Friday, May 4, 2012

Chile: Visita a Vinícola Concha Y Toro

Eu sei que a primeira coisa que virá a sua cabeça, caro leitor, é que esta é uma visita mais comercial e turística do que qualquer outra coisa, e eu vou concordar com você. Só que pelo fato de você estar a primeira vez no Chile, visitando vinícolas e num domingo, você não terá muita opção e a visita parecerá algo inevitável. Confesso também que não fui com muita expectativa, esperando algo deveras mecânico e pouco simpático àqueles que buscam algo mais em uma visita direta a fonte produtora do vinho. E devo dizer a vocês que estava um pouco errado. Vale lembrar que é bom reservar sua visita com antecedência, pois a procura é muito grande e você pode ser surpreendido, caso vá direto a vinícola.

Chegar a vinícola saindo de Santiago é muito fácil e em determinado momento o caminho se torna muito bem sinalizado, além do que a região tem ruas e avenidas que remetem a vinícola e a sua família fundadora. Já na entrada da vinícola você apresenta sua reserva e em determinados casos, pode ainda optar pelo tour tradicional ou pelo tour Marques da Casa Concha, que conta com uma degustação dos vinhos desta linha ao final, e seleciona a linguagem a qual quer ouvir o tour: espanhol ou inglês. Optamos então pelo tour Marques da Casa Concha, em inglês e mesmo atrasados em 5 minutinhos, não perdemos muito.










O tour se inicia pelos jardins, bosque e os entornos da residência de verão da família Concha, onde nos é passado um pouco da história dos fundadores e de como se deu o início de uma das maiores companhias vinícolas do mundo. Feito isso passamos aos vinhedos da onde saem os vinhos das linhas de entrada da companhia, os Casillero Del Diablo e de onde temos uma bela vista do Vale do Maipo e da Cordilheira dos Andes, mais ao fundo (segundo a guia temos quase que todas as variedades de uvas plantadas aqui). Como ainda existiam uvas que ainda não haviam sido colhidas, nós visitantes fomos convidados então a escolher o varietal que quiséssemos e a provar as uvas diretamente dos pés. Sonho realizado. De lá fomos guiados então a primeira degustação do dia, um Casilleiro Del Diablo Chardonnay 2011, fresco, jovem, aromas de mel, abacaxi e maçã verde. Muita jovialidade e acidez para um vinho recém liberado ao mercado e que somente 35% do vinho passa por barricas, entre 6 e 8 meses. 



É aqui então que o tour tem seu lado mais "sombrio": fomos levados a conhecer as adegas onde os vinhos são envelhecidos nas barricas de carvalho e a famosa adega do Casillero Del Diablo, onde o próprio capeta vem para nos contar a origem da lenda, que segundo ele, fora criada para afugentar quem quisesse roubar o vinho de Dom Melchor. Passado este momento "assustador" somos guiados para a última degustação do tour comum com um Trio,  blend de 70% Merlot, 15% Carmenere e 15% Cabernet Sauvignon. Um vinho mais complexo, frutas vermelhas e escuras, especiarias mas com uma ponta de álcool sobrando. De qualquer forma, um vinho honesto e bom para sua faixa de mercado já sendo inclusive comentado pelo blog (relembrem aqui).


Finalizando a visita, somos acompanhados por uma sommeliére da empresa para a degustação de alguns varietais da linha Marques da Casa Concha: Chardonnay, Carmenére, Syrah e Cabernet Sauvignon  (embora tenha me esquecido de anotar as safras) acompanhados de queijos, pães e torradas para brincadeiras de harmonização. Todos vinhos muito bons, denotam qualidade superior aos demais e bem característicos. O que mais me agradou no final foi o Syrah, cor de tinta quase preto, encorpado, toques de defumado, carne e frutas escuras com boa acidez e taninos bem domados em contrapartida a sua jovialidade. Mas eu recomendo todos os vinhos provados!


E assim terminávamos nossa primeira visita a uma vinícola em terras chilenas. Mas havia muito mais por vir: fizemos uma parada estratégica para um almoço no restaurante/wine bar da Concha Y Toro, que será alvo de um post mais pra frente aqui no blog.

Até lá!

Thursday, May 3, 2012

Herderos Del Marqués de Riscal Reserva 2006

Com a chegada do frio e o feriado que tivemos no começo desta semana, nada melhor do que juntarmos coisas que gostamos de fazer: encontrar amigos e beber um bom vinho. E como não poderia deixar de ser, participei de mais um bela esbórnia enogastronômica neste final de semana e feriado prolongado. Começamos a noite com um velho conhecido de nós consumidores brasileiros, o Marques de Riscal Reserva, aquele mesmo da telinha dourada entrelaçada na garrafa. Só que esta garrafa veio diretamente da Espanha.

O vinho é produzido pela gigante espanhola Marqués de Riscal, cuja história de sua inauguração data de 1858 na região de Rioja, mais ao norte da península Ibérica e se confunde com a própria criação da DO da região, muito tempo depois. Conforme legislação vigente, tem em sua composição maior porcentagem (90%) de uvas Tempranillo de vinhas com mais de 15 anos e o restante (10%) complementados por uvas Graciano e Mazuelo. Por ter em seu rótulo a denominação reserva, passa 24 meses por envelhecimento em barricas de carvalho americano e depois mais 12 meses em garrafa antes de ser liberado para o mercado. Vamos então as impressões.


Na taça uma cor rubi violácea de média intensidade, com ligeiro halo de evolução nas bordas. Lágrimas finas, rápidas e abundantes também se faziam presentes. Confesso também que a luz não era a mais adequada para esta análise, mas caso já tenham degustado o vinho e discordem da minha análise, por favor estejam a vontade para comentar.

No nariz o vinho abriu com aromas de frutos escuros, algo de pimentas e ligeiro tostado ao fundo. Leve lembrança terrosa. Tudo muito discreto e em seu lugar, como os vinhos do velho mundo costumam se mostrar.

Na boca é que o vinho decepcionou um pouco. Corpo de leve para médio, boa acidez e taninos finos, macios e bem redondos. Ao que parece, faltava um pouco de extrato e força no meio da boca. Retrogosto essencialmente frutado, confirma os frutos escuros do nariz. Final de curta duração.

Um vinho correto mas que decepciona um pouco pela aparente fama que possui, criando uma expectativa um pouco maior. De qualquer forma não possui defeitos que fariam com que eu me negasse a prova-lo de novo.

Até o próximo!

7 Erros comuns que podemos cometer ao consumir vinho

Todos sabemos que vez ou outra, ainda mais quado iniciantes, cometemos certos erros quando vamos consumir/servir vinho. E é claro que, sem estes erros, o prazer deste consumo seria muito maior. Ainda mais se levarmos em conta que, normalmente os vinhos em nosso mercado são considerados itens de luxo e tem preço elevado, fazendo com que tenhamos uma necessidade ainda maior de tirarmos maior proveito de cada garrafa que bebemos. Seguem abaixo elencados 7 erros mais comuns que nós consumidores médios cometemos, vez ou outra, em nosso histórico de vinhos consumidos/servidos.

1 - Servir o vinho muito gelado: neste caso, há uma solução simples e rápida que é deixar seu vinho aquecer um pouco, seja na própria garrafa enquanto fica aerando, ou na sua taça. Quando servimos o vinho muito gelado pode torná-lo mais refrescante porém você irá inibir sabores e aromas no vinhos brancos e acentuar a sensação tânica em vinhos tintos, além do mesmo efeito com relação a aromas e sabores;

2 - Servir o vinho muito quente: aqui o problema se acentua pois sabemos que a temperatura elevada nunca é amiga do vinho, e pior, sabemos que exposição prolongada a temperaturas elevadas tende a envelhecer precocemente o vinho, mudando suas cores e aromas, chegando até um limite de literalmente cozinhar seu vinho. As temperaturas mais elevadas auxiliam também na evaporação do álcool e compostos mais voláteis, irritando o nariz e deixando o vinho mais "mole" em boca;

3 - Não deixar o vinho respirar: um pouco controversa, esta afirmação em minha humilde opinião tem bastante de verdade. Imagine que o vinho normalmente é produzido com alguma expectativa de durabilidade, em ambientes com pouco ou nenhum teor de oxigênio. O vinho precisa então de algum respiro, estimulando assim aromas, sabores e suavizando taninos (no caso dos vinhos tintos);

4 - O tipo certo de taça: sim, isso realmente influi na degustação de seu vinho. Evidentemente que não devemos procurar uma taça para cada tipo/variedade de vinhos (ainda mais aqueles que consumimos corriqueiramente), mas existem alguns vinhos específicos que normalmente tem um algo a mais para nos passar, e nestes casos, todo o cuidado com a taça utilizada também acrescenta um prazer maior na degustação;

5 - Deixar ou não um vinho "descansar" após o transporte/viagem: outro ponto controverso mas que, por experiência própria, tem fundamento. É o famoso bottle shock, já tratado por aqui. Por este motivo não irei me estender neste tópico, mas entendo que um descansinho não fará qualquer mal a sua garrafa de vinho;

6 - Harmonizar é preciso: embora soe um pouco snobe, e invariavelmente busquemos vinhos que por si só já nos deem prazer, é inegável que alguns vinhos funcionam muito melhor quando consumidos com um determinado prato de comida em detrimento a outro, e assim por diante. É só lembrar de experiências com peixes e tintos mais tânicos, onde se gera aquela impressão de se mastigar alumínio, por exemplo;

7- Dar uma segunda chance a um vinho que você não gostou de primeira: eu entendo que existem vinhos que realmente são ruins, mas existem alguns fatores que podem ter influenciado sua primeira impressão sobre determinado vinho, como por exemplo rolhas contaminadas, armazenamento incorreto de determinada garrafa, taças sujas, serviço ruim e até seu paladar não estar num bom dia. Por isso a dica é, não culpe o vinho logo em seu primeiro contato com ele, você ainda poderá se surpreender!

Eu sei que existem ainda muitos outros erros que cometemos e por isso convoco vocês, caros e fiéis leitores, a me ajudarem elencando erros que vocês já cometeram ou que já viram acontecer, e que venham a se somar nesta lista e auxiliem outros leitores a que não cometam estes mesmos erros. Está lançado o desafio!

Até o próximo!

Wednesday, May 2, 2012

Marchese Antinori Chianti Classico Reserva 2006

De vez em quando temos que nos dar ao direito de provar vinhos um pouco mais legais, certo? Este por exemplo foi provado com uma pizza especial da 1900 num sábado desses , em conjunção com um clima frio e agradável, que criou condições típicas para que a harmonização fosse perfeita.

A Marchesi Antinori é uma das gigantes italianas, famosa por seus vinhos IGT Toscanos e entre eles podemos citar o Tignanello, só pra mostrar a força deles. Entre todas estas preciosidades é que nasce o Chianti Classico Riserva, segundo eles somente produzido em anos de colheitas excepcionais e que possui em sua composição 90% de uvas Sangiovese proveninentes de vinhedos espalhados entre Tignanello, Badia a Passignano, and Pèppoli, na comuna de Mercatale Val di Pesa que são complementadas com outros 10% de Cabernet Sauvignon e alguma outras uvas tintas, dependendo de cada colheita, todas plantadas na região de Chianti Clássico. Além disso, os vinhos são fermentados separadamente, completando a fermentação malolática em barricas de segundo e terceiro uso, permanecendo ainda por 14 meses em barricas para envelhecimento. O vinho finaliza sua vida na adega em mais 12 meses de envelhecimento em garrafa antes de ser liberado ao mercado. Vamos as impressões.


Na taça uma bonita cor rubi de média intensidade, brilhante e com lágrimas finas, rápidas e quase sem cor. 

No nariz é um vinho muito frutado, remetendo a cerejas e morangos, além de exibir notas de café com leite e algo levemente herbáceo ao fundo. Tudo muito elegante e integrado entre si.

Na boca um vinho encorpado, de boa acidez e com taninos macios, suaves e bem redondos. Confirma o frutado e o café do nariz num final de longa duração.

Sem dúvida um excelente vinho, que vale o quanto custa e que com certeza degustaria mais vezes.


Até o próximo!

Tuesday, May 1, 2012

Restaurante El Giratorio & Santa Rita Medalla Real Sauvignon Blanc 2010

Começamos nossa curta visita por Santiago na hora do almoço, e nada melhor do que começar já com o pé direito. E o restaurante escolhido foi o El Giratorio, situado no charmoso e elegante bairro de Providencia (lá chamado de comuna). O bairro e seus arredores é composto por uma população e moradias de classe média alta e é muito arborizado e num estilo europeu não tão clássico, me remetendo imediatamente a Londres. 

A principal curiosidade do restaurante El Giratorio é que o mesmo está situado no topo de um edifício, 18o andar, muito bem localizado numa área central do bairro e com vista privilegiada da cidade e da Cordilheira dos Andes e como seu próprio nome já diz, tem um piso central que faz com que as mesas girem em torno do eixo do prédio e você tenha uma vista em 180o de quase toda a cidade de Santiago. Seu menu é baseado na cozinha mais internacional mas com ênfase nos pescados e frutos do mar obtidos ao longo da costa pacífica do país. Assim sendo, eu não poderia optar por outro prato que não um dos mais famosos do Chile: a Centolla! 

Ali no topo deste edifício se encontra o El Giratorio

Uma pequena vista de dentro do restaurante.


Mas o que vem a ser uma centolla? Também conhecido como caranguejo rei (king crab), este crustáceo é valorizadíssimo na culinária internacional e pode custar pequenas fortunas dependendo do lugar em que você possa provar a iguaria. São seres normalmente imensos e habitam as profundezas do oceano, talvez dai uma das dificuldades de se obter tais crustáceos e fazer com que se torne uma iguaria de preços normalmente elevados.

Voltando ao almoço, meu prato era composto de centolla ao molho thermidor, uma deliciosa combinação da carne tenra e saborosa da centolla (que se assemelha a carne da lagosta, mas um pouco mais forte e saborosa) com o molho branco e os queijos que ajudam a gratinar o prato e o conhaque que dá um toque ligeiramente quente ao prato. Divino. Meus amigos ainda escolheram um prato de camarões com queijo de cabra e arroz perla. Segundo a opinião de todos, os pratos estavam espetaculares, bem servidos e bem preparados. Ai a questão era, qual o vinho a escolher. Passado os olhos pela carta, decidimos tomar algo fresco para acompanhar os pratos e aplacar um pouco o calor. E o escolhido foi o Santa Rita Medalla Real Sauvignon Blanc 2010, vinho conhecido de todos nós aqui e que possui uma boa qualidade em relação a seu custo, principalmente em terras chilenas. 


O vinho tinha uma cor amarelo palha bem clara, bom corpo e uma bela acidez, que deixava a boca salivando para o próximo gole ao mesmo tempo que ajudava a limpar as papilas para a próxima garfada do prato. Além disso, aromas típicos de maracujá, cítricos, grama recém cortada e algo de mineral ao final. Retrogosto confirma o nariz e o final é de média duração. Um belo vinho.

E assim começávamos com chave de ouro nosso primeiro dia no Chile. Mas muita coisa ainda estaria por vir!

Até o próximo!