Tuesday, November 10, 2015

Nemea Reserve 2009: O que é que o vinho grego tem?

As vezes alguns vinhos ficam "perdidos" na adega e, em um daqueles dias que bate uma vontade arrebatadora de abrir alguma coisa diferente, faço uma pequena "expedição ao fundo da adega" pra procurar se existe algum destes vinhos escondidos. E neste final de semana, em meio a uma destas expedições, eu cheguei até o Nemea Reserve 2009.


O Nemea Reserve 2009 é produzido pela Cavino SA, um grupo grego que tem sua fundação ainda em meados dos anos 50 na região do Peloponeso, na Grécia, mas que passou por algumas grandes modificações em todo este caminho. Aparentemente o ano de 1999 é o que detém a marca mais recente na vinícola, quando começa a introduzir no mercado local e nos mercados internacionais, vinhos de alta gama no quesito qualidade. De lá pra cá contou com uma expansão forte em mais de 26 países e construiu uma linha de engarrafamento que dizem ser o estado da arte no quesito tecnologia, com capacidade de produção de 7000 garrafas por hora.

Falando sobre o Nemea Reserve 2009 propriamente dito, podemos acrescentar que é mais um exemplar feito 100% com uvas Agiorgitiko da região do Peloponeso, mais especificamente dentro da Denominação de Origem Nemea, de vinhedos com altitudes que variam entre 400 e 600 metros acima do nível do mar. Após a fermentação, o vinho é então colocado em barricas de carvalho americano e francês onde ocorre a fermentação malolática e onde ficam por mais 14 meses para envelhecimento. Por fim, depois de engarrafado, o vinho fica nas caves da vinícola por mais 12 meses antes de ser liberado ao mercado. Vamos as impressões?

Na taça o vinho apresentou coloração rubi de média intensidade com algum brilho e limpidez. bordas já com tendências granada. Na garrafa pudemos notar boa presença de borras. Lágrimas finas, rápidas e incolores também se faziam notar.

No nariz o vinho apresentou aromas de frutos vermelhos silvestres, flores e toques de chocolate amargo. Ao fundo de taça algo de tostado também se fazia notar.

Na boca o vinho se mostrou de corpo médio com boa acidez e taninos finos e macios. O retrogosto confirma o olfato e o final era de média duração.

Um bom vinho para o dia a dia. Tem um quê de velho mundo, mais austero e elegante. Eu recomendo a prova. Mais um vinho do clube de vinhos da Winelands, o clube que eu assino e recomendo.

Até o próximo!

Monday, November 9, 2015

Pensando nas festividades de final de ano? Scandalo Brut Rosé!

Com a proximidade das festividades de final do ano, nós amantes de um bom vinho e um bom espumante sempre nos deparamos com pedidos de indicação de tais bebidas para estas datas. E é sempre interessante quando involuntariamente acabamos cruzando com vinhos que se encaixam nestas características no nosso dia a dia e podemos então divulga-los por aqui. Este é o caso do vinho espumante Scandalo Brut Rosé.


O vinho espumante é produzido pela LPG Wines lá em Bento Gonçalves, no Rio Grande do Sul e é fruto do amor pelo vinho, tendo sido fundada por três amigos, um renomado Enólogo Português e dois brasileiros, outro Enólogo e um Engenheiro Agrônomo. O trabalho iniciou em 2008, com a implantação do projeto de Agricultura de Precisão e Segmentação de Colheita com alguns produtores parceiros na região de Bento Gonçalves, na Serra Gaúcha. O projeto de produção utiliza o mesmo sistema adotado em mais de 15 países do velho mundo, tendo como foco a melhoria da qualidade da uva para a produção de um bom vinho. São produções únicas e exclusivas com a baixa tiragem por hectare.

Sobre o Espumante Scandalo Brut Rosé, podemos ainda acrescentar que é um vinho espumante produzido com uvas Pinot Noir, Chardonnay e Malbec (60%, 30% e 10% respectivamente) pelo método Tradicional ou Champegnoise, onde a segunda fermentação ocorre na garrafa. A diferença deste vinho aparece quando o vinho base permanece por 6 meses em barricas de carvalho e depois de ser engarrafado (e a segunda fermentação ocorrer), ficar por 24 meses em contato com as leveduras. Por fim descansa por mais 6 meses em cave antes de ir para o mercado. Vamos as impressões?

Na taça o vinho espumante apresentou uma bonita coloração rosa salmão, bom brilho e boa limpidez. Conta também com a formação de uma fina e duradoura perlage.

No nariz o vinho espumante apresenta aromas de frutos vermelhos e de panificação. Leve toque floral ao fundo.

Na boca o vinho espumante é muito fresco e cremoso, com um retrogosto que confirma o olfato. O final era de longa duração.

Mais um belo vinho espumante brasileiro, que a meu ver é um coringão e vai com quase qualquer tipo de prato. E é claro que vai agradar em cheio para as festividades de final de ano ou em qualquer outra data. Eu recomendo a prova. O Scandalo Brut Rosé é mais um vinho do clube de vinhos da Winelands, o clube que eu assino e recomendo.

Até o próximo!

Friday, November 6, 2015

Viña Ventisquero debuta em grande estilo com evento em São Paulo!

Se a pouco mais de 10 anos atrás, quando perguntavam sobre a Viña Ventisquero no nosso incipiente mercado de vinhos, poucos reconheciam ou mesmo sabiam do que se tratava, hoje a realidade é outra e a Viña Ventisquero é uma das vinícolas chilenas mais conhecidas e vendidas por aqui. E eis que, se aproveitando desta posição privilegiada, resolveram comemorar suas 15 safras desde a fundação com um delicioso almoço e degustação em São Paulo, no restaurante Bravin. Vale lembrar que quem apostou nos vinhos da Ventisquero desde o começo foi a importadora Cantu, que também ajudou a organizar o evento, além é claro da CH2A Comunicação.


A Viña Ventisqueiro é reconhecidamente ousada e vanguardista ao mesmo tempo, sendo marcada pela produção de vinhos clássicos que remetem ao passado vitivinicultural do Chile e projetos ousados e extremos, como a produção de vinhos no Deserto do Atacama. E muito disto é responsabilidade do enólogo chefe da casa, Felipe Tosso, cuja história como enólogo se confunde com a história da própria vinícola, e de sua jovem equipe de enólogos. E vale lembrar que o próprio Felipe Tosso veio para conduzir esta "viagem" pelas 15 safras da Ventisquero.


O passeio na gostosa tarde que passamos no Bravin se deu por vinhos clássicos e ícones da Viña Ventisquero, como a linha Queulat Single Vineyard, considerada de entrada, até uma mini vertical de um de seus ícones, o Pangea Syrah. Difícil é portanto falar de um por um destes vinhos sem me tornar repetitivo e cansativo. Vou escolher 2 então para falar um pouco a respeito.


O primeiro destaque vai para o Pangea Syrah 2004 que se mostrou no ápice de sua vida, prontíssimo para o consumo, mostrando que as apostas feitas por Felipe Tosso desde o começo renderam frutos. Este é um vinho 100% Syrah, uvas estas colhidas no Fundo Apalta, no Vale do Colchágua com passagem de 22 meses em barricas francesas de primeiro e segundo uso. O vinho se mostrou elegantíssimo, trazendo frutos escuros, especiarias, gorgonzola e grafite no nariz. Já no paladar apresentou corpo médio +, uma boa e ainda viva acidez e taninos amaciados e redondos pelo tempo. O retrogosto confirma tudo que o olfato descobriu. Uma delícia!


O segundo destaque do post vai para o Tara White Wine 1 2013, um curioso vinho 100% Chardonnay de uma linha de vinhos elaborada no Deserto do Atacama e ao qual não se foi adicionado nenhum outro componente que não veio da uva em si. O vinho não é filtrado e passou por 24 meses em barricas francesas de quinto uso (30% do vinho) e o restante em tanques de aço inox pelo mesmo período (70% do vinho). Todo este processo resulta em um vinho de coloração amarelo esverdeada, turvo e com pouco brilho. No nariz trás aromas de frutos tropicais como damasco e pêssego, algo de floral e lembranças de mel. Na boca tem acidez elétrica e um corpo médio +. O retrogosto adiciona uma tendência mineral/salina interessante. Um vinho que pode vir a agradar iniciantes e iniciados. Diferente do que estamos acostumados.


Por último, mas não menos importante, o que falar do Restaurante Bravin e do cardápio selecionado pela Daniela Bravin e sua equipe para harmonizar com os vinhos da Viña Ventisquero? Tudo feito a perfeição. O local é discreto e agradável, oferecendo um cardápio variado com ingredientes brasileiros bem aproveitados. Em virtude do evento, um menu com entrada, prato principal e sobremesa foi montado. As minhas escolhas recaíram sobre Bochecha de Porco com Purê de Maçã, perfeitamente cozida e com uma milanesa incrível, sem desmontar e sem estar oleosa para a entrada e Língua de Boi ao molho madeira para o prato principal, com carne perfeitamente cozida, suculenta e desmanchando na boca, de maneira deliciosa. Pra fechar, um mix de sobremesas da casa para compartilhar.

Mais uma vez um belo evento em parceria com a CH2A, Cantu e Ventisquero, além é claro do Bravin Restaurante. Só me resta parabenizar as 15 primaveras da Viña Ventisquero, ao Felipe Tosso por suas escolhas, a Cantu por nos proporcionar a oportunidade de continuar degustando os vinhos e a todos envolvidos em mais um evento de sucesso.

Até o próximo!

Wednesday, November 4, 2015

Marques da Casa Concha Chardonnay 2012

Falar sobre a Concha Y Toro raramente é fácil, dado a proporção que a marca tem alcançado no mercado mundial de vinhos nos últimos anos. Ir além do que foi dito nesta primeira linha e tentar reproduzir a história desta gigante do mundo vitivinícola mundial nas linhas que se seguem me parece ser um erro, uma vez que sua história e linhas de produtos é devidamente conhecida e divulgada no mercado brasileiro de vinhos a muito tempo e de maneira quase exaustiva. Deixemos então de lados as "apresentações" sobre a Concha Y Toro e passemos a falar do vinho em si.


O Marques da Casa Concha Chardonnay 2012 é um vinho feito com 100% de uvas Chardonnay da região do Vale do Limarí. Depois de todo processo fermentativo, o caldo vai para barricas francesas aonde permanece ainda por 11 meses para envelhecimento/afinamento. Vamos as impressões?

Na taça o vinho apresentou uma bonita coloração amarelo palha com reflexos dourados, brilhante e de boa limpidez. Lágrimas finas, rápidas e incolores também se faziam notar.

No nariz o vinho apresentou aromas de frutos de polpa branca, manteiga, nozes, mel e leve toque mineral ao fundo.

Na boca o vinho era bem gordo, untuoso mas com uma boa acidez. O retrogosto confirmava o olfato e ressaltava a veia mineral do vinho, trazendo lembrança de alguma salinidade. O final era longo e delicioso.

Sem sombra de dúvidas é um excelente vinho branco chileno, e ainda mais se levarmos em conta que custou 61 dilmas no Pão de Açúcar aqui da Engenheiro Caetano Álvares. Eu recomendo a prova.

Até o próximo!

Tuesday, November 3, 2015

Gimenez Mendez Alta Reserva Malbec: Nem só de Tannat se faz o Uruguay

Eu sempre me surpreendo quando me coloco a frente com vinhos uruguaios, ainda mais quando fujo do convencional Tannat e busco explorar outras cepas que por lá não são tão faladas ou reconhecidas mas que de uma maneira ou outra acabam por fazer caldos interessantes. É o caso deste Gimenez Mendez Alta Reserva Malbec, que embora seja feito com a uva Malbec, que simboliza outro país vizinho (Argentina) mostrou que pode ter suas qualidades e se diferenciar do irmão sul americano. Vamos ver o por que?


O vinho é produzido pela Vinícola Gimenez Mendez, uma vinícola uruguaia estabelecida na mais pura área da América do Sul e totalmente pertencente e gerida pela família Gimenez Mendez. Seus vinhedos, cerca de 100 hectares, e adega estão localizados nas regiões de Las Brujas em Montevideo, Los Cerrillos e Canelón Grande, no sul do Uruguai, territórios privilegiados para a produção de vinhos. A história da família Gimenez Mendez com a viticultura data de 1929, quando produziam praticamente só vinhos de mesa. Devido a uma crise do mercado uruguaio, em meados dos anos 90, adquiriram uma outra adega mais antiga e tiveram a oportunidade de expandir seus negócios, decisão esta que se mostrou acertada com o passar do tempo. Atualmente seus vinhos podem ser encontrados no Reino Unido, Alemanha, Suíça, EUA, Brasil, Barbados e México. 

Sobre o vinho de hoje, o Gimenez Mendez Alta Reserva Malbec, podemos acrescentar que em sua safra 2013 o vinho foi produzido com 100% de uvas Malbec uruguaias e, depois do processo fermentativo, o vinho estagiou em barricas de carvalho francês e americano por 10 meses. Vamos finalmente as impressões?

Na taça o vinho apresentou uma bonita coloração violácea de grande intensidade, bom brilho e boa limpidez. Lágrimas finas, de média velocidade e bem coloridas também escorriam pelas paredes da taça. 

No nariz o vinho apresentou aromas de frutos escuros, chocolate, tabaco e um quê de animal (fiquei um pouco indeciso mas lembrava um pouco couro). Algo de alcaçuz ao fundo.

Na boca o vinho tinha corpo médio, boa acidez e taninos macios e redondos. O retrogosto confirma o olfato e o final era de média para longa duração. 

Sem dúvida um bom vinho para o dia a dia, fugindo do estilão fruta bombada e muito álcool argentino, também foi bem com uma peça de fraldinha assada. Eu recomendo a prova. É mais um vinho trazido pelo Clube de Vinhos Winelands, o clube que eu assino e recomendo.

Até o próximo!