Tuesday, September 12, 2017

Quinta de Camarate Tinto 2014

Falar da José Maria da Fonseca, produtora do vinho de hoje, é um tanto quanto difícil dado seu tamanho, importância e história no mundo do vinho de Portugal. Para se ter uma ideia, a empresa foi fundada em 1834 e a sua marca mais famosa de vinhos, a Periquita, lançada ainda em 1850. Nem mesmo a morte do fundador, o Sr. José Maria da Fonseca ainda em 1884, fez com que seu legado se perdesse e a família assumiu a empresa, desde então. A partir daí, diversas novas marcas e produtos foram lançados tanto no mercado português como também nos mercados internacionais (o Brasil incluído). Hoje é um dos líderes nas áreas da produção e comercialização de vinhos de mesa e generosos, encontrando-se as suas marcas presentes em mais de 70 países, possuindo mais de 30 marcas, distribuídas por vinhos de mesa, generosos e licorosos, e por cinco regiões: Península de Setúbal, Alentejo, Douro, Dão e Vinhos Verdes.


Situada em Azeitão, perto de Setúbal, a Quinta de Camarate foi adquirida por Antonio Soares Franco Jr. em 1914 e é hoje propriedade dos irmãos António e Domingos Soares Franco, os proprietários da José Maria da Fonseca. Esta quinta tem uma área de 120ha, 39 dos quais estão plantados com vinhas. A restante parte é utilizada para pasto das ovelhas que dão origem ao famoso queijo de Azeitão. As vinhas da Quinta de Camarate estão plantadas em solos argilocalcários, localizados no sopé da Serra da Arrábida. Nesta propriedade foram plantadas, para além das castas destinadas à produção de vinho, castas portuguesas e estrangeiras, que constituem a coleção ampelográfica da José Maria da Fonseca com mais de 560 castas. Com a replantação das vinhas iniciada em 1994 e a introdução de novas castas, foi possível modernizar o estilo dos vinhos lá produzidos.

Falando agora do Quinta de Camarate Tinto 2014, podemos afirmar que o vinho é feito a partir de um corte das castas Touriga Nacional (48%), Castelão (30%), Aragonês (17%) e Cabernet Sauvingon (5%) sem passagem por madeira. Vamos as impressões?

Na taça o vinho apresentou coloração rubi violácea de grande intensidade, bom brilho e limpidez. Lágrimas finas, rápidas e quase incolores se faziam notar.

No nariz o vinho apresentou aromas de frutos escuros, flores, especiarias, toques mentolados e de ervas. 

Na boca o vinho apresentou corpo médio, boa acidez e taninos macios. O retrogosto confirma o olfato e o final era de média duração.

Mais uma boa opção de vinho para o dia a dia trazido pelo Pão de Açúcar e que tende agradar os paladares dos iniciantes e dos mais experientes, por que não? Eu recomendo a prova.

Até o próximo!

Monday, September 11, 2017

Visitando a Vinícola Casa Geraldo em MG

Após apenas dois anos da fundação da cidade de Andradas, no Sul de Minas Gerais, em 1892, as primeiras mudas de videiras começaram a ser plantadas por lá, trazidas por um imigrante italiano que viu na região condições ideais para a produção de uvas e a consequente mudança de vida com o dinheiro que viria do negócio. A partir daí se deu o desenvolvimento do que muitos chamam de a "Terra do Vinho" na região, com a criação de aproximadamente 56 adegas. A localização privilegiada aos pés da Serra da Mantiqueira, o clima seco, a amplitude térmica e a altitude da região criam um terroir diferenciado na região, o terroir de inverno como tem sido chamado hoje em dia.



A Vinícola Casa Geraldo é sinônimo de tradição e está profundamente ligada também a história da cidade. Geraldo Marcon e seu pai dividiram experiências e, na busca de prosperidade econômica, viram na produção de uvas uma solução. Parte do processo entretanto consistia na aquisição de propriedades para abrigar estas produções. Foi ai que se deu a expansão territorial da vinícola em solo mineiro e as primeiras produções de vinho de garrafão para venda a granel. Tudo isso em meados dos anos 60. Com o falecimento de Geraldo Marcon, assume seu filho, Luis Marcon, e assim sucessivamente até chegarmos aos dias atuais com a quinta geração da família a frente dos negócios. Mas é com a entrada das novas gerações que a busca pela aplicação de novas tecnologias e a produção de vinhos finos aconteceu e se desenvolve até os dias atuais. São efetuadas duas podas e duas safras anuais, uma com as uvas americanas e outra com a uvas viníferas contando com a ajuda da Embrapa. Hoje são produzidos cerca de 2,5 milhões de litros de vinhos, ainda que numa divisão de 65% de vinhos de mesa e 35% de vinhos finos e espumantes, aproximadamente. Aliás, uma curiosidade aqui é que a Casa Geraldo pode ser considerada a pioneira na produção de vinhos espumantes feitos fora do Sul do país.



O visitante que se dispõe a vir até Andradas vai poder conhecer um pouco mais de perto como é o terroir da Serra da Mantiqueira, a história da vinícola até os dias atuais, todo processo produtivo da empresa além é claro de provar vinhos e produtos da região. As instalações da vinícola contam ainda com um bar, restaurante, auditório e loja. Os carros chefe da vinícola, no tocante aos vinhos finos (nosso foco aqui), são vinhos feitos a partir das castas Syrah e Sauvignon Blanc, castas estas que aparentemente melhor se adaptaram ao terroir de inverno de Andradas. Entretanto podemos ainda encontrar uvas como Cabernet Sauvignon e outras. Como de praxe por aqui, vou destacar alguns vinhos que entendo serem relevantes para vocês que acompanham o blog. Espero que gostem.


O primeiro vinho a comentarmos por aqui é o Casa Geraldo Relicário Rosé Brut, um vinho espumante feito com 100% de uvas Pinot Noir pelo método charmat (segunda fermentação em tanques de inox). Um espumante de coloração rosada um pouco mais escura que a casca de uma cebola com bom brilho, limpidez e formação de perlage consistente. Aromas de frutos vermelhos, leve toque de panificação e algo floral. Na boca é fresco, leve e com boa persistência. Grata surpresa.


O próximo vinho que iremos comentar aqui é o Casa Geraldo Family Reserve Cabernet Sauvignon 2012, um vinho feito a partir de um lote experimental de uvas Cabernet Sauvignon que passou por 18 meses em barricas de carvalho para amadurecimento. Feito, num primeiro momento, apenas para ser servido nas reuniões da família Geraldo, acabou sendo compartilhado e se tornou um "ícone". Como resultado temos aqui um vinho de coloração intensa com pouco brilho e boa limpidez. No nariz o vinho trás os aromas de frutos escuros maduros, especiarias, baunilha, tabaco e algo de tostado. Na boca o vinho encorpado de boa acidez e taninos macios. O retrogosto confirma o olfato e o final era de média para longa duração. Bom vinho principalmente para acompanhar refeições.



Por fim, falaremos de outro espumante por aqui, este mais elabora e duma linha considerada superior. Estou falando do Espumante Casa Geraldo Memórias, um espumante feito com uvas 70% Chardonnay e 30% Pinot Noir através do método champenoise (segunda fermentação em garrafa) com cerca de 36 meses de contato com as leveduras. Como resultado temos um vinho espumante de coloração amarelo palha de boa limpidez e brilho. Excelente formação de uma perlage persistente e elegante. No nariz aromas de frutos cítricos e tropicais, panificação, mel e flores. Muito fresco e untuoso com um retrogosto que confirma o olfato. Final longo e saboroso. Ótima pedida.


Depois de visitarmos todo complexo enoturístico da vinícola ainda pudemos provar e aproveitar o restaurante da mesma, onde o almoço é servido na forma de buffet self service além é claro, de todos os vinhos da vinícola. Ainda a noite participamos do que seria um dos eventos mais importantes da vinícola e da cidade: a festa da vindima. Muita musica italiana, muita comida e muito mais diversão no restaurante da vinícola.

Esta visita foi parte de um pacote de viagem enoturística preparada e apresentada pela Stelltour Viagens, uma agência de viagens que tem como mote viagens com destinos relacionados ao vinho. Atualmente a agência tem criado pacotes relacionados ao mundo do vinho no Brasil em conjunto com a sommeliére Mikaela Paim, que dentre outras atividades, podemos citar que é sommelière desde 2007, Presidente da Confraria Vinhos do Brasil, colaboradora da Osteria Generale há 15 anos e ainda trabalha com consultorias e Eventos Enogastronômicos. Eu recomendo tanto a visita como os pacotes de viagens da agência.

Até o próximo!

Wednesday, September 6, 2017

Atelier Mavro Kalavritino Cabernet Sauvignon 2015

A Cavino Winery SA, produtora do vinho em questão, é um grupo grego que tem sua fundação ainda em meados dos anos 50 na região do Peloponeso, na Grécia, mas que passou por algumas grandes modificações em todo este caminho. Aparentemente o ano de 1999 é o que detém a marca mais recente na vinícola, quando começa a introduzir no mercado local e nos mercados internacionais vinhos de alta gama no quesito qualidade. De lá pra cá contou com uma expansão forte em mais de 26 países e construiu uma linha de engarrafamento que dizem ser o estado da arte no quesito tecnologia, com capacidade de produção de 7000 garrafas por hora.


Já sobre o Atelier Mavro Kalavritino Cabernet Sauvignon 2015, podemos ainda acrescentar que o vinho faz parte da linha premium da Cavino Winery e que é feito a partir de um corte das uvas Cabernet Sauvignon (40%) e a autóctone Mavro Kalavritino (60%). A vinificação de cada variedade é feita separadamente com o corte sendo feito após a fermentação alcoólica e malolática. Por fim, cerca de 40 a 50% do vinho passa por 6 a 8 meses de amadurecimento em barricas de carvalho. Vamos as impressões?

Na taça o vinho apresentou coloração rubi violácea de média para grande intensidade com bom brilho e limpidez. Lágrimas finas, rápidas e ligeiramente coloridas também se faziam presentes.

No nariz o vinho apresentou aromas de frutos vermelhos, baunilha, coco, tostados e algo de balsâmico. 

Na boca o vinho apresentou corpo médio, boa acidez e taninos suaves. O retrogosto confirma o olfato e o final era de média para longa duração.

Mais um interessante vinho grego provado por aqui, com predominância de uma uva autóctone até então desconhecida por mim e que aparentemente nem na Grécia é muito utilizada, tornando este vinho especial. Vale a prova, eu recomendo. Mais um vinho do clube de vinhos da Winelands, o clube que eu assino e recomendo.

Até o próximo!

Tuesday, September 5, 2017

Grand Estates Columbia Crest Cabernet Sauvignon 2013

Situada ao longo do rio Columbia, no leste de Washington (Estados unidos), a Columbia Crest Winery (produtora do vinho de hoje) abriu as suas portas no coração do aclamado Horse Heaven Hills, em 1983. Ano após ano, a vinícola mantém seu compromisso com a qualidade, tradição e inovação no cultivo da uva e produção excepcional de vinhos artesanais. O estado de Washington e o Columbia Valley representam o terroir perfeito para o cultivo de uvas , desde o clima ao solo onde estão plantados os vinhedos. Estas condições de cultivo, juntamente com práticas de viticultura em circulação e de vinificação, permitem a Columbia Crest Winery criar vinhos de alta qualidade que são fiéis ao seu caráter varietal.


Sobre o Grand Estates Columbia Crest Cabernet Sauvignon 2013, podemos ainda acrescentar que o vinho é feito com cerca de 75% de Cabernet Sauvignon com pequenas quantidades de Merlot e Cabernet Franc. Os varietais são fermentados separadamente e após a fermentação malolática, o corte ocorre e o vinho é transferido para barricas de carvalho, onde permanece para amadurecimento por cerca de 6 meses antes de ser liberado ao mercado. Vamos as impressões?

Na taça o vinho apresentou coloração rubi violácea de grande intensidade com bom brilho e limpidez. Lágrimas finas, rápidas e coloridas também se faziam notar.

No nariz o vinho apresentou aromas de frutos escuros em compota, chocolate, baunilha, especiarias doces e algo de mentolado.

Na boca o vinho mostrou corpo médio tendendo a encorpado, boa acidez com taninos suaves e macios. O retrogosto confirmou o olfato e o final era longo e saboroso.

Um ótimo vinho americano provado por aqui, mesmo sendo um vinho de entrada, onde a mescla fruta/barrica é muito bem feita e não torna o vinho pesado ou enjoativo, mas a meu ver, muito atraente para os diversos paladares. Eu recomendo a prova. Este vinho é trazido pela Winebrands e vale o quanto custa. 

Até o próximo!

Monday, September 4, 2017

Wines of Uruguay Tannat Tasting Tour 2017

Atualmente, dos países vizinhos que produzem vinhos, o Uruguay tem sido o que mais me surpreende. E isto tem se devido principalmente a "domesticação" da rústica Tannat à descoberta de blends bem interessantes (usando até mesmo castas pouco usuais por estes lados) que tem sido criados por lá. E foi o que pude presenciar mais uma vez no Masterclass do Tannat Tasting Tour São Paulo, que aconteceu no Museu de Arte Contemporânea de São Paulo no último dia 22 de agosto, evento este organizado pela Wines of Uruguay


Não há como negar que, até como parte de um case de sucesso de marketing, a uva Tannat se tornou símbolo do país vizinho e, como não deveria deixar de ser, o mote da Masterclass é o uso da casta, seja em vinhos varietais e em cortes. Até grandes críticos do mundo do vinho acabaram por se render aos vinhos tintos vindos do Uruguay, como a aclamada Jancis Robinson, por exemplo. E o Brasil tem uma grande parcela contribuinte no consumo de vinhos vindos do nosso vizinho: cerca de 60% das exportações uruguaias tem como destino o nosso mercado, chegando a volumes que ultrapassam os 2 milhões de litros.


Sobre o evento em si, estavam disponíveis mais de 125 rótulos diferentes de vinhos além de representantes dos importadores e vinícolas, sempre solícitos no contato com o público em geral. O local escolhidos não poderia ser melhor: o visual de fim de tarde da cobertura do Museu de Arte Contemporânea de São Paulo (mesmo em um dia onde o clima não foi o parceiro ideal) adicionou um quê artístico ao tasting. Nas linhas abaixo vou destacar dois vinhos que me chamaram a atenção na Masterclass. Espero que tenham sido do agrado de vocês também.


O primeiro vinho que eu vou destacar é o Alto de La Ballena Tannat Viognier 2013, produzido por uma vinícola boutique localizada em Maldonado (Alto de La Ballena), muito próximo ao balneário de Punta Del Leste, numa belíssima serra da região. O vinho é feito a partir de um corte de Tannat (85%) e Viognier (15%). O interessante aqui é que as uvas Tannat são fermentadas em conjunto com as cascas da Viognier e o mosto da Viognier é fermentado separadamente. O vinho resultante do corte fica 9 meses em barricas de carvalho americano para amadurecimento. Temos como resultado um vinho de coloração rubi violácea de grande intensidade com bom brilho e limpidez. No nariz o vinho apresentou aromas de frutos vermelhos, flores, chocolate, especiarias e um fundo mineral. Na boca  o vinho se mostrou de corpo médio para encorpado, boa acidez e taninos macios. O retrogosto confirma o olfato e o final era longo. Um vinho elegante e potente.

Por último falaremos do Don Julio Ariano Tannat/Merlot/Syrah 2013, um vinho feito a partir de uvas Tannat selecionadas de uma parcela especial acrescidas de Merlot e Syrah. O vinho estagia por 18 meses em barricas francesas e americanas para amadurecimento. Além disso, antes da liberação ao mercado, o vinho passa por 12 meses em garrafa para envelhecimento. Este vinho foi criado em homenagem a Don Julio Ariano, um dos pioneiros da família na propriedade. Como resultado temos um vinho de coloração violácea profunda, brilhante e límpida. Trouxe no nariz aromas de frutas em compota, chocolate, flores, baunilha, especiarias doces e leve toque de tabaco. Na boca é encorpado, carnudo, de boa acidez e taninos redondos. O retrogosto confirma o olfato e o final era longo e saboroso. Baita vinho!

Foi isso que eu quis trazer pra vocês, meus prezados leitores, entretanto caso você tenha participado da Masterclass ou da feira, deixem nos comentários suas impressões, vinhos que mais gostaram e afins. Fico no aguardo.

Até o próximo!