segunda-feira, 17 de maio de 2010

De cultural a virada não tinha nada...

Confesso que antes de tentar visitar um evento da tão falada "Virada Cultural" de São Paulo já tinha um certo preconceito com tal iniciativa, uma vez que por experiência própria nem em eventos que pagamos (e muito) caro aqui em Sampa ou no Brasil já não somos bem tratados no tocante a organização, limpeza, estrutura, etc. quanto mais um evento gratuito. Com o intuito de enfim mudar, ou não, minha opinião sobre a virada, resolvi que iria assistir ao show da rockeira Pitty no domingo pela manhã no palco localizado na Av São João. Tive o seguinte raciocínio: provavelmente um domingo de manhã trará menos aglomeração, menos incômodo e confusão uma vez que pelo horário (9:30h) os bagunceiros que já haviam passado da conta na bebida e nas drogas teriam ido embora e os que sobraram estariam ali meramente pra curtir o show. Mero engano!

Eu resolvi chegar pelo metrô República, e para minha surpresa já subindo os lances sem fim de escadas rolantes da estação pude começar a constatar que havia sido um erro: muitas pessoas dormindo nos chãos da estação que se misturavam ainda às obras da estação devido a interligação da mesma com a nova linha amarela do metrô. Fora a sugeira que se acumulava pela estação, fruto da ignorância do povo em jogar tudo pelos chãos e escadas. Confiante saí da estação e rumei ao local do palco ao qual eu deveria ir para ver a apresentação que eu havia escolhido. Mas durante o trajeto o forte odor de urina e sujeira começou a me incomodar. Ignorando meu olfato, continuei firme e forte...

Chegando ao local do palco, outra decepção: realmente estava bem mais lotado do que eu esperava. Até aqui nenhum problema com isso, afinal era o risco que se corria uma vez que é um evento gratuito e não deveria se esperar coisa muito diferente. Mas ai é que a coisa começou a mudar de figura. O odor de urina e de sujeira começava a beirar o insuportável. Muitos jovens embebedados a plena luz da manhã que começava a raiar (afinal, cheguei lá antes das 9:30) urinavam em qualquer canto, vomitavam para todo lado e pior, a sujeira e o lixo se acumulavam de maneira absurda. Além disso, muito vidro quebrado no chão mostrava que era nítida a falta de segurança que o local apresentava. Assisti a primeira e segunda músicas mas quando veio a terceira a gota d'água: um muleque que nem deveria ter seus 16 anos veio cambaleando e por muito pouco não vomitou em cima de mim, o que pra mim foi o suficiente e fez tocar o alarme de que era hora de ir embora antes que algo pior acontecesse. Triste é verdade, mas resolvi pegar o rumo de volta pra casa...

Desta experiência só destaco que confirmei muitas de minhas idéias iniciais: o povo brasileiro não está culturalmente preparado para eventos gratuitos deste porte. Não existe educação e respeito com o outro, com sua cidade e com tudo que envolve o evento e mesmo fora dele. Ainda acompanhado pela internet o que "sobrou" do pós virada cultural, o que se via eram montanhas de lixo, um garoto morto esfaqueado e muita bagunça pela cidade. E não fico feliz ou me orgulho de tais constatações, mas é o que eu vi, com meus próprios olhos.

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