Monday, September 30, 2013

Suipacha Reserva Malbec 2007

Depois de um longo e tenebroso afastado das atividades vinícolas em virtude de uma gripe muito forte e de um banho de remédios, eis que estamos reestabelecidos e prontos para o recomeço. E confesso que começamos com a corda toda! O primeiro vinho do recomeço é este Suipacha Reserva Malbec, da Bodega Otero Ramos, radicada em Mendoza, na Argentina. 


A história da Bodega Otero Ramos data de mais de uma década de muito trabalho, que nasceu de um sonho e da busca por este sonho de Manuel Otero Ramos que se materializou e começou a colher os frutos com vinhos de muita qualidade, amplamente divulgados pelo mundo a fora. A primeira colheita e respectiva safra para venda foi a de 2006 e desde então suas mudas de Malbec, Cabernet Sauvignon, Tannat, Pinot Noir, Petit Verdot, Chardonnay e Sauvignon Blanc vem gerando vinhos interessantíssimos. 

O vinho é feito com 100% de uvas Malbec de Lujan de Cuyo, em Mendoza na Argentina e passa por 12 meses de envelhecimento em carvalho de primeiro uso. Passa ainda por 24 meses em garrafa e por mais um ano em adega antes de ser colocado no mercado. Possui 13,8% de teor alcoólico. Vamos as impressões.

Na taça uma bonita cor rubi violácea de grande intensidade, bom brilho e quase sem transparência. Lágrimas finas, rápidas e levemente coloridas. 

No nariz o vinho mostrou um mix de frutas vermelhas e escuras, toques florais e lembrança de baunilha. Ao fundo de taça existia toques de especiarias e tostado.

N boca o vinho apresentou corpo de leve para médio, boa acidez e taninos finos porém marcados e de boa qualidade. Retrogosto confirma o olfato. Final de média duração.

Um bom vinho, trazido pela Vinea e que abriu a volta dos trabalhos. Que venham os próximos.

Até o próximo!

Friday, September 27, 2013

A difícil relação entre o consumidor brasileiro e o vinho nacional

Ultimamente tenho visto muita coisa sendo publicada em mídia especializada, blogs e outros, sobre os vinhos nacionais e o "sucesso" que os mesmos vem obtendo em premiações mundo a fora e sendo muito citados por críticos de renome fora do país. Eu, como consumidor costumeiro de vinhos (sejam estes nacionais ou não) venho aqui dar meu pitaco sobre o assunto. Veja, jamais fui contra o consumo do vinho nacional. Só ainda os acho fora de prumo com relação aos preços praticados no mercado interno. Além é claro de constatar a falta de uma política de popularização e acesso ao vinho e sua mídia, fracos a meu ver.


O primeiro ponto que eu questiono e a quantidade de premiações que existem mundo a fora durante o ano todo, as vezes repetitivamente no mesmo local. É evidente que hora ou outra um vinho nacional abocanhará um premio, dentre tantos distribuídos. Além disso, é preciso também verificar quem julga os vinhos em cada evento, a lisura de todo o processo, quem esta efetivamente participando do concurso e assim por diante. Não estou acusando nada nem ninguém, só quero iniciar um questionamento e reflexão sobre o assunto.

Depois, por que o foco somente no mercado de exportação sendo que o mercado interno nacional é enorme e pouco explorado? E falo por experiência própria. Explico, vivo em São Paulo, maior centro do Brasil e onde todo e qualquer produto é facilmente encontrado, não é mesmo? Em se tratando de vinhos nacionais, uma meia verdade. Pois até aqui é um pouco mais difícil encontrar determinados vinhos nacionais em restaurante ou redes maiores de supermercados, por exemplo. 

Uma coisa que me preocupa em demasia é: por que o vinho nacional é tão caro no mercado interno? Veja, impostos os vinhos importados também o pagam, em seu país de origem e aqui também. Sei que existem também muitos outros custos envolvidos em todo o processo, mas pagar o preço de determinados vinhos nacionais no mercado interno chega a parecer roubo. Além disso, em outros países, vinho é tratado como alimento, aqui como bebida alcoólica. Tendo esta distorção enraizada no nosso mercado faz com que o vinho encareça enquanto produto, tornando o acesso ainda mais difícil.

Ainda lendo as respectivas publicações que "divulgam" o vinho nacional, me parece que mais do que dizer sobre qualidade, o produto brasileiro ainda é tratado com espanto e novidade, como se dissessem ser praticamente impossível que o nosso país produza algo com o mínimo de qualidade. Mesmo por que quando vemos algum vinho nacional exposto fora do país (tive algumas oportunidades de vê-los), o mesmo fica mofando na prateleira pois as pessoas nem olhar para os mesmos olham. 

E por ultimo um dos pontos que considero o pior de todos: o preconceito enraizado no próprio brasileiro com relação ao vinho feito por aqui. Quando existe equiparação de preço e qualidade de um vinho nacional x vinho importado, o próprio consumidor procura o importado pois cria status, elitiza. 

Enfim, eu sempre que posso e vejo um vinho nacional a preço justo, não exito e consumo. Alguns de meus preferidos por exemplo são o Tannat da Casa Venturini e o Pequenas Partilhas Cabernet Franc, da Aurora. Ambos imbatíveis em sua faixa de preços (faixa dos 40 paus, salvo ledo engano). Mas e você, prezado leitor, o que acha a respeito do assunto?

Até o próximo!

Wednesday, September 25, 2013

A eterna briga: qual o tamanho de uma dose quando pedimos vinho em taça?

Em minhas andanças no mundo enovirtual, li um artigo que suscitou uma discussão interna que resolvi compartilhar com meus leitores. Na verdade, muitas vezes quando olho uma carta de vinhos de um restaurante e vejo que o mesmo tem opção de venda de vinhos em taças, me pergunto qual a quantidade de vinho que serei servido, caso peça esta opção. Quem decide isso? Como é feita a medida para que toda taça tenha sempre a mesma quantidade? Estas são minhas duvidas que entendo possam ser a de muitos de vocês por aqui e por isso abrirei a discussão.

O primeiro ponto a se considerar é que cada estabelecimento decide o quanto será sua taça e/ou porção, não existindo qualquer regra e/ou lei que trate do assunto. Então, se o dono do restaurante ou estabelecimento que você está frequentando disser a seus funcionários que uma dose deve ser de 150 ml (e então a garrafa deverá conter 5 doses/taças), os relatórios de consumo do local deverão cruzar o número de taças vendidas com o número de garrafas abertas/consumidas. Neste caso o staff do local terá que utilizar um dosador ou aprender a lidar com o tamanho correto da dose. É claro que existe a chance da última taça de cada garrafa possuir um menor volume se comparado com as demais.

Em segundo lugar, algo que não costuma agradar é quando o atendente não trás a garrafa até a mesa, simplesmente trazendo a taça já com o precioso líquido. Como vou saber se o vinho é mesmo o que eu pedi e mais, se é por exemplo da safra citada na carta? Quando o atendente traz a garrafa até a mesa já causa uma situação mais agradável e existem lugares que ainda lhe prestam a lisonja de provar o vinho antes de ser servido definitivamente na taça. 

Outro ponto relevante a se discutir é sobre a expectativa gerada pelo lugar frequentado. Explico, você não pode criar muita expectativa nem exigir muito de um serviço de uma rede de restaurantes de aeroportos por exemplo, ao passo que quando se visita restaurantes/estabelecimentos estrelados por guias e entidades internacionais você espera todos os mimos possíveis e impossíveis. E neste balaio entram também os vinhos em taça e assim por diante. 

E se depois de considerar tudo isso que foi discutido até então, você ainda não estiver satisfeito e achar que comprou gato por lebre (optando por pedir uma taça de vinho que não satisfez pelo tamanho, preço, etc.)? Eu sugiro uma conversa particular com o gerente do estabelecimento (ou pessoa responsável) e não com o atendente, pois este provavelmente estará cumprindo ordens. E vocês, o que me dizem a respeito?

Até o próximo!

Monday, September 23, 2013

Homenagem ao dia Internacional da Grenache

Hoje, dia 23 de Setembro, foi designado como o dia Internacional da Grenache. Como estou sob efeito de remédios, não tenho bebido muita coisa ultimamente e não poderei prestar as devidas homenagens. Fica então o video abaixo, que é de Paso Robles nos EUA, e fala sobre o que é a Grenache para o pessoal de lá. Está em inglês, mas é bem fácil de ser entendido e divertido como todos os videos por eles postados!




Quem sabe no próximo ano, eu não consigo prestar uma homenagem feita por eu mesmo?

Até o próximo!

Thursday, September 19, 2013

Vinho bouchoneé : aromas indesejados ou supressão de sensibilidade olfativa?

Estava lendo uma das várias midias especializadas sobre vinhos (Decanter) que costumo fazer quando me deparei com uma noticia um tanto quanto interessante e resolvi trazer para debate aqui no blog. Uma nova pesquisa científica relacionada ao mudo do vinho discute o quanto um vinho afetado por problemas na rolha pode apresentar aromas ruins ou o agente químico (TCA) responsável por este defeito só cria um efeito que inibe nossos receptores olfativos de sentir outros aromas. Ou seja, nosso cérebro seria "enganado" por este defeito e não conseguiria identificar novos odores no vinho.


Ainda segundo esta pesquisa, estes aromas que lembram mofo, pano molhado (ou algo semelhante) que normalmente são encontrados quando o vinho apresenta esta contaminação pela rolha, seriam na verdade a supressão dos receptores das células olfativas localizadas nos nossos narizes. E isto não seria uma novidade em se tratando de supressão causada por alguma sensação externa, como se pode observar em casos  relacionados a visão, por exemplo. 

Finalizando a pesquisa, os cientistas atribuem a esta pesquisa uma forma com que os produtores possam vir a aumentar a qualidade de seus vinhos, embalagens e assuntos relacionados. Tal estudo fora feito por cientistas japoneses e divulgado a pouco por uma publicação científica famosa pelas terras do Tio Sam.

E para você, querido leitor, qual seria a real causa dos odores indesejados em vinhos bouchoneé? Inibiçao de receptores ou aromas ruins mesmo? Fico aberto para novas contribuições ao assunto!

Até o próximo!