Monday, February 29, 2016

Valdehermoso Roble 2011: a Espanha em sua plena forma!

A Bodegas Y Viñedos Valderiz, produtora do vinho em questão, teve início em 1980, quando Tomás Esteban, estudando as propriedades da família em Roa, no coração de Ribeira del Duero, percebeu que as condições climáticas e geológicas eram ideais para a plantação de videiras de alta qualidade, configurando atualmente um das mais reconhecidos vinhedos da região. Desde então, a família dedica-se totalmente à vinícola, elaborando vinhos de alta qualidade, fiel reflexo da filosofia da família Esteban e de seus vinhedos. A vinícola aposta na simplicidade do processo através de práticas ecológicas e biodinâmicas e acredita que a uva deve transmitir e oferecer todas as suas virtudes intrínsecas. Atualmente, a área plantada da Bodegas Y Viñedos Valderiz é composta de 60 hectares plantados por Tomas Esteban e 10 hectares de vinhas que conseguiu preservar plantadas por seu pai, criando um conjunto de mais de 35 parcelas localizadas em diferentes solos.


Sobre o Valdehermoso Roble 2011, podemos acrescentar que é um vinho feito com 100% de uvas Tempranillo (chamada também de Tinta Del País, por lá) e tem passagem por 8 meses em barricas de carvalho francês e americano (80% e 20% respectivamente), além de um período em garrafa antes de ser colocado no mercado. Vamos as impressões?

Na taça o vinho apresentou uma bonita coloração rubi violácea de média intensidade, algum brilho e boa limpidez. Leve halo com tendência granada. Lágrimas finas, rápidas e incolores se faziam presentes também.

No nariz o vinho apresentou aromas de frutos vermelhos, especiarias, baunilha e leve lembrança de tostado ao fundo de taça.

Na boca o vinho apresentou corpo médio, boa acidez e taninos sedosos. O retrogosto confirma o olfato e o final era longo, delicado e saboroso.

Um elegante e saboroso vinho espanhol, que foi um belo escudeiro para uma maminha assada em cama de sal grosso e mandioca frita. Foi uma bela harmonização que deixou saudades no paladar. Eu recomendo a prova do vinho. Ah, e a harmonização deixo a cargo de vossa imaginação, mas a sugestão fica aqui também: carnes vermelhas assadas.

Até o próximo!

Friday, February 26, 2016

Dica de Leitura: “Gastronômade Brasil – Vinhos e Espumantes”

Prezados leitores, hoje venho aqui utilizar este espaço que criei para curtirmos e discutirmos mais sobre o mundo do vinho para divulgar o trabalho de uma pessoa que, graças a este mundo do vinho, tive a oportunidade e a honra de conhecer. E agradeço muito por isso, pois ela entende muito do assunto e é sempre muito bacana quando o assunto é compartilhar conhecimento. Estou falando da Alessandra Esteves, autora também dos livros “Vinhos da Austrália” e “Vinhos da Itália”, editora do site www.alessandraesteves.com e apresenta um podcast de vinhos gravado em português e atualizado semanalmente. Ela ainda lançou o aplicativo para smartphones “Dama do Vinho”, que reúne informações diversificadas para os amantes do vinho num mesmo lugar, como dicas de harmonização, notícias, vídeos e uma biblioteca com boas sugestões de livros sobre o assunto.


A Alessandra Esteves, especialista em vinhos, está envolvida em mais um trabalho interessante, no qual apresenta um verdadeiro guia sobre os melhores vinhos e espumantes produzidos no Brasil. Alessandra é autora do livro “Gastronômade Brasil – Vinhos e Espumantes”, em parceria com Renata Runge, que escreve sobre gastronomia na publicação. O livro será lançado no próximo dia 16 de março, com autógrafos e coquetel, na Livraria da Vila, no shopping JK Iguatemi (Av. Presidente Juscelino Kubitschek, 2041), em São Paulo (SP), das 18h30 às 21h30. No coquetel, mais de 10 vinícolas nacionais de peso, como Chandon, Miolo e Cave Geisse, entre outras, apresentarão seus vinhos aos convidados.

Em 70 páginas do livro – de um total de 175 -, Alessandra avalia vinhos e espumantes de várias regiões brasileiras, incluindo novas áreas de produção, como o interior de São Paulo, o Rio Grande do Sul na fronteira com o Uruguai e até o Nordeste. Além disso, também harmoniza as bebidas com todas as receitas apresentadas na publicação. Inspirado no conceito do famoso festival gastronômico norte-americano “Outstanding in the Field”, a proposta do Gastronômade é de ser um “restaurante sem paredes”, uma vitrine itinerante da sustentabilidade, conectando gastronomia de qualidade, gourmands e produtores locais. Com 48 edições já realizadas e quase 5.000 pessoas servidas, o grupo retorna em março a cinco estados do Brasil para mais uma rodada de eventos e aproveita a temporada para lançar o livro “Gastronômade Brasil – Vinhos e Espumantes”, um marco para comemorar o quinto ano do projeto no País e celebrar os prazeres de criar, preparar e desfrutar de boa comida. O livro teve o apoio da Tozzini Freire Advogados, através da Lei Rouanet .

Só me resta dizer que estarei presente no dia do lançamento, tietando e aplaudindo mais este excelente trabalho desta pessoa incrível que tem se dedicado aos vinhos com muito esmero e que tem colhido os frutos de tal dedicação. Ficam aqui meus votos de sucesso, cada vez mais.

Até o próximo!

Wednesday, February 24, 2016

Woodbridge Zinfandel 2013 By Robert Mondavi

Sabe aquele dia em que você quer somente chegar em casa, tomar um vinho e ficar ao lado de quem lhe faz bem? Então, nestas ocasiões costumamos não escolher um vinho que te faça pensar, um vinho complexo e sim aquele vinho que te da prazer, que lhe trás saciedade e que te conforta. Foi nesta vibe que eu tirei o Woodbridge Zinfandel 2013 da adega. Vamos conhecer um pouco mais sobre o ícone (Mondavi) e sobre o vinho?


No início de 1900, Cesare e Rosa Mondavi, recém-casados ​​vieram de Sassoferrato no norte da Itália, estabelecendo-se em Minnesota, nos Estados Unidos. Em 1919, a Lei Nacional de Proibição foi aprovada, proibindo a venda de álcool. Isso parecia incompreensível para famílias italianas, a quem o vinho foi era um elemento imprescindível da vida diária. Felizmente, uma brecha na lei permitiu que as pessoas produzissem 200 litros de vinho por ano para o consumo familiar. Cesare envolveu-se no negócio de transporte de uvas para vinho da Califórnia para os locais onde as mesmas seriam vinificadas e notou que a maioria das uvas estavam vindo de um lugar chamado "Lodi" na Califórnia. Percebendo uma oportunidade ele mudou com sua família, que neste momento também incluía um Robert Mondavi, começando seu próprio negócio de envio de uvas rumo ao leste do país para famílias ítalo-americanos. O primeiro trabalho de Robert foi pregar os caixotes que seriam utilizados para o transporte das uvas. Depois de estudar negócios e química na Universidade de Stanford e tendo um curso intensivo em viticultura e enologia na Universidade da Califórnia em Berkeley, Robert Mondavi mergulhou em todos os aspectos da indústria do vinho. Foi então que, mais de trinta anos atrás, Robert Mondavi estabeleceu uma cultura do vinho na América do Norte, colocando grandes vinhos da Califórnia na mesa de cada cidadão americano. Em 1979 ele estabeleceu a Woodbridge Winery perto de sua casa de infância de Lodi, Califórnia, para fazer vinhos com foco no consumo diário.

Sobre o Woodbridge Zinfandel 2013, podemos ainda acrescentar que é um  vinho que, embora seja rotulado como varietal, tem uma série de outras uvas em pequenas porcentagens incluídas em sua composição final. Por fim, o vinho passa por algum tempo de maturação em carvalho francês e americano. Vamos as impressões?

Na taça o vinho apresentou coloração violácea de grande intensidade com algum brilho e boa limpidez. Lágrimas finas, rápidas e coloridas também se faziam notar.

No nariz o vinho apresentou aromas de frutos escuros, especiarias (pimentas e canela) e leve toque de ervas.

Na boca o vinho tinha corpo médio, boa acidez e taninos macios. O retrogosto confirma o olfato e o final era de média para longa duração. 

Mais uma boa opção de vinho americano a um bom custo considerando o mercado brasileiro (em torno de 50 dinheiros, comprado no Spani Atacadista). Eu recomendo a prova.


Até o próximo!

Tuesday, February 23, 2016

De Perrière Blanc de Blancs Brut: Borbulhas diretamente da Borgonha!

Nada como estarmos em um país tropical, no verão, para darmos um motivo a mais para aumentarmos o consumo de espumantes, não é mesmo? E como, apesar de conhecer a qualidade dos espumantes brasileiros, nada como buscar alguma alternativas e conhecer novos vinhos. E foi assim que cheguei ao espumante De Perrière Blanc de Blancs Brut.


O espumante é produzido pela Boisset La Famille Des Grands Vins, fundada por Jean-Claude Boisset em 1961 em Gevrey-Chambertin, como uma empresa familiar mas que hoje se tornou um nome internacional, invocando os fortes valores de suas origens Borgonha. Eles foram uma das primeiras casas a produzir Crémant de Bourgogne e possuem muita experiência no cultivo e vinificação da uva Chardonnay. Ao longo do tempo outras regiões e AOC foram incorporadas.

Sobre o De Perrière Blanc de Blancs Brut, podemos ainda acrescentar que o espumante foi produzido com as uvas Chardonnay, Ugni Blanc e Colombard pelo método tradicional, onde a segunda fermentação ocorre em garrafa. Vamos as impressões?

Na taça o vinho espumante apresentou uma bonita coloração amarelo palha com reflexos dourados, bom brilho e limpidez. Perlage com formação persistente com borbulhas bem pequeninas e em grande quantidade.

No nariz o vinho espumante apresentou aromas de frutos cítricos, frutos tropicais, flores brancas, fermento e panificação além de alguma lembrança de mel. 

Na boca o vinho espumante se mostrou gordo, untuoso, cremoso e extremamente fresco. O retrogosto confirma o olfato e o final era longo e saboroso. 

Um delicioso vinho espumante francês que embora não seja seu primo rico (Champagne) mostrou muita qualidade e vai bem tanto sozinho num bom bate papo como com alguns queijos e entradas a base de frutos do mar. Eu recomendo a prova. Mais um vinho do clube de vinhos da Winelands, o clube que eu assino e recomendo.

Até o próximo!

Friday, February 19, 2016

Titular Reserva Tinto 2012: Portuga de bom custo benefício!

O vinho é produzido pela Caminhos Cruzados, que nasces pela iniciativa e vontade de Paulo Santos, natural de Nelas, que, determinado a regressar às suas origens para investir no mundo do vinho, decide transformar uma antiga empresa agrícola numa moderna empresa produtora e engarrafadora de vinhos. A filosofia da empresa baseia-se na produção de vinhos de qualidade, com uma vertente de tradição aliada ao modernismo e constante diferenciação que o mercado exige. Os seus vinhos são feitos a partir de uvas de produção própria e de produtores selecionados, reconhecidos pela sua qualidade e excelência de castas, todos na região do Dão. A Caminhos Cruzados resulta da união de ideias e projetos, e promete ajudar a voltar a pôr no mapa o nome de Nelas como terra de vinhos de qualidade. Sua propriedade, chamada de Quinta da Teixuga, é uma propriedade com cerca de 30 hectares. Está situada em pleno coração da Região do Dão, sendo rodeada por maciços montanhosos, como a Serra da Estrela e Caramulo. Composta por várias parcelas de floresta e vinha, a propriedade é um espaço onde o contacto com a natureza é privilegiado. Nas parcelas de vinhas da “Teixuga”, algumas com idades médias de 50 anos, podemos encontrar as melhores castas da região do Dão como as tintas Touriga Nacional, Tinta Roriz, Jaen e Alfrocheiro; além das brancas Malvasia-Fina, Encruzado e Bical.


Sobre o Titular Reserva Tinto 2012, podemos ainda acrescentar que é um vinho produzido a partir das castas autóctones Touriga Nacional, Alfrocheiro e Tinta Roriz com estágio de 12 meses em barricas de carvalho francês (50% novas e 50% 1º ano e 2ºano). Vamos as impressões?

Na taça o vinho apresentou uma coloração rubi violácea de média para grande intensidade. algum brilho e boa limpidez. Lágrimas finas, rápidas e incolores também se fizeram presentes.

No nariz o vinho mostrou aromas de frutos escuros, flores, baunilha e leve toque mineral ao fundo. Toques tostados com algum tempo em taça.

Na boca o vinho tinha corpo médio, excelente acidez e taninos macios e sedosos. O retrogosto confirma o olfato e o final era de média para longa duração.

Para acompanhar, minha esposa aprontou um belo jantar com direito a medalhão de miolo de alcatra ao molho de vinho tinto e cogumelos puxados no azeite e manteiga. Que delícia, estou salivando só de lembrar. A inspiração para esta receita veio com o Chef Guga Rocha, que dentre outras atribuições, faz parte do programa Homens Gourmet

Enfim, precisa falar mais alguma coisa? Bom vinho português para o dia a dia que acompanhou dignamente o jantar. Eu recomendo a prova. Em tempo, o vinho é trazido pelo Oba Hortifruti e foi indicação do amigo Alexandre Frias, do blog Diário de Baco.

Até o próximo!