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Wednesday, April 8, 2020

A pandemia e a saúde mental

Enquanto o coronavírus fecha restaurantes em todo o mundo, muitos trabalhadores da área de serviços e hospitalidade ficam em estado de estresse, depressão, isolamento e ansiedade. Em qualquer dia anterior à pandemia de coronavírus, a indústria de restaurantes estava numa crise de saúde mental. Existem muitas razões para isso: as pessoas que lidam com problemas de saúde mental e dependência são atraídas para este trabalho, porque sempre foi um paraíso para as pessoas que existem à margem; os empregos em restaurantes têm horas brutais e geralmente pagam muito pouco e não oferecem assistência médica; existe fácil acesso ao álcool e substâncias ilícitas; e os trabalhadores são tradicionalmente recompensados ​​por seu masoquismo - cale a boca e cozinhe. As questões de saúde mental são parte integrante da cultura dos restaurantes, mas apenas nos últimos anos a indústria em geral começou a questionar abertamente por que isso foi tão prontamente aceito e a discutir os danos causados ​​por se varrer este assunto para debaixo do tapete.


A morte de Anthony Bourdain por suicídio em junho de 2018 foi um alerta para a indústria da hospitalidade. Essa perda inimaginável uniu indivíduos e comunidades para formar grupos de apoio e ter conversas desconfortáveis, mas necessárias, com colegas e amigos além de totalmente desconhecidos, e afastar parte do estigma em torno da saúde mental e do vício que iguala vulnerabilidade a fraqueza. Ainda havia um tremendo caminho a percorrer, mas a comunidade estava ao menos tropeçando juntos na direção certa desta estrada sem volta.

E então, no decorrer de alguns dias, tudo mudou. As medidas governamentais adotadas para impedir a propagação do COVID-19 forçaram os restaurantes a se adaptarem rapidamente. Dependendo do estado e da região, os bares que não servem comida foram obrigados a fechar, e inúmeros restaurantes rapidamente se movimentaram para oferecer entrega e coleta para evitar a transmissão do vírus. Centenas de milhares de funcionários de restaurantes e bares perderam seus empregos temporária ou permanentemente, muitos dos quais não se qualificam para receber benefícios de desemprego. Não há fim à vista e o futuro da indústria de restaurantes é um vasto desconhecido.

Não há ninguém que não esteja sofrendo e assustado no momento, e essa crise emocional coletiva pode cair especialmente sobre os trabalhadores da hospitalidade, que costumam estar na linha de frente de qualquer emergência. Quando ocorre um desastre natural ou causado pelo homem, os funcionários do restaurante são alguns dos primeiros a avançar. Eles descobrem uma maneira de alimentar as pessoas e oferecer sustento e consolo, porque é o que eles fazem e quem são. Na ausência da capacidade de fazer isso, e em uma posição de necessidade, cozinheiros, barmen, garçons e outros funcionários de restaurantes estão em crise no momento. Mesmo se não for uma pessoa propensa a problemas de saúde mental ou abuso de substâncias, isso não significa que depressão, ansiedade, obsessão, pensamentos de auto-mutilação e o desejo de automedicar ou quebrar a sobriedade possam aparecer.

Como Steve Palmer mencionou em um recente podcast da Communal Table, "o isolamento é inimigo da sobriedade e da saúde mental" - mas só porque as pessoas não podem estar fisicamente juntas não significa que elas não podem ser uma comunidade. Como uma pessoa com muitos anos de sobriedade, e enfrentando as mesmas tensões e incertezas que o resto da indústria enfrenta, ele pede que as pessoas se conectem da maneira que puderem - textos, telefonemas, videoconferências, DMs, e-mails e tipos de reuniões de recuperação. Se você está checando alguém porque acha que ela precisa ou se é para seu próprio bem-estar, essas conexões são vitais para nossa existência e nos lembram que somos importantes, mesmo que as coisas pareçam inúteis no momento.

A mensagem principal que fica é: você ainda é um chef, um barman, um cozinheiro de linha, um garçom. Mesmo que seu restaurante ou bar tenha sido fechado, você ainda é a pessoa com essas habilidades e essa experiência. Quando a indústria de restaurantes se reconstruir - e eu tenho que acreditar que isso vai acontecer - você ainda será essa pessoa, com esse valor, com esse coração e as mãos que possui. Por enquanto se segure, tenha fé e lembre-se de quem você é. Ninguém nunca disse que seria fácil. Mas nós vamos superar mais essa.
Adaptado de www.foodandwine.com

Monday, February 17, 2020

Winterlicious: Cibo Wine Bar, o que Toronto tem de melhor na culinária italiana.

A cidade de Toronto, em parceria com uma série de restaurantes e bares locais, criou a alguns anos uma espécie de festival gastronômico chamado Winterlicious (um mix de Winter com Delicious, ou inverno com delicioso), com o intuito de promover estes estabelecimentos e gerar uma oportunidade única para que as pessoas tenham acesso a restaurantes e pratos que normalmente não teriam. Tudo isso por que o festival tem menus com entrada, prato principal e sobremesa a preços fixos, que variam entre almoço e jantar. Assim, você não precisaria se preocupar com a conta uma vez que você já saberia o quanto iria pagar, e este valor é bem mais acessível do que o dia a dia nestes restaurantes. O valores giram em torno de 23 a 33 dólares no almoço (depende do nível do restaurante, assim por se dizer) e 33 a 53 dólares no jantar. Quem aí lembrou do Restaurant Week ai no Brasil? Pois é, eu diria que esta é uma versão aprimorada pois os restaurantes que provei estavam simplesmente sensacionais. O único problema, e eu peço desculpas mais uma vez a vocês, é que meu timing ainda não está acertado 100% com o blog e meus afazeres, e o festival deste ano já acabou (foi de 31 de Janeiro a 13 de Fevereiro). Mas como temos o festival todo ano, a idéia é se programar para aproveitar ainda mais o ano que vem. Hoje vou falar do primeiro dos restaurantes que visitei, o Cibo Wine Bar.

Detalhe da cozinha aonde os pratos são preparados no fundo do salão

Elegância e sofisticação são a marca do local

Detalhes para a arrumação da mesa

O Cibo Wine Bar é um dos maiores e mais novos restaurantes italianos na área de Uptown Yonge Street. Criado pelo Liberty Entertainment Group, conta com um ambiente arrojado e bonito, numa mistura do chique industrial rústico com um quê do moderno vindo do velho mundo. Sua culinária é dita como inspirada no sul da Itália, sempre fresca e detalhe, é feita aos olhos do cliente em um enorme balcão aberto nos fundos do salão. Possui ainda uma premiada sala climatizada de vinhos com dois andares e muito muito vidro e sofisticação. Como dito anteriormente, os valores do almoço eram ligeiramente mais acessíveis e então, aproveitamos que tínhamos esta opção e assim foi feito.

O menu do Cibo para o Winterlicious era composto conforme as opções abaixo:

Cardápio do Winterlicious

De entrada, fomos unânimes e escolhemos a berinjela a parmegiana, e como estávamos certos! Apesar de frita, é claro, a berinjela estava bem sequinha e crocante, com a milanesa devidamente grudada e sem desmontar. O molho de tomate estava delicioso e o queijo parmesão adicionava o sal necessário além de mais uma camada de crocância a receita. Uma folha de manjericão completava o conjunto adicionando cor e claro, muito perfume. Vejam por vocês mesmos:


Já os pratos principais foram bem divididos mas igualmente saborosos: as escolhas variaram entre Linguine ao molho pesto e frango; Tagliatelle com cogumelos, presunto cortado em juliene ao molho de vinho branco e por fim, um belo Panini recheado com short rib braseado, cebola crocante, rúcula e gorgonzola. Difícil dizer qual era o melhor. As massas são frescas e feitas na hora, cozidas al dente de maneira genial com molhos igualmente sensacionais e o panini parecia explodir de tanto recheio, de uma carne que derretia na boca. Mais uma vez, trago imagens pornográficas abaixo. Fiquem com elas:

Tagliatelle com presunto e cogumelos

Panini de short rib

Não tinha como ficar melhor. Pensando bem, ainda restava a sobremesa. Meus amigos e amigas, o que posso dizer sobre isso? Entre um "quase" mousse de chocolate branco com framboesas e pistache, um creme brulée com amaretto e um semi-freddo de chocolate meio amargo, salted caramel e laranja fica difícil eleger um vencedor, certo? Todas sobremesas muito bem preparadas, sem estarem muito doces ou enjoativas e fechando um almoço com chave de ouro.

White chocolate Pistachio Budino
 
Amaretto Creme Brulée

Dark Chocolate Semi-Freddo

Mas como eu poderia me esquecer? Teve vinho sim para acompanhar todo este banquete. O escolhido do dia foi o Cantine Due Palme Primitivo de Salento. Um vinho macio, com muita fruta escura, baunilha, chocolate e alguma especiaria. Taninos integrados com uma boa muito macia e com um final longo. Foi uma boa escolha, acompanhou bem os pratos. Eu recomendo a prova.

Cantine Due Palme Primitivo de Salento

Em suma, um belo restaurante com um ótimo ambiente, e claro, comida sensacional. Conhecer lugares como esse em oportunidades únicas faz valer cada centavo. Eu recomendo a visita.

Até o próximo!

Sunday, February 9, 2020

Little Italy e Trattoria Traverniti: um quê de Itália em Toronto

Assim como a maioria das grandes cidades do mundo, Toronto também é bastante conhecida por ser uma cidade cosmopolita e influenciada por uma infinidade de outras culturas, fruto de uma imigração intensa em épocas passadas, e nos dias atuais também. E um dos frutos desta imigração, se é que podemos chamar de fruto, são comunidades ou distritos em que pessoas de uma mesma ascendência costumam estar em maioria e criar raízes, gerando uma infinidade de negócios, bares, restaurantes e afins, com um "sotaque estrangeiro". Este é o caso de Little Italy, a comunidade italiana em Toronto.



Localizado a Oeste da rua College (College Street West) e apesar de não ser tão característico como outros distritos da cidade, possui forte ligação com a terra da bota e seus costumes. As lâmpadas da rua tem formato do mapa da Itália (a famosa bota), as placas com os nomes das ruas tem as cores da bandeira da Itália e existem uma série de restaurante e bares bem típicos, eu diria até que parecem ter saído de um filme. E hoje falaremos de um deles em especial, que é a Trattoria Traverniti.


O Trattoria Taverniti serve cozinha italiana autêntica e caseira no coração da Little Italy de Toronto. Uma verdadeira trattoria, este pequeno e acolhedor restaurante proporciona uma atmosfera intimista que te deixa a vontade, como se fossemos parte da família e estivéssemos todos na mesa em um almoço de domingo. Mesas de madeira? Presentes. Toalhas quadriculadas de vermelho e branco?Também.


O restaurante apresenta as receitas da família de Rosina Taverniti, a "nona" responsável pela cozinha. As vezes é possível ainda vê-la conversando com os clientes e discutindo os pratos e as impressões. O maior charme entretanto é que a massa é fresca e feita lá mesmo, com você quase como um espectador.Tudo é feito do zero e com ingredientes incrivelmente frescos e locais, quando possível.


A escolha não foi muito difícil e fomos de Spaghetti, eu com o meu preferido: carbonara; minha esposa nem pensou e amante dos camarões, pediu o "con Pomodori e Gamberi", ou seja, molho pomodoro e camarões. As porções são generosas e a massa, como era de se esperar, all dente no ponto. Simplesmente um deleite para os amantes da boa cozinha italiana. 

Além disso, eles tem uma seleção decente de vinhos (sim, conforme meu post anterior, este é um dos restaurante que tem licença especial para venda de bebidas alcoólicas). Escolhemos um típico Sangiovese Fantini do grupo Farnese, que foi o par perfeito com sua acidez pronunciada, aquele toque vinoso e taninos sempre contidos. Gostei da combinação.

Se estiver de passagem por Toronto e não souber onde almoçar, eu diria que a Trattoria Traverniti é um bom começo. E depois claro, venha nos contar o que achou. Isso se já não tiver passado por lá. Não perca tempo e divida conosco suas experiências.

Até o próximo!

Monday, February 26, 2018

Ravin e Pasquale montam loja de vinho e restaurante

Recebi esta notícia a pouco, embora tenha visto algumas fotos e acompanhado algum barulho sobre, e fiquei muito feliz e vim logo divulga-la aqui no blog para vocês, prezados leitores. A importadora Ravin, do empresário Rogério D’avila, abriu nos Jardins um misto de loja e osteria que oferece 4.000 garrafas de vinho de 11 diferentes países e também serve pratos rápidos da premiada e tradicional cantina Pasquale. Eu que já tive o prazer de comer na Pasquale Cantina em uma outra oportunidade fiquei empolgado pois o casamento com a Ravin, que possui um portfolio muito interessante de vinhos (que variam de R$25 a R$ 3.000), já era um trunfo da casa na zona Oeste.


Situada no número 498 da rua Melo Alves, a Ravin Vinho & Pasta foi inspirada em uma rede italiana. O pequeno ambiente – apenas 30 lugares – é aconchegante e, ao mesmo tempo, despojado e elegante. Nas estantes, 450 rótulos, para todos os gostos e bolsos, ficam expostos no salão com os respectivos preços. As garrafas custam entre R$25 e R$ 3.000, e são vendidas pelo preço da importadora.

Não há carta de vinhos. O cliente escolhe a faixa de preço e o resto fica por conta do experiente sommelier Paulo Trondoli, que mostra as opções disponíveis. Há desde vinhos mais acessíveis como Viña Maipo e Palo Alto até marcas como Sassicaia e Renato Ratti. Além de degustar durante a refeição, é possível comprar vinhos para apreciar em casa.

O cardápio, enxuto, oferece cinco opções de entrada – entre elas a Burrata com Piselli, feita com creme de ervilhas e azeite trufado – e seis pratos, como Spaghetti Carbonara e Penne Caprese, além de duas sobremesas: Tiramissu e Pana Cotta. Os pratos, que vêm da Cantina Pasquale e são finalizados ali, são servidos em menos de dez minutos após o pedido. Para beber, além dos vinhos, há dois tipos de cerveja, suco de uva orgânico e água com e sem gás.

Rogério D’avila fornece vinhos à cantina Pasquale, do restauranteur Pasquale Nigro, há 10 anos, por meio da importadora Ravin. Os dois são amigos. Agora, com a Ravin Vinho & Pasta, acontece o inverso: Pasquale Nigro fornece os saborosos pratos de sua cantina à loja de D’avila.

Ravin Vinho & Pasta
Rua Melo Alves, 498, Cerqueira César
Funcionamento
Loja – De segunda a sábado, das 10h às 23h e domingos, das 12h às 16h00
Restaurante – De segunda a sexta, das 12h às 15h00, sábado das 12h às 16h00 e 19h às 23:30. Domingos, das 12h às 16h00

Eu já estou planejando uma visita, e assim que o fizer, revivirei este post com minha opinião sobre a nova casa. E você, prezado leitor, já visitou ou tem vontade de fazê-lo? Deixe nos comentários sua experiência ou expectativa, divida conosco!

Até o próximo!

Monday, March 27, 2017

Divulgação: González Byass e sua Noite Espanhola no Vino Restaurante

Embaixador da vinícola González Byass no Brasil, Antonio Palácios comanda a Noite Espanhola promovida pelo Restaurante e Wine Bar Vino, em parceria com a Inovini - importadora exclusiva do grupo no Brasil, no dia 29 de março. A noite, que contará com reservas limitadas, apresentará um menu especial, elaborado para oferecer aos clientes uma experiência sensorial diferenciada.


Confira as harmonizações selecionadas para o jantar:

1. Carpaccio de Salmão Gravlax harmonizado com o vinho Altozano Verdejo-Sauvignon Blanc (da Finca Constancia), um branco leve, refrescante, sutilmente perfumado e elegante, que, por não amadurecer em contato com carvalho, é a mais pura e atraente expressão das uvas que o compõem.

2. Agnolotti de ricota com creme de espinafre harmonizado com o vinho Altozano Tempranillo (da Finca Constancia), um tinto seco produzido com a tradicional uva espanhola Tempranillo; possui um perfil frutado, jovem e moderno.

3. Cozido de coelho com legumes harmonizado com o vinho Beronia Crianza (da Bodegas Beronia), um tinto seco clássico espanhol, no qual a fruta límpida e intensa se encontra em harmonia com o carvalho, resultando em sabores e aromas equilibrados, com textura macia e delicioso frescor.

4. Assado de tiras com risotto de cogumelos harmonizado com o vinho Finca Constancia (da Finca Constancia), um tinto seco potente, límpido e de ampla complexidade, lembrando frutas vermelhas e negras maduras.

5. Pudim de Chocolate para fechar a noite!

Serviço:
Data: 29 de março
Local: Restaurante Vino (Rua Prof. Tamandaré de Toledo, 51 – Itaim Bibi)
Preço: R$ 129,00 + taxa de serviço - por pessoa
Reservas:(11) 3078-6442

Friday, March 10, 2017

Sans Souci Bistrô: surpreendente e não-convencional

Eu gosto muito de dividir minhas experiências enogastronômicas com vocês, leitores aqui do blog, mesmo que eu não seja especialista no assunto (apesar dos cursos na área do vinho). De qualquer maneira, sei que ando em falta com o blog. Ando um pouco desanimado é verdade e as vezes falta inspiração para escrever. Mas, vez ou outra, aparecem oportunidades que reacendem, ainda que timidamente, a paixão por compartilhar algumas maravilhas que descobrimos por ai, como no caso do Sans Souci Bistrô, em Campos do Jordão, cidade da Serra da Mantiqueira no interior paulista muito conhecida pelo frio, pelas malhas vendidas por lá e é claro pela gastronomia.

O restaurante fica encrustado no prédio da malharia Genève (vejam só) onde os clientes se deparam primeiro com um pequeno café que mostra em suas vitrines pãezinhos, croissant e doces que parecem muito apetitosos, e depois com o salão onde fica o bistrô propriamente dito. A decoração do Sans Souci Bistrô é exagerada, fantasiosa, sentimental, em meio a xícaras, bibelôs e bichinhos de pelúcia, em sua maioria garimpados em antiquários e lugares afins. A filosofia da comida foi trazida com o chef e é conhecida como slow food, claramente num objetivo de que possamos saborear grandes pratos com uma maior apreciação da comida, valorização dos ingredientes e dos produtores da mesma.


No Sans Souci Bistrô somos recebidos com pequenos mimos como uma pipoca "gourmet", coberta de queijo parmesão e salsa trufada além de um pequeno "shot" de uma gelatina feita a base de vinho espumante com aquela pedrinhas de laranja que explodem na boca. Tudo isso já deixa a imaginação solta e o paladar muito aguçado.


Com o menu conciso do Sans Souci Bistrô, não foi muito difícil até de imaginar o que cada um de nós pediríamos neste jantar especial que estava só se iniciando. Eu como de costume optei pelo "Bourguignon de cordeiro com legumes da horta e couscous marroquino", já minha esposa foi de "Filé Mignon com molho de cogumelos, purê de batata com paris fresco e azeite trufado" ao passo que a baixinha foi na segurança com o "Ravioli com mussarela de búfala, molho de tomate fresco e manjericão". O que dizer? As carnes estavam no ponto em que foram solicitadas, tenras e muito saborosas. A massa perfeitamente al dente, cozida a perfeição e com um molho delicioso. Notava-se ainda que os sabores e os ingredientes eram harmônicos entre si e formavam pares muito elegantes (cordeiro e o couscous, filé mignon e os cogumelos além do ravioli o molho fresco, por exemplo).


Para acompanhar a refeição, não poderíamos fugir de um vinho, no caso o vinho português Porta 6 Tinto, um vinho produzido pela Vidigal Wines a partir das castas Aragonez, Castelão e Touriga Nacional, rotulado como um vinho regional de Lisboa e com ligeira passagem em madeira. Apresentava coloração violácea de grande intensidade, bom brilho e limpidez. Nos presentou com um nariz de frutos vermelhos frescos, toques florais e algo de nozes. Na boca mostrou corpo médio e uma ótima acidez, escoltada por taninos macios e sedosos. A escolha foi muito boa, caiu bem com os pratos sem sobrepujar ou sumir, na medida certa.


Uma bela refeição e um belo vinho para fechar uma noite de passeio em família de maneira magistral. Eu recomendo a prova, do Sans Souci Bistrô e do Porta 6. Quem ainda não foi, deve ir . Penso que não se arrependerá. Mas vá preparado, a conta não será barata. Entretanto, valerá cada centavo.

Até o próximo!

Thursday, December 22, 2016

Café Journal & Torrevento Bolonero Castel del Monte 2014

Um dia desses que já ficou pra trás neste apressadinho ano que se esvai, tive a oportunidade de revisitar um local que a muito tempo não o fazia e que para corroborar com minha última visita, continua num nível de excelência gastronômica muito alta. Estou falando do Café Journal, na Zona Sul de São Paulo.

Parafraseando um post meu anterior, posso dizer que a casa consegue aliar com maestria um ambiente rústico e requintado ao mesmo tempo. Detalhes como tijolos a vista, antiguidades, obras de arte e cada mesa com sua vela fazem do local muito aconchegante e ideal para uma visita a dois. Embora se intitulem como um restaurante de gastronomia paulistana, entendo que a influência italiana é grande na escolha dos pratos, com massas e cortes de carne bem interessantes. Conta também com uma invejável carta de vinhos, que pode ser consultada em um Ipad além de uma enomatic, máquina onde você pode provar mais de um tipo de vinho, devidamente preservado a vácuo, e em porções menores, mantendo sempre sua qualidade. Uma coisa interessante de se notar é que, muito da qualidade do atendimento e do que lá é servido tem o dedo do proprietário, Denis Rezende, que está sempre por lá supervisionando sua turma.

No quadro de cima o Ossobuco, abaixo o bife ancho.

Sapeando o cardápio, não tive dúvidas do meu prato: Ossobuco de Angus com Polenta Cremosa, preparado sob lenta cocção e a baixas temperaturas, resultando em uma carne extremamente suculenta, soltando do osso e de sabor inigualável. Isso sem falar do tutano que preenche o centro do osso, uma iguaria rica em sabor e textura. Detalhe para o charme da panelinha onde a polenta é servida. Já minha esposa escolheu o Bife Ancho com arroz Biro Biro, também feito a partir de um corte de carne Angus servido com com molho chimichurri e Arroz Biro Biro com coco. O casamento do corte da carne com o molho tipicamente argentino é especial e o coco dá uma crocância a mais para o arroz.


O vinho escolhido para a hercúlea tarefa de acompanhar esta incrível refeição foi o Torrevento Bolonero Castel del Monte 2014, um vinho proveniente da região da Puglia, na Itália. A vínicola Torrevento está situada na zona mais dura e selvagem da região, no noroeste de Murgia, aos pés do imponente Castel del Monte, construção fortificada que servira de defesa para a propriedade em tempo ancestrais. Esta zona é chamada Torre do Vento (Torre del Vento, ou Torrevento numa contração), onde um antigo mosteiro do século XVIII, cercado por 400 hectares de terra, acolhe o coração da fazenda desde 1948. Falando sobre o Torrevento Bolonero Castel del Monte 2014 em si, o vinho é um blend das uvas Nero di Troia e Aglianico, sem passagem por madeira, somente um período em tanques de aço inox. Resulta em um vinho de coloração rubi violácea de média intensidade com bom brilho e limpidez. Nos aromas o vinho surpreende, contrastando sua simplicidade com certa complexidade, variando de frutos vermelhos para especiarias, folhas de ervas e chá e algo de defumado. Na boca tende a ficar entre um corpo médio e encorpado, com ótima acidez e taninos aveludados. O retrogosto confirmou o olfato e o final era de média para longa duração. Entendo que foi uma boa escolha levando-se em conta os pratos escolhidos.

Uma bela refeição e um belo vinho italiano para fechar um passeio romântico de maneira magistral. Eu recomendo a prova, do restaurante e do vinho. Quem ainda não foi, deve ir. Penso que não se arrependerá. Esta minha visita só veio a corroborar com a visão da qualidade gastronômica e atendimento especial que eu já possuía do local. Aproveite sem moderação. Não é barato, mas vale o quanto cobra.

Até o próximo!

Thursday, November 24, 2016

Il Mulino: cozinha vibrante em sintonia com a magia da Disney!

Se você é, assim como eu, grande fã de alta gastronomia e quando está viajando gosta de aproveitar a oportunidade e conhecer os restaurantes que podem deixar uma boa memória, esta é uma dica para você. Nós brasileiros estamos muito acostumados, em nossa maioria, a visitar a Disney, em Orlando, na Flórida, algumas vezes em nossas vidas e foi na minha última visita que conheci o Il Mulino, filial do famoso restaurante de mesmo nome em Nova Iorque, também nos Estados Unidos.

Costoletta Di Vitello

De gastronomia italiana tradicional da região de Abruzzo, a inspiração deste elegante restaurante multifacetado cobre todos os sabores da região. Localizado dentro de um dos resorts da Disney (Swan), une a magia da Disney com uma cozinha vibrante e moderna. Em vez de pensar que você se encontra em uma parte do parque de diversões, você se sente no centro da cidade. O local é muito bonito, moderno, bem decorado e com garçons altamente preparados para te proporcionar uma noite inesquecível. Antepastos tradicionais como caponatas, linguiças artesanais se juntam a pratos como pizzas, risotos, massas deliciosas e até pratos com carne. A carta de vinhos é um show a parte, recheada principalmente em se tratando de vinhos americanos e italianos.

Rigatoni con Funghi

Para começar, os antepastos cortesia fizeram as honras, com linguiça curada, berinjela assada com legumes e uma seleção de pães quentinhos e azeite extra virgem da mais alta estirpe. Os pratos que selecionamos para nossa visita foram: Risotto con Funghi, Rigatoni con Funghi e Costoletta Di Vitello. Todos muito bem feitos, frescos e com ingredientes de boa qualidade. A massa e o risoto se encontravam al dente e saborosíssimas, com um molho cremoso e delicioso. A oferta de queijo complementar foi instantânea e abundante. A carne era tenra e saborosa, assada na medida e servida sobre uma cama de batatas rústicas. Uma coisa interessante é que todos os pratos de massa podem ser pedidos na versão de meia porção, o que pode ser bom para pessoas com apetites menos glutões, diferentemente dos nossos. Ao final da refeição, o destaque é para a dose de Limoncello servida, altamente digestivo.

Risotto con Funghi

Para acompanhar a refeição, não poderíamos fugir de um vinho italiano, no caso o Tenuta Di Arceno Chianti Clássico 2014, que é Toscana por excelência. A propriedade abrange 1.000 hectares de colinas, florestas verdejantes, ciprestes antigos, campos ensolarados, olivais, vinhas e castelos de pedra medievais. O Tenuta Di Arceno Chianti Clássico 2014 é composto por 80% de Sangiovese e 20% de Merlot com amadurecimento de 10 meses em carvalho francês. Resulta em um vinho de coloração rubi violácea de média para grande intensidade com bom brilho e boa limpidez. Aromas de frutos escuros, especiarias doces, flores e algo de alcaçuz. Corpo médio, excelente acidez e taninos macios. Belíssimo vinho, sem sombras de dúvidas.

Tenuta Di Arceno Chianti Clássico 2014

Uma bela experiência numa viagem inesquecível. Mas vá preparado, a conta não será barata. Entretanto, valerá cada centavo. Eu recomendo.

Até o próximo!

Tuesday, April 5, 2016

Pasquale Cantina & Montessu IGT: A Itália em sua melhor forma!

Um passeio em família que culmina com um belo almoço, merece sempre o bom e o melhor. E, imbuído desta missão, procurei um lugar que apresentasse um comida que nos confortasse, um ambiente que nos acolhesse e que coubesse no bolso. Foi ai que descobri a Pasquale Cantina, no coração do bairro boêmio da Vila Madalena, zona Oeste de São Paulo. Afinal era por ali que aproveitávamos que era feriado e a cidade estava mais vazia e menos tumultuada para fazer um pouco de turismo em São Paulo.

A Pasquale Cantina é um dos restaurantes em São Paulo certificados pelo "Ospitalità Italiana", cujo objetivo é avaliar a hospitalidade e a tradição italiana, sendo que os requisitos para a certificação englobam desde a presença de, ao menos, um funcionário fluente em italiano até a proposta gastronômica, que deve conter pratos e vinhos da tradição do país e serem elaborados com produtos comprovadamente de origem italiana. E isso não é difícil para o Sr. Pasquale Nigro, dono do lugar, e sua origem lá na Puglia. Tendo suas portas abertas em 2001, a cantina se viu obrigada a diversas expansões ao longo do tempo, dada a fama que se abateu por lá. Entretanto, conseguiu ao longo destas mudanças, manter as tradições e o bom atendimento do passado, aliado a um ambiente rústico e sem formalidades. O único por menor é que como existem ambiente abertos, não existe ar condicionado e em dias mais quentes, pode ser um problema. Existe ainda por lá uma bela seleção de antepastos e entradinhas caseiras que valem conhecer. Além disso, o lugar funciona também como um empório, onde você pode comprar massas frescas, molhos prontos, antepastos, vinhos e acessórios.


Os pratos que pedimos estavam dentro de uma seleção "mais vendidos" do cardápio, e não decepcionaram. Eu optei pelo famoso Pene à “Pérola Negra” (molho a base de tomate picado, mozarella de búfala, alho, azeitonas pretas, pancetta, manjericão e pecorino romano), simplesmente perfeito, rústico nos sabores, que eram harmônicos entre si e com a massa al dente, exatamente como eu gosto. Já minha esposa foi no tradicional “Spaghetti à Carbonara” que também não decepciona e você pode ainda, alternar entre a pancetta e o bacon para compor seu molho. Por fim, minha filha foi de Orecchiette à Caprese, com bastante mozarella de búfala, manjericão e tomate cereja numa massa que parecem pequenas conchinhas, cozidas a perfeição.


Uma refeição destas não poderia deixar de contar com um belo vinho para acompanhar. E a escolha recaiu sobre o Montessu IGT 2010. Este vinho é produzido pela Agricola Punica, uma joint venture entre Sebastiano Rosa, o homem por trás do vinho Sassicaia, a Cantina de Santadi, a Tenuta San Guido, Antonello Pilloni presidente da Santadi e do lendário enólogo Giacomo Tachis. Em 2002, a Agricola Punica comprou uma terra de 170 hectares dividida em duas propriedades: Barrua e Narcao, situadas na zona sudoeste da Sardenha, em uma área conhecia como "Sulcis Meridionale". As vinhas situadas em Barrua e Narcao caracterizam-se por 15 hectares de Carignano, plantados em 1990 e 50 hectares de novas plantações de Carignano, Cabernet Sauvignon, Cabernet Franc e Merlot. Os solos são muito profundos e rochosos, com uma boa parcela de argila. A Agricola Punica produz dois vinhos com base na uva Carignano, Barrua e Montessu ambos IGT Isola dei Nuragui, nome que remete às torres antigas de pedra construídas por nuraghes que habitaram esta ilha do período neolítico até 238 AC, quando a Sardenha passou a fazer parte do Império Romano.

Sobre o Montessu IGT 2010, podemos ainda acrescentar que é um vinho feito a partir de uvas Carignano, Syrah, Cabernet Franc, Cabernet Sauvignon e Merlot. Passa ainda por amadurecimento e envelhecimento em barricas de carvalho francês durante 15 meses. Vamos as impressões?

Na taça o vinho apresentou uma coloração rubi de média para grande intensidade com ligeiro halo granada nas bordas. Algum brilho, boa limpidez e lágrimas finas, rápidas e sem cor.

No nariz o vinho apresentou aromas de frutos negros, café com leite, alcaçuz, especiarias, chá preto e algo mentolado também.

Na boca o vinho era encorpado, taninos marcados, rústicos mas de boa qualidade e uma gulosa acidez. O retrogosto confirma o olfato e o final era longo e marcante. 

Uma bela refeição e um belo vinho italiano para fechar um passeio em família de maneira magistral. Eu recomendo a prova, da cantina e do vinho. Quem ainda não foi, deve ir . Penso que não se arrependerá.

Até o próximo!

Monday, March 21, 2016

Tenute Giucciardini Strozzi:Os vinhos da realeza italiana em São Paulo

Eu tomei um cuidado muito grande ao escrever sobre estes vinhos, afinal de contas, não é sempre que falamos sobre os vinhos da realeza não é mesmo? As princesas Irina e Natalia Strozzi Guicciardini, que são a 15a geração na linha de descendência de Mona Lisa, estiveram em São Paulo na última semana e apresentaram seus vinhos milenares a imprensa e especialistas. A degustação, seguida de almoço harmonizado, aconteceu no restaurante Rubaiyat Faria Lima, com organização da importadora ItáliaMais e da CH2A Comunicação.


A Importadora Itáliamais, apesar de nova no mercado nacional (cerca de um ano), tem um braço e uma história muito ligada a Roma, onde já atua a um bom tempo. Com isso se relacionam diretamente com os produtores e garimpam verdadeiros achados. Sua filosofia é de trabalhar com o seguimento de restaurantes e lojas especializadas, não tendo venda ao consumidor final. Possuem cerca de 20 produtores em seu portfólio, grande parte da Toscana e adjacências.

Já a Tenute Giucciardini Strozzi tem mais de mil anos de existência, ao menos é o que dizem os registros históricos, remetendo ao ano de 994 como o ano de fundação da mesma. Por incrível que pareça, permanece ainda como uma propriedade familiar. Está situada em San Gimignano, uma pérola incrustada no coração da Toscana, na Itália. Seus vinhos mais famosos são a base da uva autóctone Vernaccia di San Gimignano, que tem registro de primeira produção ainda nos anos de 1200. Ainda segundo os registros, grandes nomes italianos como Michelangelo, Dante e Boccaccio foram alguns dos que provaram e aprovaram seus vinhos. Mas, afinal, quais os vinhos foram mostrados na degustação? Vamos a eles?


Cusona Brut Spumante di Vernaccia di San Gimignano: vinho espumante produzido pelo método Charmat longo (longo tempo de contato com as leveduras em tanques inox) com uvas Vernaccia di San Gimignano. Apresentou coloração amarelo palha com muito brilho, perlage fina, delicada e persistente, nariz de frutas tropicais, leveduras com final amendoado. Em boca é cremoso e fresco, fácil de beber;


Arabesque Vermentino IGT 2014: vinho branco que apesar de ser rotulado como Vermentino, tem 15% de Sauvignon Blanc na composição e sem passagem por madeira. Como resultado temos um vinho de aspecto palha com reflexos verdes, muito claro e limpido. Nariz franco e direto de frutas cítricas e muito mineral. Corpo leve, muito frescor e final agradável;


Vernaccia di San Gimigniano 1933 Cusona 2013: esse vinho branco a base da uva símbolo da vinícola (100%) pode ser considerado um degrau acima, com uvas selecionadas manualmente, cerca de um terço delas próximas do apassificamento. Tem passagem por barricas de segundo uso por cerca de 2 a 3 meses. Resulta num vinho de aspecto amarelo palha com reflexos já tendendo ao dourado, límpido e brilhante. Nariz amplo e franco de frutas, flores e leve toque apimentado. Bastante mineral, lembrando água do mar. Boca com corpo médio, muito frescor e mais mineral, quase salgado mesmo. Belo vinho;


Momi Rosso di Marema Toscana 2013: este vinho é um corte das uvas Petit Verdot, Cabernet Sauvignon, Sangiovese e Montepulciano d'Abruzzo com passagem de aproximadamente 3 meses. Um vinho de coloração violácea de média para grande intensidade com bom brilho. No nariz apresentou aromas de frutos escuros e vermelhos, especiarias com leve tostado ao fundo de taça. Na boca começa com uma ponta de álcool sobressalente, que arrefece com o tempo, taninos redondos, boa acidez e um quê mineral, num final de média duração. Foi bem com a refeição, denotando um certo carácter gastronômico;


Sòdole Rosso 2009: de longe meu preferido, este vinho é um IGT 100% Sangiovese com passagem de um ano em barricas francesas e mais um ano em garrafa antes de ser liberado ao mercado. O visual é marcado por uma coloração rubi violácea de boa intensidade com leve halo granada. O nariz apresenta frutos negros, flores, especiarias, chá preto e algo mentolado. Na boca o vinho tinha corpo médio, ótima acidez e taninos fininhos. Final longo e delicioso, um espetáculo de vinho!


Ocra Bolgheri Rosso 2014: a palavra "Ocra" tem um significado de sangue da terra segundo a língua etrusca, além é claro de remeter a cor de mesmo nome (ocre). É um vinho feito a partir de um corte de Cabernet Sauvignon, Merlot e Syrah com passagem de 12 meses em barricas francesas. Como resultado um vinho de aspecto violáceo de grande intensidade e com algum brilho. No nariz, aromas de frutos escuros, especiarias, toques animais e algo de floral. Em boca é encorpado, elegante, taninos firmes e boa acidez. Belo final;


Vignaré Bolgheri Superiore 2011: este vinho pode ser considerado o irmão mais velho do vinho anterior e é um corte de Cabernet Sauvignon, Cabernet Franc e Merlot vinificado e maturado por 18 meses em barricas de carvalho francesas e novas. Como resultado temos um vinho de coloração rubi violácea de grande intensidade com algum brilho. No nariz temos frutos escuros, especiarias, leve toque mineral e algo de tostado no fundo de taça. Na boca é encorpado, taninos macios e boa acidez. Final longo;


Millanni 2007 Supertoscano: a surpresa da noite ficou por conta deste vinho que não estava previsto mas foi trazido pelas princesas. Um corte de Sangiovese, Cabernet Sauvignon e Merlot com 12 meses de envelhecimento em barricas francesas. Um vinho de aspecto rubi de média para grande intensidade com halo granada. No nariz apresentou aromas de frutos vermelhos, especiarias, baunilha, flores e madeira seca. Na boca era encorpado, suculento, acidez ainda muito viva e taninos domados com o tempo. Tem estrutura para evoluir mas se encontra em seu ápice. Belíssimo vinho e belíssima surpresa.


Uma belíssima e agradável tarde ao lado de boas companhias, bons vinhos e mais uma vez, show de organização da CH2A Comunicação. À importadora Itáliamais, parabéns pelos belíssimos vinhos e pela parceria. O único senão fica por conta dos preços dos vinhos, que estão um pouco acima da média quando falamos de mercado nacional. Entretanto, recomendo a prova, valem a experiência.



Até o próximo!

Wednesday, January 27, 2016

Provence Cottage & Bistrô: Sofisticação e experiência sensacional!

Vivemos um turbilhão de atribuições e de tarefas em nosso dia a dia que muitas vezes esquecemos de nós mesmos e dos nosso prazeres, negligenciamos nossa saúde e deixamos de fazer atividades que nos trazem prazer. Por isso é bom que, de vez em quando, viremos a chave e mesmo que por um curto final de semana, nos entreguemos a alguns exageros sem culpa. E foi assim que eu e minha esposa chegamos a Monte Verde, Sul do estado de Minas Gerais, em um final de semana desses. E mais do que isso, descobrimos a verdadeira experiência gastronômica. Ou melhor, a verdadeira experiência sensorial, muito além da gastronomia.

Detalhes das louças e pratarias utilizadas

O Provence Cottage & Bistrô é uma luxuosa pousada e bistrô (desculpem a redundância) que trás ares de Europa para o aconchego de Monte Verde. Toda a arquitetura e os detalhes de decoração remetem as antigas pousadas provençais. Embora não tenhamos nos hospedado lá (o que foi uma pena, uma vez que só ficamos sabendo do lugar depois de já termos escolhido a nossa pousada) soubemos que por lá era servido um jantar em formato menu degustação com 5 pratos, e decidimos embarcar de cabeça. O Bistrô funciona num estilo comfort food e slow food, sendo uma surpresa a parte, afinal quando você faz a reserva não tem idéia do que será servido. Mas até nisso o cuidado do local é mostrado, pois se preocupam em saber se você tem restrições alimentares e caso as tenham, adaptações ao menu podem até ser feitas. E das mãos do chef Ari Kespers saem jóias tão criativas e deliciosas que transformam cada jantar em algo inesquecível. A inspiração é na cozinha internacional, não há dúvidas, mas com aquele quê mineirinho e recheado de produtos locais.

Capuccino de Cogumelos Portobelo

Começamos o jantar já de um forma perfeita e inusitada com um Capuccino de Cogumelos Portobelo, Confit de Canard e Terra de Banana. Estava deveras cremoso e rico em camadas e texturas. Aqui o chefe brinca com a cor dos cogumelos, a cremosidade do preparo e a espuma colocada no topo além é claro da farofinha de banana, em alusão a famosa bebida a base de café, criando também um contraste doce x salgado muito interessante.

Ravioli de Banana da Terra

O segundo prato era de se comer de joelhos. Um belo Ravioli de Banana da Terra, Queijo da Serra da Canastra e Macadâmia. Mais uma vez o joguete do salgado e doce funciona muito bem, tudo isso aliado a uma massa caseira perfeita e cozida a perfeição.

Strudel de Bacalhau

Já passávamos da metade da "brincadeira" sensorial quando nos deparamos com o terceiro prato, e imaginem só, outro belo prato. Era um Strudel de Bacalhau com Consommé de Maçã. Além do contraste de sabores, pedacinhos de maçã em conserva criavam também uma textura diferente e um aspecto azedinho interessante aos pratos. Impressionante.

Tornedor Suino

Chegamos ao prato principal e, além do deleite visual, o prazer a cada garfada não poderia ser diferente. O Tornedor Suíno com Molho de Tamarindo, Mandioca Cremosa e Farofa Brasileira era espetacular. A carne tenra e suculenta, o contraste agridoce e as texturas adicionadas pela farofinha era divinos, formavam um conjunto afinado e consoante.

Para finalizar a sobremesa era composta de uma deliciosa Tapioca Bruleé com Creme Inglês e Sorvete Caseiro de Goiaba. Sem excessos na doçura e com a constante brincadeira entre as texturas e os sabores contrastantes, não poderia exisitr melhor forma para fechar o banquete sensorial pelo qual havíamos passado.

A cara da satisfação

Depois de tudo isso, o que mais eu poderia dizer sobre o Provence Cottage & Bistrô? O chef Ari Kespers nos proporciona uma experiência que expande os horizontes gastronômicos, que nos faz entender perfeitamente o que significa slow/comfort food e que nos deixa com o sentimento de que somos tratados de uma maneira ímpar. Os sabores permanecem na lembrança e a vontade de quero mais uma constante em meus pensamentos! Eu recomendo a todos que estiverem pensando em ir a Monte Verde ou que já estejam por lá a conhecer este restaurante, não irão se arrepender.

Detalhes da decoração com ares europeus

Ah, vocês devem estar se perguntando se não teve um vinho para acompanhar tudo isso, certo? Pois eu digo que teve sim, mas será assunto para o próximo post, uma vez que me alonguei demais por aqui. Fiquem conosco.

Até o próximo!

Thursday, January 7, 2016

Fish Bar Santos & Cave Amadeu Brut: Para os dias quentes!

No último mês de Dezembro tive a oportunidade de passar um final de semana muito gostoso na cidade de Santos, no litoral de São Paulo, e como é de praxe quando estou viajando, aproveitei a oportunidade de conhecer novos restaurantes e quem sabe, indicá-los por aqui. Dito e feito, depois de uma ótima experiência, resolvi compartilhar com vocês por aqui.

O Fish Bar Santos é um local descolado de conceito inovador, com um ambiente bem decorado, espaçoso e com cardápio bem interessante. O restaurante oferece uma vasta gama de pratos a base de peixes e frutos do mar além de trazer a Santos um conceito mais amplamente divulgado fora do país, que é a mistura de restaurante e bar. Sua localização não poderia ser melhor, o bairro Ponta da Praia, em Santos, mais especificamente no canal 7, um bairro charmoso e muito privilegiado. Com relação a decoração, a inspiração são os restaurantes americanos estilo "casual dining" como o Bubba Gump, de mesma temática nos Estados Unidos. 

Arroz de Polvo

Estivemos lá para um almoço em família de um domingo e não nos decepcionamos. E olha que as escolhas dos pratos foram as mais diferentes possíveis. Como um bom glutão que sou, escolhi um arroz de polvo para saborear e não me arrependi: o arroz estava no ponto, sem empapar ou ficar seco demais ao passo que a consistência do polvo estava ideal, sem se tornar aquele borrachudo que faz "nhéc nhéc" na boca, cozido a perfeição e em boa quantidade. Já minha filha optou por um risoto de amêndoas e espumante com salmão ao molho de limão siciliano: mais uma vez o cozimento do arroz se encontrava al dente e o salmão grelhado a perfeição com o creme de limão siciliano dando um belo toque cítrico e as amêndoas a textura diferenciada do prato. Por fim minha esposa foi um pouco mais econômica e ficou no tradicional fish n'chips, na minha opinião o mais fraco dos pratos por estar um pouco oleoso e com porção menor em relação aos demais.

Risoto de Espumante com amêndoas, salmão grelhado e creme de limão siciliano

Para acompanhar, nada melhor do que um bom espumante nacional, e fomos de Cave Amadeu Brut. O espumante faz parte de uma linha de entrada da Vinícola Cave Geisse, dirigida pelo chileno Mário Geisse em solo brasileiro (Pinto Bandeira, RS). Já estive por lá e escrevi um pouco sobre o assunto, portanto se quiser saber mais sobre a vinícola recomendo a leitura deste link aqui. O Cave Amadeu Brut é um espumante jovem e muito fresco, caracterizado por seu forte toque frutado. É produzido a partir de um corte das uvas Chardonnay e Pinot Noir via método tradicional (segunda fermentação em garrafa) e passa por 12 meses em contato com as leveduras. Vamos finalmente as impressões?

Fish n'Chips

Na taça o vinho espumante apresentou uma coloração amarelo palha com reflexos verdes com uma boa formação de uma perlage fina e persistente. Já no nariz o vinho espumante apresentou aromas de frutos tropicais e cítricos bem maduros, aromas de panificação e leve lembrança floral. Por fim, na boca o vinho espumante se mostrou muito cremoso e fresco, com o retrogosto confirmando o olfato. O final era de longa duração. Entre um gole e outro era possível limpar o palato e seguir com a próxima garfada. Muito bom mesmo.


Mais uma bela opção de espumante brasileiro por aqui e a dica é: se você está em Santos e esta procurando um bom lugar para comer frutos do mar, esse é a minha recomendação de lugar!

Até o próximo!