Thursday, August 29, 2013

Aurora Pequenas Partilhas Cabernet Franc 2011

Este post será uma maneira de revisitar um vinho já provado e comentado por aqui em outra oportunidade e de outra safra (relembrem aqui). Com o friozinho que fazia na noite de ontem e um bom "Capeletti in Brodo" maravilhosamente preparado por minha esposa, não tive duvida e resolvi sacar uma garrafinha da adega. E o escolhido da noite foi este Aurora Pequenas Partilhas Cabernet Franc 2011.


A Vinícola Aurora é uma das gigantes do mercado nacional e está localizada em Bento Gonçalves, no sul do país. Possui muitas linhas de vinhos que tentam agradar a maior gama possível de paladares. Esta linha Pequenas Partilhas az alusão a vinhos de pequenas produções que tem como diferencial a qualidade superior, e por este motivo só seria feito em colheitas consideradas muito boas. Ainda segundo o produtor a elaboração desse vinho iniciou com a escolha das uvas, ainda nos vinhedos, a vinificação criteriosa e na estabilização das garrafas, resultando nesse vinho diferenciado, elaborado com os melhores frutos de nossas 1.100 famílias (a vinícola funciona em sistema de cooperativa). Sem mais delongas vamos as impressões sobre o vinho.

Na taça uma bonita cor violácea de média para grande intensidade, pouca transparência, bom brilho com lágrimas finas, rápidas e ligeiramente coloridas.

No nariz o vinho apresentou aromas de frutos vermelhos,  toques de especiarias, baunilha e leve lembrança animal. Bastante perfumado.

Na boca um vinho de corpo médio, boa acidez e taninos finos e redondos. Retrogosto confirma o olfato e tem final de média pra longa duração. Boa estrutura, bem harmônico e sem defeitos.

Um bom vinho nacional, que na sua faixa de preço não faz feio (40 e poucos dinheiros). Vale a aposta. Eu recomendo.

Até o próximo!

Wednesday, August 28, 2013

Cerveja Diabólica India Pale Ale: sorte de quem está na Terra

Depois de um dia cansativo e atribulado de trabalho cheguei em casa e resolvi que iria tomar uma cerveja pra relaxar, apagar as memórias ruins do dia e dormir feito criança. Como tenho a oportunidade de visitar um empório bem de frente com minha casa, pedi ao Celso (beer sommelier do local)  que me indicasse uma boa IPA (india pale ale) para a noite que se aprofundava. Como ele não tinha muitas opções, me falou desta Diabólica e eu resolvi arriscar.


Pausa. Vocês devem estar se perguntando o por que de eu ter pedido este tipo específico de cerveja. Eu respondo. É que tive algumas boas experiências com este tipo de cerveja em algumas outras oportunidades recentes e resolvi apostar novamente neste estilo pra ir conhecendo mais a respeito. Nada muito elaborado não.

Voltando a cerveja, este é um exemplar nacional vindo de Curitiba, onde nasceu a cervejaria. Tudo começou de forma muito rudimentar e caseira, quando alguns amigos aficionados por cerveja resolveram se reunir e produzir sua própria cerveja por lá. E de panelas no fogo e a mistura de alguns tipos de malte chegaram a Diabólica IPA. No que pude descobrir, atualmente a fórmula possui a adição de 7 tipos diferentes de malte em seu processo de fabricação e adição de lúpulo ao final deste, com o intuito de aportar muito carácter, amargor e esta cor puxada para o vermelho. Este modo de fabricação é inclusive dito como o utilizado nos primórdios da fabricação deste tipo de cerveja na Inglaterra antiga, origem deste tipo de cerveja. Além disso, dizem que o India (primeiro I de IPA) diz respeito ao destino dado as cervejas para abastecer os exércitos ingleses que estavam por lá e enfrentavam um calor absurdo. Enfim, lendas e mais lendas que cercam as cervejas. Vamos as impressões sobre a mesma.

A cerveja apresentou uma cor acobreada escura, âmbar e brilhante. Espuma puxando pro bege, sem exageros. 

No nariz a cerveja mostrou aromas cítricos e de caramelo queimado (aquela calda de pudim de leite, manja?). Ao final podia-se notar também toques de tostado (do malte provavelmente).

Na boca um deleite. Ataque inicial doce, lembrança de citricidade e refrescância finalizado com bastante amargor e persistência. Bom equilíbrio dulçor x amargor. 

Como já disse outras vezes não sou profundo conhecedor do assunto, mas cada vez mais estou me apaixonando pelas IPAs e sua dualidade dulçor x amargor. Recomendo a prova.

Até o próximo!

Tuesday, August 27, 2013

Porto Ferreira Dona Atonia Reserva & Mousse de Chocolate: Precisa dizer alguma coisa mais?

Dando continuidade aos trabalhos relatados no post anterior, pensamos que para ser completa, nossa refeição teria também uma sobremesa para nos deleitarmos. E como ambos (eu e minha esposa) somos apreciadores de chocolate, nada mais óbvio do que irmos para um delicioso mousse de chocolate. E para acompanhar, um vinho Porto Ferreira Dona Antônia Reserva.


O mousse é bem simples, em uma tigela redonda colocamos uma latinha de creme de leite sem soro e uma barra e meia de chocolate meio amargo em banho maria até que consigamos misturar ambos de maneira bem homogênea. Em outra vasilha batemos três claras em neve e misturamos na tigela inicial e colocamos no refrigerador. Antes de servir, polvilhamos com chocolate amargo ralado. 

Já quanto ao vinho, é produzido pela gigante Sogrape Vinhos, de Portugal. Conforme palavras do próprio produtor: "Porto Ferreira Dona Antônia é um Vinho do Porto Reserva criado em homenagem de Dona Antônia Adelaide Ferreira, uma mulher carismática que dedicou toda a sua vida ao Douro e ao Vinho do Porto, deixando um legado de excepção e valores de qualidade e excelência que estabeleceram a Ferreira como símbolo maior da alma portuguesa e marca número um em Portugal". Possui em sua composição as uvas Touriga Franca, Touriga Nacional, Tinta Barroca e Tinta Amarela. É feito pelo método tradicional na região, com adição de aguardente vínica em determinado período do processo a fim de se interromper o processo de fermentação e com um consequente aumento no grau alcoólico do vinho que aqui atinge 20%. Depois passa por períodos de envelhecimento em pipas de carvalho em Vila Nova de Gaia onde posteriormente irá se juntar a vinhos de outras safras no blend final que irá compor este vinho. No caso deste reserva, são utilizados vinhos entre 4 e 12 anos de idade, chegando-se a uma idade média em torno de 7 anos (segundo o produtor). 

Na taça o vinho mostrou uma coloração vermelha rubi com tons atijolados, lágrimas finas e bastante viscosas, descendo lentamente por suas paredes. 

No nariz o vinho trás notas de frutos secos (uvas passa, ameixa preta, etc.) e toques florais. Ao fundo da taça alguma coisa que lembrava especiarias e chá preto.

Na boca o vinho se mostrou encorpado e untuoso, de boa acidez e confirmando o olfato e suas percepções. Fica em boca por muito tempo, um final bem longo. 

Nem preciso dizer que o casamento foi imediato, o chocolate amargo e os frutos secos do vinho combinaram muito, deixando ambos com sabores ainda mais agradáveis. Eu recomendo fortemente.

Até o próximo!

Monday, August 26, 2013

Terrunyo Sauvignon Blanc 2011 Block 5 & Risoto de Bacalhau: Divino!

Eu costumo falar por aqui que a melhor coisa que podemos fazer é celebrar as partes boas que a vida nos proporciona e foi exatamente o que eu fiz neste final de semana. A um ano atrás eu formalizei a semente do que viria a ser a árvore da minha vida a partir de então. Foi quando eu assumi um relacionamento firme com quem é hoje minha esposa e uma coisa levou a outra e cá estamos hoje casados. Nada melhor do que celebrar datas importantes pra nós com boa gastronomia e bons vinhos, é claro em companhia da pessoa que te importa. Como o próprio título já diz, fomos de risoto e vinho branco.


Escolhemos o risoto pois é um prato que gostamos muito de fazer e bacalhau por que já vinhamos pensando nisso desde que vimos este prato em outro lugar. Basicamente cozinhamos lascas de bacalhau por um tempo, douramos cebola picadinha com azeite e acrescentamos o bacalhau cozido, tomate picadinho, champignon e azeitonas pretas até dourar o bacalhau e reservamos. Depois fizemos o risoto normalmente e quando o arroz se encontrava al dente, misturamos a reserva de bacalhau. Finalizamos com um pouco de manteiga e queijo pecorino. Já o vinho é uma harmonização clássica e não queria errar.

A linha Terrunyo é uma das linhas premium da vinícola Concha Y Toro, do Chile, como eu já comentei por aqui algumas outras vezes. Já havia provado o tinto da casta Carmenére também da mesma linha o que só me fez crescer a admiração pela marca Concha Y Toro, afinal são vinhos de grande qualidade. Este varietal é feito com uvas 100% Sauvignon Blanc, não passa por madeira e fica 9 meses em tanques de inox para envelhecimento. Vamos as impressões.

Na taça o vinho apresentou uma bonita cor amarelo palha brilhante, com reflexos verdeais, lágrimas finas e rápidas. 

No nariz o vinho abriu com aromas de frutos brancos e cítricos, toques florais e minerais. Aromas deliciosamente sedutores em um vinho com muito perfume.

Na boca o vinho mostrou corpo de médio para encorpado com certa untuosidade e acidez quase frisante e muito refrescante. Retrogosto confirma olfato com bastante citricidade e mineralidade. Um final delicioso que parecia interminável. Palavras que descrevem o vinho: poder e elegância.

O casamento do vinho com a comida foi perfeito, um escortando o outro de maneira divina. A salivação causada pela acidez quase crocante do vinho só fazia a próxima garfada do risoto ainda mais solicitada. E assim fomos degustando nosso almocinho entrando no começo de mais uma tarde de domingo. Mas para quem pensa iríamos parar por aqui, sugiro esperar até o próximo post para a sobremesa!

Até o próximo!

Thursday, August 22, 2013

Decanter Wine Show 2013: Espetáculo, novidades e surpresas!

A edição 2013 do Decanter Wine Show estava de cair o queixo. Muitas vinícolas interessantes, enólogos entusiastas, produtores atenciosos e um espaço bem agradável. O evento tinha como foco o novo mundo e aconteceu no famoso e estiloso hotel Tivoli Mofarrej em São Paulo. A seguir algumas impressões e destaques da feira, sob minha ótica. Vale lembrar que existiam muito mais vinhos para serem provados mas que dentro do que pude degustar, estes valeram as linhas a seguir. Além disso tudo, tive a ilustre companhia do mestre Walter Tommasi (da revista Go Where Gastronomia e blogueiro) que me deu uma verdadeira aula de degustação!





 
Comecei meu giro pelo novo mundo por um produtor nacional que foi uma grata surpresa pra mim, pois nunca havia provado nada seu. Estou falando da vinícola Quinta da Neve, situada na Serra Catarinense, nascida em 1999 e pioneira na região na produção de vinhos. Deles, destaco dois vinhos muito agradáveis: o Sauvignon Blanc 2011, bem claro, brilhante e transparente com bastante tipicidade trazendo frutas cítricas, muito floral e extremamente fresco; e um belo Pinot Noir 2010 (segundo muitos o melhor vinho da vinícola) bem característico, coloração clarinha, transparente com muita fruta vermelha fresca no nariz e toques florais no nariz, leve, elegante e fácil de beber! Ah, e eles trouxeram um rosé pouco convencional também que ainda não foi lançado mas tem tudo pra fazer burburinho por ai.


Depois, fiz a volta ao mundo e fui parar na Nova Zelândia. Confesso que pouco bebi de vinhos vindos de lá, mas a vinícola Wild Rock me chamou atenção por seus vinhos bem feitos e de bom custo benefício. A Wild Rock veio com um Sauvignon Blanc, um Pinot Noir mas uma combinação pouco usual por lá foi o vencedor aqui. Eu estou falando do Wild Rock Gravel Pit Red 2008, um blend de Merlot e Malbec que segundo o pessoal da Decanter, vem de um solo pedregoso originário de um fundo de rio que trás muita elegância, complexidade e vivacidade para o vinho sem se tornar pesado ou cansativo, vale conhecer.




Voltando ao nosso continente, era hora de revisitar alguns vinhos que havia provado in loco, na vinícola El Principal e ainda ver o que de novo eles tinha para apresentar. E não me decepcionei pois as novas safras do Calicanto e do Memórias continuam incrivelmente deliciosas e consistentes com as que provei anteriormente. Mas daqui dois vinhos me chamaram a atenção, pois não os havia provado ainda: o Auqui Sauvignon Blanc 2012, um bom exemplar do Maipo com muito frescor, frutas e toques herbáceos e o top da casa, o El Principal 2008, composto de 95% Cabernet e 5% Carmenere se mostra ainda jovem, mas extremamente elegante, carnudo, frutas maduras, chocolate, especiarias num fundo balsâmico. Delicioso e que aguenta a garrafa por um bom tempo ainda.

 

Era hora de visitar os hermanos argentinos e coube a vinícola Riglos de Tupungato (ainda que com um chileno disfarçado trabalhando e apresentando a vinícola) fazer as honras da casa. E já vou avisando, vinhos extremamente elegantes, frescos e sem aquela pujância hermana podem ser encontrados aqui. Dois destaques pessoais tambem: o Riglos Quinto Sauvignon Blanc 2012, muito elegante, mineral (quase como lamber pedra molhada), fresco ao extremo sem lembrar aqueles vinhos cansativos e adocicados comuns na região e o Riglos Gran Cabernet Sauvignon 2009,  esse de uma estrutura e elegância ímpares, muita fruta escura, especiarias, toques de baunilha com taninos marcados e de excelente qualidade e acidez deliciosa e voluptuosa, pra mim o melhor sem dúvida!



Na sequência duas casas sul africanas. A primeira é a Glen Carlou, distante 35km da Cidade do Cabo com seus vinhos grandes e gulosos mas nem por isso deselegantes. Destaco aqui mais dois vinhos interessantíssimos: O Glen Carlou Quartz Stone Chardonnay 2010, grande, gordo, porém de extrema riqueza e elegância. Aromas de frutas brancas e tropicais, toques de madeira e mel com algo mineral ao fundo. Fresco e denso; e o Grand Classique 2008, este um blend tinto com 5 uvas (Cabernet Franc e Sauvignon, Merlot, Malbec e Petit Verdot) com um mix de frutas escuras e vermelhas, algo de coco e café torrado. O enólogo presente era extremamente solícito e trouxe de surpresa um chardonnay sem barricas que embora não seja comercializado por aqui, fez algum sucesso na feira. Depois a segunda casa sul africana era a Raka, com belos blends complexos e que precisam de tempo em garrafa (taça/decanter/etc.) pra mostrarem todo seu explendor. De lambuja, pude conhecer ainda a filha do produtor, Jorika Dreyer que muito atenciosa e simpática mostrou toda a linha disponível para degustação. Eu já havia provado um vinho deles, o Raka Figurehead, em sua safra 2004 (aqui) e só confirmei o quanto o vinho é delicioso. O meu destaque da feira então vai para o Raka Biography Shiraz, um belo exemplar com muito corpo, elegância, fruta madura e pimenta no nariz e em boca, além de um final pra ficar na memória, sem dúvida o meu preferido. Segundo Jorika, é o vinho de sua história de vida!



Voltando ao Chile, me deparei com a famosa por aqui De Martino e seus excelentes vinhos, seja qual for a linha selecionada para degustar, além é claro de Marcelo Retamal, o homem responsável pelo projeto "barricas free" que foi implantado na vinícola. Escolhi então destacar dois vinhos pouco usuais: o primeiro, o Viejas Tinajas Edición Especial 2012, vinificado em vasos de argila e feito para venda apenas no Chile na bodega, um blend tinto muito alegre, fresco e frutado e que faz parte das degustações nas visitas a bodega; e o Gallardia del Itata Cinsault 2013, que ainda estava nos tanques mas trouxeram alguns poucos exemplares para mostrarem na feira. Um vinho diferente, com maceração carbônica e que muito lembrou os gamays e beaujolais de boa qualidade. Framboesa fresca no nariz, muito frescor em um vinho para se beber de garrafa sem perceber.



Já era hora de fechar meu ciclo pelo novo mundo e minha última parada foi os EUA, onde destaco dois vinhos de vinícolas distintas. Primeiro a vinícola Sequana Vineyards e seu belo Pinot Noir Sundwang Ridge Vineyard do Russian River. Muita tipicidade, frutas frescas, fósforo, animal, num corpo médio e taninos macios e redondos, um vinho pronto para se beber. E pra finalizar, não poderia faltar um Cabernet do Napa Valley com o 19 Block Cuvée Mount Veeder 2008 , da Hess Collection, musculoso, voluptuoso, mentol, fruta escura, firme e complexo tanto no nariz como na boca, vinhaço!


O que dizer de um evento como esse? Sucesso absoluto! Grandes novidades e surpresas, muito vinho de qualidade e diversidade de paladares, mesmo se tratando do novo mundo. E olha que ainda tinha muito mais vinhos que provei e a se provar. Ansioso pelo próximo evento.

Até o próximo!