sexta-feira, 24 de maio de 2013

Wine Gourmet Show: Meus pitacos

Estive presente na data de ontem no evento Wine Gourmet Show, evento este feito em conjunto pelas importadoras Casa Flora e Porto a Porto. Com o crescimento do portfólio de ambas, acompanhando as tendências de um mercado em ascensão, as importadoras tomaram uma importante decisão em 2011: criaram um evento exclusivo para que pudessem mostrar para imprensa, clientes e amigos o que tinham adicionado de melhor em seu portfólio até ali. E nesta segunda edição, o evento aumentou em tamanho e qualidade. De qualquer maneira, vinhos e produtores excelentes desfilaram seus produtos por lá. Evidentemente que em um evento desta magnitude, precisamos selecionar o que vamos provar e por isso o apanhado que irei postar por aqui não corresponde a nenhuma verdade absoluta, apenas alguns destaques individuais que pude levantar.


O primeiro grande destaque entretanto vai para a organização, que com a criação de uma sala exclusiva para imprensa e formadores de opinião (fui incluído nesta lista a convite da assessoria de imprensa da Nieto Senetiner através da pessoa da Thaise Cleto, a quem agradeço enormemente a oportunidade) facilitou demais a nossa vida, fazendo com que calmamente pudéssemos provar os vinhos, sentarmos e tomarmos nossas notas além de podermos discutir com amigos, produtores e representantes sobre os vinhos lá expostos.


O segundo destaque vem no gancho do primeiro, foi a oportunidade de poder conversar com o enólogo Roberto Gonzalez e com o engenheiro agrônomo Tomas Hughes, ambos da Nieto Senetiner, onde além de uma degustação guiada de seus vinhos, pudemos conversar sobre como as uvas são plantadas, colhidas, como os vinhos são feitos, como o blend é escolhido e assim por diante. Pra quem gosta de aprender, um  prato cheio. E além disso, a simpatia com que os dois nos receberam e conversaram conosco foi ímpar! Mais uma vez agradeço a Thaise a oportunidade.

Agora passamos aos vinhos. Como disse anteriormente, por ser apenas um apanhado com destaques pessoais, posso injustamente ter deixado de fora alguma coisa boa. Mas com tantos vinhos para provar, espero estar perdoado. Para começar meus destaques, irei dividir os vinhos em 4 categorias: espumantes, brancos, tintos e fortificados. Fico na esperança de que o post fique menos cansativo e mais interessante de se ler.


Começando pelos espumantes, o primeiro grande destaque é o Cadus Brut Nature, um blend argentino de Pinot Noir e Malbec feito pela Nieto Senetiner, com boa complexidade e acidez, cor salmão bem pálida e um delicioso final ao lados das cavas Gramona (III Lustros Gran Reserva Brut Nature e Celler Batlle Gran Reserva Brut) que embora tenham a mesma composição ( 70 % Xarel·lo, 30% Macabeo) são bem diferentes entre si, desde a cor até o corpo, o frescor e tempo em cave, mas que valem e muito conhecer. Pra finalizar, não poderia deixar de falar da já conhecida Champagne Deutz Rosé 2006, espetacularmente fresca, saborosa, complexa e extremamente suave e aveludada na boca que só faz querer mais e mais.


Passando aos vinhos brancos, meus destaques vem basicamente da frança: o Herrenweg Riesling 2009 do Domaine Barmes Buecher com seus aromas empireumáticos, florais e minerais aliados a um extremo frescor fazem com que cada gole chame o outro de maneira natural (este também é homenagem a minha amiga blogueira Evelyn Fligeri que não pode comparecer ao evento); o Blanc Fumé de Pouilly 2008 do Domaine Didier Dagueneau, muito mineral e aspargo num vinho encorpado e delicioso que me fez pensar em um dia de mais calor com frutos do mar no prato e pra finalizar o Clos Floridene 2007, um vinho feito pelo Denis Dubourdieu em Graves, e que trazia algo de plástico, animal e floral em seu vinho, tornando-o complexo e instigante para conhecer a fundo, com mais tempo.




Já no tocante aos tintos (minha declarada preferência) fui um pouco mais eclético e destaquei vinhos de lugares diferentes. Começando pela Argentina, os vinhos da Nieto Senetiner (Don Nicanor Barrel Select e Cadus Gran Vin) se mostraram muito bacanas, ainda mais podendo discutir com os produtores todo o processo. Por exemplo, o Don Nicanor tem o Barrel Select em seu nome pois só pós o envelhecimento do vinho em barrica é que o vinho final para o blend é selecionado, e nem todas as barricas entram neste jogo. O vinho é um malbec puro sangue, potente, encorpado, frutas vermelhas, talco, muito bacana ao passo que o Cadus é um corte entre Malbec, Cabernet Sauvignon e Bonarda, um vinho mais perfumado, mais aveludado e pronto pra consumo. Da Borgonha destaco o Chauvot-Labaume Mercurey Premier Cru Clos L'Eveque do Chateau Commarin que trazia no nariz cogumelos, toques animais e na boca muito frescor e taninos aveludados e finos, incrivelmente delicioso. Finalizando com a Itália, um Amarone impressionante com suas frutas passas, quase licoroso, final longevo em boca, estou falando do Bertani Amarone Clássico 2003, imperdível.


Fechando o passeio vínico, falaremos agora dos vinhos fortificados, que eram muitos e muitíssimos interessantes e por isso já peço perdão pelos equívocos que possa vir a cometer. Lá de Portugal dois belos vinhos do Porto de encher os olhos e a boca: o Porto Messias 30 Anos, envelhecido sem ser velho, frutos critalizados, amendoas, lindo e o Porto Messias Colheita 1994, deliciosamente incrível; da França o que eu poderia chamar de ouro líquido: o Château de Rayne Vigneau Sauternes 2009, mousse de maracujá no nariz, toques cítricos e enpireumáticos, denso quase como um licor e deliciosamente refrescante num final longo na boca e pra finalizar, vindo diretamente da Hungria, o Tokaji Classic Aszú 6 puttonyos 1999, deliciosamente aromático trazendo casca de laranja e damasco seco, muito encorpado e com acidez ligeiramente abaixo do que eu esperaria, mas mesmo assim um licor dos deuses.



E pra quem pensa que isso foi pouco, existiam muitas outras opções para todos os gostos, mas num Wine Show desse impossível de manter o "ritmo". Além disso, muitas comidinhas gourmet estavam também disponíveis, mas eu destaco duas pelas quais sou apaixonado: queijo da serra da estrela (diretamente de Portugal) e jamón pata negra (diretamente da Espanha). Quanta tentação!


E assim deixo vocês, caríssimos leitores, com a sensação de que este foi um dos eventos mais interessantes e recheados que eu tive oportunidade de visitar. No aguardo de outras oportunidades.

Até o próximo!

2 comentários:

  1. Que delícia tudo isso!!!
    E que honra ser lembrada ao degustar um Riesling... Adorei!
    Eu sabia que, mesmo eu não estando lá, aprenderia um monte nos blogs de amigos tão competentes!
    Beijo

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    1. Você será sempre lembrada Evelyn, pois não canso de aprender e de passar vontade no seu blog, tamanha sua paixão por descrever os vinhos e as comidas que prepara e ou consome!!

      Obrigado por passar por aqui e pelas palavras!

      Beijo e espero que melhore logo!

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