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Thursday, November 23, 2017

Quinta do Carmo Tinto 2014

Eu tenho a certeza de que todos nós, vez ou outra, passamos por dias mais pesados onde diversas áreas da vida parece que vão entrar em parafuso. No final, conseguimos lidar com tudo mas o que sobre é aquele cansaço mental e físico que sempre pedem um afago na alma. E foi assim que acabei abrindo o vinho Quinta do Carmo Tinto 2014, vinho este feito por uma das mais conceituadas vinícolas de Portugal, a Bacalhôa Vinhos de Portugal.


A vinícola existe desde 1922 mas ganhou um grande impulso com a parceria com o Grupo Francês Lafitte Rothschild e a aquisição de propriedades como a Quinta do Carmo, por exemplo. O Grupo Bacalhôa possui adegas nas regiões mais importantes de Portugal: Alentejo, Península de Setúbal (Azeitão), Lisboa, Bairrada, Dão e Douro, produzindo uma grande variedade de vinhos, dos mais simples aos topo de gama. A Quinta do Carmo está localizada na região do Alentejo, a poucos quilômetros da cidade de Estremoz. É uma propriedade tipicamente alentejana, com uma área total de 1.000ha, onde estão incluídos 100ha de oliveiras, cereais, plantações de sobreiros e florestas. 

O vinho Quinta do Carmo Tinto 2014 é um blend das castas Aragonez (40%), Alicante Bouschet (30%), Trincadeira (20%) e Cabernet Sauvignon (10%). As vinhas que dão origem ao vinho estão instaladas num vale junto ao sopé da Serra D’Ossa em terrenos argilo-xistosos. Cada casta é vinificada separadamente e é utilizada uma vinificação tradicional com fermentações em tanques de aço inox e em lagares com temperatura controlada. No final da fermentação segue-se uma maceração prolongada (7 a 15 dias). Os vinhos estagiam em barricas de carvalho francês durante 12 meses. No final do estágio é feito o lote final do vinho. Vamos ver como foram as impressões sobre ele?

Na taça o vinho apresentou coloração violácea de grande intensidade com bom brilho e limpidez. Lágrimas mais lentas e ligeiramente coloridas também se faziam notar.

No nariz o vinho apresentou aromas de frutos vermelhos maduros bem maduros, baunilha, especiarias e algo de mentolado.

Na boca o vinho se mostrou encorpado com boa acidez e taninos macios. O retrogosto confirma o olfato e o final era longo e saboroso.

É como eu sempre digo, os portugueses vivem me surpreendendo positivamente. Este sem dúvida é um vinhaço!! Está entre os melhores que já provei. Não é barato, principalmente aqui no Brasil (este foi comprado na própria vinícola, após visita e degustação) mas vale cada centavo!!

Até o próximo!

Tuesday, September 12, 2017

Quinta de Camarate Tinto 2014

Falar da José Maria da Fonseca, produtora do vinho de hoje, é um tanto quanto difícil dado seu tamanho, importância e história no mundo do vinho de Portugal. Para se ter uma ideia, a empresa foi fundada em 1834 e a sua marca mais famosa de vinhos, a Periquita, lançada ainda em 1850. Nem mesmo a morte do fundador, o Sr. José Maria da Fonseca ainda em 1884, fez com que seu legado se perdesse e a família assumiu a empresa, desde então. A partir daí, diversas novas marcas e produtos foram lançados tanto no mercado português como também nos mercados internacionais (o Brasil incluído). Hoje é um dos líderes nas áreas da produção e comercialização de vinhos de mesa e generosos, encontrando-se as suas marcas presentes em mais de 70 países, possuindo mais de 30 marcas, distribuídas por vinhos de mesa, generosos e licorosos, e por cinco regiões: Península de Setúbal, Alentejo, Douro, Dão e Vinhos Verdes.


Situada em Azeitão, perto de Setúbal, a Quinta de Camarate foi adquirida por Antonio Soares Franco Jr. em 1914 e é hoje propriedade dos irmãos António e Domingos Soares Franco, os proprietários da José Maria da Fonseca. Esta quinta tem uma área de 120ha, 39 dos quais estão plantados com vinhas. A restante parte é utilizada para pasto das ovelhas que dão origem ao famoso queijo de Azeitão. As vinhas da Quinta de Camarate estão plantadas em solos argilocalcários, localizados no sopé da Serra da Arrábida. Nesta propriedade foram plantadas, para além das castas destinadas à produção de vinho, castas portuguesas e estrangeiras, que constituem a coleção ampelográfica da José Maria da Fonseca com mais de 560 castas. Com a replantação das vinhas iniciada em 1994 e a introdução de novas castas, foi possível modernizar o estilo dos vinhos lá produzidos.

Falando agora do Quinta de Camarate Tinto 2014, podemos afirmar que o vinho é feito a partir de um corte das castas Touriga Nacional (48%), Castelão (30%), Aragonês (17%) e Cabernet Sauvingon (5%) sem passagem por madeira. Vamos as impressões?

Na taça o vinho apresentou coloração rubi violácea de grande intensidade, bom brilho e limpidez. Lágrimas finas, rápidas e quase incolores se faziam notar.

No nariz o vinho apresentou aromas de frutos escuros, flores, especiarias, toques mentolados e de ervas. 

Na boca o vinho apresentou corpo médio, boa acidez e taninos macios. O retrogosto confirma o olfato e o final era de média duração.

Mais uma boa opção de vinho para o dia a dia trazido pelo Pão de Açúcar e que tende agradar os paladares dos iniciantes e dos mais experientes, por que não? Eu recomendo a prova.

Até o próximo!

Monday, June 19, 2017

Paulo Laureano Vinha das Lebres Reserva 2014

Paulo Laureano é um dos mais conceituados enólogos portugueses e uma referência dos vinhos no Alentejo. Agrônomo, enólogo formado entre Portugal, Austrália e Espanha, depois de ensinar na Universidade de Évora durante 10 anos, resolveu dedicar-se, em exclusivo, aquilo que o move desde 2003, desenhar vinhos. Sobretudo na empresa que criou com a família em 1999 e que foi assumindo uma importância cada vez maior na sua vida. Paulo Laureano define-se como um enólogo minimalista. Para ele desenhar vinhos é uma paixão, desvendar os seus aromas e sabores, avaliar e optimizar as razões da sua identidade e personalidade, promovendo-os como verdadeiras fontes de prazer, são os pontos-chave da sua filosofia. A sua aposta exclusiva nas castas portuguesas, traduz a sua maneira de estar, encarando o vinho como fator de cultura e civilização. Paulo Laureano trabalha com o terroir do Alentejo, que além de ser umas das regiões europeias ambientalmente mais bem preservada, abriga uma das mais importantes áreas de produção de vinho em Portugal. Um clima quente, chuvas reduzidas, solos pobres e excelentes exposições permitem locais de excepcional qualidade para a produção de vinhos.


Sobre o Paulo Laureano Vinha das Lebres Reserva 2014, podemos ainda acrescentar que é um vinho feito com uvas tradicionais portuguesas como Aragonês e Trincadeira aparentemente sem passagem por madeira. Vamos as impressões?

Na taça o vinho apresentou uma bonita cor violácea de média para grande intensidade com algum brilho e limpidez. Lágrimas finas, rápidas e coloridas também se faziam notar.

No nariz o vinho apresentou aromas de frutos vermelhos em compota, chocolate e leve lembrança floral.

Na boca o vinho tinha corpo médio para encorpado, boa acidez e taninos marcados, presentes, mas de boa qualidade. O retrogosto confirma o olfato e o final era de longa duração.

Mais um bom vinho português degustado por aqui, o que só comprova a qualidade dos mesmos e minha predileção. Eu ainda acho que dado o custo benefício, os vinhos portugueses ainda estão na frente Eu recomendo a prova.

Até o próximo!

Friday, November 11, 2016

Magneto Vinho Alentejano Tinto 2015

Situada em Orada, concelho de Borba, a Herdade Penedo Gordo (produtora do vinho de hoje) está geograficamente localizada num microclima sublime para a produção dos vinhos Alentejanos. O clima seco, as amplitudes térmicas acentuadas e a complexidade dos vários tipos de solo, conferem à vinha uma capacidade única de produzir uvas com uma qualidade excepcional. A vinha é composta por 90ha das castas tintas Touriga Nacional, Alicante Bouschet, Aragonês, Trincadeira e Syrah e castas brancas Roupeiro e Antão Vaz. A vinificação é feita na adega localizada bem no centro da vinha, garantindo frescura e qualidade. Além da vinha a Herdade Penendo Gordo conta também com uma grande área de olival com as variedades Cobrançosa e Galega. A equipe de técnicos da Herdade Penedo Gordo acompanha atentamente a vinha para garantir uma vindima com uvas na maturação correta para produção de melhores vinhos.


Já sobre o Magneto Vinho Alentejano Tinto 2015, podemos ainda acrescentar que é um vinho feito a partir de um blend das seguintes castas: Aragonez, Trincadeira, Alicante Bouschet e Touriga Nacional, aparentemente sem qualquer passagem por madeira. Vamos as impressões?

Na taça o vinho apresentou coloração violácea de grande intensidade com algum brilho e boa limpidez. Lágrimas finas, rápidas e com alguma cor também se faziam presentes.

No nariz o vinho apresentou aromas de frutos escuros, flores e algo de especiarias. 

Na boca o vinho tinha corpo médio, boa acidez e taninos finos. O retrogosto confirma o olfato e o final era de média duração.

Mais um ótimo vinho português para o dia a dia, por cerca de 40 dinheiros na rede Pão de Açúcar. Eu recomendo a prova.

Até o próximo!

Thursday, November 3, 2016

Terra Chã Tinto 2014: Bom custo benefício para a #CBE

Depois de um mês tumultuado e sem conseguir postar para a #CBE - Confraria Brasileira de Enoblogs, eis que o Balaio do Victor volta com tudo com o vinho do mês. E o tema proposto desta vez foi feito pela Fabiana Gonçalves, do blog Escrivinhos, que não titubeou: "Sei que como apreciadores de vinhos, nós adoramos quando encontramos um rótulo de boa relação entre preço e qualidade. Tanto é que até no supermercado a gente tenta “garimpar” alguma coisa legal, com um precinho camarada. Então, que tal procurar nas prateleiras das lojas ou mercados uma boa oferta? O ideal é que seja até R$ 40. Vamos à caçada"! E como por aqui missão dada é missão cumprida, chegamos com o Terra Chã Tinto 2014.


O Terra Chã Tinto 2014 é produzido pela Sociedade Agrícola Casal do Conde, que tem a sua origem no início do séc. XX em Vila Chã de Ourique na Região do Ribatejo (Portugal). Com uma raiz familiar, esta Sociedade fundada pelo vinicultor Manuel Henriques, foi sempre caracterizada por um crescimento dinâmico que lhe permitiu chegar ao início do século XXI como uma das maiores produtoras vinícolas do Ribatejo. A sua estratégia de aquisição de algumas das melhores quintas e vinhas da região como a Quinta d’ Arrancosa e as vinhas da Correchana, foram acrescentando capacidade produtiva, e permitiram seguir uma filosofia de produção de vinhos de qualidade. Em 2009, a Sociedade Agrícola Casal do Conde foi adquirida por um grupo de investidores de capitais luso-angolanos que veio a modernizar os seus processos de gestão, a sua estratégia de marketing e o seu posicionamento comercial, dotando-a de uma forte capacidade de investimento. Atualmente, a Sociedade Agrícola Casal do Conde dispõem de 137,5 ha das melhores terras do Vale do Tejo, das quais 75 ha estão cobertos por vinhas. A sua adega localizada junto à povoação de Porto de Muge, tem acompanhado a evolução tecnológica do setor, apostando nos mais avançados processos de vinificação e engarrafamento, espelhando a tradição vinícola da empresa, num contexto de modernidade e confiança no futuro da região vinícola do Tejo como uma referência na produção de vinhos de qualidade em Portugal.

Já sobre o Terra Chã Tinto 2014, podemos ainda acrescentar que o vinho é um blend típico de uvas autóctones portuguesas e internacionais, a saber: Alicante Bouschet, Aragonês, Castelão, Merlot, Syrah e Touriga Nacional. Aparentemente não tem passagem por madeira. Vamos as impressões?

Na taça o vinho apresentou coloração violácea de grande intensidade, bom brilho e limpidez. Lágrimas finas, rápidas e ligeiramente coloridas também se fizeram presentes.

No nariz o vinho apresentou aromas de frutos vermelhos e escuros, flores e leve toque especiado.

Na boca o vinho tinha corpo médio, boa acidez e taninos finos. O retrogosto confirma o olfato e o final era de média duração.

Um bom vinho para o dia a dia, um bom custo benefício e que pode ser encontrado na rede Pão de Açúcar por menos de R$ 40,00 e que a meu ver, vale o investimento. Mais um vinho degustado para #CBE - Confraria Brasileira de Enoblogs. Eu recomendo a prova.

Até o próximo!

Friday, September 18, 2015

Rapariga da Quinta 2012 e Bacalhau: que combinação deliciosa!

Eu sou suspeito quando falo de vinhos portugueses e mesmo da culinária de lá, por que eu sou um grande fã. E tem aquele restaurante português pertinho de casa que sempre parece me chamar, mesmo que inconscientemente, para mais uma boa refeição por lá. Esse restaurante é o Ora Pois, que eu já comentei algumas vezes por aqui (relembrem aqui principalmente) e foi onde eu provei o vinho do post de hoje. Vamos a ele?


Luís Duarte, produtor do Rapariga da Quinta, é um dos enólogos mais renomado de Portugal. Em 1997 foi destacado com o título de Enólogo do Ano pela Revista de Vinhos, uma das publicações especializadas mais prestigiadas de Portugal. Em 2007 repetiu a façanha, conquistando novamente este título. Em 2010, foi nomeado para a categoria “Best Winemaker in the World” do Wine Awards 2010, um concurso realizado pela revista alemã Der Feinschmecker e ficou entre os seis finalistas. Em seus quase 25 anos de carreira, sempre no Alentejo, Luis Duarte vem assinando muitos dos vinhos alentejanos que mais prazer proporcionam e maior sucesso tem alcançado. E recentemente tem nos presenteado com vinhos de seu projeto pessoal, elaborados com suas vinhas, daquelas que circundam a sua casa. (retirado do site do importador, Épice)

Sobre o Rapariga da Quinta 2012, podemos complementar que é um corte das uvas Trincadeira, Alicante Bouschet e Aragonêz sendo que passa por 6 meses de estágio em barrica de carvalho americano. Vamos as impressões?

Na taça o vinho apresentou uma bonita coloração violácea de média intensidade, bom brilho e limpidez. Lágrimas finas, rápidas e ligeiramente coloridas também tingem as paredes da taça. 

No nariz o vinho apresentou aromas de frutos vermelhos, toques de especiarias e de baunilha. Ao fundo de taça também se notava notas tostadas.

Na boca o vinho apresentou corpo médio, boa acidez e taninos macios e fininhos. O retrogosto confirma o olfato e o final era de média para longa duração.


E claro que para acompanhar, nada melhor do que um bom e velho Bacalhau Assado na Brasa com Batatas ao Murro, um show. Eu recomendo a prova, do vinho, do restaurante, enfim, da culinária e dos vinhos portugueses que em geral, tem trazido satisfação e preços mais acessíveis.

Até o próximo!

Monday, August 17, 2015

Paulo Laureano Premium Vinhas Velhas 2013: Tipicidade e referência!

Paulo Laureano é um dos mais conceituados enólogos portugueses e uma referência dos vinhos no Alentejo. Agrônomo, enólogo formado entre Portugal, Austrália e Espanha, depois de ensinar na Universidade de Évora durante 10 anos, resolveu dedicar-se, em exclusivo, aquilo que o move desde 2003, desenhar vinhos. Sobretudo na empresa que criou com a família em 1999 e que foi assumindo uma importância cada vez maior na sua vida. Paulo Laureano define-se como um enólogo minimalista. Para ele desenhar vinhos é uma paixão, desvendar os seus aromas e sabores, avaliar e optimizar as razões da sua identidade e personalidade, promovendo-os como verdadeiras fontes de prazer, são os pontos-chave da sua filosofia. A sua aposta exclusiva nas castas portuguesas, traduz a sua maneira de estar, encarando o vinho como fator de cultura e civilização. Paulo Laureano trabalha com o terroir do Alentejo, que além de ser umas das regiões europeias ambientalmente mais bem preservada, abriga uma das mais importantes áreas de produção de vinho em Portugal. Um clima quente, chuvas reduzidas, solos pobres e excelentes exposições permitem locais de excepcional qualidade para a produção de vinhos.


Sobre o Paulo Laureano Premium Vinhas Velhas 2013, podemos ainda acrescentar que é um vinho feito com uvas tradicionais portuguesas como Aragonês , Trincadeira e Alicante Bouschet sendo que após a fermentação malolática, o estágio decorre em barricas novas de carvalho Francês até o engarrafamento. Vamos as impressões?

Na taça o vinho apresentou uma bonita cor violácea de média para grande intensidade com algum brilho e limpidez. Lágrimas finas, rápidas e coloridas também se faziam notar.

No nariz o vinho apresentou aromas de frutos vermelhos frescos, chocolate, tostado e leve lembrança floral.

Na boca o vinho tinha corpo médio para encorpado, boa acidez e taninos marcados, presentes, mas de boa qualidade. O retrogosto confirma o olfato e o final era de longa duração.

Mais um bom vinho português degustado por aqui, o que só comprova a qualidade dos mesmos e minha predileção. Eu ainda acho que dado o custo benefício, os vinhos portugueses ainda estão na frente Eu recomendo a prova.

Até o próximo!

Monday, March 9, 2015

Paulo Laureano Premium Tinto 2012: O final de semana foi dos patrícios

Em mais um final de semana enofílico e em companhia das pessoas queridas que compõe a minha vida, aproveitei para beber bons vinhos. E, em virtude disso, meu passeio foi pelos vinhos portugueses, sabidamente entre os meus favoritos. E para começarmos bem, o sábado teve o vinho Paulo Laureano Premium Tinto 2012. Vamos ver o que podemos falar sobre ele, seu produtor e afins?



O vinho em questão é feito pela Paulo Laureano Vinus, do famoso enólogo português homônimo. Segundo o site do mesmo: "Paulo Laureano é um dos mais conceituados enólogos portugueses e uma referência dos vinhos no Alentejo. Agrônomo, enólogo formado entre Portugal, Austrália e Espanha, depois de ensinar na Universidade de Évora durante 10 anos, resolveu dedicar-se, em exclusivo, aquilo que o move desde 2003, desenhar vinhos. Sobretudo na empresa que criou com a família em 1999 e que foi assumindo uma importância cada vez maior na sua vida. Paulo Laureano define-se como um enólogo minimalista. Para ele desenhar vinhos é uma paixão, desvendar os seus aromas e sabores, avaliar e optimizar as razões da sua identidade e personalidade, promovendo-os como verdadeiras fontes de prazer, são os pontos-chave da sua filosofia. A sua aposta exclusiva nas castas portuguesas, traduz a sua maneira de estar, encarando o vinho como fator de cultura e civilização". 

Paulo Laureano trabalha com o terroir do Alentejo, que além de ser umas das regiões europeias ambientalmente mais bem preservada, abriga uma das mais importantes áreas de produção de vinho em Portugal. Um clima quente, chuvas reduzidas, solos pobres e excelentes exposições permitem locais de excepcional qualidade para a produção de vinhos. O vinho Paulo Laureano Premium Tinto 2012 é um corte das uvas portuguesas Aragonês , Trincadeira e Alicante Bouschet com estágio em madeira. Vamos as impressões da degustação do vinho?

Na taça o vinho mostrou um bonita cor rubi violácea de grande intensidade com leve halo granada. Lágrimas finas, rápidas, ligeiramente colorida e em grande quantidade também compunham o aspecto visual.

No nariz o vinho apresentou aromas de frutos vermelhos, toques florais, chocolate e madeira.

Na boca o vinho mostrou corpo médio, boa acidez e taninos macios. Retrogosto confirma o olfato e o final é de longa e saborosa duração.

O que falar? Mais um bom vinho português degustado por aqui, o que só comprova a qualidade dos mesmos e minha predileção. Eu ainda acho que dado o custo benefício, os vinhos portugueses ainda estão na frente Eu recomendo a prova.

Até o próximo!

Wednesday, January 28, 2015

Montefino Reserva Tinto 2005

Mudando um pouco o foco das postagens dos últimos tempos, onde falamos em grande maioria de vinhos brancos e espumantes, buscamos um vinho tinto com carácter jovem, frutado, irreverente e sem pesar na hora de bebe-lo face as altas temperaturas que vemos por aqui nas últimas semanas. O escolhido para a tarefa é um portuguesinho do Alentejo que formam pra mim a melhor gama na relação custo x benefício, quando falamos de vinhos europeus. Casam muito bem com meu gosto pessoal, possuem muito carácter e expressão, grande vocação gastronômica e não ferem demais o meu bolso. Mas horas pois, qual o vinho no final das contas? Era o Montefino Reserva Tinto 2005.


O vinho em questão é produzido pela Herdade Monte da Penha, propriedade familiar que possui 139 hectares, dos quais apenas 22 são de vinhas. Está localizada em Portalegre, a capital do Norte Alentejano e foi adquirida por Francisco Fino e sua mulher, Verônica, em meados dos anos 1980. Um pouco da história deste projeto vitivinícola em Portugal pôde ser retirado do próprio site da vinícola: “Desde o início do século XX, altura em que Joaquim da Cruz Baptista planta as primeiras vinhas da “Tapada de Chaves”, que esta família está ligada à concepção de vinhos de elevada qualidade em Portalegre. O sucesso do projeto, iniciado por Joaquim da Cruz Baptista inspirou a sua única filha, Gertrudes, a continuar o seu legado e, de forma apaixonada, a levar este projeto mais além, tornando-se conhecida pela sua experiência e dedicação ao mundo do vinho. Em 1987, o seu filho Francisco Fino, companheiro nos seus projectos vinícolas, decide plantar uma vinha de 12 hectares na sua propriedade. Esta vinha contribuiu para fazer os vinhos, branco e tinto, do “Tapada de Chaves”. Com a venda da “Tapada de Chaves” em finais de 1998, Francisco Fino decide, juntamente com a sua família, partir para um novo projeto, o “Monte Da Penha”.

Sobre o Montefino Reserva Tinto 2005, podemos dizer que é um vinho composto por várias das uvas autóctones da região, a saber: Touriga Nacional, Aragonês, Alicante Bouschet e Trincadeira. Passa ainda um ano em pipas de carvalho francês Allier (250 e 500 litros). Por fim, estagia pelo menos 6 meses em garrafa antes de ser liberado ao mercado. Vamos as impressões?

Na taça o vinho mostrou uma coloração rubi violácea de média para grande intensidade com tendência ao granada, mostrando halo de evolução. Lágrimas finas, rápidas e incolores também se faziam notar.

No nariz o vinho apresentou aromas de frutos de frutos vermelhos maduros, leve toque floral e de especiarias.

Na boca o vinho apresentou médio corpo, taninos finos, macios e acidez ainda viva. Retrogosto confirma o olfato e o final era de média duração.

Mais um bom vinho português provado por aqui, fez companhia a um belo salmão assado com alcaparras e tomates cereja, purê de mandioquinha e aspargos no vapor. Mais uma noite daquelas de inspiração da minha esposa na cozinha deu nisso. Eu recomendo a prova, do vinho. 

Até o próximo!

Sunday, September 28, 2014

Ervideira Invisível 2012: Um vinho português que vai te surpreender!


Continuando com algumas surpresas da prova de vinhos do Alentejo que sucedeu a Materclass "A arte do corte", Portugal sempre surpreende com alguns vinhos interessantes, o que não foi diferente com este Ervideira Invisível 2012. Vamos ver os por quês abaixo?


As herdades do Monte da Ribeira e da Herdadinha, pertencem à família Leal da Costa, descendente direta do Conde de Ervideira, agricultor de sucesso dos séc. XIX e XX. O Conde, que recebeu o título de D. Carlos I pelo função social que a família desempenhava na região, deu início à produção de vinho em 1880 como atestam as garrafas que ainda hoje a empresa exibe na sala de provas. Com 160ha de vinhedos divididos pela Vidigueira (110ha) e por Reguengos (50ha), a administração da Ervideira é assegurada por Dona Maria Isabel, a matriarca da família, e pelos seus seis filhos, sendo Duarte Leal da Costa o diretor executivo. A direção enológica é da responsabilidade de Nelson Rolo.

Sobre o Ervideira Invisível 2012, a surpresa principal: é feito a partir da casta Aragonêz, uma casta típica portuguesa que é tinta, mas que aqui foi vinificada em branco pelo pouco (ou quase nenhum contato) do mosto com as casas das uvas. Não passa por barricas de carvalho. Vamos as impressões?

Na taça o vinho mostrou uma coloração amarelo palha bem clara, quase prateada, com reflexos verdeais com muita transparência e brilho. Lágrimas finas, rápidas e sem cor também compunham o aspecto visual.

No nariz o vinho apresentou aromas de pêras, herbáceo e leve toque de especiarias.

Na boca o vinho se mostrou de corpo leve para médio com bom frescor. Retrogosto confirma o olfato e o final é de médio para longa duração.

Um bom vinho português, além do curioso fato da maneira como é produzido. Eu recomendo a prova.

Até o próximo!

Friday, September 26, 2014

Masterclass Vinhos do Alentejo: A Arte do Corte

No último dia 15 de Setembro aconteceu no Hotel InterContinental São Paulo a Masterclass ‘A Arte do Corte’, conduzida pelo crítico de vinhos português Rui Falcão através da Comissão Vitivinícola Regional Alentejana. O evento foi organizado pela Essência do Vinho e integra a programação do Tasting anual da CVR Alentejana, que aconteceu no mesmo dia. A assessoria de imprensa ficou a cargo da sempre competente Alessandra Battochio Casolato através da CH2A Comunicação, mestre no quesito. Na prova, Rui Falcão falou sobre como o Alentejo tem conseguido combinar diferentes variedades de uvas alcançando vinhos que são um conjunto superior à soma das partes. Complicado né? Vamos ver a seguir se consigo simplificar um pouco o que aconteceu por lá.


Primeiro é preciso dizer que, se você um dia tiver a oportunidade de visitar Portugal (eu ainda não tive, mas vou ter) nunca diga que você quer um vinho de corte. Eles não vão entender! Afinal quase tudo que se faz por lá é a mistura de mais de uma uva. E mais, lá se você quiser realmente conversar sobre o assunto, fale em vinho de "lote". Enfim, particularidades da língua. E foi mais ou menos assim que Rui começou a aula, ou melhor, o show.


Mas a pergunta que começou a povoar a cabeça dos presentes (mentira, começou a povoar a minha cabeça) era o por que do uso quase que integral de cortes dos vinhos ao invés de se pensar em vinhos varietais. E Portugal, através de Rui Falcão, justificou: pluralidade de uvas autóctones, complementação de uma uva com a outra (características distintas), preferência pura e simples entre outros motivos. O mistério começava a se desfazer. 


Antes porém é preciso ressaltar que o Alentejo é uma das regiões mais consumidas no mundo. Some-se a isso o fato de se produzir vinho por lá a milhares de anos e as recentes inovações tecnológicas que por lá se empregaram para termos uma região muito interessante para se provar. E nada melhor do que provar vinhos e tentar entender o que acontece por lá. De brancos a tintos, muita coisa boa passou pelas taças. Vamos aos astros principais:


Adega de Borba Tinto 2012: corte de Aragonês, Trincadeira e Alicante Bouschet com uma cor bastante escura e vibrente, frutos escuros, caramelo e toques florais no nariz. Na boca tem um corpo médio, boa acidez e taninos marcados. Final de médio para longo;

Cortes de Cima Tinto 2011: aqui já entram uvas internacionais como Petit Verdot e Syrah com as tradicionais Touriga Nacional e Aragonês. Violáceo de grande intensidade, fruta, flor, especiarias e tostado no nariz e confirmado no paladar. Taninos marcados, bom corpo e acidez na medida;

Esporão Reserva Branco 2013: feito a partir das castas Arinto, Antão Vaz, Roupeiro e Semillon, este branco tinha coloração amarelo palha bem clarinha e brilhante, aromas de maracujá, lichia, coco e tostado. A acidez era marcada com um corpo médio e um final de média duração;

Vila Santa Reserva Branco 2012: este tem em sua composição Arinto, Alvarinho e Sauvignon Blanc. Mostra alguma evolução para um amarelo dourado com toques herbáceos, de abacaxi e maracujá no nariz. Na boca é untuoso, mineral e fresco com um final de longa duração;

Tinto da Talha Grande Escolha Tinto 2009: talvez um dos melhores, senão o melhor da noite, feito com um corte simples Alicante Bouschet/Touriga Nacional já apresentava traços evolutivos granada com muita complexidade aromática: fumo, fruta, floral, medicinal e toques terrosos. Na boca mostrou corpo e acidez invejáveis com taninos bem marcados e um final longo e delicioso;

Dona Maria Reserva Tinto 2008: corte de Alicante Bouschet, Syrah e Petit Verdot trazendo aromas frutas, balsâmico e toques animais. Guloso e encorpado na boca, com taninos macios e uma boa acidez. Um vinho mastigável e delicioso;

Paulo Laureano Premium 2012: famoso bigode do mundo do vinho, seu vinho é um corte de Alicante Bouschet, Trincadeira e Aragonês de coloração violácea escura e sem transparência, com muita fruta e especiaria em primeiro plano. Encorpado, taninos marcados e de boa acidez.

E foi assim que essa intrigante região vinícola, eleita como umas das melhores do mundo para se visitar por uma publicação americana, se apresentou neste dia. Muita diversidade, muitas uvas e muito vinho bom.

Até o próximo!

Friday, July 25, 2014

Venâncio Costa Lima Vale Pereiro Tinto 2012: Um brinde português!

O sucesso tem como definição uma consequência favorável, um resultado bom, um acontecimento favorável, enfim, quando algo planejado sai como esperado ou excede as expectativas. O sucesso também tem sido motivo de brindes ao longo do tempo e o vinho que irei falar hoje nasceu de uma ocasião de sucesso. Lembram que a alguns dias atrás postei sobre uma degustação de vinhos portugueses que tive a oportunidade de participar na loja Vinhos de Bicicleta de São José dos Campos (relembrem aqui)? Então, devido ao grande sucesso que o evento foi (praticamente esgotado em seus dois dias), o proprietário da loja, Rodrigo Ronconi Ferraz, sacou o Venâncio Costa Lima Vale Pereiro Tinto 2012 e ao final do evento propôs um brinde para celebrar.


A Vinícola Venâncio da Costa Lima, produtora do Venâncio Costa Lima Vale Pereiro Tinto 2012, é uma das adegas mais antigas da região de Palmela, em Portugal, com início das atividades ainda em 1914. Sendo um negócio familiar, esta adega já estas nas mãos da quarta geração. Seu fundador, Venâncio da Costa Lima, nasceu em 1892 , na povoação de Quinta do Anjo e em 1914 fundou a Casa Agrícola de mesmo nome. Durante a sua vida, tornou-se pessoa muito considerada e estimada na região, ocupando inclusive a posição de prefeito de Palmela. É produtora de vinhos de mesa, Vinhos Certificados (Regional Península de Setúbal e DO Palmela) e Moscatel de Setúbal, tendo inclusive sido reconhecida recentemente como produtor do Melhor Moscatel do Mundo (Muscats du Monde 2011). Sobre o vinho, um corte de 80% de Aragonês e 20% de Castelão com estágio em madeira que lhe confere maior estrutura e complexidade. Atinge 13% de graduação alcoólica. Vamos às impressões?

Na taça o vinho apresentou uma bonita cor rubi violácea de grande intensidade, bom brilho e pouca transparência. Lágrimas finas, rápidas e coloridas também faziam parte do conjunto visual.

No nariz o vinho mostrou aromas de frutos vermelhos maduros, baunilha e toques florais. 

Na boca o vinho apresentou corpo de médio para encorpado, boa acidez e taninos macios e redondos. Retrogosto confirma o olfato e o final é de longa e saborosa duração.

Mais um bom vinho português que provo por aqui, fechou com chave de ouro uma noite bem bacana. Eu recomendo.

Até o próximo!

Tuesday, July 22, 2014

Vinhos de Bicicleta apresentou: Noites Portuguesas!

Na noite do último dia 17 de julho, tive a oportunidade de participar de uma degustação pra lá de especial na loja Vinhos de Bicicleta, em São José dos Campos no interior do estado de São Paulo. Desta vez, o pessoal da Vinhos de Bicicleta receberia em seu espaço, um simpático casal de portugueses que desde quando vieram de Portugal, buscaram trabalhar com suas origens e montaram por aqui uma importadora de vinhos. Esses profissionais do mundo do vinho iriam conduzir uma degustação especial de rótulos lusitanos de alto padrão. Os vinhos selecionados são verdadeiras raridades no Brasil e expressam as diferentes faces do sul de Portugal. A harmonização fora feita com comidas portuguesas típicas, especialmente preparadas pela talentosíssima chef de cozinha, Adriana Rebouças.


A Vinhos de Bicicleta nasceu primeiramente como um clube de vinhos, depois de uma viagem de seu fundador, Rodrigo Ferraz, a Mendoza na Argentina. Esta viagem tinha como foco bodegas de pequeno porte, as chamadas bodegas boutique ou familiares (já falei sobre isso aqui) e a atmosfera intimista com os vinhos artesanais de cada lugar. Rodeado de história, aromas e sabores, inebriado pela paisagem percorrida, Rodrigo veio com a idéia de fundar um clube de vinhos com foco neste estilo de vinho, e começou a garimpar exemplares ao redor do mundo. Algum tempo depois conseguiu ainda abrir uma loja física com espaço para eventos/degustações e voilá, lá estávamos na sede da Vinhos de Bicicleta. E devo dizer que a loja física deles é muito bacana, uma boa seleção de rótulos, espaço aconchegante e muito bem localizada em São José dos Campos, no interior de São Paulo.


O primeiro vinho da noite foi o Casal do Cerrado Tinto 2012, vinho este produzido pela Vinícola Venâncio da Costa Lima, uma das adegas mais antigas da região de Palmela, em Portugal, com início das atividades ainda em 1914. Sendo um negócio familiar, esta adega já estas nas mãos da quarta geração. Seu fundador, Venâncio da Costa Lima, nasceu em 1892 , na povoação de Quinta do Anjo e em 1914 fundou a Casa Agrícola de mesmo nome. Durante a sua vida, tornou-se pessoa muito considerada e estimada na região, ocupando inclusive a posição de prefeito de Palmela. O vinho em questão é um corte de 80% Castelão e 20% Aragonez da região de Península de Setúbal, mas ao sul de Portugal e sem passagem por madeira. Sendo assim se mostrou um vinho jovem, fácil de beber, de coloração violácea e aromas de frutos vermelhos bem maduros, corpo médio e boa acidez. Um excelente vinho para o dia a dia. Este vinho foi harmonizado com uma releitura de uma torta típica portuguesa, que recebe presunto, cebola, ervilhas e ovo cozido em seu recheio. Começávamos a noite de maneira bacana.


O segundo vinho mostrado foi o Vidigueira Tinto, vinho este produzido pela Adega Cooperativa da Vidigueira, na região do Alentejo, em Portugal. A vinícola iniciou a sua atividade em 1963, porém a sua história vai muito além dos seus 50 anos de existência, tendo antigas raízes que se entrelaçam com a história da própria Vila da Vidigueira e da história da família dos Gama. Tanto é assim que o vinho faz parte de uma trilogia (Atos I, II e este, o III) que representam passagens das histórias dos navegantes portugueses e as rotas para as Índias. Pois bem, este vinho é um corte de Trincadeira, Aragonez e Alicante Bouschet, porém desta vez com estágio em carvalho. Já se apresenta com uma coloração rubi com tendências granada, aromas de frutos vermelhos, especiarias e toques de baunilha. Na boca possui corpo médio para encorpado, taninos redondos e uma boa acidez. Tem um final de média para longa duração. Eu diria que está no mesmo nível do primeiro porém um pouco mais complexo. Desta vez a harmonização se deu com um espeto de azeitona recheada e presunto cru. Delicioso!


O terceiro vinho da noite foi o Herdade da Figueirinha Reserva 2011, desta vez produzido pela Vinícola Monte Novo e Figueirinha, novamente na região do Alentejo, em Portugal. Foi fundada em 1998 e tem uma área de 300 hectares de terra plana e boa qualidade, perto de S. Brissos, a cerca de 5 km de Beja, no Alentejo, a região sul de Portugal. O Herdade da Figueirinha Reserva 2011 é um vinho Regional Alentejano produzido a partir das castas Trincadeira, Aragonêz, Alicante Bouschet, Syrah e Cabernet Sauvignon com passagem por carvalho. Possui coloração violácea de grande intensidade, bom brilho e pouca transparência. Aromas de frutos vermelhos em compota, pimenta e baunilha. Taninos presentes, macios, bom corpo e acidez refrescante. Continuávamos a subir o patamar dos vinhos apresentados. Harmonizado com salada de bacalhau e batatas, foi bem.


E chegávamos ao ápice da noite, o Fonte Mouro Reserva 2004, da mesma vinícola do vinho acima. Outro vinho Regional Alentejano, produzido a partir de uvas das castas Trincadeira, Aragonêz, Alfrocheiro, Alicante Bouschet e Cabernet Sauvignon com estágio em barricas de carvalho francês e americano durante 12 meses. Detalhe: o vinho ficou respirando por cerca de uma hora em decanter antes da prova. Um vinho de coloração rubi com tendência granada e aromas que remetem a frutos escuros maduros, especiarias, notas de flores toques de baunilha. Em boca se mostrou encorpado e opulento, taninos já amaciados com o tempo e acidez ainda viva. Retrogosto confirma tudo até aqui descrito com um belo e longo final. Um baita vinho! Foi harmonizado com, opa, nem me lembro direito pois ele por si só já era um deleite!

Ao final a noite, também era hora de aproveitarmos uma mesa com azeites, queijos e antepastos especialmente preparados para o evento. Era hora de nos despedirmos de mais um evento sensacional. E com alguns brindes em outros vinhos que relatarei depois, no tempo adequado, saímos com a sensação de quero mais. Se estiverem em São José dos Campos e ainda não conhecem a Vinhos de Bicicleta, recomendo que o façam.
Até o próximo!

Monday, July 29, 2013

Herdade do Rocim Tinto 2009


A volta dos que não foram! Dando continuidade, mesmo que tardia ao Winebar realizado em 17 de junho, onde não tive tempo hábil de provar e postar sobre os vinhos da noite, agora consegui a oportunidade perfeita para postar minhas impressões sobre este amigo patrício aqui, o Herdade do Rocim Tinto 2009.


Como já comentei no post anterior sobre o assunto (aqui), este é mais um vinho regional Alentejano (dos quais sou normalmente muito fã) e que apresenta características muito particulares e marcantes. Produzido a partir de várias castas autóctones (como costume na região e no país) e uma internacional intrusa, a saber: Alicante Bouschet, Aragonez, Syrah, Touriga Nacional e Trincadeira o vinho tem um teor alcoólico de 14% e Amadurece 80% em barricas de carvalho francês e 20 % em barricas de carvalho americano. Vamos as impressões.

Na taça o vinho apresentou cor rubi violácea de média intensidade, alguma transparência e brilho. Lágrimas finas, rápidas e ligeiramente coloridas compunham ainda o conjunto visual.

No nariz o vinho mostrou aromas de frutas vermelhas, toques de especiarias e lembrança de chocolate. Tudo muito harmônico e com boa intensidade.

Na boca o vinho tinha corpo médio, acidez um pouco mais baixa do que eu gostaria (embora eu ache que esta é uma característica mais ou menos comum aos vinhos da região) e taninos macios e redondos. Retrogosto confirma muita fruta e chocolate na boca. Final de média duração.

Um vinho correto, sem defeitos e que pode agradar principalmente aos menos experientes pela sensação mais doce em boca, conjunção do frutado, teor alcoólico e traços de amadurecimento em barrica. Vale conhecer, embora seu irmão "mais velho" seja incomparável.

Até o próximo!

Wednesday, November 14, 2012

Bastardo 2010: vinho português com muito bom humor

Ontem foi dia de mais um Winebar, desta vez com os vinhos portugueses da linha "Wine with Spirit" que estão sendo trazidos ao Brasil pelas mãos da importadora abflug e do competentíssimo Marcelo Toledo. 

Esta linha de vinhos possui um conceito interessante, onde os vinhos são vendidos como emoções engarrafadas, sendo que cada um representa uma emoção e serviria para uma ocasião específica. Além isso, são feitas pesquisas exaustivas com relação a todos os aspectos que envolvem o vinho e sua comercialização, tais como elementos visuais, blend que mais se adequa ao vinho e assim por diante. Uma das principais jogadas de marketing da empresa foi a criação também do conceito de enotainment, ou seja, entretenimento tendo como pano de fundo o vinho, o consumo do mesmo e as emoções que ele ajuda a intensificar, ou esquecer. Esta comunicação ousada faz com que a empresa esteja hoje muito bem posicionada no mercado, atingindo diversos mercados na América do Sul, Ásia, Europa e buscando uma expansão contínua.


Na noite de ontem começamos provando o vinho Bastardo 2010, um rosé não muito usual, corte das uvas Castelão (45%), Aragonez (25%) e Trincadeira (30%) provenientes da região de Península de Setúbal, em Portugal. Vejam o que a Wine with Spirit coloca no contra rótulo do vinho: "Pessoas furiosas por amor terão prazer ao saborear um copo deste fluido mágico que anulará a existência deste ser. Escrever uma dedicatória no rótulo, em honra de uma determinada pessoa, vai ajudar a refrescar a temperatura e carregar um vídeo no micro site vai ajudar a arrefecer a raiva. A comunidade on-line de apreciadores de Bastardo! será uma ferramenta poderosa para revelar o lado feminino do vinho que aguarda a sua libertação. À tua Bastardo!". Precisa falar alguma coisa mais? Acho que não. Vamos então as impressões sobre o vinho.

Na taça apresentou uma cor mais escura do que os convencionais rosés de Provence com bom brilho e limpidez. Lágrimas finas, incolores completavam o aspecto visual.

No nariz o vinho se mostrou bem simples com aromas marcantes de frutas vermelhas frescas e algo que me lembrava açúcar queimado, calda de pudim sabe? Ao fundo leve toque floral. 

Na boca o vinho apresentou um corpo médio, mais do que esperado pra um rosé, uma acidez um pouco mais baixa do que eu gostaria mas sem comprometer e taninos bem finos e macios. Retrogosto marcado por muita fruta vermelha e uma lembrança de algodão doce. Achei engraçado mas foi isso que me lembrou. 

Um vinho simples, que acerta na proposta de bebida despretensiosa, sem muita frescura e que servirá muito bem pra um happy hour ou mesmo bebericar sem motivos. Até minha namorada, que não havia tido experiências anteriores com vinhos rosés, achou o vinho interessante e gostoso. A marca acerta em cheio no seu público alvo! Eu recomendo!

No próximo post continuamos com os vinhos do Winebar. Até lá!

Sunday, February 5, 2012

JP Azeitão Tinto 2010

Noite dessas em que não havia muito o que se fazer eu estava com muita vontade de tomar um vinhozinho simples só pra curtir o tempo passar. E eu me deparei com este vinho, que apesar de até então ser desconhecido, era da gigante Bacalhôa Vinhos de Portugal, que entre outros faz os ícones Palácio da Bacalhoa e o Quinta da Bacalhoa, sendo que o primeiro já foi comentado aqui (relembre o post). 

JP é a linha de entrada da vinícola, com a proposta de consumo rápido e jovem, o vinho é um corte de 60% Castelão, 30% Aragonez e 10% Syrah. Aliás, para quem ainda não associou o nome, Castelão é a famosa uva  conhecida também por Periquita, e dá nome a um dos mais famosos vinhos portugas em terras brasilis. Mas voltando ao nosso motivo do post, o vinho também não passa por madeira.


Na taça o vinho apresentou uma cor violácea bem escura, intensa e brilhante. Lágrimas finas, levemente coloridas e rápidas compunham o conjunto visual.

No nariz o vinho apresentou muita fruta, lembrando ameixas pretas, uvas passas e algo de goiaba. Um vinho bem explosivo, um pouco diferente do que eu esperava mas muito agradável.

Na boca o vinho mostrou taninos finos, quase imperceptíveis, acidez um pouco baixa mas sem desagradar e corpo de leve para médio. Trouxe frutas de novo no retrogosto, e manteve-se assim num final de curto para médio. 

Um vinho simples, sem defeitos e que deve agradar até as pessoas que não são consumidoras costumeiras de vinho, pois tem aquela sensação de dulçor durante a degustação. Eu recomendo.

Até o próximo!

Thursday, December 29, 2011

Ciconia 2010

Eu sempre venho confirmando uma de minhas teses de que, quando se quer um vinho bom e barato, procure entre os portugueses e normalmente você terá gratas surpresas. E como foi o caso deste vinho de hoje. Indicação de uma amiga, este exemplar alentejano não decepcionou!

Produzido pela Herdade de São Miguel, que fica ali na Vila de Redondo no Alentejo, este é um dos vinhos de entrada da Herdade e tem em sua composição as castas Aragonês, Syrah e Touriga Nacional e tem 10% do vinho produzido estagiando em carvalho francês novo. O vinho inclusive já recebera boas críticas em publicações especializadas, como Decanter e Wine Spectator. Bom, depois de tantos elogios, vamos as impressões sobre o vinho, certo?


Na taça uma bonita cor violácea escura, brilhante e de certa transparência. Lágrimas finas, incolores e bem rapidinhas escorriam pelas paredes da taça.

No nariz o vinho apresentava aromas de frutos vermelhos maduros, quase em compota, alguma coisa de floral, especiarias e um toque de café com leite ao fundo. Tudo muito elegante, sem exageros.

Na boca o vinho tinha corpo médio, boa acidez, taninos finos, delicados e bem fundidos ao vinho. Álcool imperceptível, apesar dos mais de 13% de teor. Final de média persistência trazendo frutas e café com leite no retrogosto. Sem amargor final.

Um vinho muito bem feito, sem defeitos e que pelo preço pago (algo em torno de 29 dinheiros) é mais do que um belo custo benefício. Eu recomendo e agradeço a dica!!!

Até o próximo!