Tuesday, March 5, 2013

França: da decepção a redenção!

Era mais um domingo na casa dos meus pais com um almoço especial, regado a um belo pernil suíno salada, aspargos frescos e cenouras baby no vapor. Tudo parecia ir de vento em popa e eu queria muito provar um vinho bacana junto desta refeição além de continuar no meu propósito de apresentar sempre novos vinhos e novas regiões a minha noiva quando me veio na cabeça a oportunidade de apresentá-la a uma das regiões mais famosas da França e quiçá do mundo do vinho: Bordeaux. 


A escolha recaiu então sobre o Château Calon Monatgne Saint-Emilion 2006, um vinho de corte típico da região (apelação Saint-Emilion) com 70% de Merlot, 15% de Cabernet Sauvignon e 15% de Cabernet Franc ainda com passagem de 18 meses em barricas. Não tinha como não ser bom. Mas não é que o pior aconteceu? Ao abrir o vinho a decepção: o mesmo estava estragado, intragável num aroma e gosto de papel molhado, mofo, sem quaisquer condições de consumo. Ainda insisti e resolvi deixar um tempo pra ver se o mesmo abria mas foi uma doce ilusão. Era a primeira vez que isso me acontecia. E tudo foi pelo ralo.


Ainda insistente na missão de apresenta-la a França dei mais uma chafurdada em minha adega e tirei de lá um trunfo: o Château des Estanilles Cuvée Prestige 2005, um tinto blend de Syrah, Grenache e Mouvédre vindo diretamente do Languedoc e que já foi falado um pouco neste blog em dois posts (relembrem aqui e aqui). Era a oportunidade de também reforçar ou não as sensações sobre este vinho desde a primeira vez em que o provei. Como já falei nos posts anteriores sobre a região, o produtor e detalhes do vinho, vou direto as impressões.

Na taça uma bonita cor rubi violácea brilhante e com pouca transparência. Lágrimas finas, rápidas e quase sem cor tingiam também a taça.

No nariz aromas terciários em primeiro plano: toques animais e terrosos. Ao fundo, especiarias e frutas escuras. Bastante complexidade.

Na boca um vinho de taninos firmes, boa acidez e corpo médio. Retrogosto confirma o olfato e ficava na lembrança num final de média para longa duração.

Ao final do almoço, ao menos a sensação de alívio e de dever cumprido (apesar de não ter sido o vinho dos sonhos da minha noiva) em poder ter lhe apresentado a mais uma nuance do mundo dos vinhos. Este é trazido pela Cave Jado e vale o quanto custa (cerca de 80 dinheiros).

Até o próximo!

Monday, March 4, 2013

Altos Del Plata Chardonnay 2011

Mais um final de semana, muito calor e a cozinha disponível para umas "artes"acaba sempre calhando com a escolha de um vinhozinho mais refrescante. E foi assim que o Altos Del Plata Chardonnay 2011 apareceu na história. A idéia era cozinhar um risotto de queijo brie, e como na receita já pede uma xícara de vinho branco, optei por um vinho confiável e a preço acessível. 


A Bodega Terrazas de Los Andes, produtora do vinho em questão, está localizada em Mendoza, na Argentina, famoso oásis de vinhos de nossos hermanos. Esta região é conhecida por seu clima meio desértico, temperaturas amenas durante as noites e vinhedos localizados em grandes altitudes. Situada nesta região, a bodega tem uma história que remete aos anos de 1898, quando a propriedade que no futuro viria a ser restaurada e utilizada no projeto Terrazas de Los Andes nasce fundada por espanhóis. A partir dai e até meados dos anos 60, pouco se sabe da história da bodega quando a gigante francesa Möet & Chandon manda emissários a Mendoza no intuito de pesquisar sobre o potencial vitivinícola da região. E então em 1999 se dá a fundação da Bodega Terrazas de Los Andes e a criação de todas as suas linhas de vinhos de muita qualidade.

A linha Altos Del Plata pode ser considerada a linha de entrada da vinícola, mas nem por isso deixa de ter grande qualidade. Este vinho, por exemplo, tem uvas colhidas a 1200 metros acima do nível do mar e passa por amadurecimento de 6 meses em barricas de carvalho. Possui tero alcoólico de 13,5%. Vamos as impressões.

Na taça o vinho apresentou uma bonita cor amarelo palha com reflexos verdeais, muita transparência e muito brilho. Lágrimas finas, rápidas e incolores também brindavam o aspecto visual.

No nariz aromas de frutas como abacaxi e pêssego, seguidos de notas de baunilha e toques amanteigados. 

Na boca o vinho apresentou corpo leve e uma deliciosa e refrescante acidez. Retrogosto com muita fruta e toques minerais, os quais eu não havia detectado no nariz. Final de média duração.

Mais um bom vinho para o dia a dia, custa aproximadamente 35 reais na  rede Pão de Açúcar e vale cada centavo. Cai como uma luva em dias quentes sozinho, mas foi bem com o nosso risotto de queijo brie. Provem, repitam, vale a pena. Eu recomendo.

Até o próximo!

Monday, February 25, 2013

120 Tres Medallas Cabernet Sauvignon 2011

A semana que se passou foi bem puxada e foi um grande alívio em saber que havia chegado a sexta feira. E nada melhor do que chegar em casa, encontrar as pessoas que você gosta e é claro abrir um bom vinho. E é este o mote que gerou a inspiração para o post de hoje. E o vinho escolhido foi o 120 Tres Medallas  Cabernet Sauvignon 2011, este também um presente mais do que especial de minha sogra no seu retorno de sua recente viagem ao Chile. 


Falar sobre a Santa Rita seria chover no molhado, afinal esta gigante do vinho chileno é mundialmente conhecida pela qualidade de seus vinhos até nas linhas mais inferiores. E sobre a motivação por trás do nome do vinho, já falei um pouco em um post anterior (relembrem aqui). Deixarei então de lado estas partes mais maçantes do post e partirei direto para o finalmente. O vinho é feito com uvas Cabernet Sauvignon do Vale Central, do Chile. Cerca de 10% do vinho matura por 8 meses em barricas. Vamos as impressões.

Na taça uma bonita cor violácea de grande intensidade, certo brilho e quase nenhuma transparência. Lágrimas finas, rápidas e levemente coloridas completam o aspecto visual.

No nariz o vinho apresentou aromas de frutos vermelhos e silvestres, toques de baunilha, especiarias e lembrança de grafite e madeira ao fundo.

Na boca o vinho tinha corpo médio, boa acidez e taninos suaves e redondos. Retrogosto com muitas fruta e especiarias num final de média duração.

Um bom vinho, honesto no que se propõe e que facilmente entra na lista dos bons vinhos para o dia a dia. Eu agradeço minha sogra pelo presente e recomendo que provem o vinho.

Até o próximo!

Thursday, February 21, 2013

Empório Hopfields: Descobrindo novas cervejas

Já faz algum tempo que eu queria conhecer um lugar que abriu bem próximo a minha casa em São José dos Campos e que comercializa quase que somente cervejas especiais. E foi em um dia desses em que eu tive um dia puxado no trabalho, estava sozinho por aqui e queria relaxar em casa que resolvi que era a hora mais apropriada de fazer uma visita ao Empório Hopfields para encontrar alguma cerveja que agradasse. É claro que, conforme já comentei a um tempo atrás (relembrem aqui), não sou exímio conhecedor destes sagrados líquidos fermentados, mas que eles também tem lugar especial em minha "dieta".

Para minha surpresa fui recebido pelo próprio proprietário do local, o Celso Prado (beer sommelier), muito atencioso e apaixonado por este mundo das cervejas. Como eu não sabia bem o que procurava, pedi ajuda a ele para que me mostrasse algum tipo de cerveja um pouco mais forte e que fosse bem com comida, pois a intenção era também acompanhar um pouco da comida que sobrara do dia anterior. Chegamos então ao tipo de cerveja que eu iria provar, as Pale Ale.

Um breve parênteses em minha narrativa para explicar brevemente o que eu descobri sobre tais cervejas. Na verdade existem alguns grupos de cervejas que por sua vez se subdividem em subgrupos gerando aproximadamente 150 tipos de cervejas pelo mundo. As do tipo Ale, incluindo ai as Pale Ale, são cervejas de alta fermentação (onde os fungos não afundam e e só flutuam na mistura final dos ingredientes) e que usam ingredientes diferenciados, como leveduras e maltes selecionados.  Normalmente trazem lembranças cítricas e frutadas e apresentam algum amargor final.

Voltando ao Empório Hopfields, enquanto o Celso me mostrava todas as suas opções e dava sua opinião pessoal, eu viajava olhando as inúmeras prateleiras e a geladeira abarrotadas dos mais variados tipos de cervejas disponíveis no mundo, quando eu finalmente optei por dois exemplares deste grupo de cervejas, que serão descritas nos parágrafos a seguir.


A primeira opção foi a cerveja chamada Dead Pony Club, da cervejaria inglesa Brew Dog. Pesquisar um pouco sobre eles foi uma diversão. A cervejaria nasceu da união de dois amigos que estavam cansados da mesmice das cervejas industrializadas existentes no mercado inglês, fundando em meados dos anos 2000 a sua prória cervejaria. Um detalhe, segundo eles, a cervejaria possui 2 funcionários mais um cachorro! A partir dai houve a expansão natural do negócio e hoje atingem mercados externos, como o nosso por exemplo. A cerveja apresentou coloração dourado escuro com aromas interessantes de maracujá e toques de fermentação. Na boca era suave, quase não apresentava amargor e vou dizer, poderia beber uma caixa sem sentir os efeitos pois era de um frescor incrível! E desceu muito bem com o risotto que tinha sobrado do dia anterior.


A segunda garrafa levada foi da cerveja Dead Guy Ale, da cervejaria americana Rogue Ales Brewery. Esta cervejaria localizada em Portland, no Oregon já é um pouco mais antiga mas também nasceu de um sonho de um grupo de amigos que gostava das cervejas consideradas "caseiras"e que criou esta cerveja especificamente num intuito de comemorar o Dia dos Mortos, mas que com o sucesso atingido, resolveu mantê-la como rótulo oficial de seu portfólio. Esta cerveja no entanto se mostrou um pouco mais forte, já com a coloração mais puxada pro âmbar e toques maltados e de caramelo. Na boca, sua entrada era suava e quase doce mas deixava um amargor final delicioso. Demorava pra sair da memória. Já não foi tão bem com a comida mas sinceramente era um deleite sozinha.

O resulto desta incursão ao Empório Hopfields: vale muito a pena a visita e a conversa com o Celo. Se prepare pois estes tipos de cervejas são mais caras do que estamos acostumados a degustar mas são um mundo completamente diferente e que vale a pena ser descoberto! Eu recomendo! E o detalhe disso tudo é que o blog está gostando desta aventura cervejeira, portanto não se surpreendam se houverem mais posts como este num futuro próximo. 

Até lá!

Monday, February 18, 2013

Mallee Point Chardonnay 2010

E com a chegada do verão (será mesmo?) nada melhor do que vinhos mais leves e refrescantes, criando escolhas tendenciosas para vinhos espumantes, brancos e rosés não é mesmo? Pois bem, imbuído desta missão e também da necessidade de obter um bom vinho branco para complementar um risotto que estava preparando com minha noiva, apostei neste australiano, o Mallee Point Chardonnay 2010, produzido pela Casella Wines (mesma produtora do famoso "Yellow Tail"). 


Sobre a Casella Wines, deixo aqui o link para um post meu anterior no qual descrevi sucintamente a vinícola (relembrem aqui). Sobre o vinho, é feito com uvas plantadas e colhidas em South Eastern Australia. Esta linha de vinhos da vinícola tem uma proposta de ser fácil de beber e ser movida por aromas/sabores frutados. Como não vi muito mais informações a respeito do vinho, vamos as impressões.

Na taça uma coloração amarelo dourado com muito brilho e transparência. Lágrimas finas e rápidas complementavam o conjunto visual.

No nariz aromas de frutas tropicais (abacaxi e pêssego) e toques de baunilha. Sem maiores complicações.

Na boca, o vinho tinha corpo médio e acidez um pouco baixa, mas não prejudica a degustação. Retrogosto essencialmente frutado com toques de baunilha, confirmando o olfato. Final de média duração.

Um bom vinho, sem maiores pretensões que foi bem com o risotto de peras e gorgonzola. Vale a prova. Preço justo (em torno de R$ 40,00). Eu recomento.

Até o próximo!