Sunday, July 6, 2014

Cave Geisse Terroir Rosé Brut 2009: Brasileiro com sotaque chileno!


E o selecionado canarinho passara por mais uma guerra na Copa do Mundo 2014, desta vez uma guerra considerada caseira, contra o selecionado do Chile e com muito sufoco, muita briga e emoções a flor da pele. Mas felizmente pra nós, mais uma vitória do escrete canarinho. E para comemorar mais este avanço na Copa do Mundo, nada melhor do que um belo espumante brasileiro, mas com aquele sotaque chileno. Sim, estou falando do Cave Geisse Terroir Rosé Brut 2009.

Cave Geisse Terroir Rosé Brut 2009

A Vinícola Cave Geisse tem sua história intrinsecamente ligada ao Chile. Explico: Mário Geisse, fundador e proprietário da vinícola veio do Chile, onde nasceu e se formou, para o Brasil em meados dos anos 70 então com a missão de chefiar a Moët & Chandon do Brasil. Como ele era um homem sonhador e empreendedor, logo percebeu que por aqui havia muito potencial inexplorado para a elaboração de espumantes de alta qualidade e não pensou duas vezes, juntando o útil ao agradável, fundando em 1979 a Cave Geisse. Identificou em Pinto Bandeira o local ideal para plantar seu vinhedos e voilá, o sucesso não tardou. Falando um pouco sobre as linhas de vinhos disponíveis por lá, temos a mais básica e de entrada conhecida como Cave Amadeu (nome original que a vinícola possuia em sua fundação) com seus espumantes mais simples , Cave Geisse e seus espumantes TOP, El Sueño que é uma parceria da vinícola em algumas regiões vitivinícolas do planeta com vinhos tranquilos e a mais nova sensação da casa, os vinhos Vinhedos Hood, feitos com algumas parcelas de uvas de parceiros. Além disso, criaram em parceria com uma Maison francesa, um champagne que leva a marca do Sr. Geisse. Finalmente falando um pouco sobre o vinho espumante, o Cave Geisse Brut Terroir Rosé, é feito com uvas 100% Pinot Noir com 36 meses de contato com as leveduras. Vamos as impressões?


Na taça o vinho espumante apresentou uma coloração salmão, com bom brilho e ótima transparência. Perlage pra lá de persistente, com borbulhas muito pequenas e abundantes. 

No nariz o vinho espumante apresentou aromas de frutas vermelhas em evidência (morangos maduros) seguidos de panificação.

Na boca o vinho espumante se mostrou um show, bom corpo, fresco e cremoso ao mesmo tempo. Retrogosto confirma o olfato e tem um final longo e saboroso.

Para acompanhar, alguns petiscos e antepastos. Ficou perfeito e fez a nossa alegria por aqui. Um grande vinho espumante sem dúvida nenhuma e que nos deixa orgulhosos da indústria vitivinícola nacional. Eu recomendo.

Até o próximo!

Thursday, July 3, 2014

Lançamento: Otello Wine Color Therapy levam as cores do Brasil

Aproveitando toda a onda de Copa do Mundo que vem varrendo o território brasileiro, para não dizer mundial, a importadora Vino Itália está trazendo para o Brasil a linha de espumantes italianos Otello Wine Color Therapy.

Créditos da Imagem: Site do importador

Esta linha trás vinhos espumantes brut brancos, apesar da utilização de uvas tintas (Pinot Noir e Lambrusco) em sua composição. Tais uvas são colhidas nas colinas da região da Emília, na Itália com altitudes que variam até a 350 metros acima do nível do mar em um terreno pedregoso e arenoso. A leve prensagem destas uvas tintas produzirá um mosto do qual a casca é imediatamente separada. Este mosto passa por uma fase de fermentação em uma temperatura controlada. Em seguida, passa por um período de decantação para permitir uma limpeza natural de todas as impurezas. Depois dessa fase, o vinho é armazenado em tanques de pressão com temperatura controlada por 3 / 4 meses, período este no qual passa por uma segunda fermentação. Além disso, o Otello Wine Color Therapy vem em embalagem diferenciada e esta disponível em 10 cores de garrafas, incluindo as cores verde, amarelo e azul, que compõe a bandeira do Brasil.

O vinho espumante Otello Wine Color Therapy possui coloração coloração amarelo palha bem clarinha e seus aromas são essencialmente frutados (cítricos) e florais. Fresco e suave em boca, deve ser perfeito para acompanhar um bom bate papo ou mesmo petiscos leves e descompromissados.

Uma boa opção para comemorar a possível vitória do esquete canarinho contra a Colômbia no jogo de quartas de finais da Copa do Mundo de 2014, vocês não acham?

Até o próximo!

Rui Paula Recife: Restaurante português de requinte em Pernambuco!

E não é que esta Copa do Mundo de 2014 no Brasil me trouxe oportunidades interessantíssimas? Pois bem, como já havia comentado em um post anterior (relembre aqui), estive em Recife para assistir a um jogo da Copa ( Croácia x México) e de quebra, munido de algumas boas indicações, pude conhecer um pouco da gastronomia que tem por lá. E olha que fiquei impressionado com o que encontrei. Hoje falo um pouco sobre o restaurante Rui Paula Recife, que está localizado no RioMar Shopping em Recife. Vamos ver o que encontramos por lá?

Primeiro uma pequena apresentação, depois de alguma pesquisa. O renomado chef luso Rui Paula, proprietário dos restaurantes Dop (no Porto) e Doc (no Douro) trouxe em sua primeira operação fora de sua terra natal, uma ponte entre as cozinhas de ambos os países (no caso o Brasil e Portugal). Sua cozinha é inspirada nas regiões do Alto Douro, Trás-os-Montes e Douro e é também baseada principalmente na tradição, memória e frescor dos produtos usados. O que chama a atenção é todo capricho e atenção aos mínimos detalhes da casa, que tem até louças importadas de Portugal. O Rui Paula Recife envolve uma equipe de cerca de 40 pessoas, 12 das quais recrutadas em Portugal. O ambiente é dividido em dois pisos. O primeiro, onde se situa o bar, é um salão amplo e o segundo, uma sala privada para eventos . O menu é sucinto e variado ao mesmo tempo, e é baseado em três pilares: entradas, mar e terra. A adega de vinhos é um show, uma estrutura a parte e uma carta impressionante, onde todas grandes regiões vinícolas estão representadas, com uma atenção especial a Portugal e ao Douro. O atendimento, um show a parte. Tínhamos o restaurante só pra nós e o melhor, o sommelier é muito gentil e está sempre disposto a ajudar além de ser muitíssimo bem preparado. Luxo puro.


Diante de tudo isso, ficava até difícil escolher, não é mesmo? Como gosto de ousar de vez em sempre, passei o olho por diversas vezes no cardápio até decidir por uma bela coxa de pato confitada, servida sobre uma cama de vegetais cozidos e um belo risoto de funghi. Tudo cozido a perfeição, como a carne do pato macia, tenra e saborosa e o risoto divinamente temperado e na cocção ideal. Já minha esposa mais conservadora e adoradora de peixes optou por um prato de cioba com caldo de lagosta e crosta de amêndoas, servida com purê de ervilhas e espuma de ervilhas. O peixe estava suculento e tenro, no ponto certo e o purê contrastava dando sensação de firmeza ao prato. Que refeição incrível.


É claro que, diante de pratos tão saborosos e incríveis, nada melhor do que um vinho para acompanhar certo? Sinceramente não pensei muito na harmonização do local e tentei fugir a um porto seguro, uma vez que sempre fui admirador dos vinhos portugueses e, em minha modesta opinião, são de incrível versatilidade e custoxbenefício. Pois bem, como a lista de vinhos tinha apreciação especial pelo Douro, é lá que busquei inspiração e optei pelo vinho Passa Tinto 2011, produzido pela Quinta do Passadouro, em Portugal. Situada em pleno vale do rio Pinhão perto da aldeia de Vale de Mendiz, a origem da Quinta do Passadouro remonta ao Séc XVIII, surgindo referenciada no célebre mapa do Douro elaborado pelo Barão de Forrester. Além das uvas de ótima qualidade, a Quinta do Passadouro produz uma pequena quantidade de azeitonas que dão origem a 2.300 garrafas de um azeite extra virgem raro e diferenciado. Este vinho é produzido a partir de 40% Tinta Roriz, 45% Touriga Franca, 10% Touriga Nacional sendo que 30% do lote estagiou 12 meses em barricas de carvalho francês usadas. Impressões? Na taça o vinho mostrou uma coloração violácea de grande intensidade, bom brilho e lágrimas finas, rápidas e levemente coloridas. No nariz o vinho se mostrou muito fragrante com aromas de frutos vermelhos em profusão, misturados a toques florais e algo de tostado. Na boca o vinho se mostrou corpo de médio para encorpado, boa acidez e taninos finos, macios e redondos. O retrogosto confirma o olfato e o final é longo e saboroso. Um grande vinho, um belo custo benefício!


Quer conhecer um restaurante português onde tudo é feito com excelente qualidade, somado a um serviço atencioso, sem ser invasivo? Sugiro uma visita ao Rui Paula Recife. Pra quem quer comer bem, num ambiente agradável e com um preço adequado, a escolha do Rui Paula Recife é perfeita. Vale demais a visita. Assim encerrávamos nossa passagem por Recife já torcendo e pensando em quando seria a nova oportunidade. Eu recomendo.

Até o próximo!

Tuesday, July 1, 2014

Tempestade de granizo dizimou vinhas por toda Borgonha

Como as coisas podem parecer "cômicas se não fossem trágicas". Em meu post anterior, comentando um pouco sobre o terroir Borgonha/Chablis e as situações climáticas típicas da região, em determinado momento eu citei que a época da primavera pode ser especialmente problemática em algumas safras dada a possibilidade de quedas de geadas e granizo podendo ocasionar a perda de parte das vinhas por lá plantadas. Eis que lendo publicações especializadas sobre vinhos, vejo a notícia de que uma destas tempestades pode ter avariado seriamente a safra 2014 por lá. Abaixo, transcrevo e adapto a reportagem original para vocês, meus leitores:

"Enólogos da Borgonha relataram danos generalizados à safra 2014, depois de cinco minutos granizo destruir vinhas em toda a região na tarde de sábado. Produtores da região estão anunciando danos que afetam até 40% do potencial de colheita em todo 2014, principalmente em Meursault, Pommard, Volnay e Beaune neste fim de semana, depois que pedras de granizo do tamanho de bolas de golfe atingiram a região, apesar de todas as medidas anti-granizo adotadas até então. Em Beaune, até 90% das vinhas no vinhedo Clos des Mouches estão sendo contabilizadas como danificadas pelo granizo.

Cerca de 34 geradores de tubo foram implantados a cada 10 quilômetros nas áreas atingidas pela tempestade, atirando partículas de iodeto de prata e acetilacetona de cobre na atmosfera para evitar a formação de granizo, mas pelo visto isto não funcionou. Estão todos em estado de choque por lá, sem entender ao certo o por que tais medidas não funcionaram, talvez a tempestade tenha sido muito intensa e num período de tempo curto demais para a tecnologia reagir.

A tempestade do final de semana acabou com as esperanças de uma safra muito boa e necessária em 2014. Ao contrário do ano passado, a safra de 2014 parecia promissora, com uma floração abundante e uniforme de uvas nas videiras. Numa somatória geral, pode-se dizer que os produtores da região perderam o equivalente a duas colheitas ao longo dos últimos três anos e com isso, algumas propriedades podem enfrentar a ruína financeira, mas sem uma estimativa precisa de quantas podem passar por tal processo. Uma reunião para discutir o impacto da tempestade estaria agendada para ocorrer lá na Borgonha na noite passada, ainda sem qualquer informação ainda divulgada."

Deixo aos meus leitores que tirem suas conclusões. Seriam os efeitos do "Aquecimento Global" e das intervensões do homem na natureza que estariam causando tais tempestades e ações da natureza contra os vinhedos? Só o tempo vai dizer.

Até o próximo!

Chablis Morin Père et Fils 2012: A hora e a vez da França na #CBE

E chegamos aquela época do mês que é sempre bacana, no dia de mais um post da #CBE - Confraria Brasileira de Enoblogs, este para o mês de julho. Em clima de Copa, o tema foi escolhido pelo nosso goleiro, Marcello Galvão, do blog Agenda de Vinhos: "Cristiano, já decidi o meu vinho escolhido pra ser tema da ‪#‎CBE‬. Vamos continuar nos brancos, é um vinho que muito me encanta. O tema vai ser Chablis, qualquer faixa de preço e qualquer classificação." Então, segue o jogo, continuemos nos vinhos brancos! E o meu escolhido foi o Chablis Morin Père et Fils 2012.

Detalhes para os marcadores de taça: o vinho foi degustado enquanto assistia a partida entre Holanda e México!

Chablis é provavelmente o vinho branco mais conhecido em todo o mundo. Oficialmente parte da Borgonha, a região do Chablis está geograficamente afastada, localizada mais especificamente a 136 km a noroeste da cidade Dijon. Esta Appellation d’Origine Contrôlée (AOC) ocupa cerca de três mil hectares ao redor da pequena cidade de Chablis. O clima é continental, com verões secos e invernos longos e rigorosos, sendo que na primavera existe o risco de geadas e perda de parte das vinhas neste processo. Com isso as safras são altamente variáveis por lá. A Chardonnay é a única uva da região, a rainha, entretanto os vinhos podem variar muito de acordo com o terroir. Entre solos argilosos e calcáreos, uma característica marcante da maioria dos vinhos de Chablis é que são notadamente secos e minerais. Existem quatro tipos de Chablis que, em uma hierarquia crescente, seriam: Petit Chablis, Chablis, Chablis Premier Cru e Chablis Grand Cru. Os dois primeiros normalmente são fermentados em tanques de inox sendo que os dois últimos podem passar por fermentação em tanques e depois ir para barricas ou até passarem por fermentação diretamente em barricas.

Sobre o produtor do vinho, a Maison Morin Père et Fils, podemos dizer que é um tradicional produtor da Borgonha, França, que existe desde 1822 e hoje é um dos principais da região de Nuits-Saint-Georges. Preserva as tradições locais e contribui para a reputação dos vinhos da Borgonha, na França e no exterior. Atualmente Morin Père et Fils intergra o grupo empresarial Boisset La Famille des Grands Vins, um dos maiores negócios de vinho da França. Já o vinho em questão, não resta muito a dizer se não que é feito com uvas 100% Chardonnay e aparentemente não passa por madeira. Vamos as impressões?

Na taça o vinho apresentou coloração amarelo palha com reflexos levemente esverdeados, com bom brilho e boa transparência. Lágrimas finas, rápidas e incolores também compunham o conjunto visual.

No nariz o vinho apresentou aromas de frutos como abacaxi, pêssego com algo de floral. Toques sutis de pedra molhada também se faziam presentes.

Na boca o vinho se mostrou muito fresco, com uma acidez bem marcante e com um corpo médio. Retrogosto confirma o olfato com um final quase salina de curta para média duração.

Um vinho honesto, fresco e agradável que deve ser bebido em dias quentes. Aproveitei esta época de copa e tomei ele junto com um churrasco e não se saiu mal. Nada de carnes muito gordurosas e/ou pesadas. Mas de qualquer forma valeu. Provavelmente se sairá melhor com frutos do mar, pratos mais leves e entradinhas.

Até o próximo!