Monday, October 30, 2017

Lenda de Dona Maria Tinto 2014

A febre portuguesa se abateu sobre este blog vejam só vocês. Foi só fazer minha viagem dos sonhos para a "terrinha" que aflorou de vez toda minha paixão pelos vinhos vindos de lá. Ainda mais agora que sou oficialmente cidadão português. Mas isto é estória para uma próxima oportunidade. Hoje focaremos no vinho Lenda de Dona Maria Tinto 2014 e todas as surpresas que este nos trouxe. 


Há aproximadamente 150 anos que se produz vinho na Quinta de Dona Maria, mas somente a partir de 1988 é que o seu atual proprietário, Júlio Bastos, começa a comercialização a nível nacional e internacional dos vinhos então produzidos por lá. Em 1992, Júlio Bastos, pretendendo assegurar o seu crescimento e, ao mesmo tempo, o escoamento da produção, vende 50% da Sociedade Agrícola Quinta do Carmo aos Domaines Barons de Rothschild (Lafite). É nessa altura que a antiga adega é transferida da Quinta de Dona Maria ou Quinta do Carmo para a Herdade das Carvalhas, propriedade essa que, a partir dessa data passou a pertencer à Sociedade. Nunca tendo deixado de pensar em voltar a fazer o seu próprio vinho, foi na entrada do novo milênio que surgiu essa oportunidade. Júlio Bastos decide então vender a sua participação na Sociedade Agrícola Quinta do Carmo, e recomeça este novo projeto, os vinhos Dona Maria. Em 2003 faz-se a primeira vindima de uma nova etapa na longa vida desta Quinta, cujo conceito, é a produção de vinhos de qualidade aliado a um projeto familiar, que sempre distinguiu esta propriedade ao longo dos tempos.

O Lenda de Dona Maria Tinto 2014 pode ser considerado como vinho de entrada de gama desta quinta, mas vou te dizer, se a entrada é assim nem imagino como devem ser os outros vinhos. É um vinho feito a partir das castas tradicionais do Alentejo, a saber: Aragonez, Trincadeira e Alicante Bouschet com um pequeno estágio de 3 meses em barricas de carvalho francês e americano para amadurecimento. Vamos as impressões?

Na taça o vinho apresentou coloração violácea de grande intensidade com bom brilho e limpidez. Lágrimas finas, rápidas e coloridas também se faziam presentes.

No nariz o vinho apresentou aromas de frutos escuros, flores e toques de chocolate.

Na boca o vinho era de médio corpo, boa acidez e taninos redondos. O retrogosto confirma o olfato e o final era de longa duração.

Mais um bom vinho português provado por aqui, custou cerca de 50 reais no Pão de Açúcar e valeu o quanto custa, pra fugir dos manjados chilenos e argentinos que inundam nosso mercado. Eu recomendo a prova.

Até o próximo!

Friday, October 27, 2017

Quinta do Sobreiró de Cima Touriga Nacional 2015

Hoje trago mais um vinho que provei em Portugal e que, depois de umas andanças pela rede, não encontrei referência ao mesmo no mercado nacional, o que me leva mais um vez a crer que o mesmo ainda não está por aqui, o que é uma pena, em minha opinião. Estou falando do Quinta do Sobreiró de Cima Touriga Nacional 2015.


A Quinta do Sobreiró de Cima está localizada na zona de Valpaços – num dos tesouros insondados do Portugal vitícola, refletindo a grande riqueza e vocação natural do país para a cultura da vinha e do vinho. Com origem em Valpaços, António Teixeira teve um percurso profissional que o levou aos quatro cantos do mundo, contactando com muitos grandes vinhos de castas aclamadas internacionalmente. A implantação da Quinta do Sobreiró de Cima foi um espelho dessas vivências, aliando o melhor ‘terroir’ de Trás-os-Montes às melhores castas que provou, tanto portuguesas como estrangeiras. A Quinta é composta por 2 áreas distintas, uma mais fresca e árida, e outra mais seca e quente. A nova geração da família procura alargar os horizontes deste trabalho precursor e visionário, ao transformar o desígnio e paixão familiar pela terra de origem, levando mais longe o nome da Quinta do Sobreiró de Cima e da Região de Valpaços, através da afirmação em Portugal e no mundo dos seus vinhos.

Falando agora do Quinta do Sobreiró de Cima Touriga Nacional 2015, podemos ainda acrescentar que o vinho é feito com uvas 100% Touriga Nacional oriundas de vinhas plantadas em solos xistosos da Quinta do Sobreiró de Cima, com exposição predominante Sul. A fermentação acontece em cubas inox, com maceração prolongada e posterior estágio nas mesmas até o engarrafamento. Vamos as impressões?

Na taça o vinho apresentou cor violácea de média para grande intensidade com bom brilho e limpidez. Lágrimas finas, ligeiramente mais lentas e com alguma cor também se desprendiam pelas paredes.

No nariz o vinho apresentou aromas de frutos vermelhos maduros, flores e leve toque especiado.

Na boca o vinho mostrou corpo médio para encorpado, excelente acidez e taninos macios e sedosos. O retrogosto confirma o olfato e o final era de longa duração.

Mais um belo caldo portuga que provamos por aqui, o que só me deixa mais e mais maravilhado com a terrinha e que me faz querer voltar lá por outras diversas vezes. Se tiver oportunidade, prove este vinho, eu recomendo.

Até o próximo!

Wednesday, October 25, 2017

Alves Vieira Tinto 2015

Hoje vou falar sobre o vinho que abriu oficialmente a temporada de férias aqui do Balaio (que infelizmente já acabou). Este vinho é produzido pela família Alves Vieira, nome de uma família unida pelos sonhos de criar bons vinhos em Vidigueira, no Alentejo. Vinhos feitos com dedicação, cuidado e atenção ao detalhe. Alves Vieira é o símbolo, faz parte da família.


O Alves Vieira Tinto 2015 é produzido a partir das castas Trincadeira, Touriga Nacional e Alicante Bouschet, sem passagem por madeira. O rótulo é bonito e bem trabalhado, chamando atenção antes mesmo de provar o vinho. Vamos saber as impressões?

Na taça o vinho apresentou coloração violácea de grande intensidade com algum brilho e limpidez. Lágrimas finas, rápidas e ligeiramente coloridas também se faziam notar.

No nariz o vinho apresentou aromas de frutos vermelhos, flores e leve toque de cacau.

Na boca o vinho mostrou corpo médio, boa acidez e taninos macios. O retrogosto confirma o olfato e o final era de média para longa duração.

Um bom vinho português que surpreende pela leveza e delicadeza em contra partida ao que é esperado de vinhos do Alentejo, o que o torna fácil de beber e companheiro ideal de uma refeição sem grandes propósitos. Eu recomendo a prova.

Até o próximo!

Tuesday, October 24, 2017

Arribas do Pinhão Grande Reserva Douro 2014

Como vocês devem ter percebido estive um pouco ausente nestes últimos tempos, e conforme já me desculpei com vocês em um de meus posts anteriores, estava de férias e viajando. Sabe como é, limpando a mente e a alma, descansando dos afazeres do dia a dia e praticando uma das atividades que mais gosto, que é viajar. E, finalmente, consegui visitar o país que mais tinha vontade: Portugal. De lá trouxe muitas memórias e estórias, além é claro de alguns vinhos. E este é o caso do Arribas do Pinhão Grande Reserva Douro 2014, este por indicação do primo de minha esposa que vive por lá. Vamos ver o que descobrimos sobre ele e as sensações ao degusta-lo.


A Costa Boal Family Estates, produtora do vinho de hoje, é uma empresa familiar e jovem sob a gerência de António Boal e Raquel Boal, que um dia decidiram sujar suas mãos de terra. Para além das propriedades dos antepassados, situadas na Região Demarcada do Douro, Cima Corgo na localidade de Cabêda, decidiram avançar para a compra de mais sete hectares de vinha desta vez em Trás-os-Montes, Mirandela, nascendo então assim, a marca de vinhos Flor do Tua e Paredes Meias. Estes vinhos têm a sua origem em vinhas com 40 anos, cujas característica dos terrenos e variedades de castas permitem fazer vinhos de alta qualidade.

Falando agora sobre o Arribas do Pinhão Grande Reserva Douro 2014, podemos ainda dizer que o vinho é feito a partir das castas Touriga Nacional e Touriga Franca com estágio de 12 meses em barrica de carvalho francês. Vamos finalmente as impressões?

Na taça o vinho apresentou coloração violácea de grande intensidade com bom brilho e limpidez. Lágrimas mais grossas e lentas com bastante cor também se faziam notar.

No nariz o vinho apresentou aromas de frutos escuros maduros, especiarias, flores, chocolate e algo de tostado.

Na boca o vinho se mostrou encorpado com boa acidez e taninos aveludados. O retrogosto confirma o olfato e o final era de longa duração.

Um belo caldo português que provamos aqui. Não achei nenhuma referência a ele no mercado nacional e, como conclusão, entendo que o mesmo não é importado pro Brasil. Deveria. Eu recomendo a prova.

Até o próximo!

Monday, October 23, 2017

Neragora Ares Merlot & Mavrud 2013

E não é que a onda biodinâmica chega também aos países menos conhecidos por aqui em relação a sua produção vinícola? E veja, não estou desdenhando ou fazendo pouco caso deste tipo de produção mas eu questiono um pouco é todo o alarido que tem se feito em torno da mesma. Minha opinião é de que o vinho é bom, basta, sendo ele biodinâmico, orgânico ou mesmo tradicional. Hoje trago ao blog um vinho biodinâmico da Bulgária, deste país do Leste Europeu com qual mantenho alguma relação, uma vez que parte da família de meu avô materno veio de lá em fuga das guerras que assolavam o continente na época. Enfim, sem muita delonga vamos ao que interessa, não é mesmo?


A vinícola Neragora nasce de duas almas e uma ótima visão, a partir da paixão da família Azzolini pela vinificação, vinhas e vinícolas, combinada com a dedicação e habilidades de enólogos e agrônomos italianos. A visão do empresário italiano Massimo Azzolini, que, com uma rica experiência no campo da agricultura orgânica, em 2002 foi para a Bulgária e descobriu o lado escondido da terra de Chernogorovo. Uma pequena extensão de terra de natureza crua, robusta, mas rica em beleza e potencial, atraiu a curiosidade de Massimo, levando-o a redefinir os contornos de uma paisagem que desapareceu. Uma curiosidade que rapidamente se transformou em um projeto ambicioso. Um projeto que agora está se concretizando, trazendo vida às almas gêmeas de um lugar com expressão de criatividade e excelência. A família Azzolini decidiu trazer alguns dos principais especialistas italianos - enólogos e agrônomos de renome internacional no campo da agricultura orgânica. O objetivo era claro - fazer vinhos de excelência em Chernogorovo. O nome Chernogorovo vem da palavra búlgara para "floresta negra". As colinas que são o lar dessas vinhas, "as colinas de ouro", foram famosas pelo cultivo de vinhas desde tempos imemoriais. Uma terra intocada cheia de vitalidade. 

Falando um pouco agora mais especificamente do Neragora Ares Merlot & Mavrud 2013, podemos dizer que o vinho é feito então com as uvas citadas a pouco (Merlot e Mavrud) vindas da região de Chernogorovo, no coração do Thracian Valley, região central da Bulgária sem maiores intervenções e/ou uso de madeira. A curiosidade é que O nome de Ares deriva do antigo Deus Trácio, mais tarde adotado pela mitologia grega como uma divindade da guerra. Sem mais delongas, vamos as impressões?

Na taça o vinho apresentou coloração violácea de grande intensidade com bom brilho e limpidez. Lágrimas finas, ligeiramente mais lentas e com alguma cor também se faziam presentes.

No nariz o vinho apresentou aromas de frutas vermelhas, especiarias doces, chocolate amargo e toques florais.

Na boca o vinho apresentou corpo médio, boa acidez e taninos macios. O retrogosto confirma o olfato e o final era de longa duração.

Mais um belo caldo búlgaro que provamos por aqui. Mais um vinho apresentado pelo clube de vinhos da Winelands, o clube que eu assino e recomendo.

Até o próximo!