segunda-feira, 29 de março de 2010

Você está disposto a pagar mais pelo seu vinho?

Se sua resposta ao título do post for não, se prepare, pois é exatamente o que está prestes a acontecer. Com a desculpa no mínimo esfarrapada de proteger a produção de vinhos nacionais, evitar a falsificação, e mantê-los competitivos frente ao vinhos importados o ministro da fazenda Guido Mantega acaba de anunciar a criação do selo fiscal a ser utilizado pelas vinícolas em suas garrafas a partir do mês de maio. E é claro que, com um custo a mais para aprodução, o ônus virá para as vinícolas menores que terão sua produção quase que inviabilizada e para nós consumidores finais, que deveremos pagar mais caro para adiquirir nosso vinho de cada dia.

Apesar de inúmeros apelos contrários, como o do presidente da União das Vinícolas Familiares e de Pequenos Vinicultores (Uvifam), Luis Henrique Zanini, que diz que a medida prejudicará muitas vinícolas pequenas que vivem da agricultura familiar e que não têm condições de preencher o cadastro junto à Receita Federal para a obtenção do selo por problemas burocráticos ou mesmo de jornalistas e especialistas no assunto, a medida irá prevalecer.

É incrível ver o nível de retrocesso que nosso país consegue ter quando o assunto é arrecadação fiscal e falta de tato com o incentivo ao consumo de produtos nacionais. Tomando ainda como exemplo a Argentina, que utilizava selos nos seus vinhos, mas há 7 anos atrás deixou de fazê-lo, por verificar que essa obrigação era mais um ônus das empresas vinícolas, acarretando-lhes custos sem proporcionar o retorno esperado ou ainda a indústria fonográfica e os selos holográficos que não impediram a pirataria e a brusca queda de venda de cds nos últimos ano.

Por que não nos utilizarmos da desoneração fiscal sobre a produção nacional fazendo com que nosso vinho brasileiro se torne mais atraente, acessível e simpático ao consumidor, reduzindo seus impostos e promovendo-o de forma inteligente? Qual o sentido de medida tão inócua, provadamente ineficiente em diversas ocasiões e que viria a favorecer minorias? Sem perceber, a resposta já veio até que em parte inclusa na pergunta. 

Em tom de desabafo, deixo aqui minha forma de protesto. Afinal de contas, só nós mesmos sabemos o quanto é difícil ganharmos nosso dinheirinho e o quanto é difícil o consumo de vinho no Brasil. Que deus nos proteja.

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