terça-feira, 8 de agosto de 2017

Degustação Vinhos Manuscrito com a enóloga Estela de Frutos

No último dia 28 de julho estive presente em um degustação bem especial de vinhos espanhóis que fogem do tradicional. Todos os rótulos de vinhos das linha Manuscrito são elaborados com uvas de procedências diferentes, que provém de vinhedos centenários. E a responsável por estes vinhos é ninguém menos que Estela de Frutos, que acompanha a vinícola/comercializadora Terra Furati, também na Espanha.

Estela de Frutos é uruguaia de nascimento (com o coração dividido entre Uruguai e Espanha) e sempre foi muito reconhecida com seu trabalho em amansar a uva Tannat (casta que ganhou notoriedade nos vinhos uruguaios) e seus trabalhos em prol da divulgação dos vinhos uruguaios mundo a fora. Mas após sua passagem por terras espanholas para estudos e trabalho, resolveu apostar em um projeto único. Como uma pessoa influente no meio, contou com a ajuda de amigos e conhecedores locais e descobriu não somente alguns terroirs pouco explorados em várias DOs espanholas como também vinhas centenárias de castas autóctones locais, com destaque para a Hondarrabi Zuri (que falaremos mais pra frente), buscando com isto mostrar em seus vinhos a identidade local. Segundo ela, seria uma forma de "encerrar a carreira" onde quase tudo havia começado. Como não possuem vinhedos próprios, Estela roda as DOs espanholas em busca das melhores uvas. A vinificação é feita em parceiros, uma vez que por legislação o vinho precisa ser vinificado na região a qual pertence para obter o status de DO. Nas próximas linhas irei comentar um pouco sobre os vinhos que se sobressaíram durante a degustação, um branco e um tinto, até para não tornar cansativa nossa conversa aqui. 


O primeiro destaque que trago aqui é o Manuscrito Hondarrabi Zuri 2014. As uvas Hondarrabi Zuri, e consequentemente os vinhos, são oriundos de uma DO pouco conhecida por aqui, Txakoli de Álava, sendo esta uma casta de uva branca nativa do País Basco. Por lá é cultivada desde o século XI e antes da praga de filoxera, cultivaram-se importantes extensões de vinhedos com a mesma, mas que hoje em dia estão restritos a poucas plantas. Após a fermentação, cerca de 50% do vinho passa um período sur lie para amadurecimento. E esta é uma grande sacada neste vinho. Como resultado temos um vinho de coloração amarelo palha com reflexos verdes (ainda bem jovem) e com aromas que trazem frutos cítricos, flores e toques minerais. Na boca porém é que o vinho se distingue com uma acidez bem pronunciada e um corpo de médio para encorpado. O retrogosto confirma o olfato e o final era longo e saboroso. Um excelente vinho branco sem dúvida.


Em se tratando de vinho tinto, pensei em fugir um pouco do óbvio mas iria trair minha preferência e acabei ficando mesmo com o Manuscrito Tempranillo 2014. Aqui entramos em uma DO muito conhecida no mercado brasileiro, a DO Ribeira Del Duero, porém de vinhedos situados nos extremos da região, em Valbuena del Duero e Baños de Valdearados (vinhedos com idades de 25 anos no primeiro e quase centenários no segundo). A elaboração dos vinhos é feita separadamente e depois é feito o corte (50 -50). Ambos fermentam em balseiros de carvalho francês de 8000 litros, onde permanecem até o final da fermentação maloláctica. Os vinhos Manuscrito não passam por barricas de carvalho para amadurecimento (sendo este o caso aqui também) e o objetivo aqui é que somente consigamos experimentar a verdadeira expressão da fruta. Como resultado temos um vinho de coloração rubi violácea de média intensidade com bom brilho e limpidez. No nariz o vinho trás aromas de frutos vermelhos e escuros, especiarias com algum toque mentolado. Na boca encontramos um vinho de corpo médio, boa acidez e taninos macios, sendo que o retrogosto acaba por confirmar o olfato. O final era de ótima persistência. O diferencial aqui é que em contra partida a muitos outros vinhos da mesma casta e origem, este não é marcado pela madeira mas pelo frescor, com a fruta em primeiro plano. Mais um primor de vinho.

Vale ressaltar que no Brasil são comercializados cinco vinhos da safra 2014 (onde estes dois se incluem), distribuídos pela importadora gaúcha La Charbonnade, que tem como representante em São Paulo o Sr. Atílio de Simone, também presente no evento. Excelentes vinhos, eu recomendo a prova.

Até o próximo!

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