou falando de um um encontro com a Susana Balbo, que esteve em São Paulo e conduziu uma degustação com rótulos novíssimos de sua vinícola, além de seus já consagrados vinhos premium. Além disso, mostrou que o vinho não precisa ter essa cara sisuda com o qual é normalmente apresentado. Susana Balbo é a primeira enóloga mulher da Argentina e recebeu inúmeros prêmios devido à qualidade internacional de seus vinhos. Deste evento, trago alguns destaques nas linhas abaixo.


O primeiro destaque é a renovação dos rótulos e de toda comunicação visual da linha Crios, linha de entrada da Susana Balbo que definitivamente é a mais conhecida no nosso mercado brasileiro. Os vinhos desta linha são conhecidos por seu estilo frutado característico, descomplicado e para o dia a dia. Agora os rótulos da linha passam a ostentar um visual mais "vintage-moderno" buscando uma maior conexão com um público mais jovem e "descolado". O símbolo da linha Crios, a famosa mão espalmada, foi mantido, porém numa dimensão menor e ao lado de outras informações valiosas para "novatos" no mundo do vinho tais como breve descrição do vinho, notas de degustação e dicas de harmonização. Além disso, a vasta gama de uvas e blends faz com que o consumidor consiga descobrir características típicas de cada casta além de se aventurar em vinhos que transmitem certa segurança e excelente custo benefício. Dentre os destaques, um Torrontés fresco e bem com a cara do calor característico do nosso país e um Malbec distinto, menos opulento e potente, buscando muito frescor e a facilidade de se beber. Vale ressaltar que a entrada da nova geração da família de Susana, mais especificamente sua filha Ana Lucía Lovaglio, tem muita responsabilidade também nestas mudanças.


Em segundo lugar, gostaria de destacar também um lançamento feito na época do evento, que é o Susana Balbo Signature Rosé, ainda não disponível no mercado (tinha uma previsão de chegada de até 90 dias) mas que se mostrou um vinho delicioso e também com cara de Brasil. Um blend de Malbec e Pinot Noir com muito frescor, bom corpo e estrutura, muita fruta vermelha e cítrica, toques florais e minerais, daqueles vinhos que lembram uma boa piscina com amigos e familiares ou até um encontro com uma pessoa especial, por que não? O problema? O preço um pouco salgado que poderá afastar o público: será comercializado por cerca de 190 reais. De qualquer maneira vale conhecer, eu que não sou fã de rosés achei este vinho incrível.


Falando agora da linha considerada super premium, o destaque fica por conta do vinhaço BenMarco Expressivo, um blend das uvas Malbec, Cabernet Franc e Cabernet Sauvignon do terroir de Gualtallary, com estagio de 14 meses em barricas de primeiro uso. Um vinho que trás aromas de frutos escuros e vermelhos, chocolate, especiarias e que é opulento, suculento com taninos macios e redondinhos. Não é exatamente um lançamento, mas vale sempre provar este vinho. Eu o interpretei como o melhor da noite, mais pronto para o consumo mas que mesmo assim me parece ter ainda uma boa estimativa de guarda.


Por fim não poderia deixar de fora o vinho ultra premium e top do finíssimo Nosotros Francis, um belo blend das uvas Malbec, Cabernet Sauvignon, Cabernet Franc e Tannat oriundas do Vale do Uco com estágio de 15 meses em barricas de carvalho francesas de primeiro uso. Como resultado um vinhaço suculento, opulento, encorpado mas extremamente macio e saboroso, trazendo muita fruta vermelha e escura madura, especiarias, alcaçuz, baunilha e toques florais. Muita complexidade também é seu carro chefe. Como todo vinho top, seu preço é salgado mas vale para uma ocasião mais especial. Eu recomendo muitíssimo a prova, ao menos uma vez deste vinhão.

Vale lembrar que os vinhos da Susana Balbo são trazidos ao Brasil pela Cantu Importadora, que foi a organizadora deste belíssimo evento.Um evento ousado, descomplicado e que mostra como estamos atrasados em relação ao consumo de vinhos no Brasil. De qualquer maneira, precisamos de mais incentivos como estes. 

Até o próximo!

Thursday, June 23, 2016

Vinhedos Capoani Tannat 2011: Brasil bem representado na Expovinis

Hoje quero trazer a vocês, caríssimos leitores, uma boa descoberta que fiz na Expovinis deste ano no tocante a vinhos tintos nacionais. Eu já venho a tempos falando que, sem discutir preço, tributação e afins, tenho visto uma guinada radical na qualidade de alguns vinhos tintos nacionais de um maneira que eu ainda não tinha visto anteriormente. E um vinho que se encaixa nesta descrição acima e que eu provei pela primeira vez na Expovinis deste ano foi o Vinhedos Capoani Tannat 2011.


A sementinha da Vinhedos Capoani data de 1973, quando Volmir Luis Capoani, plantou as primeiras mudas de videira Chardonnay, sendo pioneiro na região, seu filho Noemir Capoani observava e sonhava em montar a vinícola da família. Volmir fazia parte de uma família que imigrou da Itália, mais especificamente de Cremona, para Bento Gonçalves, no Rio Grande do Sul a mais de 140 anos atrás. Juntamente com seus filhos, Wilian e Renan, Noemir assume a administração dos vinhedos da família em 2009, após o falecimento do seu pai Volmir. A primeira safra passa a ser elaborada a partir de 2010, dando andamento ao projeto de renovação dos vinhedos e o sonho de construção da própria vinícola, que vem acontecendo pouco a pouco, até os dias atuais.

Já sobre o Vinhedos Capoani Tannat 2011, podemos ainda acrescentar que é um vinho elaborado 100% com uvas Tannat provenientes de vinhedos próprios no Vale dos Vinhedos, sendo que permanece em barricas de carvalho por cerca de 18 meses antes de ser liberado ao mercado. Foram produzidas cerca de 2700 garrafas. Vamos as impressões?

Na taça o vinho apresentou uma coloração violácea de grande intensidade, bem densa, com algum brilho e limpidez.

No nariz o vinho apresentou aromas de frutas negras bem maduras, quase como em compota, especiarias doces, flores e leve toque de baunilha.

Na boca o vinho se mostrou encorpado com boa acidez e taninos marcados porém de boa qualidade. O retrogosto confirma o olfato e o final é de longa duração.

Um belíssimo exemplar da nova safra de vinhos tintos brasileiros que sem dúvida tendem a impressionar até os mais céticos. Eu recomendo a prova.

Até o próximo!

Thursday, June 16, 2016

Familia Deicas Preludio 2009

Que dias especiais merecem vinhos um pouco mais especiais, eu já disse várias vezes não é mesmo? Mas eu não canso de repetir esta frase que quase se tornou um mantra pra mim. Mais do que isso, ultimamente eu tenho tentado, na medida do possível, tomar bons vinhos e não me apegar a eles. Uns dizem que a vida é curta demais para bebermos vinhos ruins. Acho que acredito. E foi assim que as comemorações do Dia dos Namorados começaram lá em casa com o Familia Deicas Preludio 2009.


Juan Carlos Deicas nasceu em Montevidéu no dia 6 de setembro de 1937, tendo crescido no bairro de Piedras Blancas, estudou Ciências Econômicas e, antes de entrar no mundo vitivinícola, trabalhou como bancário. Casou-se em 1960 com Elida Heres, com quem teve dois filhos: Mariela e Fernando. Em 1979, Juan Carlos Deicas, fundou o Establecimento Juanicó, que hoje em dia é uma das principais vinícolas do Uruguai. Antes de ser propriedade da Família Deicas, as terras do Establecimiento Juanicó passaram por diferentes donos. Entre eles destacou-se Don Francisco Juanicó, quem em 1830 rompeu com a tradição da criação de gado na região e construiu uma cave subterrânea que lhe permitiu elaborar vinhos de grande qualidade, devido a sua climatização natural. Porém, a grande mudança produziu-se recentemente quando Fernando Deicas assumiu o controle da vinícola no começo dos anos 80. Com uma nova visão e uma “grande mudança de mentalidade” a Família Deicas incorporou novas tecnologias e fez um forte investimento industrial para enfrentar novos desafios e assim abrir as portas do novo mundo para a vinícola. As novas gerações têm contribuído com outras visões e enfoques mais modernos e internacionais. Em 2010, a Família Deicas decidiu separar a produção de certos vinhos especiais e nasceu então a vinícola Premium Família Deicas. Esta vinícola fica em Progreso, Canelones, e o seu ícone é um casarão antigo conhecido pelo nome de Domaine Castelar. Os vinhos da Família Deicas são produzidos em pequena escala, cuidando minuciosamente todo o processo, desde o vinhedo até a guarda. Hoje, três gerações desta família compartilham a mesma paixão: atingir o perfeito equilíbrio entre tradição e inovação.

Sobre o Familia Deicas Preludio 2009, podemos acrescentar que é um vinho feito a partir das castas Tannat, Cabernet Sauvignon, Cabernet Franc, Merlot e Petit Verdot com passagem de 24 á 30 meses em barricas de carvalho. Vamos as impressões?

Na taça o vinho apresentou cor violácea de grande intensidade, bom brilho e boa limpidez. Lágrimas mais gordinhas e lentas, além de muito coloridas, também faziam parte do conjunto visual.

No nariz o vinho apresentou aromas de frutos vermelhos e negros bem maduros, baunilha, flores e toques de especiarias.

Na boca o vinho se mostrou encorpado, de boa acidez e com taninos macios. O retrogosto confirma o olfato e o final e deixa a gostosa sensação de quero mais.

Um belíssimo vinho uruguaio, que serviu o propósito de celebrar uma data tão bacana, que apesar dos apelos comerciais, serve de desculpa para celebramos o amor. Não é um vinho barato, mas vale o quanto custa. Eu recomendo a prova.

Até o próximo!

Friday, December 4, 2015

Gimenez Mendez Alta Reserva Tannat 2013 & Hambúrgueres caseiros!

Embora em meu post anterior eu tenha destacado os EUA por todas ligações afetivas que desenvolvi ao longo do tempo com este país, é inegável dizer que um país que também tem se mostrado muito versátil e com uma evolução constante é o Uruguai, embora menos badalado que os vizinhos Argentina e Chile. E hoje vamos de Uruguai com o vinho Gimenez Mendez Alta Reserva Tannat 2013.


O vinho é produzido pela Vinícola Gimenez Mendez, uma vinícola uruguaia estabelecida na mais pura área da América do Sul e totalmente pertencente e gerida pela família Gimenez Mendez. Seus vinhedos, cerca de 100 hectares, e adega estão localizados nas regiões de Las Brujas em Montevideo, Los Cerrillos e Canelón Grande, no sul do Uruguai, territórios privilegiados para a produção de vinhos. A história da família Gimenez Mendez com a viticultura data de 1929, quando produziam praticamente só vinhos de mesa. Devido a uma crise do mercado uruguaio, em meados dos anos 90, adquiriram uma outra adega mais antiga e tiveram a oportunidade de expandir seus negócios, decisão esta que se mostrou acertada com o passar do tempo. Atualmente seus vinhos podem ser encontrados no Reino Unido, Alemanha, Suíça, EUA, Brasil, Barbados e México. 

Sobre o vinho de hoje, o Gimenez Mendez Alta Reserva Tannat 2013, podemos acrescentar que em sua safra 2013 o vinho foi produzido com 100% de uvas Tannat e, depois do processo fermentativo, o vinho estagiou em barricas de carvalho francês e americano por 10 meses. Vamos finalmente as impressões?

Na taça o vinho apresentou uma bonita coloração violácea de grande intensidade, bom brilho e limpidez. Algumas lágrimas mais gordinhas, espaçadas e coloridas também se faziam notar.

No nariz o vinho apresentou aromas de frutos escuros, flores, especiarias, baunilha e algo de defumado. Ao fundo de taça também temos um que de tostado. 

Na boca o vinho se mostrou encorpado, com taninos marcados mas de boa qualidade (sem apresentarem aspereza e aspecto"verde") e acidez na medida. O retrogosto confirma o olfato e o final era de média para longa duração.

Para acompanhar o vinho, fizemos belos hamburgueres caseiros com pão australiano ou integral, bacon frito e queijo cheddar. Foi uma delícia!

Mais um excelente vinho uruguaio que provamos por aqui, que tem mostrado, ao menos pra mim, que o Uruguai conseguiu domar a difícil Tannat e fazer com ela belos caldos. Eu recomendo a prova. É mais um vinho trazido pelo Clube de Vinhos Winelands, o clube que eu assino e recomendo.

Até o próximo!

Wednesday, August 26, 2015

Wines of Uruguay #TannatTourBrasil: Uruguay além da Tanat!

O Uruguay é um país cuja a produção vitivinícola quase que totalmente se baseia em produções familiares e colheitas manuais, o que faz com que sua produção não seja lá das mais expressivas em comparação com os outros gigantes mundias e até mesmo com nossos hermanos argentinos e chilenos. Mesmo assim, o Brasil abocanha quase que metade do que de lá se exporta, ficando atrás apenas dos Estados Unidos. Por isso o mercado brasileiro tem ganhado cada vez mais a atenção das ações de marketing e feiras itinerantes da Wines of Uruguay e das bodegas em si. E todos sabemos que em se tratando de Uruguay, a associação mais obvia que é feita é com os vinhos da uva Tannat. E isto não é por acaso, afinal o Uruguay resgatou esta uva francesa de origem na região do Madiran , no sul da França, e hoje conta com cerca de 3000 hectares plantados da uva em seu território, aproveitando alguns do seus melhores e únicos terroirs, sendo o maior produtor da uva no mundo. 

Entretanto, os produtores da Wines of Uruguay mostraram também novas facetas relacionadas a outras uvas que tem se adaptado muito bem ao seu terroir e, mesmo usadas em cortes ou sozinhas, tem começado a brilhar por lá também. E eu vou tentar fugir um pouco do comum e separei alguns poucos vinhos dentre os 24 produtores presentes no dia do evento para tentar demonstrar esta tese. Vamos a eles?


Garzón Albariño Varietales 2014: A uva Albariño tem se mostrado em plena forma em terras uruguaias e este vinho da Bodegas Garzón é um bom exemplo. Quando Alejandro Bulgheroni e sua esposa Bettina descobriram Garzón em 1999, viram nela sua “pequena Toscana em Uruguai”. Assim, entre olivedos e vinhedos, começaram a projetar Bodega Garzón em uma zona privilegiada do Uruguai, próxima a Punta del Este, La Barra e José Ignacio, o paraíso turístico uruguaio. Este exemplar feito com 100% de uvas Albariño também tem um diferencial: permanece sur lie por um período com o intuito de se agregar complexidade. Como resultado temos um vinho que se destaca por suas notas florais e de frutos como pera, abacaxi entre outros. Já em boca é mais gordo do que normalmente encontramos em um Albariño, com um quê mineral e sua bela acidez, que o tornam longo e saboroso.


Artesana Tannat Zinfandel Merlot Edición Limitada 2013: Aqui além deste corte pouco usual (Zinfandel no Uruguay?) temos uma curiosidade sobre a Artesana Winery: quem comanda a festa são apenas mulheres, duas enólogas para ser mais exato, Analía Lazaneo e Valentina Gatti. Situada na região de Canelones, a vinícola nasceu em 2007 nas mãos de um americano. Este vinho é composto por 55% Tannat, 25% Zinfandel e 20% Merlot, que são vinificados separadamente e envelhecidos por 24 meses em barricas de carvalho francês para enfim formarem o blend final. O resultado é um vinho encorpado, denso, com aromas de frutos escuros, tabaco, caramelo, bala toffee e algo de floral. Em boca seus taninos são macios com uma boa acidez e final de média duração. Pra mim, este foi o melhor vinho da masterclass que ante veio a degustação aberta.


Viña Progreso Sangiovese 2008: A Viña Progreso é o projeto experimental de Gabriel Pisano, onde ele está sempre tentando descobrir algum vinho ou técnica nova para aplicar a sua produção. Esta uva de origem italiana não é comumente utilizada no Uruguay mas aqui, Gabriel mostra toda sua paixão, utilizando uma plantação de alta densidade de plantas com produção baixissima por planta, concentrando mais os cachos e obtendo ótimos resultados. Um vinho 100% Sangiovese que após todo processo fermentativo (alcoólico) passa de 9 a 12 meses em barris de carvalho para fermentação malolática e envelhecimento. Resulta em um vinho de corpo médio e pronto para o consumo, mas que por sua estrutura (corpo, acidez e taninos) tende a ficar ainda melhor com tempo em garrafa. Trás aromas de frutos vermelhos, flores e leve toque de baunilha. Vale conhecer este e os outros vinhos deste Pisano "dissidente".


Sauvignon Gris 2015: Produzido pela Filguera Vinedos y Bodega, uma das poucas vinícola que me parece fugir desta imagem familiar e boutique, este vinho é produzido em Canelones com uma uva parente da Sauvignon Blanc (muitos dizem se tratar de uma mutação), a Sauvignon Gris (100%). Não passa por madeira. Temos então um vinho de uma cor quase prateada de tão clara que é, trazendo no nariz muitos frutos tropicais e cítricos com leve toque de flores brancas. Em boca é leve, muito fresco e com um final de média duração. Me pareceu muito a cara do Brasil e das temperaturas elevadas que por aqui temos, mesmo no inverno. 

É claro que existiam muitos outros vinhos interessantes por lá e bodegas a conhecer, mas a idéia aqui foi mostrar uma mínima parte de como o Uruguay pode ser conhecido muito além da uva Tannat. Espero que tenham gostado e se puderem, provem vinhos diferentes, uvas diferentes sem qualquer preconceito, é isto que faz do vinho um universo tão fascinante.

Até o próximo!

Monday, July 27, 2015

KM 0 Río de La Plata Gran Reserva Tannat

A Bodega Irurtia, produtora do vinho em questão, nasceu com a chegada ao Uruguai do imigrante Vasco Don Lorenzo Irurtia nos primeiros anos do século passado. Sua paixão pelos bons vinhos e a dedicação ao trabalho no cultivo da videira dão seus frutos em 1913 com a primeira vindima. A quarta geração da família Irurtia ainda está estabelecida em Carmelo e hoje administra  os negócios da família. Cinco irmãos, filhos e filhas de Dante Irurtia e Estela González assumiram o legado da família e o desafio de ir junto com seus antepassados por uma ​​estrada infinita, através da melhoria da qualidade de seus vinhos com a mesma paixão e dedicação de seus antepassados e a responsabilidade de manter e aumentar o reconhecimento internacional dos vinhos Irurtia, da cidade de Carmelo e do orgulho uruguaio.


Sobre o KM 0 Río de La Plata Gran Reserva Tannat, basta acrescentar que é um vinho 100% Tannat colhidas em um terroir considerado único no Uruguai, bem na nascente do Rio da Prata (daí o nome KM 0 Rio de La Plata) na costa de Carmelo. Envelhecimento de 18 meses em barricas de carvalho. Vamos as impressões?

Na taça o vinho apresentou uma coloração violácea profunda, com algum brilho e limpidez. Lágrimas finas, rápidas e coloridas também tingiam as paredes da taça.

No nariz o vinho apresentou aromas de frutas vermelhas e escuras em compota, frutos secos, baunilha, flores e leve toque tostado ao fundo.

Na boca o vinho se mostrou encorpado, denso, de boa acidez e de taninos extremamente macios. Retrogosto confirma o olfato e o final era de longa duracão.

Recebi mais esse belo exemplar do Winelands Clube do Vinho, o Clube que eu assino e recomendo.
 
Até o próximo!

Monday, June 29, 2015

Arunguá Tannat 2011: Tradição uruguaia posta em prova na taça!

A Bodegas Carrau tem mantido a velha tradição de uma família que a 10 gerações (desde sua Catalunha natal) trabalham em silêncio e com grande convicção na produção de grandes vinhos. Vem abrindo o caminho para um país, o Uruguai, que está se tornando um mistério internacionalmente devido às suas vinícolas familiares de pequeno porte e sua admirada jóia, a uva "Tannat". Em abril de 1752, Don Francisco Carrau comprou o primeiro vinhedo em Vilasar de Mar, na Catalunha, Espanha. O pontapé inicial das Bodegas Carrau havia sido dado. A tradição da viticultura é passada de geração a geração e, em 1930, o herdeiro Juan Carrau resolve se estabelecer no Uruguai. A primeira bodega em solo uruguaio – Santa Rosa – é construída e inaugurada entre 1930/1940, com tecnologia catalã. Hoje, a administração da bodega é feita pela décima geração da família Carrau. Seus vinhedos estão plantados em duas regiões distintas: Las Violetas (Canelones) e Cerro Chapeu.


Já sobre o Arunguá Tannat 2011, podemos acrescentar que o vinho é fruto de muita pesquisa e exploração sobre os melhores solos e parcelas de variedades melhor adaptadas em seus vinhedos cultivados em Las Violetas, tornando este vinho muito particular. Após o a fermentação alcoólica, o vinho é transferido para barricas de carvalho onde acontece a fermentação malolática e posterior envelhecimento por cerca de 18 meses. Vamos as impressões?

Na taça o vinho apresentou uma bonita coloração violácea de grande intensidade, algum brilho e boa limpidez. Lágrimas finas, lentas e bem coloridas também se faziam notar.

No nariz o vinho apresentou aromas de frutos vermelhos silvestres, especiarias, chocolate e leve toque floral.

Na boca o vinho se mostrou carnudo, encorpado, taninos quase mastigáveis e uma boa acidez. Retrogosto confirma o olfato e o final era de longa duração.

Um belo vinho uruguaio, que mostra toda a potência e elegância que os seus vinhos a partir da uva Tannat podem alcançar. Eu recomendo a prova.

Até o próximo!



Informações sobre a vinícola retiradas do site do produtor e de www.seloreserva.com.br

Monday, April 27, 2015

Guatambu Estância do Vinho lança seu vinho top na #Expovinis: Épico!

Falando novamente de Expovinis e mais uma novidade que pude presenciar por lá, a Vinícola Guatambu - Estância do Vinho aproveitou a feira para lançar novidades para o mercado nacional e em especial, um vinho considerado topo de gama, chamado Épico. Vamos ver o que descobrimos por lá?


Contando com administração familiar e visando diversificar seus produtos, a cinqüentenária Estância Guatambu, tradicional empresa do agronegócio, iniciou em 2003 o projeto de produção de uvas viníferas de Dom Pedrito, no Rio Grande do Sul, com a implantação de seus vinhedos com mudas importadas da França e da Itália. A produção da uvas em pequena escala é supervisionada por Gabriela Hermann Pötter, membro da terceira geração da família proprietária da Estância Guatambu. Em parceria com a Embrapa Uva e Vinho em 2007, começaram estudos para a utilização do terroir da Campanha Gaúcha para o cultivo e produção de vinhos. Em 2009 os primeiros frutos desta parceria já se faziam notar com o lançamento dos primeiros vinhos. Já em 2013 o destaque se deu na inauguração de toda estrutura turística da Estância Guatambu. A Guatambu produz 100% de seus vinhos com uvas próprias, de vinhedos cultivadas na região da Serrinha de Dom Pedrito, a 260m de altitude. Os vinhedos compreendem 21,5 ha das variedades Chardonnay, Sauvignon Blanc, Gewürztraminer, Tempranillo, Merlot, Tannat, Cabernet Sauvignon e Pinot Noir. (retirado do site do próprio produtor)

Já sobre o Épico, maior lançamento da Guatambu Estância do Vinho para a Expovinis, podemos ainda acrescentar que é um vinho muito curioso em sua concepção: 4 castas das melhores parcelas da vinícola (Cabernet Sauvignon, Merlot, Tannat e Tempranillo) num mix das safras de 2011, 2012, 2013, e 2014. Todas as castas tem passagem, pós fermentação, por barricas francesas e americanas. Vamos as impressões?

Na taça o vinho apresentou uma coloração rubi violácea de grande intensidade. Já nos aromas, frutos escuros e vermelhos maduros, chocolate, tostado e especiarias. Na boca era encorpado, taninos marcados e boa acidez. Retrogosto confirma o olfato e o final era longo e sem amargor.

Sem dúvida mais um belo vinho tinto nacional vem por ai. Tem lote limitado a 4000 garrafas e todas devem ser numeradas. Como o próprio Jorge Lucki falou durante a apresentação do Top Ten da Expovinis: os vinhos tintos nacionais vem numa crescente impressionante, devemos ficar de olhos neles. Se eu fosse você, provaria quando tiver oportunidade. Você não irá se arrepender!

Até o próximo!

Friday, April 24, 2015

Vinícola Perini e sua linha de vinhos na #Expovinis

Eu sei que eu tenho muito material pra publicar por aqui mas, aos poucos vou tentando colocar a casa em ordem. E com toda a agitação da semana com o Encontro de Vinhos e com a Expovinis, fica tudo mais difícil. E por falar em Expovinis, estive no stand da Vinícola Perini, e é sobre eles que quero falar um pouco hoje.


Os imigrantes Antonio e Giuseppe Perini chegavam ao Brasil trazendo da Itália a arte de transformar a uva em vinho há mais de 130 anos atrás, no entanto, a produção vinícola teve início mais tarde, com João Perini em 1928, quando a partir daí começou a expansão e, gradativamente, o aprimoramento do processo de elaboração em todos os aspectos, desde o cultivo de novas variedades viníferas até o produto final. Foi em 1970 que Benildo Perini, neto de Giuseppe e atual diretor da vinícola, iniciou a transformação do pequeno empreendimento familiar em empresa, engarrafando seu vinho com a marca Jota Pe em homenagem ao seu pai João Perini. Já em Garibaldi, as atividades têm início em 1996, quando a Perini terceiriza uma infraestrutura para elaborar seus Espumantes Casa Perini e no mesmo ano, a marca Casa Perini é lançada também para os Vinhos Finos da Vinícola. Atualmente, a Vinícola Perini conta com 12 hectares de vinhedos localizados em Garibaldi e 80 hectares em Farroupilha, agregando uma área total de 92 hectares. (retirado do site do próprio produtor)

Hoje com uma linha muito diversificada, a Vinícola Perini aposta em descomplicar o vinho e trazer para o mercado em todas suas linhas produtos de excelente custo benefício e que tendem a agradar uma vasta gama de paladares do brasileiro. E por isso, vou destacar alguns produtos em diferentes linhas de produtos para quem for visitar a feira ou mesmo quiser prova-los depois.

Começo com o Espumante No 1 2008. É o primeiro espumante vintage da empresa, o que significa que foram selecionadas as melhores uvas da safra para compor este corte de Chardonnay e Pinot Noir em edição especial e limitada de apenas 600 garrafas. Complexo, aromático, evoluído com aromas tostados, frutos secos, florais e com uma acidez muito bacana. Final delicioso.

Passo agora ao Casa Perini Tannat 2012. Como fã confesso desta casta tão controversa e difícil, não poderia deixar de fora um vinho como este. Feito 100% com uvas Tannat da Serra Gaúcha, o vinho impressiona pela maciez. Cor violácea de grande intensidade, aromas de frutos escuros, chocolate e leve toque floral. Na boca os taninos são sedosos e calmos, acidez na medida e corpo médio. Pelo preço (cerca de 30 dinheiros) é pra ser um best seller!

Finalizando nosso passeio por aqui vamos falar do Perini Fração Única Merlot 2012. Como o nome sugere, são usadas uvas Merlot de parcelas especiais e selecionadas. Teve passagem de seis meses por carvalho francês. Resulta num vinho de coloração rubi violácea de média intensidade, aromas remetendo a frutos vermelhos, mentolado, especiarias e algo de baunilha. Final de média para longa duração. Vinho bem feito e muito agradável de se beber.

Conforme disse anteriormente, se estiver na Expovinis, que termina hoje, não deixe de visitar o stand da Vinícola Perini e se deliciar com seus vinhos bacanas. Se não conseguir, tenho certeza de que você deverá procura-los pois valerá a pena.

Até o próximo!

Batalha Vinhas e Vinhos: Revelação nacional do #EncontrodeVinhos de Sampa!


Em uma semana recheada de bons eventos tais como o Encontro de Vinhos e a Expovinis, fica até difícil escrever muita coisa e colocar o assunto em dia mas, se eu quero fazer isso dar certo, tenho que procurar horários alternativos não é mesmo? E hoje vou falar de um produtor nacional que eu descobri durante um destes eventos, o Encontro de Vinhos Off. O produtor? Batalha Vinhas e Vinhos.


Em uma propriedade de 29 hectares, nasce neste mundo encantador e hipnótico da vitivinicultura a Batalha Vinhas e Vinhos, na região da Campanha Gaúcha, no Rio Grande do Sul (quase divisa com o Uruguai). Localizados ainda nas terras onde ocorreu a Batalha do Seival e com condições ideais de clima e solo na região considerada berço dos grandes vinhos do Rio Grande do Sul, fazem com que os vinhos que de lá saem, sejam prontamente reconhecidos por sua qualidade. Em sua propriedade são plantadas as castas Cabernet Sauvignon, Tannat, Merlot e Chardonnay. E eles não vieram para brincadeira quando o assunto é apresentar seus produtos e trouxeram toda sua linha de produtos para a feira. Por questões de espaço e fluidez do post, resolvi destacar dois dos vinhos que provei por lá. mas não se engane, os outros vinhos não comentados aqui também são bons e valem a prova.

O primeiro vinho que irei falar por aqui é o Batalha Espumante Brut, vinho espumante a base de 100% de uvas Chardonnay produzido pelo método tradicional (champenoise) e que ficou por 18 meses em contato com as leveduras antes de ser liberado ao mercado. Apresentou uma coloração amarelo dourada com boa formação de perlage, com borbulhas pequenas e constantes. Aromas de frutos cítricos e tropicais, mel e panificação. Na boca é cremoso e fresco, num final longo e saboroso. mais um belo vinho espumante nacional sem dúvidas.

Por fim destacamos o Batalha Tannat 2012. Apesar de ser denominado varietal, tem em sua composição uma parte de 15% de uvas Merlot. Passa por envelhecimento em barricas. Como resultado temos um vinho de coloração violácea de grande intensidade, bom brilho e limpidez. Aromas de frutos escuros, especiarias doces, flores e algo de chocolate. Na boca um vinho de médio corpo, com boa acidez e taninos macios e sedosos. Final de média duração. Os vinhos com a uva Tannat tem feito bonito quando vem lá da Campanha.

Ah, como é bom conhecer novos produtores e ver que o vinho nacional, em especial os tintos, tem alcançado bons resultados. Ainda falta muito, mas se continuarmos neste caminho, assim como a Batalha Vinhas e Vinhos, tenho certeza que chegaremos muito longe. Eu recomendo a prova!

Até o próximo!

Thursday, March 12, 2015

República Missiones Reserva Tannat 2011: Surpresa da Campanha Gaúcha!

É interessante ver como os vinhos brasileiros tem evoluído nos últimos tempos e, mais ainda, como tem surgido pequenas vinícolas aqui e lá (de norte a sul do Brasil) e cada vez mais tem se discutido o papel do vinho e seu consumo na sociedade. E é sobre uma destas gratas surpresas que iremos falar hoje: República Missiones Reserva Tannat 2011.


O vinho é produzido pela República Missiones, uma pequena boutique de vinhos da região da Campanha Gaúcha (vizinha ao Uruguai) que elabora pequenas quantidades de vinhos, sucos e espumantes especiais, sendo que seus vinhos serão somente lançados em safras excepcionais. Por lá utilizam a melhor tecnologia na elaboração de seus vinhos, do mosto à barris de carvalho de primeiro uso e rolhas de cortiça, sempre buscando expressar o sabor do terroir do pampa gaúcho. A linha de vinhos República Missiones é uma homenagem aos Sete Povos das Missões, localizada na região missioneira , sendo o berço dos costumes e da colonização gaúcha, os vinhos tem lotes limitados e com o que tem de melhor do terroir do Rio Grande do Sul. Contam ainda com a consultoria do especialista em vinhos nacionas, Fernando S.Weber.

A região da Campanha, que recebeu seus primeiros vinhedos na década de 70 e expandiu-se ao final dos anos 90, situa-se no Paralelo 31 - o mesmo das melhores regiões produtoras de vinhos do mundo. Distingui-se pelo rigoroso inverno, luminosidade, amplitude térmica, solos privilegiados e poucas chuvas durante a maturação. A topografia de suaves coxilhas permite a mecanização da cultura e técnicas especiais de manejo do solo. Tudo isso favorece o amadurecimento pleno dos frutos, traduzindo-se em vinhos aromáticos, frutados, potentes e de boa graduação alcoólica natural. Características para um terroir perfeito nos harmoniosos e elegantes vinhos da Campanha Gaúcha. Além disso, todos os vinhedos da região são cultivados no sistema espaldeira, que permite a produção de uvas de qualidade superior. Atualmente, a região é considerada um pólo de produção de vinhos finos. (Fonte: Associação dos Vinhos da Campanha)

Sobre o República Missiones Reserva Tannat 2011, podemos acrescentar que é feito com 100% da variedade Tannat em Sant´Ana do Livramento, divisa do Brasil com Uruguai e que passa por 18 meses de maturação em barricas de carvalho Francês. Vamos as impressões?

Na taça o vinho apresentou uma bonita cor violácea de grande intensidade, bom brilho e limpidez. Lágrimas finas, rápidas e bastante coloridas tingiam também as paredes da taça.

No nariz o vinho mostrou aromas de frutos vermelhos e escuros, tabaco e baunilha.

Na boca o vinho mostrou corpo leve para médio, acidez mediana e taninos macios. Retrogosto confirma o olfato e o final era de média duração.

Um bom vinho brasileiro, o qual eu não conhecia, e que difere um pouco do que esperamos quando falamos de Tannat pois era menos rústico, mais fácil de beber. De qualquer modo, o vinho era saboroso, sem pretensões e adequado ao momento. Eu recomendo a prova.

Até o próximo!

Tuesday, January 27, 2015

Família Irurtia Viñagala Tannat Rosado & Torta Rústica de Ratatouille

Em mais um dia de calor senegalês, destes muitos que se multiplicaram no verão brasileiro, a única vontade que tínhamos era de tomar algo refrescante, de uma comida leve e ficar na frente do climatizador para que de alguma maneira pudéssemos relaxar. E escalamos a nossa seleção para hercúlea tarefa que se aproximava. Fomos de Família Irurtia Viñagala Tannat Rosado & Torta Rústica de Ratatouille.



Como já dito por aqui algumas vezes (mas sempre é bom relembrar), a Bodega Família Irurtia, produtora do vinho em questão, nasceu com a chegada ao Uruguai do imigrante Vasco Don Lorenzo Irurtia nos primeiros anos do século passado. Sua paixão pelos bons vinhos e a dedicação ao trabalho no cultivo da videira dão seus frutos em 1913 com a primeira vindima. A quarta geração da família Irurtia ainda está estabelecida em Carmelo e hoje administra os negócios da família. Cinco irmãos, filhos e filhas de Dante Irurtia e Estela González assumiram o legado da família e o desafio de ir junto com seus antepassados por uma ​​estrada infinita, através da melhoria da qualidade de seus vinhos com a mesma paixão e dedicação de seus antepassados e a responsabilidade de manter e aumentar o reconhecimento internacional dos vinhos Irurtia, da cidade de Carmelo e do orgulho uruguaio.

Se entendi direito o posicionamento das linhas de vinhos da Bodega Familia Irurtia, este Família Irurtia Viñagala Tannat Rosado se encaixa numa linha de entrada e é produzido somente com uvas Tannat que embora seja uma cepa notadamente robusta quando vinificada, como rosé e a temperatura controlada, dá vinhos muito agradáveis e frutados. Vamos as impressões?

Na taça o vinho apresentou uma bonita coloração rosa alaranjado, buscando quase um acobreado, brilhante e muito límpido.

No nariz o vinho apresentou aromas de frutos vermelhos e notas cítricas.

Na boca o vinho se mostrou leve, com boa acidez e uma pequena sensação de taninos, bem fininhos e discretos. Retrogosto confirma o olfato e o final é de média duração.

Um vinho fresco, frutado e que combina bem com o verão que enfrentamos por aqui. Foi um bom companheiro para a torta rústica de ratatouille que minha esposa fez. A receita é da apresentadora Rita Lobo, que tem seu programa Cozinha Prática no canal de tv por assinatura GNT. É uma receita muito simples e deliciosa. 

O Ratatouille é um mix de legumes assados que até já virou tema de um longa metragem animado. Berinjelas em rodelas, abobrinha, pimentão amarelo, cebola, alho poró, dentes de alho, tomates cereja, azeite, sal e pimenta para o recheio. A massa? Manteiga geladíssima com farinha de trigo comum (sem fermento) e sal, fazendo uma farofa sem derreter totalmente a manteiga, um ovo e voilá!

Até o próximo!

Monday, January 19, 2015

Degustando as novas safras dos vinhos da Vinícola Góes & Venturini!

Em recente viagem a São Roque, no interior paulista, aproveitei a oportunidade e (re)visitei a sede da Vinícola Góes. Eu sei que muitos que leram até esta linha já torceram o nariz quando leram vinho e São Roque na mesma frase. Mas eu já adianto que os vinhos que provei e irei comentar aqui não são feitos no interior paulista, com uvas não viníferas e coisas do gênero. São feitos por uma joint venture entre a vinícola paulista (Góes) e a gaúcha (Casa Venturini), que aos poucos, com produtos de entrada e de média gama, a empresa tem trazido alguns bons caldos pro mercado. 


Como já comentei algumas vezes sobre esta joint venture e inclusive já falei sobre alguns de seus produtos, vou poupar o tempo precioso que vocês, leitores do blog, dispõe e vou direto ao ponto e irei comentar os vinhos que provei e as novidades encontradas.


Comecei a degustação pelo Espumante Vivere Brut, feito a base de 80% Chardonnay (Campanha Gaúcha), 20% Pinot Noir (Serra Gaúcha) pelo método champenoise. Um vinho espumante de coloração palha com reflexos esverdeados, muito límpido e brilhante. Borbulhas em boa quantidade, constantes e pequeninas. No nariz o vinho tinha aromas de pêssego, abacaxi, floral e algo leve de mel. Era possível também sentir um pouco de amanteigado com fermento, lembrando croissant e massa folhada. Na boca o vinho tinha corpo leve para médio, boa acidez com boa formação de borbulhas. O retrogosto confirma o olfato. Final de média duração. Um bom espumante para o dia a dia.


O vinho seguinte da degustação foi o Casa Venturini Chardonnay Reserva 2013, um varietal 100% Chardonnay de uvas provenientes da região da Campanha Gaúcha sem passagem por madeira. Coloração típica amarelo com reflexos dourados, bom brilho e transparência. No nariz frutos cítricos e tropicais marcados: abacaxi e pêssego; com algo de floral. Na boca corpo médio, boa acidez e retrogosto confirmando o olfato. Final de longa duração. Um bom vinho e de custo benefício interessante. 


Passamos então ao Casa Venturini Merlot Reserva 2011, este uma novidade pra mim. O vinho é um varietal 100% de uvas Merlot provenientes de Campos de Cima da Serra, no Rio Grande do Sul e tem passagem por madeira. Na taça o vinho apresentou coloração violácea de média para grande intensidade, algum brilho e pouca transparência. No nariz o vinho mostrou aromas de frutas vermelhas com toques de especiarias e baunilha. Na boca corpo médio, boa acidez e taninos finos e em boa quantidade. Retrogosto confirma o olfato e o final era de média duração. Grata surpresa, vinho honesto e sem defeitos, deve ir bem com comida.


O próximo da degustação foi o Casa Venturini Cabernet Sauvignon Reserva 2012, este por sua vez um varietal 100% Cabernet Sauvignon de uvas cultivadas nas regiões da Serra Gaúcha, e Campanha Gaúcha e passa por envelhecimento em barricas de carvalho francês. Vinho de coloração violácea de grande intensidade, algum brilho e com pouca transparência. No nariz aromas de frutos vermelhos e escuros com toques especiados e herbáceos. Leve lembrança de baunilha. Na boca corpo médio, boa acidez e taninos macios. Retrogosto confirma o olfato e o final é de média duração. Leve amargor que chega a incomodar um pouco. Não figura entre os meus favoritos.


Ficou reservado para o final um vinho que eu gosto muito, o Casa Venturini Tannat Reserva 2012. É um varietal 100% de uvas Tannat cultivadas na região da Campanha Gaúcha e passa por envelhecimento em barricas americanas de carvalho. O vinho apresenta uma bonita cor violáceo de grande intensidade, pouca transparência e brilho médio. No nariz mostra aromas de frutas vermelhas e escuras, toques de especiarias e lembrança de aromas animais. Na boca um vinho de corpo médio, boa acidez e taninos secos, rústicos e marcantes mas de boa qualidade. Retrogosto confirma o olfato com frutas e especiarias em evidência marcando um final de média para longa duração. Esse vinho se tornou um xodó pra mim, dado que é vinho muito barato e que sempre propicia bom prazer. 

Para quem ainda não conhece estes vinhos nacionais, recomendo que o façam. Se você estiver em um final de semana de bobeira, estiver em Sampa ou proximidades e quiser fazer um passeio bacana e descompromissado com a família, visite a sede da Vinícola Góes em São Roque, aprecie a vista muito bacana, o lago das carpas, almoce em seu restaurante e claro, deguste os vinhos da Casa Venturini, eu recomendo.

Até o próximo!

Thursday, October 9, 2014

KM 0 Río de La Plata Reserva Tannat Syrah 2012: Um belo vinho uruguaio

Voltando a falar de vinhos de um lugar que ainda tenho vontade de visitar, o Uruguai, país sul americano pequeno em tamanho mas que faz vinhos de grande qualidade. E tem mostrado isso cada vez mais. Hoje veremos que além do bom trabalho solo feito com as uvas Tannat, seus blends também podem impressionar pela elegância com que se apresentam na taça. Hoje é dia de KM 0 Río de La Plata Reserva Tannat Syrah 2012 na taça.



A Bodega Irurtia, produtora do vinho em questão, nasceu com a chegada ao Uruguai do imigrante Vasco Don Lorenzo Irurtia nos primeiros anos do século passado. Sua paixão pelos bons vinhos e a dedicação ao trabalho no cultivo da videira dão seus frutos em 1913 com a primeira vindima. A quarta geração da família Irurtia ainda está estabelecida em Carmelo e hoje administra os negócios da família. Cinco irmãos, filhos e filhas de Dante Irurtia e Estela González assumiram o legado da família e o desafio de ir junto com seus antepassados por uma ​​estrada infinita, através da melhoria da qualidade de seus vinhos com a mesma paixão e dedicação de seus antepassados e a responsabilidade de manter e aumentar o reconhecimento internacional dos vinhos Irurtia, da cidade de Carmelo e do orgulho uruguaio.

Sobre o KM 0 Río de La Plata Reserva Tannat Syrah 2012, basta acrescentar que é um vinho feito a partir de uvas Tannat e Syrah colhidas em um terroir considerado único no Uruguai, bem na nascente do Rio da Prata (daí o nome KM 0 Rio de La Plata) na costa de Carmelo. Envelhecimento de 6 meses em garrafa. Vamos as impressões?


Na taça o vinho apresentou uma bonita cor rubi violácea de grande intensidade, bom brilho e pouca transparência. Lágrimas finas, rápidas e ligeiramente coloridas também compunham o aspecto visual.

No nariz o vinho mostrou aromas de frutas vermelhas, especiarias e leve toque floral. 


Na boca o vinho apresentou corpo médio, boa acidez e taninos macios. Retrogosto confirma o olfato e o final é de média para longa duração.

Recebi mais esse belo exemplar do Winelands Clube do Vinho, o Clube que eu assino e recomendo. E o Uruguai vai me deixando com mais vontade de visita-lo.

Até o próximo!