Monday, April 11, 2011

Bottle Shock

Continuando com meus estudos relacionados ao mundo do vinho era de se esperar que eu procurasse alguns filmes que se tornaram “must see” para os aficcionados pela bebida. Depois de  ter visto Sideways e Blood into Wine (ambos comentados anteriormente por aqui) era a vez de Bottle Shock. E foi o que eu fiz. Agora, compartilho com vocês minhas opiniões.

O filme em linhas gerais mostra a história, baseada em fatos reais, do evento chamado “Julgamento de Paris”, ocorrido na metade da década de 70 quando o especialista britânico Steven Purier, dono de loja e escola de vinhos em Paris, resolve voltar os olhos do mundo vitivinícola para o chamado novo mundo, mais especificamente para a produção norte americana de vinhos, e resolve criar um desafio ás cegas entre vinhos cabernet sauvignon e chardonnay franceses e americanos. Como resultado os vinhos americanos acabam vencendo a competição e uma grande revolução no mundo vitivinícola acontece. Finalmente o mito do solo sagrado francês havia sido derrubado.

Mas é claro que todo o filme fica permeado também por cenas mostrando como ainda era insípida e recente a produção de vinhos de qualidade nos EUA, mais precisamente em Sonoma e no Napa Valley.  Cientes de suas limitações, muitos produtores americanos na época até ficaram de certa forma até resignados e incomodados quando o britânico aparece em suas propriedades com o intuito de provar seus vinhos e fazer a seleção dos que irão integrar a competição.

Além disso, a história de Bo e Jim Barret é destrinchada, mostrando além da dedicação de Jim por seus vinhedos e produção de vinhos de altíssima qualidade dentro do Chateau Montelena, onde seu perfeccionismo quase os leva a falência até sua difícil relação com o filho Bo. Seu empreendimento vinícola é sua paixão e vida atualmente porém seu lado humano é muitas vezes marginalizado, fazendo com que quaisquer relações humanas que ele tente não saiam do papel.  Mas tanta dedicação acaba por ser recompensada com a vitória no julgamento.

Finalmente mas não menos importante, o filme é muito bem feito, conta com atuações consistentes e é claro, cria algumas hitórias paralelas a fim de entreter aqueles que não estam intimamente ligados ao mundo do vinho. E como funciona como conjunto! Acaba por nos entregar um drama convincente sobre superação, dedicação e a eterna busca pela perfeição.

Recomendo!

Thursday, April 7, 2011

Salt

Estava procurando um bom filme de ação, para diversão mesmo sabe? E acho que encontrei. Final de semana passado tive a oportunidade de assistir a Salt, filme com mote de espionagem encabeçado pela bela Angelina Jolie e a boca mais conhecida no mundo do cinema atual.

Em linhas gerais o filme mostra um momento na vida de Salt, agente da CIA altamente respeitada na corporação e por seus superiores sendo resgatada da Coréia do Norte. Trabalhando normalmente depois de um tempo, uma revelação bombástica pode mudar para sempre sua vida e relação com todos que a cercam.  Um agente secreto russo se entrega para a corporação americana e comunica que um atentado ao presidente russo, em visita aos EUA, seria realizada por um agente secreto infiltrado e seu nome era Evelyn Salt. Preocupada com seu marido, Salt começa então uma fuga desesperada atrás de provar que é inocente. Ai cabe ao público assistir e juntar as peças pra dizer se ela é ou não inocente.

O filme é cercado de clichês do gênero, como por exemplo os russos como os bad boys pós guerra fria, a Coréia do Norte como nova ameaça ao mundo, traições e agentes secretos infiltrados, fantasmas da Guerra Fria, EUA como salvadores do mundo e por ai vai. Mas nem por isso deixa de ser interessante. A ação é recheada de tomadas rápidas, movimentos bruscos e cenas dignas de Missão Impossível. Mas é justamente isso que procuramos num filme pra nos divertirmos. E a dúvida com relação a inocencia ou não de Salt te prende ao filme.

Vale alugar e ter pouco mais de uma hora e meia de diversão.

Wednesday, April 6, 2011

A Rede Social: O filme

Só agora tive oportunidade de ver o filme que mostra em parte a história por trás do que houve quando da fundação do fenômeno das redes sociais na internet, o Facebook. E só tenho uma coisa a dizer, o filme é muito bom, aliando a complexidade do personagem de Zuckerberg com as histórias que permeiam as suas relações humanas. O filme em linhas gerais mostra como surgiu a idéia da montagem da rede social Facebook, quem foram as pessoas envolvidas, os problemas que surgiram desta formação e os como os relacionamentos podem ser alterados com a percepção do que é bom e o que é ruim em determinados momentos de nossas vidas.

Na nossa adolescência é comum querermos ser aceitos nos grupos que se formam, seja na escola, na rua, no prédio e assim por diante. Nasce então uma necessidade de mostrarmos algo que muitas vezes não o somos. E é assim que surge a imagem de Zuckerberg, na primeira cena do filme, verborragicamente citando pessoas famosas que se fizeram notar dentre os muitos universitários frequentadores da Universidade de Harvard e de suas fraternidades para sua namorada até então. É claro que ele não é nem um pouco sutil e quer se fazer notar por seu QI muito acima do normal, o que acaba por irritar sua parceira. Depois de tomar um fora da mesma, existe uma cadeia de fatos que levam Zuckerberg a imaginar a tal rede social. Mas é claro que nada é tão simples quanto parece.

As fraternidades são muito comuns nas universidades americanas e dentro delas, cada grupo tem afinidades em comum. Existe aquelas que reunem grupos de poder aquisitivo semelhante, as dos atletas, dos nerds, etc. Independentemente do tipo, o aluno deve sempre passar por provações para que seja aceito e a rivalidade entre elas faz com que a palavra bulying, tão atual, venha a minha mente. Além disso, cada fraternidade quer sempre provar que seus membros são melhores que os das outras, sejam se aproximando de garotas, vencendo competições, etc. E é também neste cenário em que Zuckerberg se encontra.

Ainda na adolescência e começo da vida universitária passamos por muitas transições físicas e psicológicas que podem afetar para sempre a formação de nosso carácter. Então é comum que os frequentadores destas fraternidades estejam sempre em busca de sexo fácil e de mostrar suas conquistas para os colegas. Neste cenário uma grande aliada é a internet, onde a disseminação de informação, seja ela boa ou  ruim, acontece de forma muito rápida. É por exemplo o que acontece quando Zuckerberg sai do bar em que se encontrava com a agora ex-namorada e vem para seu dormitório bloggar e dividir suas “experiências” com os colegas, criando inclusive uma rede para que as garotas da universidade fossem comparadas e recebessem notas.

Por último porém não menos importante, o fator “grana” entra na jogada. E todos sabemos que muito dinheiro está envolvido em empreendimentos como este e que, por este motivo muitas mudanças podem ocorrer em antigas amizades, sociedades, ou mesmo na cabeça dos mais fracos e gananciosos. E isto também se mostra presente quando o empreendimento Facebook começa a crescer e investidores começam a se mostrar interessados em aportar grandes quantias de dinheiro em troca de ações e valorização de suas marcas.

E é neste mix de emoções, narrativas, reflexões e muita, mas muita informação rápida e dispersa (assim como na internet) que o filme se desenvolve e paralelamente a tudo isso, vemos também a disputa judicial por trás dos direitos para os co-fundadores do Facebook. A trama é muito bem amarrada por David Fincher e os personagens e atores ajudam a tornar a atmosfera muito intrigante, fazendo com que fiquemos ligados até o último minuto, tentando então descobrir qual será  o próximo passo.

Eu recomendo!

Monday, April 4, 2011

Brunello de Montalcino Camigliano 2003

Como não é todo dia que fazemos aniversário (ainda bem, levando em consideração ainda se pensarmos nesta possibilidade depois dos 30 anos) resolvi que seria hora de abrir um vinho que vinha guardando a tempos em minha adega e que havia ganhado de presente, por coincidência, no meu amiversário do ano passado. Sempre tive muita expectativa a respeito deste vinho pois desde que comecei a me interessar pelo assunto sempre ouvi falar muito dos emblemáticos Brunellos de Montalcino e a ocasião era especial e eu queria enfim coloca-lo a prova.

Oriundo da Toscana, região mais famosa da Itália na produção de vinhos e quiçá dentre as mais famosas do mundo, este vinho é feito com uvas 100% sangiovese (ou brunello, como são chamadas na região, sendo clones selecionados da sangiovese) dos melhores vinhedos da propriedade de Camigliano, que estão em terrenos que combinam floresta, montanhas e os vinhedos propriamente ditos, contando ainda com um clima mediterrâneo, quente e seco, e solo arenoso com uma boa porcentagem de lodo que ajudam a criar toda a atmosfera ideal para a cultivo e maturação das vinhas. Finalmente o vinho passa ainda por afinamento de 24 meses em barricas de carvalho e mais dois anos entre maturação em inox e garrafa antes de serem liberados para o mercado. Vamos as impressões.

Na taça o vinho apresentou uma cor bonita violácea já com alguns reflexos e bordas atijoladas, brilhante, límpido e de certa trasnparência já denotando alguma evolução. Lágrimas lentas, espaçadas e sem cor completavam o aspecto visual.

No nariz o vinho começou a se mostrar. Abriu com aroma de ameixas pretas, passando logo a seguir a exibir gostoso aroma de alcaçuz. Depois de mais algum tempo era ainda possível sentir algo de couro e muito herbáceo. Finalmente algo como carne defumada fechava o buquet aromático. Muito interessante. Detalhe principal é que deixei o vinho aerando por aproximadamente uma hora antes do consumo.

Na boca o vinho se mostrou muito elegante, corpo médio, taninos finos, presentes, de ótima qualidade, redondos e quase doces com uma acidez muito boa, dando sustentação ao vinho em boca. Confirmou ainda a ameixa preta, herbáceo e um leve tostato ao final.

Mesmo não sendo um vinho top dos tops se mostrou muito elegante, equilibrado, redondo e muito pronto para o consumo. Mostrou boa complexidade e fiquei extremamente satisfeito pois atingiu minhas expectativas. Um dos grandes vinhos que eu já tive oportunidade de provar. Fez a comemoração do meu aniversário ficar em grande estilo! Recomendo!

Friday, April 1, 2011

Blood into Wine

Descobri este documentário recentemente e embuido de muita curiosidade consegui assisti-lo ontem. Posso dizer que o filme é muito bom e além do que instiga muito a quem é apaixonado por vinhos e por música, a sempre querer mais. Além disso, rolou uma “química” comigo e com o filme pois desde que comecei a me interessar por vinhos, estudar e me aprofundar no assunto, vez em sempre bate uma vontade louca de trabalhar com isto. E este documentário fala sobre isso também. Vamos as impressões.

Em linhas gerais o documentário mostra as mudanças paulatinas na vida de Maynard James Keenan, músico vocalista de bandas de rock que começa a dividir seu tempo entre gravações, turnês e concertos e a fabricação de vinhos no estado do Arizona, nos EUA. Além disso o filme retrata todas as dificuldades que o mesmo enfrenta quando toma esta decisão e a curva de aprendizado de Maynard ao longo dos anos até a primeira produção comercial de seus vinhos.

Mas o documentário esconde outras camadas: o preconceito da população em geral com o consumo de vinhos (visto através do programa televisivo em que Maynard é entrevitado durante o documentário), a maneira como críticos e enófilos tratam a bebida, todo o ritual envolto no consumo de vinhos, falta de incentivo para o cultivo e produção da bebida em determinados locais, as pontuações e as alterações no valor agregado ao vinho que estes “números” trazem, etc.

Primeiramente Maynard busca terras no deserto do Arizona para cultivar suas uvas viníferas, o que por si só já soaria como loucura. Depois, sem qualquer conhecimento de viticultura, busca se associar a um cara, a quem ele chamar de mentor, que com seu conhecimento e experiência prévia com cultivo de frutas e viticultura, dá suporte a empreitada de Maynard. Some a isso a mudança de rockstar para viticultor na vida de Maynard, que faz com que ele sofra preconceitos com relação a isso. Por fim, a falta de incentivos do governo local até que o empreendimento progrida são mostrados ao longo do documentário.

Mas muito além de tudo descrito acima, o documentário quer é mostrar a paixão de uma pessoa pelo vinho, suas nuance e processos, toda a cultura e conhecimento envolvido no processo produtivo e a crença de que a uva é um fruto diferenciado e que depois da fermentação, sua complexidade não pode ser facilmente explicada. E quais são as dificuldades e consequências de levar para a frente este sonho. Vale a pena ver.