Friday, August 11, 2017

Nomad Cabernet Sauvignon 2012

O vinho em questão é produzido por Domeniile Sahateni, vinícola romena de propriedade de Aurelia Visinescu, uma respeitável enóloga romena, e seu sócio. A vinícola é baseada na região Dealu Mare, onde o "terroir" provou que vinhos excepcionais podem ser alcançados, sendo composta por 70 ha de videiras. Investimentos da ordem de até 5 milhões de Euros foram feitos e dedicados ao plantio e replantio de vinhas, modernização da adega, ampliação de capacidade e outros. A capacidade total de produção é de 1.000.000 garrafas por temporada. Uma parte dos vinhos é envelhecido em barricas de carvalho romeno e também envelhecidos em garrafa na adega. As principais variedades de uvas são: Feteasca Neagra, Merlot, Cabernet Sauvignon, Pinot Noir - para os vinhos tintos e Feteasca Alba, Chardonnay, Riesling, Sauvignon Blanc, Tamăioasă Romaneasca e Muscat Ottonel para os vinhos brancos. O que vemos aqui é a utilização de castas internacionais mas também um grande uso de uvas autóctones romenas e pouco conhecidas por nós brasileiros, o que torna provar o vinho por si só já uma descoberta. São 3 linhas de vinhos: Nomad, Artisan e Anima. A primeira (Nomad), segundo a enóloga é focada em vinhos mais ao estilo novo mundo e visa àqueles que gostam se aventurar por tal estilo; já a segunda (Artisan) é uma linha mais dedicada às uvas autóctones romenas e a região de Dealu Mare; por fim, a terceira linha (Anima) é a linha de vinhos exclusivos, considerados os tops da vinícola.


Já sobre o Nomad Cabernet Sauvignon 2012 podemos ainda acrescentar que é um vinho 100% feito a partir de uvas Cabernet Sauvignon com alguma passagem por madeira. Vamos as impressões?

Na taça o vinho apresentou coloração rubi violácea de média para grande intensidade com bom brilho e limpidez. Lágrimas finas, rápidas e ligeiramente coloridas também se faziam notar.

No nariz o vinho apresentou aromas de frutos escuros, especiarias, baunilha, toques florais e de tosta. 

Na boca o vinho apresentou corpo médio, acidez correta e taninos macios. O retrogosto confirma o olfato e o final era de média para longa duração.

Um bom Cabernet Sauvignon vindo de uma região até certo ponto desconhecida por aqui em nosso mercado mas que tende a agradar os paladares por não contar com aqueles aromas/sabores mais herbáceos/verdes que tanto incomodam. Eu recomendo a prova. Este é mais um vinho que tive acesso através do Winelands Clube do Vinho, o clube de vinhos que eu assino e recomendo. 

Até o próximo!

Thursday, August 10, 2017

Ceirós Tinto 2013

Com mais de 250 anos, a Quinta do Bucheiro, produtora do vinho de hoje, continua a ser totalmente independente, continuando orgulhosamente a pertencer à mesma família. A caminho do seu 3º centenário, a Quinta do Bucheiro mantêm os mesmos terrenos e a mesma tradição: produzir vinhos com uma qualidade superior. Implantada no Vale do Pinhão, na região do Alto Douro, numa das mais afamadas sub-regiões da Região Demarcada do Douro, reconhecida pela sua exposição a Nascente à altitude de 220 metros e com cerca de 40 hectares de vinha, sendo esta totalmente mecanizada, esta localização particular encontra-se abrangida por um microclima único que contribui, decididamente, para a tipicidade e diferenciação dos vinhos da Quinta do Bucheiro. As castas Touriga Nacional, Tinta Roriz e Tinta Barroca, para os vinhos tintos são juntamente com Malvasia Fina, Gouveio e Viozinho para os vinhos brancos, as castas selecionadas para a produção de um vinho com uma qualidade ímpar. O envelhecimento dos vinhos continua a ser feito nos seus velhos armazéns, dividindo-se o estágio pelos tonéis, pipas e meias pipas de carvalho francês, americano e português. Para os vinhos brancos não envelhecidos são utilizadas as cubas de inox. O processo de engarrafamento é executado na Quinta do Bucheiro por sistema automático e sanitizado após aprovação dos organismos reguladores e sob a responsabilidade do proprietário, Eng.º Enólogo, António Dias Teixeira.


Sobre o Ceirós Tinto 2013, podemos ainda afirmar que o vinho é feito a partir das principais castas durienses, Touriga Nacional, Tinta Roriz, Touriga Franca e Tinta Barroca cultivadas na região de Cima-Corgo. Após a fermentação o vinho passa por amadurecimento em barricas de carvalho francês durante 3 meses seguido pelo estagio final em cubas de inox. Vamos as impressões?

Na taça o vinho apresentou coloração rubi violácea de média para grande intensidade com algum brilho e boa limpidez. Lágrimas finas, rápidas e quase incolores também se faziam notar.

No nariz o vinho apresentou aromas de frutos vermelhos e escuros, flores, especiarias, chocolate e algo de tostado no fundo de taça.

Na boca o vinho apresentou corpo médio, boa acidez e taninos macios. O retrogosto confirma o olfato e o final era de média para longa persistência.

Mais um bom vinho português provado por aqui. Meu vício, com certeza, são os vinhos de lá. Ainda não encontrei custo benefício melhor.

Até o próximo!

Wednesday, August 9, 2017

Herdade do Rocim Touriga Nacional 2015

A Herdade do Rocim é, sem dúvida, uma das propriedades mais impressionantes de todo Portugal. É além disso, principalmente, o resultado de um desejo e de um sonho. Lançando um projeto arquitetônico ousado, que prima beleza e delicadeza de detalhes, a vinícola se destaca também pela alta qualidade de seus vinhos. Situado nas imediações de Vidigueira, no Baixo Alentejo, ela conta com cerca de 120 hectares, entre os quais 70 de vinhas e 10 de olivais. Adquirida em 2000 pelo Grupo Movicortes, recebeu altos investimentos nas instalações, o que permitiu a vinícola implementar processos de produção muito mais modernos e atualizados. Graças à estrutura do projeto, além da fama do produto produzido, a vinícola se tornou uma fonte promocional para a região do Alentejo.


Falando sobre o Herdade do Rocim Touriga Nacional 2015, podemos ainda acrescentar que, como o próprio nome já diz, é um vinho feito com 100% de uvas Touriga Nacional fermentadas em grandes balseiros de carvalho. Após este processo, o vinho passa por 9 meses em barricas de carvalho para amadurecimento.Por fim, o vinho ainda envelhece por 3 meses em garrafa antes de ser liberado ao mercado. Vamos as impressões?

Na taça o vinho apresentou coloração rubi violácea de grande intensidade com bom brilho e limpidez. Lágrimas finas, de velocidade média e ligeiramente coloridas também se faziam notar.

No nariz o vinho apresentou aromas de frutos vermelhos, flores, especiarias com toques de baunilha e minerais. Um vinho de boa complexidade aromática.

Na boca o vinho apresentou um corpo de médio para encorpado, boa acidez e taninos macios e sedosos. O retrogosto confirmou o olfato e o final era de longa duração.

Mais um belo vinho português provado por aqui que demonstra acima de tudo uma boa estrutura podendo ser consumido agora mas que pode aguentar mais um bom tempo em garrafa. O vinho veio diretamente da terra pátria na bagagem da minha sogra e foi um presente de seu primo (meu xará) aos quais faço meu agradecimento público. Eu recomendo a prova.

Até o próximo!

Tuesday, August 8, 2017

Degustação Vinhos Manuscrito com a enóloga Estela de Frutos

No último dia 28 de julho estive presente em um degustação bem especial de vinhos espanhóis que fogem do tradicional. Todos os rótulos de vinhos das linha Manuscrito são elaborados com uvas de procedências diferentes, que provém de vinhedos centenários. E a responsável por estes vinhos é ninguém menos que Estela de Frutos, que acompanha a vinícola/comercializadora Terra Furati, também na Espanha.

Estela de Frutos é uruguaia de nascimento (com o coração dividido entre Uruguai e Espanha) e sempre foi muito reconhecida com seu trabalho em amansar a uva Tannat (casta que ganhou notoriedade nos vinhos uruguaios) e seus trabalhos em prol da divulgação dos vinhos uruguaios mundo a fora. Mas após sua passagem por terras espanholas para estudos e trabalho, resolveu apostar em um projeto único. Como uma pessoa influente no meio, contou com a ajuda de amigos e conhecedores locais e descobriu não somente alguns terroirs pouco explorados em várias DOs espanholas como também vinhas centenárias de castas autóctones locais, com destaque para a Hondarrabi Zuri (que falaremos mais pra frente), buscando com isto mostrar em seus vinhos a identidade local. Segundo ela, seria uma forma de "encerrar a carreira" onde quase tudo havia começado. Como não possuem vinhedos próprios, Estela roda as DOs espanholas em busca das melhores uvas. A vinificação é feita em parceiros, uma vez que por legislação o vinho precisa ser vinificado na região a qual pertence para obter o status de DO. Nas próximas linhas irei comentar um pouco sobre os vinhos que se sobressaíram durante a degustação, um branco e um tinto, até para não tornar cansativa nossa conversa aqui. 


O primeiro destaque que trago aqui é o Manuscrito Hondarrabi Zuri 2014. As uvas Hondarrabi Zuri, e consequentemente os vinhos, são oriundos de uma DO pouco conhecida por aqui, Txakoli de Álava, sendo esta uma casta de uva branca nativa do País Basco. Por lá é cultivada desde o século XI e antes da praga de filoxera, cultivaram-se importantes extensões de vinhedos com a mesma, mas que hoje em dia estão restritos a poucas plantas. Após a fermentação, cerca de 50% do vinho passa um período sur lie para amadurecimento. E esta é uma grande sacada neste vinho. Como resultado temos um vinho de coloração amarelo palha com reflexos verdes (ainda bem jovem) e com aromas que trazem frutos cítricos, flores e toques minerais. Na boca porém é que o vinho se distingue com uma acidez bem pronunciada e um corpo de médio para encorpado. O retrogosto confirma o olfato e o final era longo e saboroso. Um excelente vinho branco sem dúvida.


Em se tratando de vinho tinto, pensei em fugir um pouco do óbvio mas iria trair minha preferência e acabei ficando mesmo com o Manuscrito Tempranillo 2014. Aqui entramos em uma DO muito conhecida no mercado brasileiro, a DO Ribeira Del Duero, porém de vinhedos situados nos extremos da região, em Valbuena del Duero e Baños de Valdearados (vinhedos com idades de 25 anos no primeiro e quase centenários no segundo). A elaboração dos vinhos é feita separadamente e depois é feito o corte (50 -50). Ambos fermentam em balseiros de carvalho francês de 8000 litros, onde permanecem até o final da fermentação maloláctica. Os vinhos Manuscrito não passam por barricas de carvalho para amadurecimento (sendo este o caso aqui também) e o objetivo aqui é que somente consigamos experimentar a verdadeira expressão da fruta. Como resultado temos um vinho de coloração rubi violácea de média intensidade com bom brilho e limpidez. No nariz o vinho trás aromas de frutos vermelhos e escuros, especiarias com algum toque mentolado. Na boca encontramos um vinho de corpo médio, boa acidez e taninos macios, sendo que o retrogosto acaba por confirmar o olfato. O final era de ótima persistência. O diferencial aqui é que em contra partida a muitos outros vinhos da mesma casta e origem, este não é marcado pela madeira mas pelo frescor, com a fruta em primeiro plano. Mais um primor de vinho.

Vale ressaltar que no Brasil são comercializados cinco vinhos da safra 2014 (onde estes dois se incluem), distribuídos pela importadora gaúcha La Charbonnade, que tem como representante em São Paulo o Sr. Atílio de Simone, também presente no evento. Excelentes vinhos, eu recomendo a prova.

Até o próximo!

Tuesday, August 1, 2017

Vallado Tinto 2013: A vez do Douro na Confraria Brasileira de Enoblogs

Depois de um longo e tenebroso inverno (sem trocadilhos com a estação em que nos encontramos hoje) eis que voltamos a postar para a #CBE - Confraria Brasileira de Enoblogs. E o tema deste mês foi proposto pelo confrade Gil Mesquita (Vinho para Todos). A sua sugestão foi "Um tinto do Douro, de qualquer faixa de preço". E para meu deleite, pude continuar em um país que muito prazer me traz quando pensamos nos vinhos a preços acessíveis no mercado brasileiro, que é Portugal. Para a tarefa de hoje escolhemos o Vallado Tinto 2013.


A Quinta do Vallado, construída em 1716, é uma das quintas mais antigas e famosas do Vale do Douro, em Portugal. Pertenceu à lendária Dona Antónia Adelaide Ferreira e mantém-se até hoje na posse dos seus descendentes. A Quinta do Vallado é famosa pela produção de Vinhos do Douro e Vinhos do Porto de qualidade reconhecida mundialmente. Recentemente, fizeram a modernização de seu Wine Hotel para o receber ainda melhor os amantes da bebida de Bacco.

Falando um pouco do Vallado Tinto 2013, podemos afirmar que o vinho é feito com cerca de 80% das uvas provenientes de vinhas com cerca de 25 anos de Touriga Nacional, Tinta Roriz, Touriga Franca e Sousão e os restantes 20% de vinhas velhas com cerca de 70 anos. Já sobre envelhecimento, cerca de 70% do vinho estagiou durante 16 meses em cubas de aço inoxidável e o restante em barricas de 225 lt de carvalho Francês de 3º e 4º usos. Vamos as impressões?

Na taça o vinho apresentou coloração violácea de média para grande intensidade com bom brilho e limpidez. Lágrimas finas, rápidas e com alguma cor também se faziam presentes.

No nariz o vinho apresentou aromas de frutos vermelhos maduros, flores e especiarias. Leve toque de baunilha ao fundo. 

Na boca o vinho apresentou corpo médio, boa acidez e taninos redondos. O retrogosto confirma o olfato e o final era de longa duração.

Mais um bom vinho português que provamos por aqui, este em especial para a #CBE - Confraria Brasileira de Enoblogs. Foi comprado em uma promoção da rede Pão de Açúcar e valeu o quanto custou. Eu recomendo a prova.

Até o próximo!