Friday, July 12, 2013

Cono Sur Organic Pinot Noir 2010

O dia a dia também merece vinhos, não é mesmo? E já dizia o ditado, "A vida é muito curta para bebermos vinhos ruins". Imbuído deste sentimento, tenho procurado tomar vinhos que satisfaçam mais do que simplesmente meu gosto pessoal, mas que tenham qualidade e que possam também a aumentar os conhecimentos meus e de minha esposa a cerca do mundo vitivinícola. E foi assim que chegamos ao vinho do post de hoje.


A vinícola Cono Sur foi fundada em 1993, no Vale do Colchágua - Chile, e teve como mote inicial a produção de vinhos expressivos e com aquela pegada de novo mundo. Desde seu começo, a vinícola conseguiu aplicar um mix de tecnologias avançadas sobre técnicas já consagradas de vitivinicultura. 

O vinho em questão faz parte da linha de vinhos orgânicos e tem como símbolo em seu rótulo uma bicicleta, simbolizando a maneira como os empregados fazem seu percurso indo e vindo dos vinhedos da companhia quando estão trabalhando com este meio de transporte. Além disso, o vinho é guiado única e exclusivamente pelas leis naturais do ambiente, em uso de químicos e/ou produtos sintéticos. O emprego de defensivos naturais como flores, grama e a introdução de insetos benéficos são apenas algumas das apostas do produtor para o controle do vinhedo. Finalizando, é ainda certificado por um órgão alemão por suas práticas orgânicas. É feito com uvas 100% Pinot Noir e não obtive informações sobre maturação em barricas. Vamos as impressões.

Na taça uma bonita cor rubi límpida, brilhante e de boa transparência. Lágrimas finas, rápidas e sem cor compõe também o aspecto visual.

No nariz o vinho apresentou aromas de frutas vermelhas bem frescas e toques de tostado e madeira. Bastante perfume.

Na boca o vinho tinha corpo de leve para médio, excelente acidez e taninos sedosos. Retrogosto confirma o olfato com uma boa estrutura e final de média duração. 

Um bom vinho para o dia a dia, pode ser bebido sozinho ou com refeições mais leves. De qualquer maneira, beba. Vale o quanto custou (algo em torno de 45 dinheiros). Eu recomendo!

Até o próximo!

Thursday, July 4, 2013

Cuvée Hommage 2003

Estava eu trocando umas mensagens com minha esposa, como de costume e foi quando ela me disse que havia preparado uma jantinha surpresa bacana pra gente. Curioso que sou, fiquei remoendo pra saber o que era mas esperei chegar em casa. Neste meio tempo comecei a pensar em possíveis harmonizações com os vinhos que tinha em casa, afinal janta especial e surpresa merece o que temos de bom em termos de vinho, vocês não acham? Chegando em casa vi que ela tinha feito um belo escondidinho de carne seca a base de purê de mandioquinha, carne seca dessalgada e um bom catupiri para completar, além de parmesão ralado pra gratinar. Coloquei meu pouco conhecimento a prova na hora de escolher o vinho, consultei meus alfarrapos e cheguei a conclusão: iria tentar um Bordeaux.


Confesso que não sou profundo conhecedor de vinhos franceses, ainda mais quando lidamos com a enormidade de particularidades que envolvem Bordeaux e Borgonha, mas o vinho escolhido por mim é um vinho produzido na região de Côtes de Bourg, situada na margem direita do rio Gironde. Tendo em vista este cenário e levando em conta também o clima e solo, a uva Merlot é a que se encontra em maioria plantada por ali em virtude da mesma ter um ciclo de maturação mais demorado que as outras tintas permitidas dentro das apelações de Bordeaux. 

Sobre a vinícola e o vinho em sim, podemos dizer que é uma vinícola um tanto quanto nova, sendo que o Château Lamblin (produtor do vinho) viria a ser criado em 1998 e a partir dai, técnicas orgânicas de vitivinicultura foram aplicadas para que se atingisse a qualidade de que hoje desfrutamos de seus vinhos. Por lá, 80% das vinhas plantadas são de uvas Merlot, seguidas de 10% de vinhas de Cabernet Sauvignon e 10% de Malbec sendo que no vinho, a proporção se altera um pouco para 60% Merlot, 20% Cabernet Sauvignon e 20% Malbec. Além disso, o vinho passa por maturação de 14 meses em tonéis de carvalho. Vamos as impressões.

Na taça uma coloração rubi violácea de média intensidade com ligeiro halo granada nas bordas. Lágrimas finas, ligeiramente mais lentas e sem cor compunham o conjunto visual também.

No nariz o vinho abriu com aromas terciários de couro e estrebaria, seguido de aromas mentolados e frutos escuros. Ao fundo da taça era possível ainda identificar aromas tostados.

Na boca o vinho apresentou corpo médio, acidez ainda viva e taninos marcados, mas elegantes e de boa qualidade. Retrogosto trazendo frutas negras e mentolado, confirmando o olfato. Final de longa duração.

Um belo vinho sem dúvida, que cresce com a comida e precisou de um tempo aberto pra respirar no decanter antes de servir. Foi bem com o escondidinho. Eu recomendo.

Até o próximo!

Tuesday, July 2, 2013

Quinta de Bons-Ventos 2011

Nada melhor do que aproveitar o final de semana para uma viagenzinha relaxante para as montanhas,curtindo um friozinho, boas companhias, muita comida e diversão não é mesmo? E foi assim que aproveitei o meu com uma curta viagem para Campos de Jordão, no interior paulista, sempre regada a um vinhozinho para aplacar o frio e celebrar. E o escolhido desta vez foi o Quinta de Bons-Ventos, portuguesinho da região de Lisboa e produzido pela gigante Casa Santos Lima.


Falando sobre o vinho em si, é produzido num corte (como é e costume português, tendo em vista a enormidade de castas autóctones disponíveis por lá) das uvas Castelão (Periquita), Camarate, Tinta Miúda e Touriga Nacional sem proporções divulgadas. Envelhecimento parcial (3 a 4 meses) em meias-pipas de carvalho. Possui cerca de 13% em volume de álcool. Vamos as impressões.

Na taça uma bonita cor violácea de média intensidade com algum brilho. Lágrimas finas, rápidas e levemente  coloridas ajudavam a tingir as paredes da taça.

No nariz o vinho apresentou aromas de frutos escuros, algo de especiarias e toques de chocolate. Aromas harmonicos e discretos, nada muito pujante.

Na boca o vinho tinha corpo médio, boa acidez e taninos finos, marcados e de boa qualidade. Retrogosto confirma o olfato trazendo principalmente frutas escuras com um fundo especiado e leve toque de chocolate. Final de média duração. 

Vinho honesto, sem defeitos e que vale o quanto custa (algo em torno de 26 dinheiros no supermercado Pão de Açúcar). Para se tomar no dia a dia com refeições cotidianas ou mesmo para bebericar com amigos. Eu recomendo.

Até o próximo!

Monday, July 1, 2013

Vinho aromatizado com xarope de refrigerante é lançado

Uma companhia francesa, Haussmann Famille, lançou no mercado no último mês de junho o primeiro vinho aromatizado artificialmente com xarope de refrigerante.


Com um nome até sugestivo, Rouge Sucette Cola (algo como Pirulito Cola em uma tradução livre), o vinho com 9% de teor alcoólico foi criado para ser servido resfriado, e é feito com 75% de mosto vinificado de uvas e os outros 25% divididos entre açúcar, água e xarope artificial de refrigerante de cola. Segundo o fabricante, o resultado chega a ser surpreendente, pois alia o "amargor" do vinho com a doçura do xarope. O produtor já é conhecido por já trabalhar com uma linha de vinhos rosé e branco aromatizados artificialmente com xarope de maracujá. 

O lançamento ocorreu na última semana de junho em meio a Bordeaux Vinexpo 2013, o alvo do produto segundo o próprio produtor é a "geração coca cola" de jovens consumidores como uma maneira de traze-los para o consumo de vinhos. O vinho também é visto como potencialmente vendável entre mulheres e pessoas asiáticas que podem ter o paladar mais voltado para os gostos doces em bebidas. Obviamente o vinho não estará disponível no Brasil e o preço lá fora, numa rede de supermercados ingleses beira as 3 libras.

Pesquisas feitas no mercado francês dão conta que existe uma demanda crescente por produtos deste tipo, vinhos aromatizados, com uma estimativa de vendas de mais de 30 milhões de garrafas no ano corrente, um incremento de 50% em comparação a 2012. Ainda segundo avaliadores de mercado, tais vinhos também tem dirigido a vendagem de vinhos no mercado americano, com vinhos tintos doces se superando dia após dia e os vinhos da uvas Moscato correspondendo por mais de 6% em volume de vendas no país, um incremento de 33% ante o ano anterior. Do outro lado da moeda, o consumo de açúcar na Grã-Bretanha teve um aumento de 31% desde 1990, com o consumo médio de 700g de açúcar por pessoa em uma semana.

Para maiores informações recomendo a leitura do original, em inglês, no site http://www.thedrinksbusiness.com .

Será que a moda pega por aqui também?

Até o próximo!

Mais uma cobertura do blog: Grand Tasting Wines Of Argentina 2013

Na última quinta feira aconteceu mais um grande evento de vinhos em São Paulo, o Wines of Argentina Grand Tasting, e o blog Balaio do Victor se fez presente e vai contar pra vocês leitores, um pouco do que aconteceu por lá.


O evento aconteceu no Hotel Unique em São Paulo, e contou com a degustação anual de vinhos argentinos com direito a participação de 44 bodegas, master class com o tema "Argentina muito além da Malbec", "Wine Walks" guiados por enólogos argentinos renomados e ainda feira onde as bodegas e/ou importadores mostravam seu portfólio e mais recente lançamentos. 

O local escolhido não poderia ser melhor pois o salão disponibilizado para a feira era amplo e fazia com que o espaço entre as mesas e o acesso as mesmas fosse facilitado, permitindo com que todos tivessem acesso a todas sem maiores entreveros. Além disso, os serviços disponibilizados pela organização (cuspideiras, comidas, etc.) eram feitos de maneira impecável tornando a vida do visitante muito agradável. Tudo era de muita qualidade, desde a seleção dos vinhos até os quitutes servidos. Embora não tendo participado do Master Class, todos os relatos de amigos e visitantes era de que o sucesso tinha sido absoluto.





 Um dos destaques em minha modesta opinião foram os "wine walks, pequenos tours temáticos guiados por enólogos argentinos que nos apresentavam vinhos de acordo com o tema, correndo algumas mesas da feira, a fim de que identificássemos uma ou outra características de um determinado grupo de vinhos argentinos. Uma sacada muito inteligente. Participei do tour sobre cabernets argentinos com o enólogo Tomás Hugues, onde pude notar diferenças entre os vinhos de acordo com o terroir em que a uva era plantada, por exemplo, fruta mais madura nos vinhos de Mendoza ao passo de mais frescor em vinhos de Salta, por exemplo. 


Em meio a um mar de vinhos, destaques não faltaram, mas faltaria tempo, espaço e memória pra falar de todos, aqui ou um por um. Correria também o risco de cometer alguma injustiça e deixar de citar algum vinho que eu não provei. Mas de maneira geral, muitos vinhos interessantes, como um Semillón 1942 da Bodega Lagarde o qual pude dividir um pequeno gole com minha amiga e também blogueira Evelyn Fligeri (Taças & Rolhas) ou quem sabe um pouco usual Petit Verdot da Bodega Decero. Falando ainda de vinhos,  o já famoso Eolo da Trivento ou o Judas da Sotano estavam também por lá desfilando sua potência e qualidade, linhas como a Iscay da Trapiche, a qual eu não conhecia, fazendo um pequeno debute ou ainda a vinícola Tukma e seus vinhos bons de preço procurando um importador aqui no Brasil ou mesmo um branco diferente como o Masi Passo Blanco ou ainda quem sabe a bodega Familia Schroeder e seus vinhos da Patagônia (linha Saurus). E foi daí pra melhor, podem acreditar.


Enfim, muitos vinhos pra se provar, muitos amigos para conversar, muitos quitutes para os vinhos acompanhar e um evento pra na memória ficar. 

Até o próximo!