quarta-feira, 13 de maio de 2009

Todo estudante é falsificador.

Ontem foi expedida uma liminar pela 1ª Vara Empresarial do Rio que proíbe a rede Cinemark de cobrar quaisquer outros documentos (comprovantes de matrícula, pagamento, assiduidade e outros) quando da apresentação da carteirinha de estudante para aquisição de meia entrada nos cinemas da rede em território nacional.

Eis que hoje, quase sem surpresa para ninguém, a rede de cinemas divulgou em nota oficial a imprensa que irá recorrer de tal liminar pois a rede entende que, a liminar deve ser analisada de modo a que não exista o descontrole na utilização do tal beneficio e que está em defesa do estudante “verdadeiro” evitando assim que o benefício seja oferecido a quem não lhe é de direito.

Este impasse que foi parar na justiça expõe algumas feridas da sociedade brasileira, como o direito de acesso a eventos culturais por toda população, a elitização da utilização de salas de cinema, a falsificação e banalização da distribuição de carteirinhas de estudante por uma série de empresas particulares, pouco preocupadas em verificar a veracidade das informações recebidas e a pirataria só para citar as que vieram de bate pronto em minha cabeça.

É evidente que os preços praticados nos cinemas hoje (chegando a mais de 25 reais em alguns casos) para as entradas “inteiras” é abusivo e acaba gerando uma restrição ao acesso da população de mais baixa renda às salas de cinema. E não me convence que este aumento se deu em cima da banalização do uso das carteirinhas de estudante, pois este aumento vem sendo praticado muito antes deste assunto ser discutido em nossa sociedade, principalmente com a vinda das grandes redes “importadas” de cinema para o nosso país.

Outro fator a se considerar é que realmente hoje, ao preço de uma pizza, você consegue sem comprovação nenhuma de sua situação estudantil uma “carteirinha de estudante” o que na prática, iria lhe garantir também o benefício da meia entrada. É necessário, sem sombra de dúvida, que seja mais fiscalizada e controlada a emissão de tais documentos porém sem prejudicar a quem realmente tem sua situação estudantil regular e dentro da lei que criou o benefício.

Algo que é alimentado também desta discussão é que, com a dificuldade de acesso as salas de cinema no país por uma parcela mais pobre da sociedade, a pirataria tem crescido a nível assustadores e é possível encontrar-se filmes que nem foram lançados no país nas bancas de vendedores ambulantes a preços as vezes menores do que 5 reais, fazendo com que a família inteira, que antes gataria em torno de 100 reais numa visita ao cinema, gaste 5 reais e assista no conforto de seu lar ao filme pretendido.

Enfim, a discussão deveria ser muito mais ampla e não somente se focar em uma única rede de cinemas e em quem realmente tem a situação regularizada de estudante porém por que não pensarmos numa reforma mais abrangente da lei que rege este benefício, criando mecanismos legais de impedir a falsificação, desburocratizando o uso das carteirinhas de estudante e aumentando o acesso da população às salas de cinema como forma de difundir-se esta forma de cultura? Para você, leitor do balaio, qual seria a solução? Aguardo seus comentários.

Um comentário:

  1. Eu acho um absurdo falsificar carteirinhas!!

    Mi

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