Friday, September 9, 2011

Sangiovese Cancelli 2009

Aproveitando a deixa do restaurant week e da inspiração italiana dos pratos, não pude deixar de tomar um belo exemplar daquelas terras para acompanhar minha refeição a base de massa fresca. E o escolhido foi este IGT Toscano, o Cancelli 2009. Blend de 30% de Syrah com 70% de Sangiovese, o vinho tem as duas variedades fermentadas separadamente em cubas de inox, sendo que o corte é feito antes do engarrafamento, onde ocorre o afinamento, sem contato com barricas.

O sistema de denominações de origem italianos passou a contar com os IGTs na década de 90 aproximadamente, mas a idéia sobre esta regulamentação surge em meados dos anos 80 quando o vinho italiano em sua maioria é muito "aguado" e "ralo", sendo engarrafado como vino de tavola. A partir da criação da lei que instituia o IGT, cria-se uma legislação que embora mais branda que uma DOC ou DOCG, dá aos vinhos algum senso de origem. Alguns produtores mais espertos porém, tendo em vista que esta regulamentação é menos restritiva, começam a utilizar a denominação para suas experimentações, utilizando uvas internacionais e criando seus melhores e mais cultuados vinhos, no caso até mesmo os super toscanos. Mas sem maiores delongas, vamos ao vinho.



Na taça apresentou uma bonita cor rubi violácea quase azul de tão forte. Lágrimas finas, rápidas e levemente coloridas completavam o aspecto visual.

No nariz o vinho se mostrou bem franco, com aromas de frutas vermelhas bem maduras (como se sentíssemos a sua doçura no aroma), toques de pimenta e cravo. Ao fundo algo que me lembrava couro, mas não consegui confirmar.

Na boca o vinho era uma seda, corpo médio com taninos presentes, marcantes mas bem integrados com a acidez, que sempre convidou ao próximo  gole. Um pouco quente de início, arrefeceu durante a refeição. Confirmou frutas e especiarias em boca com final um pouco curto mas saboroso.

Acompanhou bem os pratos de massa e alegrou a refeição. Trazido pela Mistral, me parece uma boa compra ao redor dos R$ 50,00.

Até o próximo!

Thursday, September 8, 2011

São Paulo Restaurant Week Parte I: Cantina La Grassa

Eu confesso que gosto do Restaurant Week, e sempre que posso, tento participar uma ou mais vezes em cada edição. Evidentemente que estudo um pouco os cardápios e procuro alguns que me pareçam bastante agradáveis, suficientemente diferentes e que se encaixem nas preferências de quem me acompanha, geralmente minha namorada e minha mãe. E como já tinha esboçado a vontade de conhecer a Cantina La Grassa, achei que seria uma boa oportunidade.

Quanto ao evento em si, nunca é demais lembrar que a idéia é que cada restaurante faça um cardápio fechado (entrada  + prato principal + sobremesa) por valores pré definidos (geralmente um valor no almoço e outro no jantar). Além disso, todo consumidor é convidado a contribuir com mais um real para entidades assistenciais, escolhidas a cada edição do evento. A insituição da nona edição é a "Associação Comunitária Monte Azul". Vale lembrar que é necessário estudar um pouco o cardápio de cada restaurante para não se decepcionar com o que vai consumir, afinal nem todos são suficientemente honestos e apresentam cardápios que sejam diferenciados para o evento. Além disso a idéia é de que o consumidor possa conhecer o serviço da casa e volte outras vezes caso tenha se sentido satisfeito.

Já a casa está localizada em Moema, numa esquina bem fácil de ser encontrada. Tem um ar meio bucólico, com decoração que nos remete a algum lugar fora de São Paulo, provavelmente uma cidade italiana de menor porte, por exemplo. E não poderia ser diferente, afinal a cantina conta com antepastos típicos italianos, pratos de massas frescas por eles mesmo produzidas no andar de cima da construção e receitas tradicionais, inclusive nas sobremesas. No lado de dentro, uma decoração simples e funcional deixa a casa com ar elegante e um detalhe singular chama a atenção: no teto existem muitos guardanapos de pano pendurados formando vários "cones" em linhas. 

Quando chegamos ao local, fomos prontamente encaminhados a nossa mesa (havíamos reservado) quando o garçom chegou, se apresentou e brevemente comentou sobre a casa, suas diretrizes e como o evento se desenrolava por lá. Depois fomos apresentados aos cardápios e nos deixou a vontade para fazermos nossas escolhas. Tudo de maneira muito acolhedora e cordial, sem fazer qualquer distinção entre nós e os demais clientes, aproveitando o evento ou não, o que por si só já foi um grande ponto positivo. Enfim, vamos ao que interessa, que são os pratos e as impressões.

Para a entrada, as opções eram: uma salada de frisada, bresaola, pupunha temperada com azeite e limão ou brusqueta de parmesão com cogumelos; como estávamos em três, pudemos experimentar ambos os pratos e sem dúvida nenhuma a brusqueta foi a campeã, bem crocante com bastante cogumelos com molho shoyu e parmesão com um molho no prato que lembrava o tarê, agridoce oriental. Já para os pratos principais, as opções eram ravioli de queijo, pesto de manjericão e tomatinhos ou tagliatelle ao ragú de calabresa e rúcula. Neste caso todos fomos unânimes em escolher o ravioli, que estava uma delícia, com massa al dente, em boa quantidade, bem fresca e generosamente recheada de queijo e com um pesto com muito azeite muito bem integrado. Um sucesso. Por fim a sobremesa, cujas opções eram creme mascarpone, café e chocolate ou tortinha de maçã, sorvete de baunilha. Mais uma vez nos valendo de estarmos em três, pudemos escolher um de cada para provarmos e desta vez, a tortinha de maçã se saiu vencedora, estava deliciosamente caramelizada com aqueles amendoins "coquinho" por cima com o sorvete de creme, formando uma combinação maravilhosa.

Com o sentimento de que tinhamos acertado na escolha do restaurante e plenamente satisfeitos era a hora de nos levantar, dar nosso lugar a outros que aguardavam anciosamente suas vezes de provas uma comida muito bem feita, em boa quantidade e que valeu o valor pago. E que venham os outros.

Até o próximo!

Tuesday, September 6, 2011

Concha Y Toro eleita a marca de vinho mais admirada pela revista Drinks International

A publicação Drinks International, fundada em 1969 e conhecida como a única revista dedicada exclusivamente às bebidas alcoólicas, vinhos e cervejas do mercado, lançou "Marcas Mais Admiradas do Mundo do Vinho", uma pesquisa da indústria do que se pode considerar o melhor do vinho do mundo.

A Concha y Toro foi nomeada a marca mais admirada por voto secreto, tendo mais indicações no
painel de Drinks International, que contou com 60 membros julgadores, do que qualquer outra marca.

A comunidade mundial de vinho foi representada por masters of wine, consultores, enólogos, críticos, varejistas, educadores, consumidores e analistas.

Os jurados foram convidados a escolher até cinco marcas de vinhos - com a qual eles não tinham associação - com os seguintes critérios:

- Vinhos devem ser de qualidade consistente ou melhorar sempre;

- Eles devem refletir sua região ou país de origem;

- Eles devem responder às necessidades e gostos de seu público-alvo;

- Eles devem ser bem comercializados e embalados;

- Eles devem ter forte apelo para uma larga faixa demográfica
.

Os dez primeiros da lista do Mundial de 50 fortes de Vinhos Mais Admiradas composta por:

Concha y Toro; Torres;  Jacob's
Creek; Antinori; Penfolds; Cloudy Bay; Chateau Lafite; Vega Sicilia; Marqués de Riscal e Château Latour (nesta ordem).

Mais um grande "prêmio" conquistado por esta gigante do mundo vinícola e que tem o Brasil como um de sesu mercados principais, se não o principal e que invariavelmente quase todo brasileiro que já tomou vinho alguma vez conhece. Nada mais merecido, dada a qualidade que seus vinhos apresentam consistentemente (tirando de lado os "Reservados" por que ai é outra estória). E que venham outras premiações.

Até o próximo! 

Quinta Nova de Nossa Senhora do Carmo LBV 2006 Porto

Apesar de não ser minha primeira experiência com um vinho do Porto, acho que no blog é a primeira postagem a respeito. O vinho do Porto leva este nome em virtude da cidade onde é produzido, em Portugal. Normalmente as vinhas que dão origem a estes vinhos fortificados vem das margens do rio Douro e após sua produção, vão para a cidade de Vila Nova de Gaia para envelhecimento. Seu método de produção é curioso eu diria, e consiste em parar a fermentação das uvas utilizadas em determinado momento pela adição de aguardente vínica, o que faz com que o vinho possua uma certa quantidade de açúcar residual (não fermentado) e um elevado teor alcoólico. Após este processo o vinho passa por diversos transportes na adega a fim de se buscar uma evolução ideal para o mesmo, o que chamamos de trasfegas. Normalmente são utilizados grandes tonéis para o armazenamento e envelhecimento dos vinhos em Vila Nova da Gaia. Na produção dos vinhos do Porto são diversas as uvas permitidas, mas no exemplar em questão foram usadas Touriga Nacional, Touriga Franca, Tinta Roriz, Tinta Amarela, Tinto Cão, Souzão e Tinta Barroca. A última curiosidade a cerca deste vinho é que ele é um LBV - Late Bottled Vintage, vinhos produzidos em safras consideradas excepcionais e que tem um período de envelhecimento entre 4 e 6 anos. Vamos as minhas impressões.


O vinho apresentou uma cor violácea púrpura muito intensa na taça, manchando todas as paredes da mesma. Lágrimas lentas, coloridas e em abundância fechavam o aspecto visual.

No nariz o vinho mostrava aromas de frutas secas/passas como ameixa preta e uva, algo floral, leve amendoado e chocolate ao fundo. Álcool quase imperceptível levando em conta os potentes 20%. Tudo muito exuberante, mostrando ainda muita jovialidade.

Na boca o vinho foi um show, muito corpo, preenchia a boca com maestria. Acidez em abundância contrabalanceando com a doçura do açúcar residual, muita fruta passa/seca e um final longo com muito chocolate. Um delírio. Casou com maestria com um brigadeirão feito pela Milena, minha namorada, uma verdadeira delícia!!!

Enfim, apesar da pouca idade do vinho, se mostrou muito complexo e harmônico, pronto para o consumo. Como comprei duas garrafas na época,vou deixar uma descansando um pouco mais na adega pra ver se haverá alguma evolução. Depois revisitarei o post e comentarei a evolução.

Até o próximo!

Monday, September 5, 2011

Beni di Batasiolo Barolo DOCG 2006

Quando a gente começa a se interessar por algum assunto, seja ele qual for, buscamos primeiramente os passos mais simples, as maneiras mais fáceis para compreende-lo e a maneira mais gostosa de desfrutarmos dos novos conhecimentos adiquiridos. Só que chega uma hora em que você começa a se forçar a conhecer mais e mais, e buscar particularidades e a buscar informações e sensações mais elaboradas por assim se dizer. E é assim também quanto tratamos de vinho, quando começamos com os famosos "Reservados" hermanos (chilenos e argentinos) e vamos apurando nosso paladar sempre buscando mais qualidade. E passamosa gastar um pouco mais, começamos a tomar vinhos mais elaborados, mais famosos, e assim por diante. E foi o que eu fiz este final de semana. Minha primeira incurssão no "Mundo de Barolo"!

Conhecido como o rei dos vinhos e o vinho dos reis, o Barolo é feito a partir das uvas Nebbiolo na região do Piemonte, mais precisamente nas proximidades da colinas de Langhe (e na própria) se extendendo por 5 comunas italianas. Um vinho de grande extração, em solos argilo calcáreos com mais ou menos presença de ferro em sua composição. Passa por pelo menos dois anos em tonéis de madeira e um ano em adega antes de ser comercializado e atualmente já vem quase pronto ao mercado, diferentemente do passado onde ainda precisava de muito tempo em garrafa para demonstrar seu potencial. Não que isso não ocorra ainda hoje, mas muitos destes vinhos já estão bem mais macios e redondos quando de seu lançamento. Vamos as impressões.


O vinho apresentou cor rubi tendendo ao granada com bordas atijoladas, légrimas finas, lentas e incolores.

No nariz o vinho se mostrou tímido, com aromas fechados a princípio mas que foram se abrindo com um pouco de tempo em taça. Recomendo aeração prévia. Enfim, aromas florais (pétalas de rosa), leve frutado (ameixa vermelha daquelas azedinhas) e fundo com tabaco e couro.

Na boca o vinho apresentou um corpo médio, taninos firmes, marcantes e em bastante quantidade mas com muita qualidade, excelente acidez,o que mostrou um carácter muito gastronômico do vinho. Aliás, conforme foi acompanhando a refeição (rabada com polenta cremosa) o vinho foi crescendo e ficando mais saboroso. Depois de um ataque inicial até meio adocicado, o vinho confirma muito floral e leve frutado na boca, com final um pouco curto lembrando também chocolate amargo.

Um grande vinho sem dúvida, ainda jovem, pode sinceramente aguentar pelo menos uns 5 anos de garrafa e tende a crescer. Minha primeira vez com um Barolo, apesar de ter sido um belo vinho não confirmou toda minha expectativa. De qualquer maneira o vinho vale o quanto custa.

Até a próxima.