segunda-feira, 17 de dezembro de 2012

Em busca das origens do vinho

Eu confesso que gosto muito de ler reportagens/posts/etc sobre vinhos na internet e sempre que acho algo interessante, tento trazer aqui pro blog e divulgar para meu leitores, pessoas que prezo muito. E não vai ser diferente hoje. Acredito que todos nós, enófilos de plantão, sempre tivemos curiosidade e saber como/quando e onde o vinho surgiu, sob que circunstâncias, etc. E existem diversos estudos e teorias sobre o assunto, mas me parece que agora um botânico geneticista suíço em cooperação com um arqueologista biomolecular se envolveram em uma pesquisa de mais de 10 anos sobre o assunto, e alguns resultados surgiram dai. Segue abaixo a matéria traduzida e adaptada do site www.winespectator.com . Espero que gostem.

Através de perfis de DNA e da arqueologia, os pesquisadores descobriram o que acreditam ser o berço do cultivo de vinhas e produção de vinhos. Ainda segundo esta nova pesquisa destes cientistas, a longa história da humanidade ligada ao cultivo de uvas viníferas começou no sudeste da Anatólia, localizada onde atualmente se encontra a Turquia. A pesquisa mostrou também que as nossas uvas viníferas favoritas estão mais relacionadas entre si do que se pensava anteriormente.

Os pesquisadores já acreditavam que onde são encontradas a maior diversidade de videiras silvestres e estas compartilhem a maioria das semelhanças com as uvas viníferas cultivadas pelo homem, e as espécies europeias de vinhas de castas mais top pertencem a este grupo, que seria o lugar onde o homem primitivo começou a cultivar uvas especificamente para o vinho.

O sudeste da Anatólia tem aparecido na lista de prováveis ​​locais de nascimento da viticultura, juntamente com áreas próximas na Armênia, na Transcaucásia, na Geórgia e no Azerbaijão. Esta região (Anatólia) é parte do Crescente Fértil, onde se supõe que os agricultores da Idade da Pedra "domesticaram" os primeiros grãos selvagens. Essas culturas proveram uma base de abastecimento alimentar estável e permitiram que nossos ancestrais, nômades até então, pudessem se estabelecer dando origem aos povoados, à sociedade e à civilização como conhecemos hoje.

As evidências sugerem que as videiras eram abundantes na região naquela época. Uvas colhidas e não imediatamente consumidas podem ter sido armazenadas em uma cesta e inevitavelmente algumas teriam sido esmagadas, com as leveduras selvagens presentes nas cascas transformando rapidamente o suco em algo mais interessante. "Se algum homem ou mulher tinha provado este suco, observando o efeito de euforia, ele tinha uma única idéia: começar de novo". Por que então o homem começaria a plantar vinhas ao invés de colher uvas selvagens, como havia feito durante séculos? As uvas silvestres não seriam presas fáceis-as videiras subiram em árvores, fazendo com que a colheita das bagas se tornasse difícil e perigosa.

Ao combinar os dois campos de pesquisa (arqueologia e pesquisa de DNA) então as conclusões nos remetem a uvas domesticadas pela primeira vez entre 6000 e 8000 aC, possivelmente mais cedo. Os argumentos estão sempre ligados a que o ser humano tem tido a vontade de apreciar o vinho desde sempre e que existe uma verdade saga na busca de se evitar que o vinho vire vinagre. Usando métodos intensivos e precisos de identificação de compostos orgânicos deixados pelo vinho, estão sendo testados antigos vasos de barro da Anatólia claramente destinados para armazenamento e consumo da bebida. Ainda segundo a pesquisa, as amostras do leste da Turquia são realmente emocionantes, dizem os pesquisadores.

Há algumas conexões surpreendentes nestas descobertas também,que incluem as árvores genealógicas de 1.368 variedades de uva, com base na pesquisa de seu respectivo DNA. Por exemplo, a uva Syrah é a bisneta da Pinot. Outra surpresa: a uva Gouais Blanc, que sofre muito preconceito por parte de alguns supostamente por produzir vinhos de qualidade duvidosa, tem mais de 80 descendentes em circulação, inclusive Gamay, Chardonnay, Riesling e Furmint.

Para uvas viníferas européias, 13 "uvas fundadoras," ancestrais chave de nossas variedades favoritas, têm sido isoladas até agora, junto com os países cujos pesquisadores acreditam que prosperaram primeiro: na França, eles incluem Pinot Noir (Pinot Blanc e Gris são mutações) , Gouais Blanc, Savagnin, Cabernet Franc e Mondeuse Noire; na Itália, Garganega, Nebbiolo, Teroldego, Luglienga; na Itália ou na Grécia, Muscat Blanc Petit Grain; na Espanha, Cayetana Blanca; na Suíça ou na Áustria, Reze e na Croácia , Tribidrag.

Evidentemente existe muito mais para descobrir nos relacionamentos e linhagens dessas uvas viníferas. Estes mesmos estudos apontam para as variedades Savagnin e Pinot como as mais antigas, com idades entre um ou dois mil anos, ambas responsáveis ​​por uma série de cruzamentos que deram origem ao que cultivamos hoje.

Quanto a onde os primeiros viticultores começaram o seu trabalho, a investigação continua na Geórgia, e o Irã poderia guardar alguns segredos. Uma jarra de vinho encontrada no noroeste do Irã remonta a 5400 AC mas ainda não foi possível a coleta de amostras das videiras que lá estão até agora.


E nossa aula de história fica por aqui. Tem algo a acrescentar? Elogios, críticas e/ou sugestões? Estou aguardando seus comentários! 

Até o próximo!

2 comentários:

  1. Tudo que pude pesquisar, bate com essa informação de que na Georgia, os indícios remontam Há 8.000 anos, uma vez encontrados resquícios de ácido tartárico em ânforas.
    Isso rechaçaria notícias recentes de que teria sido na Pérsia (Irã).

    Um grande abraço.

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    1. Grande MArcello!! Mais uma vez obrigado pela visita e por compartilhar suas informações comigo! Volte sempre!
      Abração

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