Thursday, December 22, 2016

Café Journal & Torrevento Bolonero Castel del Monte 2014

Um dia desses que já ficou pra trás neste apressadinho ano que se esvai, tive a oportunidade de revisitar um local que a muito tempo não o fazia e que para corroborar com minha última visita, continua num nível de excelência gastronômica muito alta. Estou falando do Café Journal, na Zona Sul de São Paulo.

Parafraseando um post meu anterior, posso dizer que a casa consegue aliar com maestria um ambiente rústico e requintado ao mesmo tempo. Detalhes como tijolos a vista, antiguidades, obras de arte e cada mesa com sua vela fazem do local muito aconchegante e ideal para uma visita a dois. Embora se intitulem como um restaurante de gastronomia paulistana, entendo que a influência italiana é grande na escolha dos pratos, com massas e cortes de carne bem interessantes. Conta também com uma invejável carta de vinhos, que pode ser consultada em um Ipad além de uma enomatic, máquina onde você pode provar mais de um tipo de vinho, devidamente preservado a vácuo, e em porções menores, mantendo sempre sua qualidade. Uma coisa interessante de se notar é que, muito da qualidade do atendimento e do que lá é servido tem o dedo do proprietário, Denis Rezende, que está sempre por lá supervisionando sua turma.

No quadro de cima o Ossobuco, abaixo o bife ancho.

Sapeando o cardápio, não tive dúvidas do meu prato: Ossobuco de Angus com Polenta Cremosa, preparado sob lenta cocção e a baixas temperaturas, resultando em uma carne extremamente suculenta, soltando do osso e de sabor inigualável. Isso sem falar do tutano que preenche o centro do osso, uma iguaria rica em sabor e textura. Detalhe para o charme da panelinha onde a polenta é servida. Já minha esposa escolheu o Bife Ancho com arroz Biro Biro, também feito a partir de um corte de carne Angus servido com com molho chimichurri e Arroz Biro Biro com coco. O casamento do corte da carne com o molho tipicamente argentino é especial e o coco dá uma crocância a mais para o arroz.


O vinho escolhido para a hercúlea tarefa de acompanhar esta incrível refeição foi o Torrevento Bolonero Castel del Monte 2014, um vinho proveniente da região da Puglia, na Itália. A vínicola Torrevento está situada na zona mais dura e selvagem da região, no noroeste de Murgia, aos pés do imponente Castel del Monte, construção fortificada que servira de defesa para a propriedade em tempo ancestrais. Esta zona é chamada Torre do Vento (Torre del Vento, ou Torrevento numa contração), onde um antigo mosteiro do século XVIII, cercado por 400 hectares de terra, acolhe o coração da fazenda desde 1948. Falando sobre o Torrevento Bolonero Castel del Monte 2014 em si, o vinho é um blend das uvas Nero di Troia e Aglianico, sem passagem por madeira, somente um período em tanques de aço inox. Resulta em um vinho de coloração rubi violácea de média intensidade com bom brilho e limpidez. Nos aromas o vinho surpreende, contrastando sua simplicidade com certa complexidade, variando de frutos vermelhos para especiarias, folhas de ervas e chá e algo de defumado. Na boca tende a ficar entre um corpo médio e encorpado, com ótima acidez e taninos aveludados. O retrogosto confirmou o olfato e o final era de média para longa duração. Entendo que foi uma boa escolha levando-se em conta os pratos escolhidos.

Uma bela refeição e um belo vinho italiano para fechar um passeio romântico de maneira magistral. Eu recomendo a prova, do restaurante e do vinho. Quem ainda não foi, deve ir. Penso que não se arrependerá. Esta minha visita só veio a corroborar com a visão da qualidade gastronômica e atendimento especial que eu já possuía do local. Aproveite sem moderação. Não é barato, mas vale o quanto cobra.

Até o próximo!

Wednesday, December 21, 2016

Vale dos Amantes Douro 2014

A Emcodouro é uma empresa especializada em exportação para todo o mercado global de produtos oriundos da Região Demarcada do Douro, criada em 1756 pelo Marquês de Pombal. Entretanto, a empresa é relativamente recente no mundo dos vinhos. O conhecimento e habilidade com as uvas, porém, vem desde muito tempo. Os produtores vivem em um dos lugares mais pitorescos do Douro, em Nossa Senhora da Conceição, na Vila Real. 


Sobre o Vale dos Amantes Douro 2014, podemos ainda acrescentar que é um vinho feito a partir de castas autóctones portuguesas, entre elas Touriga Nacional, Tinta Roriz e Tinta Barroca, sem passagem por madeira e com estabilização de 6 meses em garrafa antes de ser liberado ao mercado. Vamos as impressões?

Na taça o vinho apresentou coloração violácea de média para grande intensidade com bom brilho e limpidez. Lágrimas finas, rápidas e ligeiramente coloridas também se faziam notar.

No nariz o vinho apresentou aromas de frutos vermelhos frescos, flores e toques de chocolate.

Na boca o vinho apresentou corpo médio, boa acidez e taninos macios. O retrogosto confirma o olfato e o final era de média duração.

Um bom vinho para o dia a dia, ainda mais se levarmos em conta o custo benefício (cerca de 40 dinheiros). Acompanhou uma costela de porco assada com sal grosso de maneira sublime. Eu recomendo a prova.

Até o próximo!

Tuesday, December 13, 2016

Langtafel White Blend 2014

Eu gosto muito de variar os vinhos que bebo e, mais do que isso, procuro variar as regiões vinícolas que experimento para sempre poder aprender mais sobre os vinhos e suas peculiaridades. E hoje fomos até a um local que, na minha opinião, é até pouco explorado no nosso mercado mas que trás algumas gratas surpresas. Hoje falaremos de África do Sul e mais do que isso, falaremos de um bom vinho branco de lá com um corte não muito usual. Hoje é dia de Langtafel White Blend 2014.


O Langtafel White Blend 2014 é produzido pela Mooiplaas Wine Estate, situada entre as montanhas majestosas e férteis dos vales de Stellenbosch, na África do Sul. A propriedade é uma fazenda histórica cujos vinhedos estão plantados entre dois oceanos em encostas íngremes de antigos solos ricos em minerais nas ensolaradas colinas da região. É lá que Tielman e Louis Roos produzem uma gama de vinhos enraizados na tradição e técnicas artesanais que aproveitam ao máximo o terroir único da região. Uma das características mais marcantes da Mooiplaas é o terreno irregular, desde os prados no fundo do vale até a bacia hidrográfica no topo das colinas. Estes contrastes topográficos resultam em diferenças interessantes no microclima. Hoje, a Mooiplaas Wine State ocupa uma área de 243 hectares, dos quais cerca de 100 hectares são plantados com vinhas e 70 hectares dedicados a um parque natural privado.

Falando sobre o Langtafel White Blend 2014, podemos ainda acrescentar que é um vinho feito a partir de um blend das uvas Chenin Blanc, Sauvignon Blanc e Semillon sem qualquer estágio em madeira. Vamos, finalmente, as impressões sobre o vinho?

Na taça o vinho apresentou coloração amarelo palha com reflexos levemente dourado com muito brilho e limpidez.

No nariz o vinho apresentou aromas de frutos cítricos e tropicais, aspargos e um toque mineral interessante no fundo.

Na boca o vinho apresentou corpo médio com boa acidez. O retrogosto confirma o olfato e o final era longo e delicioso.

Um bom vinho para o dia a dia, mais um vez fugindo dos hermanos chilenos e argentinos. É excelente para se ampliar a litragem com vinhos de outros países menos consumidos por aqui além de ser super fácil de beber, daqueles que a garrafa seca logo. Eu recomendo a prova. Mais um vinho do clube de vinhos da Winelands, o clube que eu assino e recomendo.

Até o próximo!

Monday, December 12, 2016

Chateau Rivière Lacoste Cuvée Prestige 2012

O vinho de hoje é produzido pelo Château Pont de Brion, cuja a maravilhosa história familiar se iniciou ainda em meados de 1931 com Paul Dauvin, que chegou a viver em Langon, uma comuna na região de Graves, ao sul de Bordeaux, na margem esquerda do Garonne, tendo plantado suas primeiras videiras adjacentes à propriedade presente. Em 1955, Jean Brussac, seu genro, assumiu o negócio que na época cobria 2 hectares. Foi somente quando Antonio Molinari, genro de Jean Brussac, juntou-se ao domínio em 1957 que este aumentou a 7 ha. Depois de uma carreira curta mas brilhante em TI, em 1988, Pascal, bisneto do fundador, começou um retorno ao negócio. Hoje, a propriedade é dirigida pela 5 ª geração, Charlotte, continuando firme à filosofia estabelecida no início, produzindo rótulos sob as marcas Ludeman les Cèdres, Pont de Brion e Rivière Lacoste.


Já sobre o Chateau Rivière Lacoste Cuvée Prestige 2012, podemos ainda afirmar que o vinho é um corte das uvas Cabernet Sauvignon, Petit Verdot e Merlot da região de Graves, em Bordeaux, o que por si só já nos dá uma idéia de que o vinho possa ser mais cuidadosamente elaborado tendo em vista que pertence a uma AOC com regras mais restritas quando comparada a uma apelação Bordeaux geral. Aparentemente não tem passagem por madeira. Vamos as impressões?

Na taça o vinho apresentou coloração rubi violácea de média para grande intensidade, bom brilho e limpidez. Lágrimas finas, rápidas e quase incolores também se faziam notar. 

No nariz o vinho apresentou aromas de frutos vermelhos e escuros, algo de especiarias e leve toque terroso ao fundo.

Na boca o vinho apresentou corpo médio, boa acidez e taninos macios e sedosos. O retrogosto confirma o olfato e o final era de média para longa duração.

Mais uma boa opção de vinho de Bordeaux que provamos por aqui. O vinho era tão equilibrado, que nem percebi que a garrafa foi esvaziando. Impressionante! Eu recomendo, e muito, a prova do vinho. 

Até o próximo!

Thursday, December 8, 2016

Bruma del estrecho 2014

A Bodegas Viña Elena, produtora do vinho de hoje, foi fundada em 1948 em Múrcia, na Espanha, por Francisco Pacheco, que começou a fazer vinho em uma modesta prensa no lagar de sua casa e que, mais tarde, passou para as mãos de seu filho, Paco Pacheco. Atualmente é a terceira geração que vem tocando este negócio familiar e com muita paixão pelo vinho. A principal variedade da área é a uva Monastrell, que encontra o seu habitat nesta área, servindo três requisitos fundamentais: combinação de casta, composição do solo e do clima. Os vinhedos estão localizados em parcelas com boa orientação solar em um terreno muito rochoso, que permite boa drenagem e conservação da umidade vinda das escassas chuvas da região. O que demonstra a perfeita adaptação desta variedade para o terreno, produzindo pequenas quantidades de uvas, mas de qualidade incomparável.


Sobre o Bruma del estrecho 2014, consegui algumas poucas informações como por exemplo que o vinho é feito com uvas 100% Monastrell, nome dado às uvas Mourvedre cultivadas em Espanha e que aparentemente não tem passagem por barrica. Vamos então as impressões?

Na taça o vinho apresentou coloração rubi violácea de média para grande intensidade com bom brilho e limpidez. Lágrimas finas, espaçadas e quase sem coloração também se faziam notar.

No nariz o vinho apresentou aromas de frutos escuros, notas animais (couro), chá preto e algo de terroso.

Na boca o vinho tinha corpo médio, boa acidez e taninos macios. O retrogosto confirma o olfato e o final era de média para longa duração.

Um delicioso vinho espanhol para o dia a dia e que me pareceu um grande curinga, irá muito bem com vários tipos de comidas e tal. Eu recomendo a prova.

Até o próximo!