Monday, August 5, 2013

Emilia Nieto Senetiner Chardonnay e Viognier 2012

E eis que volto com mais um daqueles dias especiais que resolvemos fazer um jantarzinho especial lá em casa e claro, com direito a um bom vinho para acompanhar. A algum tempo compramos aquele livro do famoso chef internacional Jamie Oliver (30 Minutos e Pronto) mas ainda não tínhamos tido a oportunidade de "inaugurá-lo" preparando alguma receita lá contida. Foi ai que decidimos fazer isso neste final de semana. Receita escolhida: Rigatoni a molho de manjericão, amêndoas, anchovas e tomate cereja com um salmão assado pra acompanhar. Aproveitando o calor que estava fazendo no final de semana escolhi o vinho Emilia Nieto Senetiner Chardonnay e Viognier 2012 para acompanhar esta empreitada. Vamos ver o que deu.


Sobre a Bodega Nieto Senetiner, já comentei anteriormente no blog (relembrem aqui) e por isso não irei me estender no assunto. Vocês ainda podem checar um outro post em que cito alguns vinhos da casa, degustados em uma outra oportunidade (aqui). Já no tocante a esta linha de vinhos, que é lançamento da Bodega para o mercado nacional, seguem algumas linhas retiradas de seu próprio site: "Emilia é uma proposta inovadora, um vinho amável, de aromas frutados,cor rica e sabor delicado. É ideal para partilhar e desfrutar de momentos únicos de diversão, relaxamento e prazer, onde as memórias nascem. Emilia nasceu como resultado do compromisso e paixão da Bodega Nieto Senetiner  para inovar permanentemente diferentes propostas que convidam a desfrutar de um bom vinho". Ou seja, em linhas gerais um vinho simples, para o dia a dia mas feito com a qualidade de quem já está a muito tempo neste mercado e entende as necessidades crescentes do mesmo. 

Finalmente o vinho em si, que é feito num corte de Chardonnay - Viognier (sem proporções conhecidas) que são vinificadas separadamente sendo que não ocorre fermentação malolática. Depois de degustação pela equipe da casa, o corte é finalizado e engarrafado. Vamos então as impressões.

Na taça uma bonita cor amarelo palha bem clarinha, muito transparente e brilhante com reflexos verdeais. Lágrimas finas e rápidas, sem nenhuma cor, compunham ainda o aspecto visual.

No nariz o vinho mostrou aromas de frutas tropicais e toques cítricos (abacaxi, maracujá entre outros) e leve lembrança mineral.

Na boca o vinho tinha corpo leve para médio e acidez viva e refrescante. Retrogosto confirma olfato e o final longo tem um quê de marinho (lembrança salgada em boca) em contraponto a sensação de doçura do ataque inicial frutado. 

Um ótimo vinho para o dia a dia, sem defeitos e que deve agradar em cheio tanto iniciantes como pessoas com mais experiência no mundo dos vinhos. Único senão a harmonização não ficou tão interessante, o vinho se tornou um pouco mais alcoólico com a comida. De qualquer forma, eu recomendo a prova.

Até o próximo!

Friday, August 2, 2013

Curiosidade: A origem da uva Pinotage

A algumas semanas atrás tivemos um Winebar com vinhos sul africanos (relembrem aqui) e dentre os vinhos degustados havia um em especial, feito a partir da uva considerada símbolo do país no tocante ao plantio e produção de vinhos, a Pinotage. Depois do evento fiquei curioso em tentar descobrir um pouco mais sobre esta uva intrigante, que normalmente gera vinhos mais porrada mas que vem conquistando merecida atenção no mercado e fui atrás de mais informações sobre ela. Agora, venho ao blog dividir um pouco do que aprendi com vocês, caríssimos leitores.


A uva Pinotage pode ser considerada ainda jovem no cenário vitivinícola mundial se comparada as grandes uvas europeias como Cabernet Sauvignon e Merlot, por exemplo, mas segundo especialistas é "filha" de duas outras européias: Pinot Noir e Cinsault (também chamada de Hermitage). Sim, prezados leitores, ela é oriunda de um cruzamento genético destas duas outras uvas, gerando mais do que uma união dos nomes das duas uvas (Pinot + Age) mas uma uva de mais fácil trato do que a Pinot Noir (mantendo algumas de suas características) e a resistência e fartura na colheita da Hermitage. Entretanto, a facilidade de amadurecimento e o rendimento elevado nas vinhas faz com que os enólogos tenham muito trabalho desde o plantio até a obtenção do caldo final. 

Os vinhos desta uva tem ainda  algumas características geralmente associadas como por exemplo, taninos mais rústicos e difíceis de se controlar; aromas remetendo a frutas escuras e vermelhas, especiarias e em alguns casos florais e chocolate; não menos comum, a acidez é um pouco mais baixa do que o desejável tornando o vinho um pouco enjoativo entre as mais comumente encontradas.

Entretanto, com o crescimento do consumo e produção de vinhos na África do Sul, muito tempo, dinheiro e dedicação tem sido aplicado no campo vitivinícola do país em prol da obtenção de vinhos sedosos, aveludados, voluptuosos e de certa maneira, sedutores. Hoje no Brasil já existe uma boa gama de vinhos desta uva disponível no Brasil e um recente evento realizado em São Paulo, prova que esta evolução é real.

E vocês, prezados leitores, qual experiências tem com esta uva e com estes vinhos Sul Africanos? Tem mais informações a cerca desta uva? Dividam conosco aqui nos comentários ou mesmo se utilizando da Fan Page do blog no Facebook.

Até os próximos! 

Thursday, August 1, 2013

Gordon Estate Syrah 2009


Mais um jantar especial em casa, que pedia um bom vinho pra acompanhar, ainda mais se levarmos também em conta o frio que anda assolando a cidade de São Paulo e o Brasil de um modo geral (aparentemente já passou). O prato consistia de filet mignon selado ao molho de páprica (estilo alemão, bebê!) com bolo de batata de guarnição (prato especialidade da minha esposa, diga-se de passagem). Pra combater a untuosidade do bolo de batata e do molho de páprica além da leve picância do mesmo, nada melhor do que um Syrah bom de briga. E o escolhido foi o Gordon Estate Syrah 2009, um americano proveniente do Columbia Valley em Whasington, nos EUA.


Já comentei um pouco sobre a região e a vinícola em um post anterior de outro vinho e safra deles (relembrem aqui) mas vamos relembrar um pouco, pois já dizia o ditado: "recordar é viver". A região recebe quase 300 dias de sol por ano, o que ajuda no amadurecimento das uvas, tem vinhedos plantados em altitude também o que faria com a amplitude térmica aumentasse na relação dia noite, o que também ajuda no cultivo e amadurecimento das vinhas. Além disso, a região pode ser considerada também mais seca do que outras em mesma latitude e protegida por montanhas, criando um clima propício para o cultivo destas uvas. Possui ainda abundância de fontes naturais de água e solo com formação antiga e com um mix de componentes. Quanto a vinícola, a Gordon Brothers State Family Vineyards é considerada uma das pioneiras na região, com início de plantio em 1980. A primeira safra que pode ser considerada é a de 1985, quando liberaram um pequeno lote de vinhos Chardonnay para o mercado interno.

Falando um pouco do vinho em si, um varietal 100% Syrah com 14% aproximadamente de álcool que teve uma difícil fase de amadurecimento de suas uvas em virtude de um clima mais difícil nesta safra, mas que com o emprego de modernas técnicas de vitivinicultura e esmero dos produtores aportou um vinho com grande estrutura. Após todo processo fermentativo/produtivo, o vinho passa as barricas de carvalho onde permanece por 22 meses para afinamento e amadurecimento. Vamos as impressões.

Na taça uma bonita cor violácea de média para grande intensidade, com pouca transparência e algum brilho. Lágrimas finas, ligeiramente mais lentas que o usual e com alguma cor.

No nariz o vinho abriu com aromas de frutas vermelhas, especiarias (notadamente pimentas) e toques de chocolate amargo. 

Na boca o vinho mostrou muita estrutura com taninos marcados porém suaves e macios, boa acidez e corpo médio. Retrogosto confirma o olfato. Final de longa duração.

Mais um grande vinho trazido pela Smart Buy Wines que vale a pena se conhecer. Fizemos ainda uma experiência ao final da refeição, experiência esta que gosto muito, e harmonizamos o vinho com chocolate. Ficou divino! Eu recomendo.

Até o próximo!

Wednesday, July 31, 2013

Mais sobre parcerias eno-musicais..

Depois de comentar aqui no blog sobre lançamentos de bebidas do Kiss, Motorhead e outros, volto ao assunto uma vez que me parece que este tipo de parceria (bebidas e música) veio para ficar e está criando novos contornos com o passar do tempo e o avanço tecnológico se torna cada vez mais rápido.


Agora é a vez da cantora americana Sheryl Crow a se aventurar por tais caminhos. Quem não se lembra de um verso de seu hit "All I Wanna Do" onde ela canta algo versos sobre consumo de cerveja pela manhã, todas as sensações que isto lhe causa e cita nominalmente a marca Budweiser como uma das cervejas consumidas. Mas parece que até ela está migrando para a bebida de Baco. Segundo reportagem da revista Winespectator,  após o lançamento de seu recente livro "If it Makes You Healthy" (algo como se isto o torna saudável) a cantora agora firmou parceria com a Vinícola Chateau St. Jean para um projeto chamado "Soak Up Sonoma", um programa na vinícola e on line para divulgação de vinhos, música e alimentação saudável, tornando o aprendizado sobre os temas mais divertido. Segundo o enólogo responsável da vinícola, o estilo charmoso, alegre e divertido da cantora casa muito bem com os preceitos da vinícola, tornando a parceria muito valiosa para ambos.

Periodicamente ao longo do ano, algumas músicas do novo álbum da cantora estarão disponíveis para download no site da vinícola assim como algumas receitas do seu livro de culinária que terão também vinhos da St. Jean em dicas de harmonizações. Mas não é só isso, utilizando como base nesta parceria, Sheryl Crow irá também promover a vinícola pois a cada garrafa de vinho vendida terá 1 dólar doado para causas relacionadas ao câncer de mama (do qual a cantora é uma "sobrevivente"). 

Para finalizar a parceria, em Dezembro um programa chamado "Holiday Harmony" irá oferecer receitas sazonais, downloads adicionais de músicas e dicas de entretenimento para badalar até o sol raiar! 

Entendo que seja uma iniciativa interessante e tenho visto ações semelhantes de bandas nacionais (Ultraje a Rigor e Velhas Virgens, por exemplo) relacionadas principalmente a cervejas, mas por que não partirmos para o vinho? Celebridades, músicos e similares são ferramentas para impulsionar o consumo destes produtos e parcerias como essa iriam criar sempre relações ganha-ganha. E você, caríssimo leitor, o que acha a respeito destas parcerias? 

Até o próximo!

Cerveja ou espumante? Saison D'Épeautre, uma belga deliciosamente refrescante

Tirando a heresia do título do post (é cerveja, sem dúvida) e brincadeiras a parte, neste final de semana tive a oportunidade de almoçar mais uma vez na famoso FrangÓ em sampa, templo cervejeiro e com petiscos dos mais variados além é claro de sua comida de boteco. E foi lá que mais uma vez provei uma cerveja muito diferente e curiosa, ao menos para os padrões brasileiros (e pro meu padrão, é claro). Não sou nenhum conhecedor do assunto mas quero dividir com vocês minhas impressões sobre esta minha experiência.


A Cervejaria La Brasserie de Blaugies é pequena e familiar, como muitas na região. Está situada no centro de um triângulo formado pelas cidades de Mons (Bélgica), Maubeuge e Valenciennes (ambas na França). Tem como diferencial que todas suas cervejas além de serem produzidas em prédio próprio, sofrerem uma segunda fermentação em garrafa pela adição de leveduras, quase como num método champenoise para fabricação de vinhos espumantes, principalmente em Champagne, na França. A primeira produção data de meados de 1988, a bons anos atrás. 

Falando sobre a cerveja alvo do post em si, como já disse anteriormente passa por uma segunda fermentação em garrafa, criando algo semelhante ao que vemos nas perlage de espumantes em geral, que vem logo abaixo de uma fina e branca camada de espuma. Já que toquei no assunto espuma, o visual é de uma cor amarelo bem clara, um pouco turva pois a cerveja não é filtrada. Aliás, este é outro ponto interessante na cerveja: a presença de muita borra no interior da garrafa, que pode fazer com que a coloração mude um pouco dependendo do manuseio da garrafa. Aromas remetem a trigo e fermentação, lembrando odor de padaria quando está ainda na fase de produzir a massa do pão. Na boca muito refrescante, bastante borbulhas (lembrando espumante) e cremosidade da espuma. Corpo leve com o frescor em evidência. Sem amargor final. A meu ver ideal para dias quentes e para muita conversa. Tem 6% de álcool.

Mais um belo achado do blog, que apesar de ser cara (em torno de 60 dinheiros a garrafa de 750 ml) entrega muito prazer e descobrimento. Eu recomendo.

Até o próximo!