Thursday, February 26, 2015

Fiuza Ikon & Home made Burgers: show de harmonização!

Em mais uma noite enogastronômica inspirada lá em casa, resolvemos brincar de fazer hambúrgueres caseiros recheados de queijo cheddar, que seria colocados em pão com aveia e cobertos com crispies de alho poró. Como sempre, surgiu a missão de harmonizar estas iguarias com algum vinho que tivesse em casa. Depois de chafurdar um pouco minha adega, eis que surgiu o Fiuza Ikon 2008. Vamos ver o que aconteceu?


Este vinho, o Fiuza Ikon 2008, é produzido pela Fiuza & Bright, que possui terras localizadas dentro da região do Ribatejo, com uma área de produção de 120 hectares de vinha, distribuídos pelas zonas de Almeirim, Alcanhões, Romeira e Azambuja. Segundo o produtor os terrenos argilosos, argilo-calcários e arenosos aliados a microclimas específicos, reúnem ótimas condições para a obtenção de uma excepcional qualidade de uvas. O recurso a castas estrangeiras, nomeadamente francesas, implantadas numa das quintas, em conjunto com castas autóctones portuguesas de reconhecido valor, permitem a conjugação e obtenção de vinhos varietais e cortes impressionantes e pouco usuais.

Sobre o Fiuza Ikon, apenas resta dizer que é um varietal 100% Touriga Nacional, top da vinícola. O vinho tem seleção manual das uvas e fermentação em pequenos tanques abertos com remontagem manual. Depois é diretamente direcionado e estagia cerca de 8 meses em barricas novas de carvalho francês. Vamos as impressões?

Na taça o vinho apresentou uma bonita cor violácea profunda, com algum brilho e quase sem transparência. Lágrimas finas, moderadamente lentas e com alguma cor também se faziam notar.

No nariz o vinho mostrou aromas de frutos vermelhos, especiarias, floral, chocolate e leve toque mineral.

Na boca o vinho se mostrou encorpado com boa acidez, taninos finos e macios. Retrogosto confirma o olfato e o final é de longa duração.

O que mais posso dizer? Um baita vinho sem duvida nenhuma e acompanhou divinamente a refeição. Minha esposa que costuma ser mais comedida, bebeu o vinho como água. Vale a prova!

Até o próximo!

Wednesday, February 25, 2015

Champagne De Margerie à Bouzy Grand Cru & Kazami Sushi: Que dupla!

Em comemoração ao dia dos namorados (Valentine's Day), que em outras partes do mundo é comemorado em 14 de Fevereiro (no Brasil é em 12 de junho), resolvi pegar minha esposa e ir a um restaurante japonês que temos perto de casa e que sempre me despertou curiosidade. Como gostamos bastante deste tipo de comida, a tentativa era valida. É claro que eu acabei optando por procurar levar um vinho para o lugar que pudesse mostrar que a ocasião era especial, e nada melhor do que um champagne para tal. E então fomos ao Kazami Sushi com o nosso Champagne De Margerie à Bouzy Grand Cru embaixo do braço. Vamos ver o que aconteceu?


O Champagne De Margerie à Bouzy Grand Cru é produzido pela Georges Veselle Vineyards. O falecido M. Veselle foi prefeito de Bouzy por 25 anos e era o ex-gerente de outras produtoras de vinhos e champagnes como GHMumm, Perrier-Jouët e Heidsieck & Co. Monopole; por isso ele sabia como ninguém o riscado na produção dos melhores champagnes, e seus filhos tomaram conta admiravelmente de seus negócios desde o seu falecimento. Georges Vesselle teve cinco filhos: Xavier, Véronique, Sylvie, Eric e Bruno. Os dois últimos dividiam com o pai a paixão por vinhas e vinhos, tornaram-se sócios de seu pai em 1993. Cada um tem um papel bem definido na propriedade. Eric, como gerente de produção, cuida das vinhas e é o enólogo. O Bruno é chefe de desenvolvimento de negócios e comunicação. Os dois irmãos trabalham juntos para criar os blends que compõem os diferentes vinhos base de seus champagnes. O Champagne De Margerie à Bouzy Grand Cru é um corte de 90% Pinot Noir e 10% Chardonnay. Vamos as impressões?

Na taça o champagne mostrou uma coloração amarelo palha com reflexos dourados, bom brilho e limpidez. Boa formação de perlage com borbulhas pequenas e abundantes. 

No nariz o champagne apresentou aromas de frutos cítricos, flores brancas, baunilha, panificação e algo sutil de amêndoas.

Na boca o champagne apresentou boa acidez e cremosidade. O retrogosto confirmou o olfato e o final era de longa duração. 

Detalhe dos sushis flambados com salmão, morangos e leite condensado

E claro que o companheiro deste champagne se saiu muito bem também, afinal o Kazami Sushi (unidade Mandaqui) é uma casa muito interessante de comida japonesa que apresenta um extenso cardápio de pratos a la carte além de dois tipos de rodízio: o básico, que nos dá direito a pratos quentes, sushis e sashimis variados (peixe branco, atum e salmão), shimeji, tempurá, guioza entre outros; já o rodízio especial conta ainda com frutos do mar em adição aos pratos já citados no básico. O local é muito bem decorado, limpo e climatizado, criando uma boa sensação para todos presentes. Além disso, o serviço é muito atencioso e o gerente sempre presente para verificar a satisfação dos cliente. A casa cobra 30 reais de rolha, o que achei justo pelo serviço oferecido. Vale conhecer!

Até o próximo!

Thursday, February 19, 2015

Santa Alvara Carmenère 2013 & Pizza: programa típico paulista!

Tem programa mais comum para paulista do que comer pizza, principalmente entre a sexta feira e o domingo? Eu acho que não. Soma-se a isso o fato de que o consumo de vinho tem crescido por aqui na terra brasilis e que, convenhamos, pizza e vinho combinam muito. Portanto, hoje falaremos desta combinação da qual participou o Santa Alvara Carmenère 2013.


O vinho é feito com supervisão da famosa casa chilena Casa Lapostolle, conhecida pelo projeto Clos Apalta e seus cultuados Carmenères. Do site do importador (Mistral): "A vinícola foi fundada pela francesa Alexandra Marnier-Lapostolle e elabora tintos e brancos de grande classe e muita elegância, cuja inspiração são os melhores vinhos europeus. De imenso prestígio, em poucos anos conseguiu uma verdadeira aclamação da imprensa especializada, estabelecendo-se como um dos mais reputados nomes do Chile. O enólogo da vinícola é o famoso Michel Rolland, talvez o mais célebre e influente enólogo da atualidade. Com seus vinhos de estirpe e sua grande consistência qualitativa, a Casa Lapostolle é, sem dúvida, um dos grandes nomes do vinho no Novo Mundo".

O Santa Alvara Carmenère 2013 é feito com uvas Carmenère colhidas da região do Vale do Rapel, no Chile. Tem estágio em barricas francesas sem maiores informações de tempo e qualidade (quantidade de uso) das mesmas. Vamos as impressões?

Na taça o vinho apresentou um bonita cor violácea de grande intensidade, bom brilho e sem transparência. Lágrimas finas, coloridas e em abundância também compunham o aspecto visual.

No nariz o vinho apresentou aromas de frutas vermelhas, especiarias e leve toque herbáceo.

Na boca o vinho mostrou corpo médio, boa acidez com taninos finos e macios. Retrogosto confirma o olfato e o final era de média duração.

Um bom vinho de entrada e para o dia a dia que acompanhou de maneira digna a pizza romana e de mussarela de bufala com shimeji. Eu recomendo a prova e mais, acho que pode ser um vinho que faça a transição para este mundo maravilhoso do vinho de pessoas que ainda não estou com o paladar apurado.

Até o próximo!

Wednesday, February 18, 2015

Deus Semisparkling Branco: só a mitologia para salvar o carnaval!

Sabe quando você pensa que a vaca foi pro brejo e vê que tudo que você planejou durante muito tempo foi por água baixo? Bem, aconteceu mais ou menos assim comigo durante este carnaval, mas ao invés de abaixar a cabeça e deixar de aproveitar, me joguei na minha adega e tentei "descobrir" o que eu tinha por lá para "ser descoberto". Aí, eu achei o vinho alvo do post de hoje e resolvi arriscar. Qual é o tal vinho? O vinho espumante Deus, da Cavino SA.


O produtor do vinho espumante, a Cavino SA, é um grupo grego que tem sua fundação ainda em meados dos anos 50 na região do Peloponeso, na Grécia, mas que passou por algumas grande modificações em todo este caminho. Aparentemente o ano de 1999 é o que detém a marca mais recente na vinícola, quando começa a introduzir no mercado local e nos mercados internacionais vinhos de alto gama no quesito qualidade. De lá pra cá contou com uma expansão forte em mais de 26 países e construiu uma linha de engarrafamento que dizem ser o estado da arte no quesito tecnologia, com capacidade de produção de 7000 garrafas por hora.

Sobre o Deus Semisparkling Branco, complementamos dizendo que é produzido a partir das castas Moscatel de Rio (60%) e 40% de Sideritis (uvas autóctones). A fermentação alcoólica com leveduras selecionadas é feita a baixas temperaturas em tanques selados. Quando o equilíbrio certo é alcançado, a fermentação alcoólica é interrompida por intenso resfriamento. Assim, temos um menor grau alcoólico (em torno de 8,5%) e um pouco açúcar residual presente. Vamos ver o que ele nos mostrou?

Na taça o vinho espumante apresentou uma bonita cor amarelo palha bem clara, quase incolor, muito brilhante e límpida. Formação consistente de pequenas borbulhas com consequente boa formação de coroa. 

No nariz o vinho espumante mostrou aromas de frutas maduras e doces como pêssego, lichias e abacaxi.

Na boca o vinho espumante se mostrou leve, com excelente acidez e boa formação de espuma. Retrogosto confirma o olfato e o final é de média para longa duração.

Uma ótima opção de vinho espumante, diferente do usual que estamos acostumados por aqui. Serviu para acompanhar de maneira decente lula frita, bem salgadinha. Acho que a acidez ajudava a limpar o palato da gordura e por ser um alimento mais salgadinho, a doçura foi bem por contraste. Recebi esse belo exemplar do Winelands Clube do Vinho, o clube que eu assino e recomendo.

Até o próximo!

Tuesday, February 17, 2015

Fausto de Pizzato Merlot 2012: Elegância e leveza na taça!

Eu gosto de vez ou outra fugir das harmonizações clássicas, ou tradicionais, e arrisco algumas loucuras que podem, ou não, fazer a noite mais alegre. E hoje vou falar de uma tentativa que eu fiz e que muitos provavelmente irão torcer o nariz para: vinho tinto e peixe. O vinho? O Fausto de Pizzato Merlot 2012. Vamos ver o que aconteceu?


A tradição da família Pizzato na elaboração de vinhos vem desde sua Itália natal, mesmo que em pequenas quantidades. Desembarcando no Brasil ainda no século XIX, a paixão pela vitivinicultura falou mais alto e começou-se então o processo de plantio e cultura de vinhos em solo brasileiro. Entretanto somente em 1998 o sonho da produção de vinhos para comercialização começou a sair do papel. Naquele ano a Vinícola Pizzato é constituída juridicamente e materialmente a partir de investimentos familiares. Estabelecido o negócio e, a partir da produção de uvas de parreirais próprios, inicia-se a vinificação no ano de 1999 com a elaboração do Pizzato Merlot em quantidade final de 15.500 garrafas de 750 ml. Nos anos subseqüentes, a excelência na elaboração de Merlots foi mantida, além de incorporar outras castas na elaboração: Cabernet Sauvignon, Tannat, Egiodola, entre outras.

O Fausto de Pizzato Merlot 2012 é feito com uvas Merlot colhidas em Dois Lajeados, na Serra Gaúcha. Passagem moderada por barris de carvalho francês (3º uso ou mais) por 8 meses. Como curiosidade, este vinho foi selecionado para integrar a carta de vinhos da Classe Executiva da empresa aérea Lufthansa no ano de 2014. O que será que o vinho nos mostrou?

Na taça o vinho mostrou uma coloração violácea de grande intensidade com bom brilho e sem transparência. Lágrimas finas, espassadas e coloridas também se faziam notar.

No nariz o vinho apresentou aromas de frutos vermelhos, flores e toques animais.

Na boca o vinho apresentou corpo médio, boa acidez, taninos finos e macios. Retrogosto confirma o olfato e o final é de média duração.

E qual foi o acompanhamento que eu comentei ali em cima? Fizemos um papelote de salmão com alho poró e alcaparras além de brócolis cozido. E olha, vou falar pra vocês: eu gostei! Recomendo a prova.

Até o próximo!