Friday, September 30, 2011

Rock e vinho: parece que a moda pegou

Conforme eu já havia postado por aqui, os caras do AC/DC se associaram a uma vinícola australiana (aqui) e criaram rótulos de vinho que uniam sua marca e músicas com algumas varietais de uva. Agora parece que é a vez do Motörhead fazer a mesma coisa.

Ao que pude apurar, o próprio Lemmy (baixista e vocalista da banda), que entende e gosta de vinhos foi quem selecionou uma vinícola australiana e seu varietal Syrah na colheita de 2010 para estampar no rótulo o nome da banda. O próprio Lemmy ainda deu a seguinte declaração sobre o vinho escohido: "Meu conselho é usa-lo com cuidado, quero dizer, o vinho é enganoso, tudo pode acontecer." O vinho que foi cuidadosamente selecionado por Lemmy é descrito como um vinho de um aroma frutado, com presença de baunilha, amoras, ameixas, eucalipto e alcaçuz. Eles ainda ousadamente dão dicas de harmonizações, como costeletas de cordeiro ou pratos com carne vermelha. Além disso, é possível ainda encontrar acessórios e taças com o logo da banda para a venda.

Infelizmente e costumeiramente estes itens de colecionador não estão ao alcance de nós, brasileiros, por motivos de preço e distância. Atualmente o vinho é disponibilizado em alguns países da Europa somente, e através de vendas on line para outros tantos. Fiquemos na vontade.

Até o próximo!

E esta inaugurada oficialmente a Confraria do Meio!

Todos que me acompanham no blog já notaram minha paixão por vinhos. E mais do que isso, puderam perceber que percorri um longo caminho em busca de conhecimento neste mundo dinâmico e de muita história, riqueza de detalhes e fontes de informação. E foi neste mar de informações que eu comecei e terminei de fazer o curso de Sommellerie para Enófilos, disponibilizado pela renomada sommeliere Alexandra Corvo em sua escola, a Ciclo das Vinhas. Muito mais do que conhecimento tive a oportunidade de conhecer pessoas únicas, muita diversidade cultural, e mais do que isso, de manter estas amizades. E como até já comentei por aqui, destas amizades surgiu a idéia de, após o término do curso, nos juntarmos numa base mensal para relembramos temas abordados em aula, tomarmos vinho e enfim, nos divertir. Era o embrião do que mais tarde viríamos a batizar de "Confraria do Meio". O nome é inusitado e acho que no momento oportuno virei a explicar, mas para que este post não se torne longo e massante, tomei a liberdade de deixar este assunto para depois.

Depois de muitas idas e vindas, muitos encontros e desencontros, fechamos o que seria a primeira data (28/09/2011) para a confraria se reunir assim como o tema proposto: vinhos italianos. Nesta primeira reunião deixamos o tema assim um pouco mais abrangente para não dificultarmos nenhum dos participantes a adquirir seu vinho e assim por diante. Discutimos muito sobre qual seria o local ideal para nos reunirmos: salão de festas do prédio de algum dos participantes, restaurantes que não cobram rolha, o que fazer? Ao final nosso confrade Attílio conseguiu com que fossemos a Pizzaria Camelo na Rua Pamplona, zona sul de São Paulo, e que não nos fosse cobrada rolha. Estava definida a primeira reunião da confraria.

Sobre a Pizzaria Camelo, vale um adendo. A casa foi fundada em meados da década de 50 quando era conhecida por vender comida árabe. Na década de 60 foi comprada pela família que atualmente dirige o estabelecimento, mas foi com o passar do tempo que o frango a passarinho e a pizza se tornaram os carros chefe do lugar. Dentre as especialidades, a pizza Pacaembu e notadamente o frango a passarinho, são realmente uma tentação a quem não conseguimos resistir, e que juntamente com os vinhos, fizeram parte de nossa esbórnia enogastronômica. Gostaria mesmo de ressaltar que fomos extremamente bem recebidos pelo gerente da casa, o Sr. Cristiano, tomando todo o cuidado com nossos vinhos e deixando um garçom quase que exclusivamente nos servindo por todo o tempo em que estivemos por lá! Realmente o atendimento e o carisma é um diferencial da casa, a qual eu ainda não conhecia mas recomendo fortemente a quem quiser comer uma excelente pizza em um ambiente agradável e acolhedor. Mas sem maiores delongas, vamos aos vinhos. Nas próximas linhas falarei das impressões dos confrades/confreiras sobre os vinhos trazidos em ordem de preferência, de acordo com a "eleição" que fizemos na reunião.

1o lugar - Caldora Yume Montepulciano D'Abruzzo 2004 - Vinho da região de Abruzzo, no centro-sul da Itália com uma coloração bem viva contrastando sua idade já avançada. Aromas de tabaco (muito), defumado, frutas passa, ameixa e menta, mostrando muita complexidade. Na boca tinha acidez muito boa, taninos médios, firmes e ainda marcantes. Muito equilibrado, taninos, álcool e acidez se conversam muito bem. Final médio tendendo para o longo marcando um retrogosto frutado e mentolado. Recebeu 3,5 de 5 possíveis;

2o lugar - Poggio Bertachio Stucchio IGT 2006 - Um 100% Sangiovese proveniente da Úmbria com coloração já tendendo para o atijolado, denotando evolução. Aromas de café torrado, couro, frutas vermelhas, baú velho, madeira, fumo, bastante complexidade aqui também. Taninos finos, marcantes. Boa acidez. Final médio marcado pelo frutado e café. Recebeu 3,5 de 5 possíveis;

3o lugar - Fontalpino Chianti Clássico 2008 - Proveniente da lindíssima região da Toscana esse vinho feito com uvas Sangiovese mostrou uma cor rubi violácea intensa. Mostrou aromas de grama pós chuva, musgo, presunto cru, um toscano da gema. Bem estruturado, tinha taninos finos, boa acidez e final médio com frutas e algo de chocolate. Aqui vale uma ressalva: houve consenso que o segundo e terceiro lugares ficaram empatados pela qualidade apresentada por ambos. Recebeu 3 de 5 possíveis.;

4o lugar - Barbera D'Alba Batasiolo 2007 - Produzido com uvas Barbera cultivadas nas colinas dos arredores da ciadade de Alba, este vinho apresentou uma bonita cor violácea. No nariz, aromas de chiclete, plástico, pimenta, químico (que depois evoluiu para algo como merthiolate) e frutas vermelhas. Taninos discretos, bem finos com uma boa acidez. Álcool espetou um pouco no princípio mas não chegou a incomodar. Final médio com boa presença de frutas. Recebeu 2,5 de 5 possíveis;

5o lugar - Etna Rosso Tenuta delle Terre Nere 2009 - Produzido na Sicília aos pés do vulcão Etna, esse tinto tinha uma cor rubi clara lembrando muito as cores de um Pinot Noir. No nariz apresentava aromas florais (dama da noite), muita mineralidade, esmalte, bolor, e frutas como morangos e cerejas. Em boca era muito tânico e alcoólico, faltando uma acidez um pouco maior, deixando o vinho um pouco desequilibrado. Tinha um final médio que confirmava em parte o nariz. Aqui vale a ressalva de que foi o vinho mais curioso e original da noite. Recebeu 2,5 de 5 possíveis;

6o lugar - Ripasso Valpolicella Superiore Zonin 2009 - Vinho da região do Vêneto, esse exemplar tem um processo curioso de fabricação: o vinho obtido como Valpolicella passa por um tempo de contato com a borra de vinificação que sobrou do Amarone, obtendo assim mais estrutura, complexidade e aromas. Apesar disso, não foi bem o que notamos aqui. O vinho apresentou uma cor roxa, parecendo artificial. No nariz conseguimos notar apenas groselha e bala toffee. Na boca o vinho era magro, alcoólico e com pouquíssima acidez. Final curto, sem muito o que falar. Recebeu 1,5 de 5 possíveis.



E foi assim, com muita diversão, muita comida e bebida boa e excelentes companhias que terminamos a primeira reunião da Confraria do Meio. E é claro que já deixamos marcado para Outubro o próximo desafio da Confraria, onde o tema será: vinhos Argentinos. Aguardaremos ansiosos pelas surpresas que este dia nos revelará.

Até o próximo!

Monday, September 26, 2011

Varanda do Conde Vinho Verde 2009

O vinho de hoje vem de Portugal, da região demarcada de vinhos verdes, mais especificamente da região de Monção e Mengalço. A região de vinho verde provavelmente tem esse nome, segundo uma das lendas, em virtude da vasta e rica vegetação com esta coloração presente na região. Aliado a isso é uma região que contém muitos rios e está próxima ao oceano, o que confere características de muito frescor a seus vinhos. O vinho em questão é feito por um corte típico de uvas autorizadas, 70% Alvarinho 30% Trajadura. E este vinho foi escolhido para escoltar um prato de peixe ao molho de tomate e camarões, arroz com brócolis e batatas assadas,  o que diga-se de passagem fez com bastante louvor. Vamos as impressões.

O vinho apresentou em taça cor amarelo palha com reflexos esverdeados. Era possível também perceber a formação de pequenas bolinhas em grande quantidade. Isto ocorre, muitas vezes pela pequena adição de CO2 na produção dos vinhos com a intenção de ressaltar o frescor e a acidez dos vinhos.


No nariz era possível sentir aromas de pêssegos e maçã verde, com o cítrico realmente acentuado. Leve floral de fundo completava a paleta aromática.

Na boca o vinho apresentou corpo entre leve e médio, acidez bem marcada (com aquelas agulhadinhas na língua) gerando muito frescor e limpando o paladar sempre após ser ingerido. Confirma muito cítrico e maça verde em boca.

Cumpre bem o seu papel, simples e refrescante, acompanha bem uma refeição mais leve a base de frutos do mar e peixes ou mesmo pode ser um excelente aperitivo para alguma recepção. Custou por volta de R$ 39,00 e valeu o preço pago.

Até o próximo!

Sunday, September 25, 2011

Autoridades chinesas e francesas unidas contra falsificação: eles não criaram o selo!

Numa recente discussão sobre regulamentação e falsificação de vinhos no Brasil, nosso governo resolveu retroceder e criar um selo (leia-se imposto) sobre os vinhos como uma forma de, segundo suas palavras, inibir tais práticas como contrabando, falsificação e asim por diante. Agora temos a notícia de que autoridades francesas e chinesas vão trabalhar em conjunto numa forma de combater tais práticas com outras medidas, talvez até mais efetivas. Não poderiam nossos governantes aprender um pouco? Leiam a notícia abaixo traduzida e adaptada, e tirem suas próprias conclusões.

Autoridades francesas e chinesas estão num esforço conjunto para combater a falsificação de garrafas e educar os consumidores chineses e importadores contra tais práticas. O CIVB - o Corpo de Comércio de Vinho de Bordeaux - tem feito visitas de surpresa a supermercados e lojas de vinho chinesas, a fim de elaborar um banco de dados de garrafas falsas, que fora transmitida aos investigadores chineses. "Isso é para que eles possam ver as ligações entre empresas que vendem as garrafas falsas, e onde as garrafas podem ter sido produzidos na China", disse Thomas Jullien do CIVB, o que representa cerca de 60 denominações de Bordeaux e cerca de 8.500 produtores. Jullien disse que as autoridades chinesas haviam se dirigido ao CIVB para se aconselhar sobre garrafas falsificadas. "Eles querem estabelecer ligações entre importadores e produtores, porque eles precisam provar que um produto é falso. Eles apreciam a nossa ajuda. " 

O CIVB não vai liberar dados sobre números de garrafas falsificadas, nem vai indicar quais marcas estão sendo falsificadas, embora as imagens obtidas por Decanter.com mostram garrafas apreendidas rotuladas como 'Forlatour' e um Margaux "Grande Reserva 'chamado' Chateau French Tour '. Funcionários indicaram que consideram estas suspeitas. 

Como uma indicação da escala do problema, os economistas do governo dos EUA no Departamento de Homeland Security estimam que 8% do PIB da China vem da venda de bens falsificados, de garrafas de vinho a roupas de grife. 

Garrafas falsas "continuam a ser um problema enorme, a partir do topo para o fundo da indústria", disse Marcus Ford, da boutique de vinhos Pudao em Xangai. "Há um perigo real de que os consumidores vão começar a perder a confiança em algumas das principais marcas e rótulos vendidos na China." 

À medida que o conhecimento sobre vinhos cresce na China, proteger os consumidores e as marcas de Bordeaux cada vez mais representa uma causa comum, disse Jullien. 

Para tal, o CIVB está planejando uma série de aulas e palestras sobre vinho em toda a China nos próximos três meses para ajudar os consumidores a compreenderem rotulagem e indicações de denominação. Mas a curva de aprendizagem é alta, disse Christophe Tran, um representante da organização de marketing para o vinho francês Sopexa em Xangai. "Nós começamos recentemente cursos para os importadores de explicar os rótulos de uma região francesa para a outra, mas nem todos por aqui dominam o idioma de Shakespeare ou Molière. Coloque-se no lugar deles e tente ler os rótulos de Bai Jiu [um vinho chinês de arroz] na língua de Confúcio ", disse Tran.

Friday, September 23, 2011

Dia internacional da Grenache


Hoje é o dia em que nós no Brasil celebramos (talvez celebramos não seja a palavra certa mas tudo bem) a entrada da primavera, estação comumente conhecida como a das flores, onde todas as plantas e árvores em geral fazem suas flores nascerem e mostrarem toda sua exuberância. Mas como poucos sabem, e eu me coloco entre estes, é também comemorado mundialmente o Dia Internacional da Grenache, com eventos em diversas partes do mundo. Este dia foi criado no ano passado quando diversos países se reuniram no Rhône, na França (onde a uva talvez tenha sua maior expressão) para participar de simpósios e na elaboração de projetos para divulgação e aumento do uso da uva ao redor do mundo. E o interessante é que neste ano a participação tende a aumentar, com a entrada de importadores, lojas especializadas e produtores fazendo campanhas para popularização da cepa.

Falando um pouco da Grenache em si, é uma das grandes uvas do Sul da França e da Espanha (principalmente da Catalunha), onde dá vinhos em estilos muito variados, a Grenache ou Garnacha de vinhas velhas é extremamente concentrada e complexa, com muito sabor. No entanto, também pode dar vinhos de pouca concentração, em outras circunstâncias. Ela dá origem a grandes tintos, como os famosos Châteauneuf-du-Pape e alguns outros vinhos principalmente no Vale do Rhône. Muitos produtores entretanto dizem que a palavra chave para o cultivo desta uva é o baixo rendimento, uma vez que a planta tende a ser muito vigorosa. E uma das maiores curiosidade é que mesmo não sendo tão conhecida como a Cabernet ou a Malbec por exemplo, é a segunda casta tinta mais cultivada no mundo. Evidentemente um dos maiores motivos é que normalmente ela se apresenta em cortes e não em vinhos varietais. De qualquer maneira, por ser muito versátil, tende a combinar com uma série de pratos, dependendo do estilo do vinho produzido.


Aqui no blog já degustei alguns vinhos que ora possuíam a uva sozinha, ora esta se apresentava em corte, dentre os quais vou destacar:

Alto Las Pizarras del Jalón 2005
Les Bartavelles Chateauneuf du Pape 2006
Cuvée des Templiers 2007
Gran Feudo Crianza 2006


E você, caro leitor do blog, o que pensa a respeito da Grenache (Garnacha)? Gosta de vinhos produzidos com esta uva? Tem indicações de caldos que possam fazer parte do futuro do blog? Deixem seus comentários!

Até o próximo!