Tuesday, January 8, 2013

Terrunyo Carmenere 2007

Para quem achava que os vinhos e as comemorações de final de ano haviam se findado, ledo engano. Para o almoço de ano novo, no dia primeiro de janeiro, eis que eu tirei um belo chileno que estava em minha adega aguardando uma ocasião especial para ser degustado. E foi assim que o Terrunyo Carmenére 2007 saiu da adega e foi pra mesa.


Falar sobre a vinícola Concha Y Toro é chover no molhado e por isso irei poupar meus queridos leitores de um post comprido desnecessariamente. Sobre o vinho, o que podemos dizer é que a linha Terrunyo tem suas uvas selecionadas de blocos específicos de alguns dos melhores vinhedos da vinícola, no caso deste em que estamos falando do bloco 27 no vinhedo denominado Peumo no Vale do Rapel. É fruto de um corte de 85% de uvas Carmenére com 15% de uvas Cabernet Sauvignon (sendo permitido no entanto ser identificado como varietal Carmenére pela legislação chilena) e passa por 19 meses em carvalho francês (70% novo). Sem mais delongas, vamos ao vinho.

Na taça uma bonita cor violácea, ainda sem reflexos alaranjados denotando ainda um vinho com poder de envelhecimento. Lágrimas finas, ligeiramente demoradas e coloridas tingiam as paredes da taça.

No nariz o vinho abriu com aromas que misturavam frutas vermelhas e frutas escuras, especiarias (pimenta em destaque) e toques de chocolate. Depois de um tempo em taça um ligeiro tostado também podia ser notado.

Na boca o vinho se mostrou muito encorpado, taninos presentes, marcados mas de muita qualidade e boa acidez. Retrogosto confirma o nariz com frutas e especiarias. Ligeiro toque mineral ao fundo. Final de longa duração.

O vinho confirma a qualidade que lhe é atribuida, muita elegância aliada a muita potência. Infelizmente não é muito acessível para nós aqui no Brasil, embora este tenha sido comprado no free shop e custou cerca de 85 reais o que lhe atribuiria uma excelente compra. Mesmo assim, recomendo a prova!

Até o próximo!

Sunday, January 6, 2013

Cave Antiga Brut Rosé: para celebrar o Ano Novo!

Em complementação ao post anterior, não poderíamos deixar de brindar a chegada do novo ano com algumas borbulhas não é mesmo? E o escolhido da noite foi este curioso espumante nacional, o Cave Antiga Brut Rosé. E explicarei o por que do curioso, ao longo do texto.

Para falar um pouco da vinícola, como não a conheço pessoalmente e pouco provei de seus vinhos, segue um descritivo diretamente do site deles: "A Vinícola Cave Antiga nasceu de um sonho dos mais destacados enólogos da Serra Gaúcha e tem orgulho de estar entre as vinícolas que revolucionaram a vitivinicultura brasileira. Fundada em 1998, a Cave Antiga está situada no 3o Distrito de Farroupilha, ocupando um conjunto predial que foi concluído em 1948, localizado numa belíssima região, que tudo faz lembrar a história dos imigrantes italianos." Para maiores informações e complementação desta leitura, sugiro a vocês caros leitores que acessem: www.caveantiga.com.br . 

Será que estava difícil de abrir a garrafa?

Sobre o espumante, o que achei curioso primeiro é que não existe um consenso em minhas fontes de pesquisa sobre quais uvas compõe o corte de vinhos base e segundo, existe a certeza apenas que fora utilizada uma uva tinta (cabernet sauvignon ou merlot) juntamente com a pinot noir e a chardonnay, na elaboração do mesmo. Depois também não descobri qual o método de produção (tradicional ou charmat) do mesmo mas enfim, vamos as impressões.

Na taça uma bonita cor salmão com boa transparência e brilho. Perlage intensa e com bolhas de pequeno porte, com boa duração.

No nariz o espumante mostrou aromas de frutas vermelhas, toques de especiarias e eu posso estar muito enganado, mas senti leve toque animal ao fundo.

Na boca o vinho se mostrou bastante fresco, com boa acidez, perlage fazendo um bom colchão de borbulhas no palato, bom corpo e com retrogosto trazendo muita fruta. Final de certa maneira persistente.

O vinho é interessante e eu recomendo a prova. Tem preço relativamente baixo no mercado (por volta de 30 dinheiros) embora eu tenha ganho esta garrafa, mas que rivaliza com os espumantes nacionais de mesmo valor. E este corte pouco usual de uvas faz a diferença, adicionando um pouco mais de corpo à bebida.

Até o próximo!

Saturday, January 5, 2013

Casa Marin Laurel Vineyard Sauvignon Blanc 2009, Risoto de Lulas e Camarões e Salmão ao Limão Siciliano e Alecrim: Foi A noite de Réveillon!

E passada a celebração do natal e todas as novidades que eu venho atravessando em minha vida, mais uma data comemorativa se aproximava, a virada do ano. E com ela, mais emoções e surpresas estavam reservadas pra mim. A ocasião seria especial: pela primeira vez eu iria reunir meus pais, irmão e cunhada com minha noiva e sua mãe além do "primo" português (percebam que já o adotei como da família mesmo) e mais uma ou duas pessoas que falaremos em outras oportunidades.

O combinado foi que meus pais se encarregariam de preparar um risoto de lulas e camarões e eu e minha noiva faríamos uma receitinha de salmão para acompanhar. Com isto decidido, fiquei a pensar em qual vinho eu poderia harmonizar com a comida, e na busca em minha adega encontrei duas garrafas deste Sauvignon Blanc, o Casa Marin Laurel Vineyeard 2009 que me pareceu uma boa pedida também em virtude dos dias quentes que tínhamos na ocasião. Tudo decidido era hora de curtir.


Fomos muito bem recebidos, como de costume, por minha sogra que além de ter preparado um delicioso patê de alho, nos colocou a disposição croutons, bolachinhas e outros quitutes para nos entretermos enquanto conversávamos sobre os mais variados assuntos. Além disso seus dotes como coqueteleira foram colocados a prova enquanto ela fazia deliciosas caipirinhas de Sagatiba, diga-se de passagem muito bem dosadas e carinhosamente preparadas. Mas a hora de nos embrenharmos na cozinha estava chegando.

Decidimos abrir o vinho um pouco antes de começarmos a cozinhar, e veja só, as duas garrafas quase não foram suficientes para chegarmos ao prato principal. Sobre a Casa Marin já comentei um pouco em outros posts deste blog e não irei tecer mais nenhuma linha para não me tornar repetitivo (relembrem aqui e aqui). Sobre o vinho, é um varietal 100% Sauvignon Blanc colhidas no vinhedo denominado Laurel localizado na DO San Antonio Valley, no Chile e até onde pude observar, não passa por madeira. Vamos as impressões sobre ele.

Na taça o vinho mostrou uma cor amarelo palha com alguns reflexos já dourados, com lágrimas finas, rápidas e incolores. Já no nariz o vinho abriu com notas características de grama cortada, maracujá e pêssego em abundância e leve toque mineral ao fundo. Finalmente ao paladar o vinho mostrou corpo médio, excelente acidez e um retrogosto frutado e mais mineral do que mostrava o olfato. Um belo vinho sem dúvida nenhuma, mostrando o quão consistente é a produção da Casa Marin e suas linhas de vinhos.

Logo o risoto ficara pronto, com o arroz al dente e a lula e camarão se encontrando no ponto, sem estarem nem duras nem moles demais, casando perfeitamente com o salmão feito no forno com rodelas de limão siciliano e ramos de alecrim e ainda com o vinho, que estava no fim. Aliás, a esta altura o primo Vitor ainda nos presentou com mais garrafas de Monte Velho 2011 (já comentado por aqui no post anterior), que também foi bem com a comida e serviu para escortar este final de jantar. Aliás, tanto os pratos estavam de se comer de joelhos como os vinhos se mostraram extremamente alegres e combinando perfeitamente com a ocasião.

De sobremesa, para aquela rebatida básica no álcool e na umidade, uma bela cassata (sorvete italiano com calda de chocolate) e quindim além das tradicionais frutas características desta época do ano. E assim nossa noite de ano novo ia se passando de maneira deliciosa e acalentada.

Até o próximo!

Friday, January 4, 2013

Ora Pois Restaurante, Tinto da Talha 2010 & Monte Velho 2011: Um trio português com certeza!

Ainda como consequência de "ganhar" uma família nova (já explicado no post anterior) fui convidado juntamente com minha noiva pra uma noite dessas conhecer o restaurante português (acho que ainda sob o efeito Vitor, também explicado no post anterior) "Ora Pois"localizado na charmosa e aconchegante Serra da Cantareira.


O restaurante é uma filial de uma casa já aclamada que existe até hoje na Vila Madalena, bem junto ao burburinho característico da região. Fundada por dois Lisboetas sonhadores, a casa conta com pratos típicos a preços competitivos e uma carta de vinhos honesta e com algumas opções interessantes.

Antes de qualquer escolha de pratos, o pessoal já se adiantou e pediu porções de bolinhos de bacalhau, belamente dourados pelo processo de fritura, bem sequinhos e com bastante recheio de bacalhau.  O  próximo passo foi então a escolha do vinho, que primeiramente ficou a cargo do "primo" e xará de Portugal, que optou por um Alentejano interessante, o "Tinto da Talha 2010", aromas de frutos vermelhos e algo de especiarias, corpo médio, taninos finos e domados e acidez um pouco baixa, mas sem prejudicar o vinho. Só pela entrada já previa que a noite seria mais uma daquelas de esbórnia gastronômica.


Como previa o script e por eu ser muito previsível, quando passei os olhos sobre o cardápio, minha escolha seria um pouco óbvia: iria de bacalhau, afinal sou doido por este "peixe" misterioso. Brincadeiras a parte, um dos motivos também pelo qual escolhi um prato baseado em bacalhau era por que o mesmo servia duas pessoas e eu iria apreciá-lo em conjunto com minha noiva. A escolha seria então o modo de preparo do mesmo, e acabamos por optar pelo "bacalhau com natas", preparado de forma deliciosa com bacalhau desfiado em profusão num molho branco de natas e batatas palha gratinado no forno com queijo deixando aquela camadinha crocante por cima do prato. Era de comer lambando os dedos!

Como o vinho tinha acabado, recaiu sobre mim a escolha da próxima garrafa e eu vi na carta um velho conhecido, o "Monte Velho 2011" e optei pela segurança. E não é que o vinho agradou? Um pouco mais potente que o anterior e mais frutado, o vinho tinha um pouco mais de corpo e taninos e acidez mais equilibrados, caindo no gosto até das pessoas que não são grande apreciadores de vinhos. Para quem achava que era pouco, ainda optamos por um pastelzinho de Santa Clara de sobremesa para "rebater a umidade" e acalentar o coração. 

E a noite entre pessoas especiais, amor, família, foi se findando com o se aproximar da madrugada. E isso era só o começo das festividades de final de ano!

Até o próximo!

Ps.: Como vocês, meus caros leitores, devem ter percebido, a qualidade das fotos mudou. É que eu contratei uma nova fotógrafa, minha noiva Carolina, e ela tem feito um ótimo trabalho. Obrigado, amor!

Thursday, January 3, 2013

Ginja D'Óbidos Frutóbidos & Descobertas de final de ano

Primeiramente meus caríssimos leitores, seguidores, visitantes esporádicos, enfim, todos que por algum motivo vieram aqui neste site uma única vez ao menos, meus mais sinceros pedidos de desculpas, pedidos estes motivados por minha ausência por aqui no final do ano. Confesso que além do corre e corre característico que a época nos impõe eu precisava de um tempo e de um pequeno período de férias ("abstinência") de tudo que eu vinha de maneira quase frenética fazendo, o que inclui também este blog. Eu me encontrava em um estado de cansaço misturado a stress que tudo que eu fazia se tornava uma dificuldade muito grande. Feito isto, aproveito para anunciar que o Balaio está de volta com a corda toda e cheio de novidade, começando pelo post de hoje.


Como vocês já devem saber, em meio a tudo isso acabei ficando noivo e dentre todas as consequências que isto nos acarreta, "ganhar" uma família nova também entra para esta lista. E foi com esta nova família que conheci um "primo" vindo diretamente de Portugal (acho que ele não irá se importar se eu assim o chamar) que além de ser meu xará (seu nome é Vitor), é um grande apreciador/conhecedor de vinhos e me apresentou a esta curiosa bebida que irei tratar no post de hoje, uma espécie de licor de uma fruta (Ginja) pouco conhecida por aqui mas que faz muito sucesso em Portugal.

A Ginja é uma pequena fruta, parente próxima da cereja, e pode variar de coloração entre o vermelho e o preto, sendo também conhecida em muitos lugares como cereja ácida (em contraponto a nossa velha e conhecida cereja, que é doce). Esta fruta pode ser utilizada para se fazer, além do licor do post de hoje, ginjas em calda, doces e outros. No caso do licor alvo deste post, a Ginja é cultivada em Óbidos, uma região localizada no centro oeste de Portugal. Quem produz o licor é a empresa chamada Frutóbidos, que foi inicialmente fundada com o objetivo da produção exclusiva de licor de Ginja e que passou de uma pequena produção familiar a uma empresa de porte no país quando de sua aquisição por um conglomerado maior em 2001. O processo produtivo envolve a colheito e seleção dos frutos, infusão em meio alcoólico por tempo prolongado e posterior mistura dos frutos com a infusão e com as caldas de açúcar, gerando um produto com o teor alcoólico de 18% e muito açúcar. Vamos as impressões sobre o licor (vejam, não sou especialista e este é meu primeiro contato com a bebida, portanto já peço desculpas caso fale alguma bobagem por aqui).


No copo o licor apresentou uma coloração cereja com toques  âmbar, extremamente viscoso que demorava muito para escorrer pelas paredes do mesmo.

No nariz o licor apresentava aromas de mel, frutos silvestres e álcool bem presente (mesmo com temperatura mais baixa). Lembrava também jabuticaba quando o álcool arrefecia no copo. Interessante mistura eu diria.

Na boca o licor era muito denso, quase como um óleo, tinha uma acidez muito interessante para contrabalancear com o açúcar presente (um pouco excessivo ainda assim) e trazia no retrogosto muita fruta, mel e ligeiro amargor no final.

Uma bebida que pode ser servida como aperitivo ou digestivo, deve agradar em cheio quem gosta de licores e bebidas mais doces, mas já alerto, tome com moderação pois quando você menos esperar o teor alcoólico pode fazer efeito. Apesar de ser um pouco doce em demasia para meu gosto pessoal, recomendo que experimentem.

Até o próximo!