Tuesday, June 14, 2011

Le Orme Barbera d'Asti 2007

Este foi o vinho escolhido para acompanhar o jantar do dia dos namorados. Aliás, eu estava propenso a escrever um post sobre o restaurante escolhido porém eu pretendo experimentar o lugar mais uma vez antes de tecer quaisquer opiniões precipitadas. Voltando ao vinho, este é um exemplar italiano da região do Piemonte e composto com uvas 100% Barbera. Passa por 8 meses em barricas e mais 4 meses em garrafa antes de ser liberado para o mercado. Vamos as impressões.



Na taça apresentou uma bonita cor rubi, transparente e brilhante. Lágrimas finas, rápida e incolores.

No nariz abriu aromas de frutas vermelhas, notadamente cereja, e fundo especiado (pimenta do reino). Leve toque tostado.

Na boca mostrou corpo leve, excelente acidez e taninos finos, fundidos. Retrogosto confirmou o nariz com o frutado, lembrando um pouco de groselha e especiarias. 

Foi uma boa indicação do sommellier local, que ainda indicou um prato que acompanharia com sucesso o vinho: saltimboca com massa na manteiga. Tudo muito gostoso. 

Até o próximo.

Monday, June 13, 2011

Definições: Battonage e Sur lies


Conforme eu havia prometido no post anterior, resolvi criar este novo artigo com a intenção de clarificar duas expressões que eu usei para descrever processos pelos quais o vinho anterior passa durante seu processo de produção.  Vale lembrar que normalmente estes dois processos ocorrem em conjunto, porém cada qual tem seu significado individual. Vamos a eles.

Sur lies é uma expressão francesa que ao pé da letra significa “sobre as lías” ou seja, sobre as leveduras mortas do vinho, comumente chamadas de borra também. Mas como isso funciona? Após a fermentação alcoólica dos vinhos, as leveduras mortas formam uma camada sólida que tende a se depositar no fundo do tanque e/ou barrica onde o vinho se encontra. Neste processo portanto, a intenção é deixar com que o vinho tenha mais tempo de contato com esta camada sólida de leveduras mortas com a intenção de agregar ao vinho aromas mais complexos. Pode acontecer ainda o rompimento das membranas destas leveduras por autólise, ou seja, um rompimento expontâneo da membrana celular das leveduras por ação enzimática em seu interior, o que também pode agregar mais aromas mais complexos. Evidentemente que este contato de forma prolongada e em uma única porção do tanque e/ou barrica pode gerar também aromas desagradáveis de putrefação, que não são bem vindos no vinho.

E é ai que entra o processo chamado battonage, que é a a mistura desta camada sólida de leveduras mortas com o restante do vinho presente no tanque pela ação mecânica de um bastão que a agita e faz com que ela circule por todo o líquido. Daí vem o nome battonage, pois batton também em francês significa bastão, que é comumente usado para tal agitação. A circulação da camada de leveduras faz com que todo o líquido tenha este contato e receba parte da complexidade exigida pelo processo. É necessário muito cuidado e critério neste processo para evitarmos as camadas mais inferiores das leveduras, que já estão em estágio avançado de decomposição. Além dos aromas, o vinho ganha em corpo também.

Espero que tenha elucidado um pouco os termos utilizados no post anterior e que tenha ajudado você leitor a entender um pouco melhor o mundo do vinho.

Até o próximo.

Foffani Chardonnay 2007

Nem só de tintos vive o inverno. E foi seguindo esta premissa que eu escolhi este vinho para acompanhar o almoço deste final de semana. Evidentemente que o prato escolhido guiou a escolha, mas eu aproveitei a oportunidade para degustar este vinho que eu havia escolhido como diferenciado em uma feira que estive presente a algum tempo atrás.

Este exemplar vem de uma pequena região Italiana próxima ao mar Adriático, fronteiriça com a Áustria e Eslovenia, chamada de Friuli Venezia – Giulia. É uma região com boa exposição ao sol porém com clima frio e alguns vinhedos plantados em encostas e planícies. É tida como uma região moderna e tem se utilizado de uvas internacionais e autóctones até então desaparecidas e/ou pouco usadas. Especificamente em se tratando deste vinho sua DOC (Friuli Aquileia) abrange deste Triese a Udine.

Sobre o vinho em si, algumas peculiaridades: rendimento de 2,5kg por planta,  durante todo o inverno passa pelo processo de batonage sur lies (pretendo explicar melhor este termo em outro post) em tanques de aço,  não passa por fermentação malolática e finalmente não passa por qualquer envelhecimento em barricas de carvalho, o que segundo o produtor tem a finalidade de se extrair todos os aromas “naturais” que a cepa tem a oferecer, o que não deixa de ser coerente. Entretanto vejo uma pequena contradição nestas descrições do produtor, uma vez que o processo de batonage normalmente acontece em barricas, mas neste caso ao que parece ele o fez nos tanques de inox. De qualquer maneira, vamos as impressões sobre o vinho.

Na taça o vinho apresentou coloração amarela já tentendo a um bonito dourado, brilhante e límpido. Lágrimas finas, rápidas e incolores puderam ser notadas.

No nariz o vinho se mostrou complexo, abrindo com notas de pêssego e abacaxi, ao fundo pude notar alguma coisa de mel e fermento. Já no fundo da taça ainda era possível sentir alguma coisa de manteiga misturado com notas cítricas.

Na boca o vinho confirmou a boa primeira impressão e se mostrou gordo, preenchendo bem o palato e com uma ótima acidez e vivacidade, pedindo sempre o próximo gole. Retrogosto confirmou as frutas, o mel do nariz e um final cítrico lembrando lima/limão.Vinho gostoso e fácil de beber!

Um excelente chardonnay, vivo e refrescante que talvez ficasse até melhor em um dia de calor mas que foi excelente escolha para o Saint Peter ao molho de camarão que fora preparado em casa. Excelente vinho, comprado junto a Wine Lovers e que valeu a compra!! Confirmou a ótima impressão que eu havia tido na feira no dia em que comprei este vinho.

Até o próximo.

Friday, June 10, 2011

Provincia de Ontário quer limitar peso das garrafas de vinho

Mais uma notícia que tem ligação com o meio ambiente e sustentabilidade. Retirada também do site da revista Decanter. Tradução livre feita por mim. Após a leitura, deixem suas opiniões nos comentários do blog. Reportagem de Rebecca Gibb.

A província canadense de Ontário está liderando um movimento que vai de encontro com a diminuição do peso de engarrafamento colocando um limite para o peso máximo dos vinhos que aprova.

O órgão governamental Liquor Control Board of Ontario (LCBO) diz que não irá mais estocar qualquer vinho que tenha sido engarrafado em vasilhames que possirem mais de 420g a partir de 1o de janeiro de 2013.

Em uma carta vista por um reporter da Decanter, o vice presidente de vendas e marketing do órgão diz: O peso máximo para o vasilhame de vidro será de 420 gramas para vinhos envasados em garrafas comuns de 750 ml que tenham preço máximo de 15 dólares canadenses.

Champagnes e vinhos vendidos a preços superiores a 15 dólares canadenses não terão a necessidade de cumprir com tal requisito num primeiro momento, mas o órgão adimite que empresas que utilizarem garrafas mais leves em seus vinhos top também terão uma vantagem mercadológica importante sobre seus concorrentes. O órgão ainda constata que deve se encorajar os fornecedores de garrafas para os vinhos considerados tops a seguir tal movimento uma vez que o impacto ambiental associado com a produção, distribuição e reciclagem do vidro poderia ser reduzido com a redução de peso destes vasilhames também. Finaliza ainda dizendo que apesar de não existir o limite para peso dos vinhos mais caros, considerações mais positivas serão dadas a quem já apresentar seus produtos em vasilhames mais leves.

Uma iniciativa interessante uma vez que vivemos em uma época em que muito se discute escasses de recursos, reciclagem, impactos ambientais (aquecimento global), sustentabilidade e outros como necessidades para os anos vindouros. Não sou expert mas apóio idéias que podem ser de grande valia neste nosso mundo atual. E você, o que acha da iniciativa?

Até o próximo!

Thursday, June 9, 2011

O aumento no nivel do álcool dos vinhos e sua relação com o aquecimento global

Esta é uma discussão que eu sempre vejo no mundo do vinho e só se fez crescer por que em minhas últimas aulas do curso estivemos discutindo vinhos do novo mundo (Argentina, Chile, Austrália, Nova Zelândia, EUA, África do Sul, etc.) e em sua maioria o que vemos são vinhos com níveis (graus) de álcool normalmente acima de 14%. Evidentemente o álcool vem da reação de fermentação do açúcar das uvas e seu nível está intimamente ligado a maturação das uvas, que por sua vez é auxiliado pelo calor proveninente do ambiente para tal.

crédito da foto: call construtora web site

Coincidentemente após ter discutido um pouco este assunto, estava hoje fuçando na internet sobre a possibilidade de assinatura da revista Decanter quando me deparei com uma matéria que tratava deste assunto e vou colocá-la em discussão por aqui. Lembrem-se que a tradução é por minha conta e por isso pode não ser a mais fidedigna possível. Se quiserem ler a matéria na íntegra, eu sugiro que acessem o site da revista.

Voltando ao assunto motivo deste post, segundo a reportagem de Hazel Macrae, o aquecimento global pode não ser o responsável pelo aumento significante do nível de álcool nos vinhos de uma forma geral. Ele baseia sua reportagem em um estudo americano divulgado que joga uma certa dúvida nas alegações dos enólogos/vinicultores que constantemente jogam a culpa da elevação dos níveis de álcool em seus vinhos.  Este estudo foi feito pela American Association of Wine Economists que analisou os dados do clima e suas variações desde 1992 até 2009. Além disso, compreendeu ainda uma amostra de aproximadamente 130 mil vinhos de todo o mundo, sendo destes 63% tintos e o restante de brancos. O estudo apontou que o indíce de calor na maioria dos países produtores de vinhos cresceu menos do que o incremento dos níveis de álcool dos vinhos dos mesmos sendo que este índice pode não ter sido o fator contribuinte principal para tal aumento. Nesta mesma pesquisa ainda, pode se apontar que o nível médio de álcool subiu mais de 1,12% durante o período do estudo mas que o esperando levando em conta o incremento de temperatura não deveria ser mais do 0,05% ao ano. O estudo ainda mostrou discrepâncias no valor do nível de álcool real x o apresentado no rótulo e os motivos que levariam a isto, mas não é bem o foco deste debate.

Eu tendo a concordar em partes com o que foi apresentado uma vez que, em tese, se tivermos realmente níveis alarmantes de incrementos de temperatura, cabe ao enólogo lançar mão de todas suas técnicas para que se tenha vinhos equilibradose haja maior controle nos níveis de álcool. Se existe realmente o calor excessivo, por que não verificar a maturidade ideal de cada casta e efeuar colheitas em diferentes épocas, talvez um pouco mais adiantadas, a fim de preservar outras características da uva, como a acidez natural? Ou ainda a busca de terroirs diferentes com utilização de vinhedos de altitude, diferente exposição solar, etc ?

Vale lembrar que um fator tremendamente contribuinte para que isto ocorra é a falta de regulamentação e fiscalização nos países do novo mundo, diferentemente do que assistimos na França por exemplo com suas AOCs. No novo mundo é permitido, por exemplo, acidificação e correções químicas nos vinhos que possam ter vindo de uvas maduras em excesso e com falta de acidez. É claro que existem exceções e enólogos/vinícolas que trabalham com maior afinco e buscam uma qualidade espelhada muitas vezes em países do velho mundo. Como o autor finaliza a reportagem, eu também acredito que foram deixados de lado principalmente os fatores culturais e de padrão de consumo, mercado e crítica especializada que levam a crer que o aumento dos níveis de álcool podem vir da ação do homem.

E para você leitor, qual é sua opinião?