Friday, September 2, 2011

Chuva artificial em Mendoza? Nossos hermanos inovando!

Todos sabemos que a região de Mendoza é um grande deserto, com pouca chuva durante o ano. Evidentemente a vinha é uma planta resistente, mas é necessário a criação de métodos de irrigação em regiões como a de Mendoza. Além disso a variação ano a ano dos índices pluviométricos dificulta a consistência das safras. E eis que chega uma notícia um tanto quanto inusitada: um grupo de pesquisadores da "Universidade Tecnológica Nacional" da Argentina está criando uma maneira de fazer com que caia chuva artificial dos céus de Mendoza. 

Este problema fez com o Dr. Raúl Pérez (da  universidade referenciada acima) criasse um projeto de engenharia que faria com que se elevasse os níveis pluviométricos da região por meios tecnológicos artificiais. O projeto tem recebido apoio, além é claro do da Universidade Tecnólogica, do Ministério da Ciencia, Tecnologia e Inovação produtiva e da prefeitura de San Martín em Mendoza.

O método utilizado para modificação dos processos metereologicos é conhecido como semeadura das nuvens, técnica esta que consiste em introduzir nas nuvens determinados compostos químicos com o intuito de se aumentar o tamanho e a quantidade de gotas de chuva fazendo com que estas caiam e atinjam o solo. Evidentemente alguns estudos sobre a metereologia e quantidade de chuva local ainda precisam ser feitos, mas o estudo é promissor. 

Ainda segundo o professor, o projeto contém quatro fases distintas com duração aproximada de seis meses cada uma, dentre as quais estudo de viabilidade e aplicabilidade, processo de aumento de nuvens, processo operacional propriamente dito e finalmente a avaliação do projeto. 

O processo terá início quando a previsão do tempo determinar a existência de nuvens carregadas de líquidos e água realmente gelada na região da semeadura. Depois com o auxílo de geradores e compostos químicos, haverá o que é chamado de captura das nuvens e posteriormente a semeadura aérea com ajuda de aviões. Estes processos serão feitos preferencialmente durante a primavera e verões mendocinos.

Se o projeto tiver sucesso, poderá ser inclusive exportado e utilizado em outras regiões com problemática semelhante. E não deixa de ser muito bom vermos países com economias similares a nossa (dadas as devidas proporções) criando maneiras de melhorar uma de suas culturas símbolo, o que vai muito além de subsídios e guerra cambial.

E você leitor, qual sua opinião?

Até o próximo!

Thursday, September 1, 2011

Dióxido de enxofre bom para as uvas? O que diriam os biodinâmicos?

Um recente estudo australiano aponta que o dióxido de enxofre, comumente apontado como um dos vilões pelas técnicas de cultivo biodinâmicas, poderia ser sim um grande aliado no cultivo de uvas, ao invés de somente ter esta conotação nociva a saúde. A seguir vem a matéria traduzida e adaptada da original, para que vocês leitores possam tirar suas próprias conclusões. Eu particularmente não tenho conhecimentos suficientes para taxar de que lado eu ficaria, mas gostaria de suscitar a discussão.

Pesquisadores australianos teriam descoboberto que o dióxido de enxofre poderia beneficiar as uvas.

Um estudo da University of Western Australia descobriu que o dióxido de enxofre poderia realmente ter um efeito positivo sobre a composição de uma baga da uva. O produto químico é amplamente utilizado na produção de vinho em todo o mundo para uma variedade de propósitos, e é muito mal visto pelo movimento crescente de vinho natural, que o considera desnecessário.

O professor assistente da universidade, Michael Considine, disse ao site Decanter.com: "O interessante é que o dióxido de enxofre aumenta os níveis de antioxidantes e níveis de antifúngicos na baga, além de melhorar suas respostas próprias de defesa. Ele deixa a planta ajudar a si mesma".

Considine admitiu porém que há "evidências irrefutáveis de que o dióxido de enxofre causa problemas de saúde nos seres humanos" incluindo aí problemas de pele e respiratórios. Mas, segundo ele, existe um entendimento sobre vinhas e dióxido de enxofre onde seria possível se encontrar uma alternativa viável.

"Se pudermos entender um pouco melhor como a planta está respondendo ao dióxido de enxofre do que pudermos costurar alternativas, não existiriam conotações relativas a problemas de saúde neste caso".

Considine sugeriu que o ozônio poderia ser uma alternativa possível, bem como a lisozima, que algumas vinícolas já usam, em vez de dióxido de enxofre para inibir a fermentação maloláctica. A pesquisa foi realizada em uvas de mesa, mas poderia gerar conseqüências de longo prazo para os produtores de vinho em sua busca para reduzir ainda mais os níveis de enxofre empregados hoje em dia em suas produções.

Wednesday, August 31, 2011

Susana Balbo Crios Torróntes 2010

É difícil falar em vinhos argentinos e não falar de Susana Balbo, uma das mais importantes enólogas da Argentina e quiçá do nosso Novo Mundo. E é engraçado como, apesar de já ter provado muito vinho argentino, eu ainda só havia provado um único vinho dela. E me aproveitando de todo o calor que fez no final de semana passada em Sampa resolvi apostar em mais um vinho desta grande enóloga, para conhece-lo melhor. Tudo bem que este vinho faz parte da linha de entrada da vinícola, mas tem feito sucesso principalmente no quesito custo beneficio e para quem quer se aventuar pelo mundo vinícola sem medo de errar.

Conforme ela mesma descreve em seu site, a linha Crios foi criada com o intuito de expressar que estes vinhos não "cresceram" o suficiente para alcançar a maturidade e qualidade superior de seus outros vinhos, porém recebe o mesmo carinho e atenção em seu processo produtivo. Ainda por definição, os vinhos da linha Crios são vinhos com maior expressão frutada e foram elaborados pensando em um consumo mais rápido, ainda jovens. A última curiosidade que podemos falar sobre a linha Crios é que em seus rótulos existe uma figura que representa 3 mãos entrelaçadas que além de fazer alusão a um antigo artefato Maia, faz também menção a própria Susana e seus três filhos. Vamos então as impressões.

Na taça o vinho apresentou uma cor amarelo palha com leve tendência ao dourado, com lágrimas finas e rápidas sem cor alguma.

No nariz o vinho abriu com muita lichia e floral, lembrando jasmins, e alguma coisa cítrica. Além disso tinha alguma "picância" no nariz que eu acho vinha do álcool porém não consegui identificar ao certo. Com mais tempo em taça apresentou também mel com própolis e a picância permaneceu.

Em boca o vinho mostrou corpo médio, boa acidez, álcool imperceptível (fiquei confuso com a sensação ao nariz mas não cheguei a uma conclusão) e confirmou frutas cítricas e muita lichia. Final de média duração com um "quê" mineral, deixando o fim de boca seco e salivando, pedindo mais gole. Aliás, a garrfa parecia que tinha água dentro, pois acabou tão rápido!

Um bom vinho, especialmente para o dia a dia e com um bom custo benefício (encontrado na rede Pão de Açúcar em Sampa por R$ 39,00 aproximadamente). Acompanhou um belo filé de Saint Peter ao molho de tomate e camarões sem maiores problemas. Eu recomendo.

Até o próximo!

Tuesday, August 30, 2011

Mudanças a vista nos Rosso di Montalcino?


Uma discussão vem agitando o mundo vinícola italiano: reuniões tem sido feitas pelos produtores que participam do Consórcio de Monatalcino, que tem por objetivo a idéia de mudar as regras de produção do Rosso di Montalcino, aprovando o uso de outras variedades de uvas internacionais na produção de seus vinhos. Especialistas dizem que isto é uma tentativa de alavancar as vendas do vinho, pela possibilidade de que o Rosso di Montalcino possa vir a ser “supertuscanizado" e se tornar mais competitivo do que atualmente o é.

Enquanto se aguarda mais uma reunião convocada por membros do consórcio, marcada para Setembro agora, muitas personalidades do mundo vinícola internacional com forte ligação ao vinho de Montalcino (ou mesmo grandes conhecedores e apreciadores) tem fincado posições claramente em oposição a essa mudança. Muitos alegam que tanto o Rosso di Montalcino quanto o Brunello di Montalcino criaram para si uma personalidade forte nos mercados de vinhos internacionais com base em grande parte, ao fato de serem um vinho varietal puro de uva autóctone. E hoje em dia num mundo onde muitos países produzem vinhos, a busca por uma identidade é sempre muito bem vinda.

Por outro lado, os produtores em geral tem muita simpatia pela mudança, afirmando que apenas uma pequena porcentagem de uvas como Merlot e/ou Cabernet e/ou Syrah farão parte dos cortes dos futuros Rossos frente aos atuais 100% de Sangiovese do vinho. Além disso, o fato de que o vinho considerado o irmão “feio” dos famosos Brunellos, amarga baixíssima vendagem e tem um custo de produção elevado devido às atuais regras apertadas de produção. Evidentemente que não se pode inclusive deixar de lado o fato de que tais varietas como Merlot/Cabernet/Syrah tem excelente carácter e agregariam um carácter mais “mundial” ao paladar do vinho italiano. Além disso, outro argumento é de que estas uvas poderiam melhorar o vinho em anos de colheitas irregulares ou fracas de Sangiovese.

Particularmente eu entendo que em um mundo em mudança, que após a padronização dos paladares, há uma busca muito grande por pureza e autenticidade geográfica, uma mudança deste nível seria um retrocesso. Além disso, comparados aos altos preços cobrados pelos grandes Brunellos, muitas vezes os Rossos podem ser considerados um bom custo benefício oferecendo vinhos únicos a preços muito inferiores (não leiam baratos e/ou acessíveis ao dia a dia). Mas a discussão está posta e em Setembro agora poderemos ter, ou não, novidades sobre o assunto. E você leitor, o que acha que deve acontecer?

Até o próximo!

Monday, August 29, 2011

Trio Reserva Merlot/Carmenere/Cabernet Sauvignon 2007

Este vinho é produzido pela gigante chilena Concha Y Toro e é um velho conhecido por terras brasilis. Apesar de não ser da linha de entrada da vinícola propriamente dito, eu diria que é a segunda linha, pois abaixo do Casillero del Diablo já fica um pouco complicado se falar em qualidade, em minha opinião. Apesar disso goza de um excelente custo benefício.

O vinho é um blend de 70% Merlot, 15% Carmenere e 15% Cabernet Sauvignon que passa em média 12 meses em barricas de carvalho francês e americano. Suas uvas são colhidas em vinhedos localizados no Vale do Rapel. Vamos as impressões.



Na taça o vinho apresentou uma coloração violácea intensa apesar da idade, com halo levemente aquoso. Lágrimas finas, rápidas e muito coloridas chegavam inclusive a manchar a taça. 

No nariz o vinho mostrou aquela pancada típica sulamericana: aromas intensos de compota de frutas, groselha, baunilha. Depois de pouco tempo alguns aromas mais evoluídos como especiarias, alcaçuz e aquele aroma que lembra estábulo também se fazia sentir, entretanto sem ser desagradável. 

Na boca o vinho tinha corpo médio, taninos finos e bem integrados, boa acidez, álcool imperceptível. Confirma em boca frutas e especiarias. Final de médio para longo lembrando chocolate meio amargo e capuccino.

Sem muita novidade o vinho mostra qualidades, é encontrado na faixa dos R$ 35,00 - 40,00 e pode ser considerado uma boa compra. Tente bebe-lo de forma despretenciosa, acompanhando uma pizza num sábado a noite (como eu o fiz) e seja feliz.

Aé o próximo!