Monday, January 9, 2017

Manz Douro Tinto 2010

A família Manz mudou-se para a pacata vila de Cheleiros, Oeste de Portugal, em 2004 e rapidamente se apaixonou pelas pessoas e pelo local. O passado vitivinícola da região, de paisagem campestre e costumes perdidos, depressa cativou André Manz que, com o auxílio e conselhos dos locais, decidiu experimentar produzir vinho para consumo próprio. Praticamente esquecidas no pomar adquirido, repleto de uva tinta Castelões, existiam cerca de 200 cepas de uva branca, de uma casta que nem os jovens enólogos envolvidos no projeto conseguiam identificar. Descoberta a sua origem e nome – Jampal – André foi desaconselhado a prosseguir com a sua produção. Os motivos residiam na restante oferta, em abundância, e na fraca rentabilidade em larga escala de Jampal – motivo pelo qual estava quase extinta no país. Mas o objetivo do produtor estreante não seria o de produzir em quantidade: “Eu não quero fazer muito vinho, quero fazer bom vinho”, explicou. O resultado foi surpreendente: o seu vinho era diferente de tudo o que se havia provado até então, constituindo uma oportunidade de negócio inesperada e o mote para a produção de outras castas portuguesas tintas mais antigas, assim como para a exploração de vinhas nas regiões nobres do Alto Douro e Palmela.


Sobre o Manz Douro Tinto 2010, podemos ainda afirmar que é um vinho feito a partir de um corte das uvas Touriga Nacional e Tinta Roriz (50% cada) com Maturação e estágio de 20 meses em depósito de inox e sem passagem por madeira. Vamos as impressões?

Na taça o vinho apresentou coloração violácea de média para grande intensidade com bom brilho e boa limpidez. Lágrimas finas, rápidas e sem coloração também faziam parte do conjunto visual.

No nariz o vinho apresentou aromas de frutos vermelhos em compota, notas florais e algo de especiarias.

Na boca o vinho tinha corpo médio, boa acidez e taninos redondos. O retrogosto confirma o olfato e o final era de média para longa duração.

Mais um bom vinho português degustado por aqui, que é uma boa opção em sua faixa de preço. Eu recomendo a prova.

Até o próximo!

Friday, January 6, 2017

Monte das Ânforas Tinto 2014

A Bacalhôa Vinhos de Portugal existe desde 1922, mas ganhou um grande impulso com a parceria com o Grupo Francês Lafitte Rothschild e a aquisição de propriedades como a Quinta do Carmo, por exemplo. O Grupo Bacalhôa possui adegas nas regiões mais importantes de Portugal com um total de 1200 ha de vinhas, 40 quintas, 40 castas diferentes, a saber: Alentejo, Península de Setúbal (Azeitão), Lisboa, Bairrada, Dão e Douro, produzindo uma grande variedade de vinhos, dos mais simples aos topo de gama.


Falando um pouco mais especificamente do Monte das Ânforas Tinto 2014, podemos ainda acrescentar que é um vinho feito a partir das castas Aragonez e Trincadeira, plantadas em diferentes vinhas do Alentejo. O vinho não tem passagem por madeira. Como curiosidade, o vinho Monte das Ânforas deve o seu nome à Herdade das Ânforas, em Arraiolos, que possui como elemento decorativo uma coleção de ânforas ou “talhas” notável. Tradicionalmente na região do Alentejo recorria-se a ânforas de cerâmica para a produção de vinhos. Foi a solução encontrada para driblar a dificuldade de utilizar boas madeiras para a construção de barricas, ocorrência que se fazia sentir em toda a bacia mediterrânea. Vamos as impressões?

Na taça o vinho apresentou coloração violácea de média para grande intensidade com bom brilho e boa limpidez. Lágrimas finas, espaçadas e com ligeira cor também se faziam notar.

No nariz o vinho apresentou aromas de frutos vermelhos frescos, especiarias e algo de flores.

Na boca o vinho tinha corpo médio, boa acidez e taninos fininhos. O retrogosto confirma o olfato e o final era de média duração.

Um vinho português simples, sem defeitos, feito para o dia a a dia e que deve agradar até as pessoas que não são consumidoras costumeiras de vinho, pois tem aquela leve sensação de dulçor durante a degustação. Eu recomendo a prova, especialmente se você está naquela transição entre os vinhos de mesa e os vinhos finos.

Até o próximo!

Wednesday, January 4, 2017

Vinha do Monte Tinto 2013

A grandeza do Alentejo inspirou esta determinada aposta da Sogrape na Herdade do Peso, produtora do vinho de hoje, no conselho da Vidigueira, numa zona exclusiva onde os diversos microclimas e relevos atípicos criam uma rica e impressionante variedade de terroirs. A essência deste Alentejo mais profundo é revelada nos vinhos, extraída com paixão por quem trabalha cada palmo desta terra. A Sogrape Vinhos é uma gigante do mundo do vinho Português, que nasceu da vontade e ousadia de um grupo de amigos que, no difícil ambiente econômico e político de 1942, decidiram apostar forte no talento de um homem visionário para criar e desenvolver uma empresa de vinhos diferente, inovadora, capaz de divulgar e impor os vinhos portugueses nos mercados internacionais. A verdadeira dimensão da Sogrape dos nossos dias exprime-se na amplitude e no peso do seu portfólio.


Falando agora do Vinha do Monte Tinto 2013, o vinho é um típico blend de uvas portuguesas, a saber: Aragonez, Alfrocheiro, Alicante Bouschet, Syrah e Trincadeira. Tudo bem que vocês irão dizer que a Syrah não é uma casta portuguesa e sim, vocês estão corretos, mas como a grande maioria é, juntei todas em uma mesma frase e espero que vocês não se importem. O vinho estagiou em cubas de aço inox durante cerca de 6 meses e depois foi liberado ao mercado. Vamos as impressões?

Na taça o vinho apresentou coloração violácea de média para grande intensidade com bom brilho e limpidez. Lágrimas ligeiramente coloridas e finas, também se faziam notar.

No nariz o vinho apresentou aromas de frutos escuros e vermelhos, flores e leve toque de especiarias.

Na boca o vinho apresentou corpo médio, boa acidez e taninos macios. O retrogosto confirma o olfato e o final era de média duração.

Um bom vinho português, fácil de beber e que olha, cabe no bolso. Eu recomendo a prova.

Até o próximo!

Tuesday, January 3, 2017

Rivus Rosso Toscano 2014

O vinho de hoje é produzido pela Poggio Nardone, uma pequena propriedade no coração da Toscana, na Itália, fronteiriça com a propriedade de Mocali, na região de Tavernelle em Montalcino. Lá, a modesta propriedade (menos de 10ha), de solo compacto e calcário combinado a vinhedos de alta altitude (quase 1,500 pés) produz vinhos tintos densos e que tendem a envelhecer muito bem. Fundada em 1996 e mesmo com a família Ciacci sendo proprietária da vinícola por algum tempo, não foi até Tiziano e Alessandra, então recém-casados, com a ajuda de velhos manuscritos, que se conseguiu determinar o real tamanho e valor da propriedade.


Sobre o Rivus Rosso Toscano 2014, podemos ainda acrescentar que é um vinho feito com base na uva Sangiovese (cerca de 70% do vinho), acrescido de uvas Canaiolo e Trebbiano. Até por isso é um vinho que não recebe uma DOC específica, sendo um IGT toscano. Como a proposta do vinho é ser mais jovem e fácil de se beber, não tem passagem por madeira. Vamos então as impressões?

Na taça o vinho apresentou coloração rubi de média intensidade, bom brilho e boa limpidez. Presença de leve halo granada. Lágrimas finas, espaçadas e sem cor também se faziam notar.

No nariz o vinho apresentou aromas de frutos vermelhos, toques terrosos, chá preto e algo de ervas.

Na boca o vinho tinha corpo médio, ótima acidez e taninos redondos. O retrogosto confirma o olfato e o final era longo e muito saboroso.


Um ótimo vinho italiano, trazido pela importadora mineira Casa Rio Verde, que também possui um clube de vinhos bem interessante que estou conhecendo e recomendo. Foi harmonizado com pizzas caseiras como esta, da foto acima, de muzarela de búfala e tomate seco.Para ter mais informações sobre o vinho acessem: VinhoSite e VinhoClube.

Até o próximo!

Monday, January 2, 2017

Shabo Brut Sparkling Wine: Da Ucrânia para o Balaio para a #CBE

Chegamos ao dia da #CBE - Confraria Brasileira de Enoblogs, aqui no Balaio, sendo que o tema deste mês, janeiro, o primeiro de 2017 ficou a meu cargo, uma honra levando em conta que o primeiro de janeiro é bem emblemático por marcar o início de um novo ciclo de vida. Bom, eu sugeri o seguinte: "Pensei no tema e cheguei à conclusão de que, como o post acontecerá no dia primeiro de janeiro, na virada do ano, e sempre buscamos coisas novas no ano que entra, deveríamos provar um vinho de um país que nunca provamos, branco ou tinto, e se possível propormos uma harmonização. Espero que gostem do desafio!" Levando isso em conta, por aqui provamos o Shabo Brut Sparkling Wine, vindo diretamente da Ucrânia.


A empresa industrial e comercial Shabo, localizada a 70 km de Odessa e 5 km do resort Zatoka, na Ucrânia, cria bebidas finas da mais alta qualidade desde 2003, respeitando a tradição da vinificação, mas também aplicando as tecnologias mais avançadas. Com isso, os vinhos Shabo incorporam as melhores propriedades naturais de uvas, preservando o sabor e aroma das mesmas, recém-colhidas, as suas características varietais brilhantes. O nome da empresa é derivado de um dos mais antigos terroirs na Europa - Shabo. Os progenitores da vinificação em Chabot são considerados os gregos antigos, que nos séculos VI-II eram baseados na aldeia da costa do Mar Negro de Tiro e as primeiras videiras plantadas por lá, há 2500 anos atrás. No século XVI nesta região começou o "período turco". O assentamento turco foi nomeado "Asha-Abaga", que se traduz em "abaixar as vinhas". O nome não foi escolhido por acaso - geograficamente localizado abaixo dos vinhedos de Ackerman (mais tarde Belgorod-Dniester). Existem diferentes variedades de uvas cultivadas, mas entre elas havia uma que até hoje cresce em Chabot, e é considerada autóctone - "Teltow Kuruk", que em turco significa "cauda raposa". Para salvar estas videiras únicas na empresa "Shabo", um programa especial foi criado.

Já sobre o Shabo Brut Sparkling Wine, podemos ainda acrescentar que é um vinho espumante feito com base nas uvas Pinot Noir e Chardonnay cultivadas em uma região chamada Kuban, produzido pelo método charmat, onde a segunda fermentação acontece em tanques de aço inox. Fica em contato com as leveduras por um período de 6 a 12 meses, sob avaliação do enólogo. Vamos as impressões?

Na taça o vinho espumante apresentou coloração amarelo palha com reflexos dourados com muito brilho e limpidez. Boa formação de uma perlage fina, consistente e intensa.

No nariz o vinho espumante mostrou aromas de frutos cítricos, flores, panificação (fermento) e algo de nozes.

Na boca o vinho espumante mostrou bom corpo e bom frescor. O retrogosto confirma o olfato e o final era longo e muito fresco.

Uma boa surpresa este vinho espumante vindo da Ucrânia, boa tipicidade e uma boa maneira de começar com perna direita este ano e as postagem para a #CBE. Deve harmonizar bem com comidas mais simples e leves, com uma boa conversa ou pode ser bebido sozinho mesmo. Mais um vinho do clube de vinhos da Winelands, o clube que eu assino e recomendo.

Até o próximo!