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Friday, January 23, 2015

Restaurante Avek e o Menu Degustação para clientes Personnalité

No final de semana passado tive uma oportunidade muito bacana: conhecer o restaurante francês Avek numa brincadeira de menu degustação que é preparado exclusivamente para clientes do banco Itaú Personnalité. E agora chegou a hora de contar um pouco desta experiência e dividi-la com vocês, caríssimos leitores. 

O sistema de menu degustação é muito interessante pois o o cliente experimenta, em uma só refeição, diversos pratos em porções menores do que as habituais. Em geral, as receitas são especialidades do chef, ou seja, uma amostra do melhor que a casa tem a oferecer. É como se o chef tivesse a oportunidade de mostrar todas suas habilidades. Normalmente é a oportunidade de se conhecer o trabalho autoral do mesmo. É desenvolvido em conjunto com os fornecedores de matéria prima e em geral, tem muita qualidade. No entanto é preciso disposição, pois mesmo que as porções sejam em tamanho reduzido, no final das várias etapas, você terá comido o mesmo que uma refeição "padrão" com entrada, prato principal e sobremesa.


Já o Restaurante Avek, como o próprio nome já entrega, tem inspiração na cozinha francesa do chef Alain Uzan, que cresceu no restaurante dos pais em Vendeé, balneário francês, onde começou o seu contato com a cozinha. Em 1999, durante uma viagem de férias, decidiu investir no mercado brasileiro. Desde então além de gerir seu próprio restaurante, prestou consultoria em diversos outros locais na cidade de São Paulo. Participou ainda de grandes eventos, com palestras e aulas por todo o Brasil. A casa tem ainda uma particularidade, da qual muito gostei, que é a venda de rótulos de vinho a preços muito convidativos (quase de importadora) tanto para consumo no local como para levar para casa. A carta ficou a cargo da sommeliére Luciene Carvalho, que dentre vários lugares, desfilou seu talento pela Ville du Vin. O ambiente é muito elegante, simples e convidativo, realmente inspirado nos bistrôs franceses. Tem até o tradicional menu escrito a giz num painel negro. Com um grande sofá ao longo da parede dos fundos, que cria os assentos das mesas por lá dispostas, a sofisticação está presente em tudo, até nos "abajures" ao longo das parede até o teto, criando uma agradável experiência.


Começamos a brincadeira com "Ostras a Moda de Nantes", deliciosamente quentes e servidas com um molho a base de manteiga clarificada e cebola roxa, servidas sobre uma cama de sal grosso. Sensacional! 

Depois partimos para um "Mil folhas de queijo de cabra com endívias", onde a crocância da massa mil folhas se misturava a untuosidade do queijo de cabra derretido e com a ajuda do leve amargor das endívias criava uma explosão de sabores na boca.


A coisa começou a ficar um pouco mais séria quando chegou a vez do "Mini ravióli de Brie com molho shimeji" onde a combinação perfeita dos ingredientes fazia ainda com que pudéssemos sentir ainda cada um deles de fácil modo, mostrando que a preocupação com cada detalhe fosse colocada a prova a cada garfada. 


O próximo prato foi um "Salmão com purê de mandioquinha". O peixe estava no ponto, cozido e úmido por dentro com uma leve crosta crocante por fora e o purê, sem muito segredo, servia de fiel escudeiro.


Agora, antes da sobremesa, surgiu sobre nossa mesa um belo "Medalhão de filé ao molho poivre". Suculento, no ponto (rosa por dentro e levemente tostado por fora) o filé era escortado por gostosas batatas assadas. Delícia.


E o gran finale ficou por conta de um delicioso "Profiterolle com sorvete de creme e caldo de chocolate". Por fora uma crocante massa de carolina e por dentro um gostoso sorvete de creme com toques de chantili e calda quente de chocolate, tudo no capricho e com uma apresentação incrível!


Vocês devem estar se perguntando que, num blog de vinhos, ainda não falamos do vinho não é mesmo? Mas é claro que teve vinho para acompanhar toda a esbórnia relatada por aqui. Procurávamos um vinho branco fresco, corpo médio e que acompanhasse os pratos de forma serene, sem sobressair nem competir com os mesmos. Com a ajuda do sommelier chegamos ao Château Saint Maurice Côtes du Rhône Les Parcellaires Branco 2013. Este vinho é feito em Côtes du Rhône com as variedades Grenache e Roussane (50% de cada). Vamos as impressões?

O vinho tinha uma coloração amarelo palha com reflexos dourados, límpido e brilhante. No nariz o vinho mostrou aromas de frutos cítricos, flores e mel. Na boca o vinho tinha corpo médio e acidez na medida. O retrogosto confirma o olfato e o final era de longa duração. Foi um grande companheiro de toda a refeição, e deixou o dia ainda mais saboroso.

Para quem é cliente do referido banco, recomendo provar o menu degustação do Restaurante Avek. Conciso, saboroso e muito bem elaborado, irá agradar aos mais refinados paladares. Enquanto isso iremos provar outras opções que ofereçam tais serviços e compartilharemos por aqui.

Até o próximo!

Monday, November 17, 2014

Degustação "Vive La France" por Vinhos de Bicicleta

No último dia 13 de Novembro fiz um pequeno tour por algumas das famosas regiões vitivinícolas francesas durante uma degustação organizada pela Vinhos de Bicicleta em São José dos Campos no interior de São Paulo e conduzida por seu proprietário, Rodrigo Ronconi Ferraz. Os produtores apresentados foram escolhidos pensando também em sua reputação nas suas respectivas regiões. Também com base na culinária francesa, a harmonização foi especialmente preparada pelo chef de cozinha Luis Rocco para a ocasião. Vamos ver o que aconteceu ?


A Vinhos de Bicicleta nasceu primeiramente como um clube de vinhos, depois de uma viagem de seu fundador, Rodrigo Ferraz, a Mendoza na Argentina. Esta viagem tinha como foco bodegas de pequeno porte, as chamadas bodegas boutique ou familiares (já falei sobre isso aqui) e a atmosfera intimista com os vinhos artesanais de cada lugar. Rodeado de história, aromas e sabores, inebriado pela paisagem percorrida, Rodrigo veio com a idéia de fundar um clube de vinhos com foco neste estilo de vinho, e começou a garimpar exemplares ao redor do mundo. Algum tempo depois conseguiu ainda abrir uma loja física com espaço para eventos/degustações e voilá, lá estávamos na sede da Vinhos de Bicicleta. E devo dizer que a loja física deles é muito bacana, uma boa seleção de rótulos, espaço aconchegante e muito bem localizada em São José dos Campos, no interior de São Paulo.


O primeiro vinho da noite vem de uma apelação francesa pouco falada por aqui, Lirac. O vinho: Domaine Lafond Roc-Epine Blanc 2012. Esta é um subregião de Côtes du Rhône que cercea sua irmã mais famosa, Chateneuf du Pape. Este vinho é um blend, como de costume por lá, das uvas Grenache Blanc, Roussane e Viogner. Fica sur lie por 3 meses em barricas. Sua coloração amarelo tem uma certa tendência ao dourado é um show a parte. No nariz, frutos cítricos misturados a mel, plástico e uma leve picância. Ao paladar é muito untuoso mas contrasta com uma acidez gostosa e tem um longo final, que confirma o olfato. Delicioso! Este vinho foi deliciosamente harmonizado com salada de arroz preto e vermelho, frutos do mar e queijo curado.


Depois passamos a um clássico francês, um rosé de Provence. O escolhido foi o Château L'Escarelle Rosé 2013 cuja a apelação é Coteaux Varois en Provence. Feito a partir das uvas Grenache, Cinsault e Syrah, o vinho se mostrou com uma coloração rosa bem clarinha, como casca de cebola roxa cortada bem fininho. Aromas típicos de frutas vermelhas e um toque de pedra molhada. Na boca é extremamente fresco, leve e agradável. Final de média duração. Este é aquele vinho que nos faz pensar imediatamente em verão, beira de piscina, enfim, combina com o clima senegalês que tem feito por aqui. Aqui o vinho foi harmonizado com o famoso camarão a provençal, como manda o figurino.


O terceiro ato não poderia ser diferente e fomos para Bordeaux com  o Château Cabos 2011, um vinho genérico daquela região com uma particularidade no corte: 90% Merlot e 10% Cabernet Franc com passagem em madeira. Vinho rubi de média para grande intensidade. Aromas de couro, tostado, fruta madura e leve toque herbáceo. Famoso vinho mutante, os aromas mudam constantemente com o tempo em taça porém o tostado e o couro prevalecem na maior parte do tempo. Retrogosto extremamente amadeirado, chega a enjoar um pouco. Não faz o gênero elegante. Harmonizado com polenta e creme de parmesão com presunto cru.


E como sempre, ou pelo menos na maioria das vezes, o melhor ficou para o final e viajamos novamente até Côtes du Rhone mas dessa vez pra provar um tinto, o Rasteau Grand Cuvée 2010, a base das uvas Grenache, Carignan e Cinsault. Um vinho rubi violáceo de boa intensidade, aromas de frutas vermelhas, especiarias, baunilha. Encorpado, o vinho mostrou boa acidez e taninos redondos. Final longo e saboroso. Harmonizado também a perfeição com cordeiro desfiado, purê de batatas e cebola caramelizada. A melhor dupla da noite de longe!

Ao final a noite, também era hora de aproveitarmos uma mesa com azeites, queijos e antepastos especialmente preparados para o evento. Era hora de nos despedirmos de mais um evento sensacional. Se estiverem em São José dos Campos e ainda não conhecem a Vinhos de Bicicleta, recomendo que o façam.

Até o próximo!

Thursday, September 20, 2012

Château des Estanilles Blanc 2007

Com o calor quase senegalês que vinha fazendo aqui em sampa, nada melhor do que um bom vinho branco para acompanhar um almoço leve, tendo como prato principal peixe, não é mesmo? E depois de pensar um pouco, acabei optando por este bom exemplar francês, trazido pela Cave Jado. Aliás, quando o vinho foi trazido e apresentado ao público no próprio show room da importadora, eu estive presente e lá já havia constatado sua qualidade (relembrem aqui). Agora com mais tempo, só pude comprovar o que eu havia notado naquele dia.


Este vinho vem da região de Côteaux du Lanquedoc, mais ao sul da França. Colando do post anterior: o vinho é produzido pelo Château Des Estanilles, que está situado numa região entre o Mediterrâneo e o sopé das montanhas de Espinouse e Cévennes, na aldeia de Lenthéric, sendo parte do município de Cabrerolles, uma das sete aldeias da denominação Faugères. As vinhas se estendem ao longo de 35 hectares de encosta, a 300 metros de altitude, sobre um dos solos a denominação de melhor qualidade, o nome do domaine vem da junção do nome das parcelas Estagnols e Fontanilles. O produtor sempre se utilizou de uma agricultura limpa, orgânica e sem químicos e defensivos agrícolas sendo que a partir de 2010 seus vinhos levarão no rótulos o selo de vinhos orgânicos/biodinâmicos. O vinho em questão é feito com uvas Marsanne e Roussane (70/30) onde ambas as variedades são vinificadas juntas  e maceradas com as cascas sendo decantando a frio posteriormente. 80% da combinação é fermentada em tanque, 20% em barris novos.
Amadurecido em tanque e barril sobre borras finas, por nove meses. Bom, vamos as impressões sobre o vinho.

Na taça uma bonita cor amarelo dourada, com lágrimas finas, lentas e sem cor.

No nariz o vinho mostrou aromas de frutos cítricos e brancos, mel e algo amanteigado. Ao fundo de taça era possível notar um pouco de madeira tostada. 

Na boca o vinho corpo médio com certa untuosidade, acidez ainda muito viva, gostosa e com leve toque mineral. Retrogosto trazia ainda muita fruta e mel num final de média duração.

Mais um grande vinho trazido pela Cave Jado, que mesmo com certa idade ainda mostra estar em forma. Custou cerca de R$ 60,00 e vale o quanto custa! Eu recomendo.

Até o próximo!

Sunday, July 29, 2012

Faugères e as novidades da Cave Jado

Ontem foi mais um dia de esbórnia enogastronômica que começou cedo, diga-se de passagem. A uns dias atrás em um das degustações que participei com o Beto (Papo de Vinho), a Dorotheé (dona da importadora Cave Jado) havia me comentado que a importadora estava trazendo diversas novidades para os próximos dias e que nos próximos sábados aconteceriam sempre degustações bem especiais para mostrar ao consumidor tais novidades. E ela não estava de brincadeira. Este sábado pude comprovar em parte o que ela havia dito.

Eu como bom blogueiro, que não sou, não tirei fotos e portanto me utilizo da foto do release da própria Cave.

As novidades deste final de semana vinham diretamente do Languedoc, mais especificamente da apelação de Faugères, ao sul da França em um dos solos mais antigos do mundo. Todos os 5 vinhos apresentados são produzidos pelo Château Des Estanilles, que está situado numa região entre o Mediterrâneo e o sopé das montanhas de Espinouse e Cévennes, na aldeia de Lenthéric, sendo parte do município de Cabrerolles, uma das sete aldeias da denominação Faugères. As vinhas se estendem ao longo de 35 hectares de encosta, a 300 metros de altitude, sobre um dos solos a denominação de melhor qualidade, o nome do domaine vem da junção do nome das parcelas Estagnols e Fontanilles. O produtor sempre se utilizou de uma agricultura limpa, orgânica e sem químicos e defensivos agrícolas sendo que a partir de 2010 seus vinhos levarão no rótulos o selo de vinhos orgânicos/biodinâmicos. Mas sem mais delongas, vamos aos vinhos.

Começamos então com o Château des Estanilles Blanc 2007, um vinho feito num blend de 70% de uvas Marsanne e 30% de Roussanne sendo que parte do vinho fermenta e amadurece em barricas por 9 meses. Com coloração já dourada, o vinho mostra muita evolução com aromas cítricos e de mel com própolis. Na boca tem corpo médio, certa untuosidade e apesar da idade ainda apresenta uma acidez viva e deliciosa. O segundo vinho era o Château des Estanilles Tradition 2007, primeiro tinto da tarde, um blend de cinco uvas (Grenache, Cinsault, Syrah, Mourvédre e Carignan) sendo que 3 destas são vinificadas juntas e outras duas separadamente onde finalmente 20% do vinho passa por barrica para afinamento. Vinho essencialmente frutado, com aromas de frutas vermelhas, algo de especiarias e leve toque de madeira. Na boca corpo médio, boa acidez e taninos finos e macios além de uma lembrança mentolada. A partir daqui a coisa passaria a fica séria. O terceiro vinho foi o Château des Estanilles Cuvée Prestige 2005, tinto blend de Syrah, Grenache e Mouvédre sendo que o vinho já passa por um ano em madeira. É visível a mudança aqui com aromas mais evoluídos, muita especiaria, algo terroso e animal num vinho com mais corpo, boa acidez e taninos mais marcados, porém de excelente qualidade. Já o quarto vinho Château des Estanilles Gran Cuvée 2004, um vinho basicamente feito com Syrah e com 13 meses de barrica mostrando toda sua força, muito corpo, frutas escuras e pimenta, algo de couro e toques de madeira. Suculento, um grande vinho sem dúvida. E chegamos a estrela da degustação, o Les Clos de Fou 2006, outro vinho baseado na Syrah com envelhecimento em barricas porém com uma proposta diferente, mais intenso e potente tanto em aromas (notas animais, frutas escuras e muita especiaria) como no paladar, num vinho muito musculoso, encorpado e com taninos marcados e num final longo que fica na lembrança por muito tempo. É difícil porém elencar destaques, mas pensando no custo benefício apresentado, eu ficaria com o branquinho e com o cuvée prestige.

Mas para quem pensa que as surpresas paravam por aqui, um ledo engano. Tivemos também a participação especial do chef Nicolas Barbé com suas criações gourmet. De sua parte, nos deleitamos com pastéizinhos de pato deliciosamente preparados e delicadamente saborosos e uma sopa de cenoura com toques de limão siciliano sensacional. Sinceramente, comeria ao menos uma dúzia destes pastéis num piscar de olhos! O chef dá aulas de gastronomia e faz preparações especiais. Quem quiser entrar em contato com ele, escrevam para: contato@barbegastronomia.com.br .

Sou suspeito para falar da Cave Jado e da Dorothée pois como eu não canso de dizer, além de ter popularizado o acesso aos vinhos franceses, a Dorothée por si só é um doce e uma simpatia, sendo que este conjunto com certeza transforma a Cave em uma de minhas importadoras preferidas, se não for a preferida! Vale cada visita que faço a Cave. Eu recomendo que façam a visita, principalmente aos sábado quando temos degustações especiais, e se deixem levar com a conversa e os vinhos.

Até o próximo!