Friday, April 22, 2011

Expovinis está ai!

Enófilos de plantão, preparai-vos! De 26 a 28 de abril teremos o maior evento de vinhos na América Latina que já está em sua 15a edição aqui no Brasil.

Como já é sabido e está sendo amplamente divulgado em diversos meios de comunicação, em especial na internet, o evento é sem dúvida um dos maiores que acontecem do setor. O crescimento do mercado de vinhos no Brasil é dado a passos tímidos é verdade, mas sempre pra frente. E é inegável que eventos como este são catalisadores para impulsionar este mercado. Afinal de contas, em um mesmo local teremos profissionais do setor, importadores, apreciadores, mídia especializada, e por ai vai. Além disso, é uma oportunidade única de passearmos por todas regiões vinícolas do mundo e seus grandes representantes.Finalmente as oportunidades de negócio são imensas!!

Algumas informações básicas são:

1 - O evento se dará no Expo Center Norte – Pavilhão Vermelho;

2 - Os horários de visitação são:

26 de Abril
Profissional → 13h00 – 21h00

27 de Abril
Profissional → 13h00 – 21h00
Consumidor → 18h00 – 21h00

28 de Abril
Profissional → 13h00 – 20h00
Consumidor → 18h00 – 20h00

3 - Preços:
Entrada sem Taça*: R$ 40,00
Entrada com Taça*: R$ 50,00
Entrada Estudante sem Taça*: R$ 20,00
Taça* Avulso: R$ 30,00

Eu ainda não tive a oportunidade de ir a este evento em nenhuma das edições anteriores e infelizmente não poderei comparecer de novo mas, gostaria de ouvir a opinião de todos sobre, como foi a visita, valeu a pena, destaques, etc.

Para aqueles que forem, boa visita e para aqueles que como eu não poderemos ir, só resta aquela pontinha de inveja, mas invejinha boa ok?

Saúde!

Monday, April 18, 2011

Educated Guess Cabernet Sauvignon 2006

Desde que comecei a me envolver mais no mundo dos vinhos eu descobri os clubes de vinhos. Sim, quase como confrarias, você se associa a um deles e em determinados períodos (mensalmente, bimestralmente, etc.) recebe de duas a seis garrafas de vinho (depende do clube ao qual se associou, sua possibilidade de pagar por mais ou menos, etc.) escolhidas pelo enólogo da loja/importadora/gestora do clube, geralmente por preços promocionais tendo em vista os preços praticados no mercado de uma forma geral. Depois de muito pensar e estudar um pouco sobre resolvi me associar ao SmartBuy Club, da importadora SmartBuy Wines. Já recebi duas remessas, que são bimestrais e constam de três vinhos cada mas ainda não havia provado os vinhos, até este final de semana. E é sobre um deles que gostaria de falar.

Primeiramente gostaria de falar um pouco sobre a importadora, que tem como diferencial o foco principalmente em vinhos californianos, mas que também trabalha com algumas vinícolas de outras regiões do mundo. O fato é que os vinhos por ela trazidos são normalmente muito bem vistos pela crítica mundial (inclusive com boas pontuações, geralmente 90 ou mais pontos) e normalmente com preços relativamente competitivos se levarmos em conta os preços praticados em nosso mercado. Além de tudo a importadora se utiliza de muito bom humor e relembra a época da lei seca nos EUA, brincando com o fato de que seus vinhos possuem preços mais camaradas por serem fruto de contrabando, utilizando inclusive embalagens disfarçadas de embalagem de material de escritório para a entrega dos vinhos em nossa residência. Por enquanto, tenho tido boas experiências com eles.

Voltando um pouco pro vinho propriamente dito, este exemplar veio diretamente do Napa Valley, na Califórnia e produzido pela Vinícola Roots Run Deep. Fundada em 2005, a vinícola se propõe a fazer vinhos sem paralelos produzidos na região mas que possuem preços mais módicos e de maior acessibilidade do que suas concorrentes. A linha Educated Guess é a linha de lançamento da vinícola e também já pode ser considerado sua linha mais icônica. Uma curiosidade é que o nome vem da expressão mais ou menos como “chute aproximado”, ou seja, quando você não tem muita certeza da decisão mas levando em conta alguns parâmetros, pode fazer um chute mais certeiro por assim se dizer. Dizem na vinícola que esta idéia veio pelo enólogo que dizia que muitas variáveis podem afetar a qualidade de um vinho e que desta maneira ele fazia alguns chutes aproximados quando formulava os vinhos. Outro destaque é o rótulo do vinho, que trás algumas fórmulas e equações químicas advindas do processo produtivo do vinho, induzidas ou naturais, e que mostram onde muitas vezes o enólogo pode fazer seu “educated guess”. Sem mais lenga lenga, vamos ao vinho.
O vinho tem uma composição deveras curiosa. Apesar de ostentar o nome da cabernet sauvignon no rótulo (85%), possui ainda 12% de merlot, 3% de Petit Verdot e 3% de Cabernet Franc. Esta composição varia de acordo com a safra. Preciso verificar se existe alguma legislação sobre isto nos EUA. Além disso o vinho estagiou por 12 meses em carvalho francês e americano, sendo que destes 60% eram novos.

Na taça mostrou uma coloração rubi violácea bem concentrada, levemente transparente, muito brilhante e bonita. Lágrimas finas, abundantes e coloridas tingiam a taça mostrando ainda muita potência frente aos 5 anos do vinho.

No nariz o vinho se mostrou deveras exuberante. Abriu com um belo aroma de frutas, lembrando cereja e cassis. Depois de um tempo podia-se sentir um toque de especiarias, detacando-se pimenta e também um pouco de baunilha. Aliás, depois de mais um tempo em taça esta baunilha evoluiu para algo perto de capuccino e abriram ainda um leve tostado e lembrança de alcaçuz. Muito interessante este nariz!

Na boca o vinho se mostrou com bom corpo, taninos finos, aveludados, de muita qualidade. Acidez e álcool balanceados, sem que qualquer um dos dois se mostrasse mais que o outro. Confirmou na boca o frutado, a baunilha e o final tostado, bem leve e sem apresentar qualquer amargor residual. Muita personalidade que só foi melhorando com o tempo em que passou em taça. Casou lindamente com uma rabada preparada neste domingo em casa, reduzida também num molho de tomate e vinho.

Excelente início com os vinhos da SmartBuy e mais ainda com os cabernet californianos, pois ainda não tinha tido a oportunidade de provar. Mais do que aprovei e recomendo! Estou muito curioso com os demais vinhos enviados pela importadora. Assim que prová-los, conto a experiência pra vocês.

Saúde!

Sunday, April 17, 2011

Collines de Granit Gewurztraminer

Aproveitando um final de semana extremamente quente em sampa, mesmo fora de época, aproveitei pra experimentar um vinho branco que estava em minha adega. Desta vez o escolhido foi um exemplar alsaciano, feito 100% com uva gewurztraminer.

A Alsácia talvez seja, juntamente com Chablis (na Borgonha), uma das mais conhecidas áreas de produção de vinhos brancos do mundo. O fato curioso sobre a região é que a mesma foi alvo de intensas disputas entre França e Alemanha por seu domínio e talvez até hoje os habitantes da região ainda não tenham muita certeza de qual lado eles pertençam. É possível notar a influência alemã, por exemplo, no formato das garrafas, nas variedades de uvas plantadas e nos sobrenomes locais. A produção de vinhos da Alsácia se diferencia da produção das outras regiões da França pois os vinhos são, na grande maioria varietais, e tem o nome da viariedade das uvas utilizadas no rótulo, como o exemplo deste que é Gewurztraminer.

Falando um pouco mais sobre o produtor, o fato curioso é que desde 2001 o Domaine Frey se utiliza de técnicas biodinâmicas em seus vinhedos/vinhos, tendo especial cuidado com o solo e o cultivo das uvas com pouca ou nenhuma interferência humana e muito menos de produtos químicos em geral. Além disso, fatores como a luz, temperatura e outros são levados em conta em cada etapa do processo de plantio, colheita, produção do vinho e assim por diante. Vamos as impressões.

Na taça o vinho apresentou uma linda coloração amarelo dourado bem claro, límpida e muito brilhante. Lágrimas bem viscosas, lentas e grande quantidade.

No nariz o vinho se mostrou exuberante. Abriu com um aroma floral muito intenso, seguido por frutas como lichia e manga. Para finalizar, aromas de mel com própolis, aqueles iguais aos dos sprays que utilizamos para tosse, sabem? Tudo muito intenso!

Na boca o vinho se mostrou untuoso, gordo, preenchendo cada espaço da boca. Confirmou o nariz e teve um toque especiado, lembrando ainda mais a picância do mel com própolis detectado no nariz. A única ressalva porém eu faria com relação a acidez, que a meu ver ficou devendo um pouco para aumentar por exemplo a permanencia em boca, que foi de média para menos com final quase doce.

Mais um bom exemplar francês trazido pela Cave Jado, que mostra a cada vinho que eu experimento que tem excelentes mãos para garimpar vinhos honestos a preços honestos para nosso padrão de consumo. 

Saúde!

Thursday, April 14, 2011

Em busca da casta perdida (ou não)

Ultimamente tenho lido muito que no mundo do vinho é incessante a busca por uma casta que se torne emblemática daquele país ou região como forma de alavancar vendas/marketing de um determinado país. E este assunto começou a me intrigar/instigar e comecei a ler muito, pesquisar e também discutir com amigos sobre quais suas opiniões sobre o assunto. Achei que daria assunto pra um post e aqui estamos. Eu sei que o trocadilho do título ficou horrível mas, estou tentando!

Quando este assunto vem a mente, não podemos deixar de citar três casos que pra mim são emblemáticos no quesito sucesso quando se fala do uso de uma casta como representante maior de um país e/ou região, que são eles: a malbec na Argentina, a carmenére no Chile e a pinotage na África do Sul. Muitos incluiriam um quarto caso ai, mas eu ainda não consegui reunir suficiente conhecimento/informações para julgá-lo então deixarei ele um pouco de lado, neste caso a história do Uruguai e a uva tannat. Nos três primeiros casos é nítido que todo o esforço para a celebração em torno de uma uva como icônica do país gerou um retorno, tanto de qualidade em alguns vinhos mas também de público que comprou a idéia e já tornou tais países sinônimos de “suas” respectivas uvas. Na Argentina, a malbec surgiu depois de ter sido devastada na Europa após a filoxera, caso semelhante ao da carmenére, que muitos diziam estar extinta. Já a pinotage é fruto de um cruzamento entre pinot noir e cinsault, tendo se adaptado muito bem no continente africano e gerado vinhos muito interessantes. Nestes casos, entendo que a escolha de uma uva símbolo é benéfica, porém com ressalvas. Ou você nunca provou um excelente cabernet sauvignon argentino, um fresco e cítrico sauvignon blanc chileno e assim por diante?

Por outro lado vejo uma discussão acalorada e, até o momento sem vencedores, sobre Portugal e a touriga nacional. De um lado aqueles que defendem que esta casta deva ser usada para mostrar ao mundo o quanto os vinhos de Portugal saltaram em qualidade, de outro os defensores dos “terroirs” portugueses, como o Dão, Bairrada, Alentejo e assim por diante. E acho que desta vez eu estou do lado dos que defendem a diversidade para Portugal. Como poderíamos deixar de lado os potentes vinhos de Bairrada da uva baga? Ou os lindos e aromáticos cortes utilizados pelos produtores do Alentejo? Ou mesmo como esquecer das muitas (e ponha muitas nisso) outras castas autóctones portuguesas que tem se mostrado muito ricas e gerado excelentes vinhos? E o que dizer dos vinhedos de vinhas velhas, onde é muito difícil que se possa separar qual uva está plantada no local?

Ainda do lado das discussões intermináveis e sem vencedores, eu poderia citar o Brasil também. Muitos defendem que seríamos o país da Merlot, pois segundo especialistas (ou nem tanto) a uva tem se adaptado de forma muito interessante em alguns locais principalmente do Rio Grande do Sul e por isso, poderíamos nos basear nisto para alçarmos esta casta como a mais emblemática no Brasil. Mas, pensem comigo, e no caso do nosso clima extremamente tropical, muito calor ao longo do ano e nossos espumantes de muito boa qualidade? Seriam simplesmente esquecidos em virtude da Merlot? Eu, como consumidor e estudioso, entendo que não. Creio que o salto de qualidade e os investimentos devem sim estar direcionados na confecção de espumantes cada vez melhores e por que não no desenvolvimento de novos “terroirs” como São Joaquim, em Santa Catarina que tem se mostrado um excelente local para elaboração de vinhos de qualidade, na minha opinião.

O post pode parecer meio “sabonete” e não pender pra lado nenhum. Mas este é mesmo o intuito deste “artigo”. Eu quero mesmo é sucitar a discussão e a troca de informações com meus leitores, amigos, visitantes, etc. E vocês, qual suas opiniões sobre o assunto?

Viva a diversidade!

Tuesday, April 12, 2011

Domaine Ellevin Chablis 2008

Esta é minha primeira incurssão pelo mundo de Chablis, na Borgonha (os vinhos provados e usados nas aulas de sommellerie não contam). Talvez este seja um dos mais famosos vinhos brancos do mundo, se não o mais famoso. E preciso dizer que, como iniciante e munido de grande curiosidade, não me decepcionei.

Falando um pouco sobre a região em si, a Borgonha pode ser considerada uma das regiões vinícolas mais elegantes do mundo e Chablis, a mais emblemática para vinhos brancos. A uva utilizada se resume na Chardonnay. Solos calcários, muito limestone e clima continetal com seus verões secos criam um ambiente rico em drenagem, auxiliando a maturação das uvas. Por outro lado,alguns percalços tem que ser combatidos, dependendo da safra, como as geadas no inverno e as constantes variações nas quantidades de sol e chuva durante as demais estações. De qualquer maneira, podemos dizer que ao lado de Bordeaux, a Borgonha (e por que não Chablis) é uma das mais conhecidas regiões vinícolas do mundo e a variação do terroir (inclinação dos terrenos, exposição ao sol, etc é quem dita as características mais marcantes em seus vinhos. Além disso, a classificação de seus vinhos é também bastante vasta, variando de uma denominação comunal Chablis até seus vinhos tops nos grand crus e premier crus (qualquer dia faço um post tentando explicar como funciona estes critérios de classificação na França).

Deixando de lado um pouco da teoria, vamos as impressões sobre este vinho. Na taça ele apresentou uma linda cor amarelo tendendo para dourado, com lágrimas finas, abundantes e incolores.

No nariz o vinho começou a se mostrar. Bastante complexidade abrindo com aromas de pêssego, muito mel e alguma coisa de amendoas, nozes, não sei ao certo. Como pano de fundo muito mineralidade, lembrando giz e arreia de praia. Muito interessante, me deixou muito otimista para o que viria na sequência.

Na boca o ataque inicial foi de muita fruta, lembrando o pêssego do nariz, mas também alguma coisa cítrica, que eu não consegui identificar. Depois o mel apareceu e deixou o final com muita mineralidade, como se eu tivesse comendo areia de praia. Muito engraçada a sensação, mas ao mesmo tempo espetacular. Acidez muito bacana, fazendo com o que o final fosse de média duração. Vinho bastante untuoso, preenchia bem a boca como um todo. Pedia sempre o próximo gole.

Não sei se foi sorte, falta de conhecimento ou seja lá o que for mas a verdade é que eu gostei muito desta minha primeira incurssão no mundo de Chablis e seus vinhos. Este exemplar foi adiquirido na Cave Jado, e como sempre, valeu e muito o investimento!!

Saúde.