quarta-feira, 20 de outubro de 2010

Do que Dilma tem medo?

Advocacia-geral faz manobra e blinda Dilma em processo militar
 
Para blindar a candidata Dilma Rousseff, a Advocacia-Geral da União (AGU) conseguiu ontem impedir o Superior Tribunal Militar (STM) de decidir sobre a liberação ou não do acesso ao processo aberto contra a petista durante o governo militar.

Após o julgamento já ter começado, o STM atendeu a um pedido da AGU para consulta aos autos, adiando o julgamento por três sessões - ou seja até o dia 28.

Como o segundo turno será no dia 31, aumentou a chance de ocorrer sem que os dados se tornem públicos. Representante do Ministério Público, Roberto Coutinho alertou o tribunal: 'Parece mais uma tentativa da AGU para tentar procrastinar esse julgamento para depois do segundo turno.'

Está sob análise do STM um mandado de segurança no qual o jornal Folha de S. Paulo pede acesso ao processo que levou Dilma à prisão. O presidente do STM, Carlos Alberto Soares, negou o acesso alegando que os dados podem ter uso político. O julgamento, que começou dia 5, foi interrompido por pedido de vista da ministra Maria Elizabeth Rocha.

Ontem, a ministra reclamou que a imprensa divulgou a informação de que ela assessorou Dilma na Casa Civil. Antes que Maria Elizabeth lesse o seu voto, o relator do caso, Marcos Torres, anunciou que na véspera tinha recebido um pedido da AGU para ter vista nos autos. Ele propôs o adiamento por três sessões.

A advogada do jornal Taís Gasparian contestou: 'O julgamento já teve início. É completamente intempestivo o pedido de vista de um processo que já entrou neste tribunal há mais de mês. É importantíssimo que seja julgado com a devida celeridade.'

Após a decisão do STM de adiar o julgamento, Taís Gasparian afirmou que houve 'clara negativa de prestação jurisdicional'. 'Houve um pedido de ingresso da AGU sob a alegação de que há interesse da União envolvido. É estranho que se pense que possa haver interesse da União', disse.

'Celeuma'. Em Goiânia, Dilma afirmou que os arquivos estão disponíveis na Universidade de Campinas Unicamp, ao ser questionada sobre processo aberto contra ela durante o regime militar. 'Estão criando celeuma onde não existe', disse. 'Não tenho qualquer problema com essa questão.

Por Mariângela Gallucci / BRASÍLIA, estadao.com.br, Atualizado: 20/10/2010 1:2

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