Friday, September 16, 2011

Parceria Bordeaux - Beijing para ensino no mundo do vinho

Uma notícia polêmica foi veiculada no mundo vitivinícola por estes dias: um grande Chateau de Bordeaux fez uma parceria inédita com uma escola na China para ensinar enologia a seus alunos. Vejam os detalhes e tirem suas conclusões.

Os alunos irão primeiro passar seis meses em Pequim, tendo formação sobre os princípios básicos do vinho, assim como aprendendo Francês e Inglês. Após os primeiros exames, eles vão passar um ano na propriedade em Sauternes, aprendendo técnicas de degustação de vinhos, serviço do vinho e da cultura do vinho.

O objetivo é incentivar um elevado nível de conhecimento do mundo do vinho para potenciais profissionais do vinho e sommeliers chineses, para preencher uma lacuna de conhecimento que existe atualmente na cultura do vinho que se desenvolve de maneira rápida na China.

A escola pretende usar palestrantes convidados de restaurantes internacionais e escolas de sommellerie, bem como o seu corpo docente já existente, os proprietários de chateaux de Bordeaux e comerciantes de vinho.

O nome da escola chinesa será lançada em 23 de Setembro, no momento da assinatura do contrato, que acontecerá em La Tour Blanche.

Depois das discussões de Montalcino, Chianti!

Nos últimos dias muito se discutiu em torno da votação dos produtores de Rosso de Montacino a cerca do uso ou não de outras variedades em um blend que estaria um degrau abaixo dos atuais Rosso 100% Sangiovese. Finalmente a votação ocorreu e a maioria dos produtores não aprovou o uso destas outras variedades no blend, continuando assim ambos Brunello e Rosso 100% Sangiovese. 

Por outro lado, gostaria de apresentar uma discussão que li em uma revista de grande porte e que tem alguma relação com o assunto do primeiro parágrafo. Como podemos então aceitar que tenhamos Chiantis e Chiantis Clássicos com até 20% de outras variedades em seus blends? E quando eu digo a gente evidentemente estou generalizando e fazendo com que a pergunta se volte para os produtores e participantes do consórcio também. A mudança de legislação em Chianti e Chianti Clássico é recente, de 1996, mas é uma das mais sem sentido no final das contas, em minha humilde opinião, uma vez que temos alternativas de outras DOCs ou mesmo os IGTs e super toscanos que já contam com muitas variedades internacionais em sua composição.

Já foi amplamente discutido inclusive pelo pessoal de Montalcino que a uva Sangiovese é de difícil cultivo e nem todos os terrenos na Toscana e Itália central se mostram ideais para seu plantio. Mas também é de conhecimento que quando apreciamos um vinho tão particular, é evidentemente que o que buscamos nele sejam estas especifidades que as dificuldades de cultivo trazem com ele. E é por isso que o enófilo existe. Para buscar expandir o paladar, descobrir vinhos, uvas, cortes e regiões novas.

É uma discussão que não deve acabar tão cedo, mas que com o NÃO de Montalcino poderia ser trazido a tona também em Chianti e quem sabe não tenhamos aqueles vinhos de carácter únicos, onde a busca pelo terroir, pelo cuidado no cultivo e pela não padronização dos paladares possa sempre satisfazer os mais exigentes! E para vocês leitores, quais suas opiniões sobre o assunto? Dividam comigo seus pensamentos e opiniões e vamos fomentar a discussão saudável do assunto!

E até o próximo!


Tuesday, September 13, 2011

60% das vinícolas Argentinas se encontram na web


Que a internet e a febre das redes sociais sofreram um boom nos últimos anos todos temos certeza. E também temos a certeza de que atualmente muitas empresas se utilizam destas ferramentas para estreitar laços com os consumidores em geral, prospectar tendências, fazer promoções e muitas outras coisas. E é sobre isso que a notícia que eu trago hoje trata: mais da metade das vinícolas argentinas se utilizam destas ferramentas sociais para interagir com seus consumidores. Infelizmente não consegui achar alguma coisa semelhante sobre as vinícolas nacionais, mas eu creio que já existe algum estudo no mesmo sentido. Vejam um pouco da notícia traduzida e adaptada.

Estes dados são derivados de uma pesquisa realizada pela WineSur, analisando 300 empresas de exportação da Argentina. No entanto, apenas 6,3% delas oferecem serviços de e-business e apenas 25% estão presentes no Twitter.

Com o objetivo de saber mais sobre a realidade das vinícolas argentinas na web, a equipe da WineSur analisou 300 sites da Argentina, em termos de comunicação, design, presença em redes sociais e da programação.

Dentre estas vinícolas em análise na pesquisa, 100% delas são empresas voltadas para exportações. Gonzalo Merino, diretor de WineSur explicou: "toda empresa persegue objetivos diferentes ao criar uma página web, dependendo de suas necessidades. De acordo com os resultados provenientes da pesquisa, observou-se diferentes categorias: a web usada como uma apresentação da empresa, meios de contato, canal de marketing e espaço de interação com os consumidores".

Apresentação da empresa

Um dos primeiros usos é como uma apresentação da empresa. "Em outras palavras, é um espaço virtual onde os usuários podem aprender sobre sua história, localização, produtos, entre outros", sublinhou Merino. "Para este fator-continuou- recursos visuais são adicionados, como fotos e vídeos, sendo também fundamentais".

Meio de contato

Um dos dados positivos derivados deste estudo é que 94% dos sites analisados ​​mostram uma maneira de entrar em contato com a adega, através do guia "fale conosco", incluindo os dados da vinícola, bem como o seu telefone e e-mail, ou através de uma caixa para enviar uma mensagem através de um sistema de e-mail.

Além disso, outro dado avaliado pelo WineSur foi o número de vinícolas que oferecem dados de contato de seus distribuidores e importadores. Neste caso, apenas 31% das vinícolas liberam este conteúdo na web. "Deve-se ter em mente que 100% das vinícolas analisadas ​​estão presentes no mercado externo", destacou Gonzalo Merino.

Canal de comercialização

Claramente, a internet se transformou em um espaço onde milhares de empresas de todo o mundo comercializam seus produtos. O estudo revelou que apenas 19 vinícolas (6,3%) desenvolvem e-commerce.

Embora o grupo de vinícolas que oferecem serviços de comércio eletrônico no seu site é pequeno, foi encontrado uma concentração de vinícolas de volumes baixos de produçao e altos preços médios de seus produtos.

Interação com os usuários

Além de ser uma ferramenta usada por uma empresa como uma forma de comunicação, a Internet lhe permite interagir com os consumidores. "Assim, queríamos identificar a presença adegas e ações através de redes sociais", sublinhou Merino.

Segundo o estudo, 61% das vinícolas estão no Facebook (usando um perfil individual ou grupo, ou uma página de negócios). Isto significa que existem 183 vinícolas com presença no Facebook atingindo cerca de 338 pessoas (este número resulta de o número total de amigos, membros de um grupo ou fãs de uma página, no Facebook).Além disso, "foram analisados ​​os níveis de atualização e interação de cada conta vinícola Facebook. Os resultados mostram que 43% (79 no total) de vinícolas no Facebook interagem com seus usuários e apenas 33% (61 no total) mantem seus perfis atualizados com conteúdo novo ", explicou Rocío Acosta, responsável das redes sociais da WineSur.

Por outro lado, no caso do Twitter, o percentual de presença foi muito menor, revelando que apenas 25% (75 vinícolas) estão presentes lá, atingindo cerca de 499 seguidores cada. Destas 75 vinícolas, apenas 28 delas mantém suas contas atualizadas e interagem com os leitores.

"As vinícolas com presença ativa no Twitter são pouco mais de 20. Por esta ferramenta, estes adegas realizam concursos, ofertas promocionais e atualizam os seus seguidores sobre eventos. Elas não só fornecem informações sobre a vinícola, mas também compartilham conteúdos sobre outras vinícolas, páginas e blogs relacionados ao vinho ", concluiu Acosta.

Monday, September 12, 2011

Polkura Syrah 2006

Este vinho é produzido em Marchigue, no Vale do Colchágua no Chile e segundo o produtor tem a seguinte composição 92% Syrah, 4% Malbec, 2% Viognier e 2% Tempranillo / Mourvedre / Grenache Noir, um corte um tanto quanto inusitado eu diria. Para afinamento, o vinho passa por 12 meses em barricas francesas e americanas, de primeiro, segundo e terceiro usos.

O nome Polkura remete a uma montanha na extremidade mais ocidental do Vale do Colchágua onde os vinhedos estão localizados, e está escrita na lingua Mapuche, povo anciente do Chile. Polkura significa "pedra amarela" e faz também menção ao solo granítico da região que possui coloração amarelada. Apesar da proximidade com o oceano, a cadeia montanhosa segura um pouco das brisas marítimas mais frescas, fazendo com que o micro clima da região se torne algo temperado. Sem maiores delongas, vamos as impressões.



Na taça o vinho apresentou uma bonita cor rubi violácea com bordas alaranjadas, pouca transparência, lágrimas finas, lentas e bem coloridas, tingindo bem a taça.

No nariz apresentou aromas de frutas como figo, ameixa preta e jabuticaba, todas muito maduras. Em segundo plano apresentava muita especiaria (pimenta branca e preta), couro, carne defumada e leve aroma de côco. Muita complexidade e exuberância aromática marcavam o vinho.

Na boca o vinho apresentou corpo médio, boa acidez, uma pontinha de álcool no início (que logo sumiu apesar dos incríveis 14,8%), taninos firmes e presentes, marcantes. Cofirmou muita fruta, especiarias e côco em final longo e saboroso. Muito potente também no palato.

Um bom vinho, acompanhou carne assada (contra filet) rechedo com linguiça levemente apimentada sem maiores problemas. Uma boa compra e valeu os R$ 85,00 pagos por ele.

Até o próximo!

Sunday, September 11, 2011

Hamburguer e vinho combinam? Mas é claro!

Ontem estávamos eu e minha namorada saindo do cinema e pintou aquela vontade de comer um hamburguer. Tirando o Fifities e Applebee´s, invariavelmente não temos grandes e saborosas opções quando falamos em shopping certo? Foi ai que me veio na cabeça visitarmos o PJ Clarkes, que mesmo já connhecendo o lugar, a satisfação seria muito maior, afinal são reconhecidos, inclusive internacionalmente, por seus hamburgueres de qualidade. Já receberam prêmios da revista Veja e do Guia Quatro Rodas, ou seja, não estão pra brincadeira quando o assunto é hamburguer.

Outra mania que eu tenho é que eu gosto de acompanhar minhas refeições com vinho, independentemente do prato em questão. Confesso que as vezes é meio difícil mas eu sinceramente não tenho medo de tentar. E foi o que eu fiz desta vez, de novo.

Chegando ao local, não tivemos dúvida que havíamos feito a melhor escolha. E o escolhido do dia para o desafio foi o hamburguer " The Cadillac" , composto de 200g de carne deliciosamente grelhada e tenra, ainda rosada por dentro, do jeito que eu gosto, acompanhada de bacon, queijo americano, alface e tomate. Um prato de força, com a carne e o bacon puxando a gordura e o queijo a cremosidade. Aliado a isso o acompanhamento era composto de cebola frita, bem picante.

Por outro lado, a casa não tem uma carta de vinhos muito elaborada, com poucas opções inclusive de meia garrafa. Por sorte, vislumbrei na lista um velho conhecido e curinga para situações como essa: o chileno Los Vascos Cabernet Sauvignon em taça!! Pensei comigo que era o ideal para enfrentar com bravura a gordura da carne tendo em vista seus taninos presentes e potentes e a cremosidade do queijo com sua acidez bem viva e muita fruta tanto no nariz como na boca. Para fechar o conjunto o fundo de especiarias, pimenta e pimentão que o vinho apresentava batiam de frente com a picancia da cebola frita, fazendo um conjunto interessante. Foi dito e feito. Os dois tiveram um casamento muito harmonioso, não criaram um terceiro sabor como reza o mantra da harmonização, mas cresceram e fizeram um conjunto mais saboroso no geral. E tive ainda a ajuda do catchup, que por indicação do Daniel Perches (do blog Vinhos de Corte), fez um bom par para a fruta do vinho!!

Fica a dica, quem quiser provar ou já tenha provado, me conte o que achou! Eu fiquei muito satisfeito com a refeição, ainda mais por ter provado pra mim mesmo que a combinação funciona e que vinho não precisa de nada muito requintado para acompanhar. Só o prazer da refeição já basta!

Até o próximo!