domingo, 8 de agosto de 2010

Onde Vivem os Monstros

Mais um final de semana com muito frio o que me fez ficar entocado em casa sem a mínima vontade por o nariz pra fora me deixou com a oportunidade de ver mais um filme que me fez pensar. Desta vez o eleito da semana foi " Onde Vivem os Monstros", do diretor Spike Jonze baseado em um livro infantil. Spike é conhecido pela dramaticidade e esquisitice em seus filmes, o que não fugiu a regra nesta película.

Como é de praxe por aqui, eis a sinopse retirada do site CinePop: "O clássico livro de Maurice Sendak, 'Onde Vivem os Monstros', chega às telas do cinema em um conto para todas as gerações, com direção do inovador cineasta Spike Jonze. Onde Vivem os Monstros segue as aventuras de Max, um garoto travesso que é mandado de castigo para seu quarto depois de desobedecer a mãe. Porém, a imaginação de Max está livre para voar, e logo o transporta para um reino desconhecido. Encantado, Max parte para a terra dos Monstros Selvagens, onde as travessuras são lei, e Max é o rei".

Visualmente o filme é incrível e a fotografia e as paisagens mostradas no decorrer do longa são de perder o folego. O visual caricato dos monstros os aproxima dos expectadores ao mesmo tempo que nos deixa apreensivos sobre suas reais intenções (eles devorariam mesmo os "reis" anteriores a Max?). As expressões utilizadas nos monstros são também responsáveis por grande parte da carga emocional do filme.

Mais do que se basear no livro infantil, o filme consegue traçar paralelos entre o suposto reino de max e o seu dia a dia, o filme nos mostra como é quando uma criança passa pela difícil provação de vivenciar a ausência de um de seus pais ( no caso do filme, o pai, sem maiores explicações sobre o que ocorrera) e os traumas que esta ausência pode trazer para sua vida, sendo o isolamento e rebeldia consequências naturais. É neste ambiente em que conhecemos um pouco de Max, o garoto protagonista do filme. Ainda nesta linha é que Max acaba conhecendo alguns "monstros" de seu reino onde cada um tem uma personalidade distinta e mais do que isso, acabam por aflorar as maneiras de ser do próprio Max, soando muitas vezes como espelhos dele mesmo. É só atentarmos aos casos da rebeldia/ira de Judith, a carência do bode Alexander, a criatividade e bondade de Ira e assim por diante.

No final das contas o filme pode soar esquisito e ser de difícil interpretação, mas afinal isso é cinema. Não o vejo como um filme infantil mas serviria de lição/aprendizado para muitos pais por ai a construir as relações com seus filhos de uma maneira mais sã, fazendo com que a criança não tenha traumas e possa desenvolver-se de maneira tranquila e normal. De qualquer maneira, para quem gosta de um bom filme de vez em quando, eu recomendo.

Um comentário:

  1. O filme tem uns momentos "parados", mas é de uma sensibilidade ímpar. O mais interessante é que o livro não passa de umas poucas linhas e o roteiro conseguiu aprofundar nas mesmas questões de modo brilhante. Por exemplo, o que você disse das personalidades dos monstros refletindo as várias facetas do próprio MAX. A trilha sonora é outro ponto positivo desta obra que passa longe de ser infantil e chega até ser angustiante em alguns momentos. Ah, para os cinéfilos, conheçam o moove.me!

    ResponderExcluir