Showing posts with label Saint-Emilion. Show all posts
Showing posts with label Saint-Emilion. Show all posts

Tuesday, November 24, 2015

Chatêau Jupille-Carillon St. Emilion Grand Cru Cuvée Prestige 2002

As vezes me pego pensando como é difícil encontrar bons vinhos franceses a preços atrativos em nosso mercado mesmo com alguns importadores exclusivos de vinhos de lá. Acontece que os vinhos franceses com um mínimo de qualidade estão sempre um degrau acima no quesito preço em relação aos demais vinhos disponíveis no mercado nacional. Imaginem então qual não foi minha felicidade quando eu consegui este vinho do post de hoje, o Chatêau Jupille-Carillon St. Emilion Grand Cru Cuvée Prestige 2002.


O vinho é produzido pela vinícola familiar Château Jupille-Carillon, que se encontra em Saint-Émilion, Bordeaux. O empreendimento se encontra atualmente sendo tocado pela terceira geração da família. E é assim que o tradicional encontra o moderno nesta família, unindo tecnologia de ponta e utilização das mesmas técnicas desde os primórdios. Possuem plantados cerca de 11 hectares. 

Sobre o Chatêau Jupille-Carillon St. Emilion Grand Cru Cuvée Prestige 2002, podemos ainda afirmar que é um corte com base em Merlot e Cabernet Franc. Não consegui precisar o tempo de passagem em madeira. Vamos as impressões?

Na taça o vinho mostrou uma coloração rubi violácea de média intensidade com algum brilho e limpidez, tendendo ao granada principalmente nas bordas. Lágrimas finas, rápidas, espaçadas e sem cor também estavam presentes.

No nariz o vinho apresentou aromas de frutos vermelhos e escuros, chocolate, café, toques animais (couro mais evidente), terrosos e algo de grafite. Muita complexidade e qualidade.

Na boca o vinho se mostrou de médio corpo com acidez ainda viva e taninos macios. O retrogosto confirma o olfato e o final era longo e marcante. 

Ao final, me senti muito contente e extasiado por enfim ter provado um belo vinho de Bordeaux e não ter pago rios de dinheiro por ele. Vale com certeza a prova. Eu recomendo.

Até o próximo!

Tuesday, March 5, 2013

França: da decepção a redenção!

Era mais um domingo na casa dos meus pais com um almoço especial, regado a um belo pernil suíno salada, aspargos frescos e cenouras baby no vapor. Tudo parecia ir de vento em popa e eu queria muito provar um vinho bacana junto desta refeição além de continuar no meu propósito de apresentar sempre novos vinhos e novas regiões a minha noiva quando me veio na cabeça a oportunidade de apresentá-la a uma das regiões mais famosas da França e quiçá do mundo do vinho: Bordeaux. 


A escolha recaiu então sobre o Château Calon Monatgne Saint-Emilion 2006, um vinho de corte típico da região (apelação Saint-Emilion) com 70% de Merlot, 15% de Cabernet Sauvignon e 15% de Cabernet Franc ainda com passagem de 18 meses em barricas. Não tinha como não ser bom. Mas não é que o pior aconteceu? Ao abrir o vinho a decepção: o mesmo estava estragado, intragável num aroma e gosto de papel molhado, mofo, sem quaisquer condições de consumo. Ainda insisti e resolvi deixar um tempo pra ver se o mesmo abria mas foi uma doce ilusão. Era a primeira vez que isso me acontecia. E tudo foi pelo ralo.


Ainda insistente na missão de apresenta-la a França dei mais uma chafurdada em minha adega e tirei de lá um trunfo: o Château des Estanilles Cuvée Prestige 2005, um tinto blend de Syrah, Grenache e Mouvédre vindo diretamente do Languedoc e que já foi falado um pouco neste blog em dois posts (relembrem aqui e aqui). Era a oportunidade de também reforçar ou não as sensações sobre este vinho desde a primeira vez em que o provei. Como já falei nos posts anteriores sobre a região, o produtor e detalhes do vinho, vou direto as impressões.

Na taça uma bonita cor rubi violácea brilhante e com pouca transparência. Lágrimas finas, rápidas e quase sem cor tingiam também a taça.

No nariz aromas terciários em primeiro plano: toques animais e terrosos. Ao fundo, especiarias e frutas escuras. Bastante complexidade.

Na boca um vinho de taninos firmes, boa acidez e corpo médio. Retrogosto confirma o olfato e ficava na lembrança num final de média para longa duração.

Ao final do almoço, ao menos a sensação de alívio e de dever cumprido (apesar de não ter sido o vinho dos sonhos da minha noiva) em poder ter lhe apresentado a mais uma nuance do mundo dos vinhos. Este é trazido pela Cave Jado e vale o quanto custa (cerca de 80 dinheiros).

Até o próximo!

Thursday, July 5, 2012

Cheval des Andes 2005 e a realização de um sonho

Irei começar este post com um humilde pedido de desculpas pois além de ter me afastado um pouco aqui do blog, sei que este post não irá agradar muito a todos. Este post estará carregado de emoções e de sentimentos que talvez nada tenham de ligação com o vinho e seu incrível mundo mas é que ontem foi um dia especial pra mim. Depois de muito pensar e tentar escolher palavras, achei que a melhor maneira de escrever por aqui seria deixar as idéias fluírem e simplesmente escrever, sem maquiagens.

Como já devem ter percebido ou visto eu comentar por aqui, sou corintiano de coração e alma e por mais que tentasse abstrair ou não pensar sobre o assunto, a noite de ontem era especial, afinal perseguíamos o bendito título da Libertadores da América a muito tempo. Sim, muito mais do que títulos, o simples fato de ver o Corínthians já afaga o coração. Mas que este campeonato estava entalado na garganta, a isto estava. Estava, no passado, pois ontem tudo isso mudou. E evidentemente que a comemoração tinha que ser a altura. Eu já havia prometido pra mim mesmo que se esse título viesse, não iria pensar muito e iria simplesmente pegar um dos melhores vinhos que tinha em minha adega e iria tomar. E o escolhido foi o Cheval des Andes 2005. Vamos falar um pouco sobre ele agora.


O Cheval des Andes nasce de uma joint venture criada entre o mítico produtor francês Château Cheval Blanc, de Saint-Emilion, e a tradicional vinícola argentina Terrazas de Los Andes, de Mendoza. Do primeiro se resgata toda a expertise adquirida ao longo dos anos na produção de Grand Crus em Bordeaux, quase que de forma artesanal desde o plantio e cuidado com as vinhas até o blend do vinho e seu amadurecimento. Já da segunda, todo o poderio do terroir e a escolha uma a uma das variedades que melhor se adaptavam a ele. E chegaram a um vinho que alia potência e fineza de maneira excepcional, focado no mercado internacional, seduzindo os consumidores mundo a fora. O vinho é um blend de Cabernet Sauvignon, Petit Verdot e Malbec cujas proporções exatas não consegui apurar, sendo que este vinho passa de 15 a 18 meses em barricas novas de carvalho francês. Vamos as impressões.

Na taça o vinho tinha uma bonita cor violácea escura, profundo e quase sem transparência. Lágrimas finas, abundantes e ligeiramente lentas com muita cor ajudavam a tingir as paredes da taça.

No nariz o vinho foi um show, muita complexidade e aromas que se alternavam na taça de maneira muito harmônica. Começando com frutas escuras maduras, passando por especiarias, tabaco, couro, baunilha e um toque de grafite. Tudo de maneira muito elegante.

Na boca o vinho se mostrou mais elegante ainda. Os taninos apesar de marcados e presentes, eram redondos e macios. A acidez presente fazia a boca salivar e o vinho era encorpado e musculoso. O retrogosto trazia frutas e algo de chocolate e o final era delicioso e demorado, ficava por muito tempo na boca. 

Apesar de novo, o vinho já se mostrava pronto para o consumo mas também dava idéia de que poderia durar ainda alguns anos na garrafa. Enfim, um baita vinho que fechou com chave de ouro uma das melhores noites de minha vida. Este foi comprado no Free Shop e custou 70 dólares. Eu recomendo!

Até o próximo e Vai Corínthians!

Monday, February 21, 2011

Chateau Piron 2004

Depois de um período afastado do blog mais um bom vinho degustado no final de semana. Desta vez um francês da região de Bordeaux, mais especificamente da AOC Montagne Saint-Emilion. Este um corte de 80% Merlot com 20% Cabernet. Mais um achado trazido até nós pela Cave Jado, excelente importadora de rótulos de pequenos produtores, garimpados nas diversas viagens das sócias a França.  Pelo que pude apudar sobre o vinho e produtor na internet, o vinho provém de vinhedos com idade média de 25 anos plantados em solo argiloso seguindo método de vinificação clássico com maceração de 4 semanas. O vinho passa por afinamento de 12 meses em barricas de 1º, 2º e 3º usos. Vamos as impressões.

Na taça apresentou cor bubi com bordas atijoladas já demonstrando certa evolução. Lágrimas ligeiramente mais grossas do que estou acostumado a ver,lentas e sem apresentar coloração. Tenho lido e estudado que o aspecto visual, apesar de nos passar algumas informações, não é assim tão importante e depende também de uma série de fatores, como a limpeza das taças por exemplo.  Mesmo assim coloco minhas impressões, para reforçar alguns conceitos e aprender, sempre!

No nariz o vinho começou um pouco fechado, apresentando notas de frutas vermelhas bem maduras, em compota/geléia eu diria. Com o tempo se abriu também um toque herbáceo lembrando mato, árvore, não sei ao certo. Completou o bouquet um toque animal que me lembrou muito couro sobre leve fundo tostado.
No palato apresentou corpo leve, média persistência, trazendo de novo notas de frutas bem maduras e um pouco de tostado. Taninos presentes, bem marcantes mas de muita qualidade, bem integrados com a acidez na medida e álcool imperceptível (12,5%).

Vinho elegante, bem diferente dos provindos do novo mundo, mais discreto e que vai se revelando aos poucos. Meu erro foi não te-lo decantado com a devida antecedência para aproveitar melhor seus aromas. Mas mesmo assim uma boa pedida pra se iniciar nos vinhos do velho mundo.

Saúde!