Monday, March 28, 2011

Rosso Di Verzella Etna Rosso DOC

Acho que já comentei em algum post perdido aqui no meu blog que eu gosto muito de experimentar vinhos diferentes. E por diferentes entenda-se uvas pouco conhecidas, viticulturas diferentes, etc. E é mais ou menos isso que aconteceu com o vinho que eu provei neste final de semana. Este exemplar é oriundo da Sicília, ao sul da Itália e é composto pelas uvas Nerello Mascalese, também conhecida como Negrello, e pela Nerello Cappuccio, também conhecida por Mantellato. Além disso, outra curiosidade bem interessante sobre este vinho é que todas as vinhas que produziram as uvas constituintes deste corte estão nas encostas do vulcão Etna, geralmente de solos arenosos, vulcânicos,  extremamente ricos em minerais e produtos de reações ácidas.

A ligação da Sicília com a vitivinicultura remonta ainda na época dos gregos, quando fundaram cidades como Siracusa e Agrigento porém o auge se deu no século XVIII, quando os ingleses criaram o Marsala. Hoje em dia, estamos assistindo ao renascimento da Sicilia como importante produtor de vinhos de qualidade. Só que desta vez, os méritos se devem aos vinhos secos, brancos, rosês e tintos extremamente particulares. A Sicília é a maior região vinícola da Itália e conta com 17 denominações de origem controladas (DOC) mas por incrível que isto possa parecer, estas correspondem por pouco mais d 2% do total da produção da ilha, fazendo com que haja uma maior predominância dos vinhos conhecidos como IGT.

Segundo o site do produtor, as uvas colhidas para a produção deste vinho  provém de vinhas de mais de 40 anos, podendo assim serem consideradas vinhas velhas. Ainda segundo o mesmo, as uvas são colheitas ligeiramente mais tarde que as demais, por volta da segunda metade do mês de outubro e após a fermentação malolática o vinho estagia de 8-10 meses em barricas de carvalho para afinamento. Vamos as impressões.

Na taça o vinho apresentou uma cor cereja clara, quase como a cor de um pinot noir tradicional (minha opinião). Apresentou ainda diversas lágrimas, finas, rápidas e incolores.

Ao nariz o vinho apresentou-se timidamente fechado de início. Após algum tempo em taça frutas vermelhas maduras levemente temperadas com alguma coisa picante, tipo pimenta mesmo, e leve fundo de baunilha. Tudo muito suave e discreto.

Na boca o vinho apresentou corpo leve, taninos rascantes que secavam a boca e chegavam a incomodar no início, boa acidez e persistência média. Final lembrando leve frutas vermelhas com um que de pimenta muito picante e leve tostado. Com comida os taninos melhoravam sensivelmente, mas ainda incomodavam um pouco.

Vinho diferente do habitual, incomodava um pouco por possuir taninos de certa forma agressivos, me pareciam até meio verdes, como se tivesse havido super extração ou mesmo prensagem com engaços. Enfim, não é um vinho que me agradou muito e não sei se repetiria a experiência. Mas fica registrado.

Saúde.

Tuesday, March 22, 2011

Forcadas Douro DOC 2007

Desta vez vou comentar este exemplar que vem direto da terrinha de nossos antepassados, mais precisamente da região do Douro, em Portugal. Esta região é famosa também por um vinho muito conhecido por nós, o vinho do Porto. Produzido pela Quinta da Pedra Alta, o vinho é composto pelas castas Touriga Nacional, Touriga Franca, Tinta Roriz e Tinta Barroca. Não encontrei maiores informações do vinho no site da produtora, então vamos direto as impressões.

O vinho apresentou em taça uma cor rubi muito viva, escura e brilhante, quase sem transparência. Muitas lágrimas coloridas, rápidas e finas compunham o conjunto.

No nariz o vinho começou muito tímido, mas tinha leves aromas frutados, lembrando figos e goiaba. Depois de um tempo abriu também lenbranças florais e algum especiado sem grande definição.

Na boca o vinho se apresentou melhor, com corpo médio, taninos finos e em grande quantidade e qualidade com bom extrato. Mostrava boa acidez e leve amargor final que causava ligeiro incomodo no começo mas que depois sumiu. Retrogosto frutado.

Um vinho simples, para o dia a dia, honesto e sem grandes aspirações.

Saúde.

Monday, March 21, 2011

Reserva Milantino Ancellotta 2005

Este vinho foi uma grata surpresa dentre os vinhos nacionais. Eu tenho lido muito e estou tendendo a concordar que o Brasil deve apostar em uvas pouco cultivadas/conhecidas no restante do mundo, com exceção claro de seu local de origem, para surpreender neste imenso mar de vinhos que temos acesso no mundo inteiro. Vejamos o exemplo da uva ancellotta, oriunda da Itália e usada em cortes e na elaboração do famoso Lambrusco. É claro que os vinhos com ela como atriz principal não são vinhaços, vinhos de guarda nem nada mas fogem do habitual cabernet sauvignon/merlot/malbec novo mundistas e trazem um prazer agradável para quem os consome, ao menos em minha opinião.

A vinícola Milantino por sua vez está localizada no Vale dos Vinhedos, no Rio Grande do Sul – na famosa Serra Gaúcha. A área plantada é de 7 hectáres, sendo cultivadas as seguintes variedades: Cabernet sauvignon, Merlot, Malvasia de Cândia, Ancellotta, Tannat, e Teroldego. Me parece que tem trabalhado em vinhos de muito boa qualidade e que tem tido boa aceitação. Este exemplar me foi indicado pela Dna. Cecília, da loja DO Brasil e ela mais uma vez acertou em cheio. Vamos as impressões.

Na taça apresentou uma coloração rubi bem forte, escura e brilhante com quase nenhuma transparência. Lágrimas abundantes, finas, rápidas e com muita cor. Veja que estamos falando de um vinho 2005 e pelo visto este ainda poderia envelhecer um pouco mais em garrafa sem maiores prejuízos.

No nariz o vinho era exuberante e franco, logo ao abrirmos a garrafa já era possível sentir os aromas de frutas vermelhas frescas, muito herbáceo e ao fundo ainda um pouco de café.

Na boca o vinho tinha taninos finos, elegantes, aveludados, quase doces. Boa acidez, trouxe de volta muita fruta, lembrando quase um chiclé tutti frutti. Final de média persistência com bom extrato.

Um vinho honesto, sincero, entrega o que se propõe e não apresenta defeitos aparentes. Sinceramente, achei muito bom e vale conhecer e ter alguns em casa.

Saúde!

Wednesday, March 16, 2011

(Des) Complicando o mundo dos vinhos

Quem é que adora vinhos e nunca passou por uma situação como a que vou descrever a seguir: quando você começa a se interessar pelo um assunto e começa numa busca por informações, fontes confiáveis, literatura disponível e afins mas se depara com palavras e expressões muito rebuscadas, técnicas e sem a mínima vontade de disseminar a informação junto as pessoas mais leigas no assunto? Pois é, eu já passei por isso algumas vezes desde que me iniciei neste mundo e nos meus estudos.

Quase que invariavelmente no mundo dos vinhos é assim: sites na internet, blogs de pessoas que entendem (ou não) do assunto entre outras mídias (impressas inclusive) usam sempre de expressões deveras complicadas e que muitas vezes nós brasileiros médios não estamos acostumados. E minha surpresa foi maior ainda quando li, acho que a umas duas semanas, no caderno Paladar do jornal O Estado de SP sobre este assunto numa reportagem de Eric Asimov para o The New York Times e traduzida pelo jornal, que relatava este tipo de situação.
A reportagem trazia em linhas gerais um comentário de Eric dizendo que este tipo de situação criada pela midia estava afastando as pessoas do consumo da bebiba pois muitas vezes na busca por informações de um determinado vinho, vinícola, produtor, etc a pessoa se deparava com termos e expressões relatando as sensações olfativas ou gustativas de críticos (ou pretensos críticos) do produto com as quais não estava acostumada e se afastava pois não tinha a segurança devida para efeuar a compra. Além disso a reportagem questionava também a utilidade das informações muito técnicas dadas pelos críticos em geral, pois além do já citado acima existe ainda a divergência das descrições entre dois ou mais críticos, gerando ainda mais dúvida no consumidor em geral. Por fim, segundo Eric, uma descrição mais sucinta, falando de textura, densidade, e complexidade ajudariam muito mais.

Outro ponto que me fez pensar neste assunto foi quando eu li de um cara que eu admiro muito, o Luiz Horta, que o vinho está se afastando demais do prazer que ele proporciona ao ser consumido. Ainda segundo sua nota em seu blog, Luiz Horta fala que ele tem percebido com toda sua experiência que os consumidores de vinho não querem mais tanto saber sobre fermentação, barricas de primeiro e segundo uso entre outros termos técnicos. Ele até compara este tipo de leitura, que tem seus fãs obviamente (e eu sou um deles), a leitura de um manual de um eletro doméstico por exemplo, onde estão descritos potência, comsumo, etc.

O que é preciso ter em mente num primeiro momento é que existem pelo menos dois tipos de público que buscam este tipo de informação, os que querem as informações mais técnicas por seus motivos e os que simplesmente querem ter maior segurança enquanto consumidores. Além disso fatores como por exemplo o local, hora, temperatura e contato com que determinada pessoa teve com um vinho e durante toda a sua vida com outros produtos que possuem aromas semelhantes aos descritos no vinho podem fazer toda a diferença. Eu por exemplo nunca vi uma fruta chamada pomelo, mas a mesma já apareceu em diversas descrições aromáticas de vinhos que li por ai.

Ainda assim eu penso que para que possamos ter um aumento expressivo no consumo de vinhos em nosso país, uma das barreiras a serem derrubadas é esta da mistificação e complexidade criada em torno dos vinhos (é claro que existem muitas outras, mas não são objetivo deste post) para que o consumidor médio tenha acesso a informação que venham a auxiliá-lo em suas decisões de compra atuais e futuras. Talvez ajudaria bem mais se falássemos mais sobre como as safras foram conduzidas, se as uvas foram de boa qualidade, se o vinho é complexo ou mais simples e por ai vai. E a partir daí criássemos consumidores mais informados e ai sim avidos por informações mais técnicas e com mais base para dissernir o quão relevante cada informação pode ser.

E você, o que acha deste assunto?

Tuesday, March 15, 2011

Chateau Camplong Cuvée Grande Pièce 2005

Aproveitei minha última aula do curso de sommellerie para enófilos da Alexandra Corvo, na qual falamos e aprendemos sobre os vinhos do Rhône e do Languedoc – Roussilon, para provar um vinho da região neste final de semana. E por sorte eu tinha um vinho desta região em minha adega. O escolhido vem de uma AOC chamada Corbiéres, uma das maiores na França. Este vinho passou por 9 meses de amadurecimento em carvalho e depois um ano em garrafa, antes de ser comercializado.  Vamos as impressões.

Na taça o vinho apresentou cor rubi escura com borda granada, muito brilhante e com alguma transparência. Exibia também muitas lágrimas, finas de média velocidade e com alguma cor.

No nariz o vinho se apresentou timido logo de início, mostrando leve aroma de frutos vermelhos. Aos poucos o vinho foi se mostrando, apresentando também algo de especiarias e leve mentol.

Na boca o vinho apresentou taninos presentes, finos, elegantes. Acidez na medida para acompanhar um bom prato. Confirmou o nariz com o frutado e também algo de tostado ao fundo. Persistência de curta para média.

Um vinho elegante, complexo e que merece decantação pois foi mostrando mais qualidade com o tempo em taça. Aprovado.

Saúde.