Tuesday, June 30, 2015

Les Chèvrefeuilles 2013: Côtes du Rhône, agora na taça!

Em busca do prazer que o vinho e uma boa comida pode nos proporcionar, fui buscar um vinho de uma país que, apesar de ser um dos maiores produtores, tenho provado pouca coisa, que é a França. Muito se deve ao fato de que é mais complicado desenrolar bons vinhos a preços competitivos no nosso mercado. mas dia desses fiquei sabendo de um importadora, a de la Croix vinhos, que trás muita coisa boa e a preços interessantes. Fui lá com um objetivo: encontrar um vinho da região de Côtes du Rhône de um bom custo benefício para uma brincadeira de harmonização em casa. E eis que cheguei ao Les Chèvrefeuilles 2013


O vinho é produzido pelo Domaine de la Réméjeanne, que se encontra situado num ambiente natural exuberante, perto da cidade de Bagnols-sur-Cèze. Em 1960, os pais de Remy Klein se mudaram de volta para a França, vindos da Tunísia, e compraram uma pequena propriedade de 5 hectares em La Réméjeanne. Pouco a pouco, os vinhedos foram se expandindo e eles começam a engarrafar seu próprio vinho em 1975. Remy Klein assumiu os negócios em 1988 e continuou os expandindo também para oliveiras e figueiras, mantendo entretanto o foco no trabalho artesanal, tradicional e autêntico, gerando vinhos que expressam o terroir em sua plenitude. Atualmente a propriedade compreende 38 hectares de vinhas, 2 hectares de oliveiras e 0,5 hectares de figueiras. Os vinhos Côtes-du-Rhône são produzidos principalmente nas encostas orientais (Sol Nascente), entretanto, os Côtes-du-Rhône Villages são produzidos nas encostas orientais do Sul (mais quentes). Em 2007 foi iniciado o processo de conversão para agricultura orgânica, sendo que a propriedade foi certificada em meados de 2010. Em 2012, todos vinhos engarrafados já são certificados.

Sobre o Les Chèvrefeuilles 2013 podemos acrescentar ainda que é um blend de 70% Syrah, 10% Grenache,10% Mourvèdre, 5% Carignan e 5% Marselan. Segundo o produtor, somente a variedade Carignan passa por um processo de maceração carbonica. Depois de feita toda fermentação, o vinho é envelhecido em tonéis de madeira por cerca de 12 meses. Vale ressaltar que o vinho não tem adição de sulfitos e passa por leve filtração. Vamos as impressões?

Na taça o vinho apresentou uma bonita coloração violácea de média para grande intensidade, algum brilho e alguma limpidez. Lágrimas finas, lentas, em pouca quantidade e coloridas se faziam notar também.

No nariz o vinho mostrou aromas de frutos vermelhos e escuros e algo de grafite. Ao fundo, toques de mentolado.

Na boca o vinho tinha corpo médio, boa acidez e taninos finos e granulares. Retrogosto confirma o olfato e ressalta um toque mineral. Final de média duração.


A brincadeira de harmonização ficou por conta de maminha assada na cama de sal grosso com batatas rústicas e, particularmente, gostei do que aconteceu. Não houve competição entre prato e vinho, mas também não houve a mítica criação de um terceiro sabor. Ambos se complementaram bem. O vinho também pode ser consumido por si só pelo carácter mais frutado sem se tornar pesado. Eu recomendo a prova.

Até o próximo!

Monday, June 29, 2015

Arunguá Tannat 2011: Tradição uruguaia posta em prova na taça!

A Bodegas Carrau tem mantido a velha tradição de uma família que a 10 gerações (desde sua Catalunha natal) trabalham em silêncio e com grande convicção na produção de grandes vinhos. Vem abrindo o caminho para um país, o Uruguai, que está se tornando um mistério internacionalmente devido às suas vinícolas familiares de pequeno porte e sua admirada jóia, a uva "Tannat". Em abril de 1752, Don Francisco Carrau comprou o primeiro vinhedo em Vilasar de Mar, na Catalunha, Espanha. O pontapé inicial das Bodegas Carrau havia sido dado. A tradição da viticultura é passada de geração a geração e, em 1930, o herdeiro Juan Carrau resolve se estabelecer no Uruguai. A primeira bodega em solo uruguaio – Santa Rosa – é construída e inaugurada entre 1930/1940, com tecnologia catalã. Hoje, a administração da bodega é feita pela décima geração da família Carrau. Seus vinhedos estão plantados em duas regiões distintas: Las Violetas (Canelones) e Cerro Chapeu.


Já sobre o Arunguá Tannat 2011, podemos acrescentar que o vinho é fruto de muita pesquisa e exploração sobre os melhores solos e parcelas de variedades melhor adaptadas em seus vinhedos cultivados em Las Violetas, tornando este vinho muito particular. Após o a fermentação alcoólica, o vinho é transferido para barricas de carvalho onde acontece a fermentação malolática e posterior envelhecimento por cerca de 18 meses. Vamos as impressões?

Na taça o vinho apresentou uma bonita coloração violácea de grande intensidade, algum brilho e boa limpidez. Lágrimas finas, lentas e bem coloridas também se faziam notar.

No nariz o vinho apresentou aromas de frutos vermelhos silvestres, especiarias, chocolate e leve toque floral.

Na boca o vinho se mostrou carnudo, encorpado, taninos quase mastigáveis e uma boa acidez. Retrogosto confirma o olfato e o final era de longa duração.

Um belo vinho uruguaio, que mostra toda a potência e elegância que os seus vinhos a partir da uva Tannat podem alcançar. Eu recomendo a prova.

Até o próximo!



Informações sobre a vinícola retiradas do site do produtor e de www.seloreserva.com.br

Friday, June 26, 2015

Bovlei Cellar Brut: Espumante Sul Africano com Chenin Blanc!

Muito falamos dos espumantes nacionais, evidentemente pela qualidade que apresentam, mas de vez em quando é bom descobrir novos exemplares de outras regiões do mundo e com diferentes castas empregadas em sua produção, não é mesmo? E é nessa categoria que enquadramos o vinho espumante de hoje: originário da África do Sul e feito a base de uma casta que faz algum sucesso por lá, que é a Chenin Blanc. Hoje é dia de falarmos do Bovlei Cellar Brut.


Na região de Wellington, na África do Sul, no sopé da majestosa cordilheira Hawekwa, uma jóia vínica nasceu em 1907 e é a segunda mais antiga adega cooperativa na África do Sul. Seu nome revela uma grande parte de sua receita para o sucesso, porque é certamente no solo que seus segredos se aninham - e que a diferença reside no vale. A Bovlei Wine Cellar, ou Boven Valley Wine Cellar como costumava ser conhecida, sabe muito bem como deleitar os enófilos com o fruto do seu trabalho a partir de seu vale. Os membros produtores de uvas (cerca de 32 membros) fornecem cerca de 9000 toneladas de uvas para a Bovlei Wine Cellar anualmente. Cada uma dessas fazendas, contribui com uvas para a fabricação de excelentes vinhos da Bovlei, e tem seus próprios tipos de solo e microclima especial. Uvas como Bukettraube, Sauvignon Blanc e Chenin Blanc são obtidas principalmente a partir dos declives mais frios das áreas de Bovlei e Leeuwrivier. Já as uvas Cabernet Sauvignon, Pinotage, Cinsault e Shiraz são cultivadas em solos quentes das encostas norte de Agter-Groenberg e também em partes das áreas de Bovlei e Leeuwrivier.

Já sobre o Bovlei Cellar Brut, podemos ainda acrescentar que esta é sua primeira safra (2012) e que é feito com 100% de uvas Chenin Blanc a partir do método Charmat (segunda fermentação em tanques de inox/autoclaves). Vamos finalmente as impressões?

Na taça o vinho espumante apresenta uma bonita cor amarelo palha com reflexos verde claros, bom brilho, ótima limpidez e uma formação consistente e duradoura de pequenas borbulhas (perlage fino).

No nariz o vinho espumante apresentou aromas de frutas tropicais e frutas cítricas, tudo bem fresco. 

Na boca o vinho espumante é leve, fresco, algo de cremoso e saboroso. O retrogosto confirma o olfato e o final era de média para longa duração. 

Um ótima descoberta de vinho espumante, de um local não tradicional pra este tipo de vinhos, mas que pode vir a ser uma boa opção para o dia a dia, para um papo com amigos ou mesmo para bebericar com uma boa companhia (meu caso). Eu recomendo a prova. Este é mais um vinho do clube de vinhos da Winelands, o clube que eu assino e recomendo.

Até o próximo!

Wednesday, June 24, 2015

Heresia em Bordeaux? Novas variedades de uvas sendo testadas por lá

Ao que tudo indica, as mudanças climáticas estão causando mais estragos do que se previam e, diante do quadro que se desenha, pesquisadores estão começando a testar novas variedades de uvas que possam vir a integrar os famosos vinhos de Bordeaux, na França. É isso mesmo, caríssimo leitor, num futuro não tão próximo poderemos identificar uvas como a Touriga Nacional (que heresia) em blends de vinhos em Bordeaux.


Durante a safra deste ano, pesquisadores em Bordeaux fermentaram pequenos lotes de vinhos de um vinhedo experimental, onde estão sendo cultivadas 52 variedades de uvas, em grande parte desconhecidas para a região. Seu objetivo será encontrar uvas que possam produzir vinhos ao estilo de Bordeaux quando, ou se, a mudança climática alterar significativamente a estação de crescimento em Bordeaux a um nível que impossibilite o cultivo das castas tradicionais da região. Executado pelo Instituto Nacional Francês de Pesquisa Agrícola (INRA) e apoiado pelo Conselho do Vinho Bordeaux (CIVB), o experimento é tanto quanto ousado e pragmática.

A necessidade nasceu de uma prolongada onda de calor que atingiu a França em 2003. Algumas uvas em Bordeaux pareciam cozinhar na videira, marcando muitos vinhos da safra com aromas de fruta madura, baixa acidez e uma menor capacidade de envelhecer saudavelmente me garrafa. Se o clima de Bordeaux continuar na direção que os dados mostram atualmente, os viticultores podem esperar cada vez mais invernos tempestuosos e molhados e verões quentes e secos, bem como colheitas que chegam antes da janela ideal que oferecia frutos maduros, acidez fresca e taninos maduros. As variedades com amadurecimento mais precoce como Merlot e Sauvignon Blanc são particularmente vulneráveis, mas todas as uvas usadas atualmente para os vinhos de denominação oficiais poderiam ser substituídas em um verão mais seco e quente.

Os pesquisadores vasculharam as regiões vinícolas mais quentes no globo como a Grécia, Espanha, Itália e Portugal, selecionaram as 52 candidatas e plantaram-nas em 2009 em um vinhedo experimental na denominação Pessac Leognan. Muitas das uvas estrangeiras vão soar familiares para enófilos em geral como por exemplo Sangiovese, Touriga Nacional, Xinomavro e Assyrtiko, para citar algumas delas que são estrelas em seu terroir de origem, mas estranhas para Bordeaux. Uma parte do desafio será aprender a retirar o melhor proveito dessas uvas em um novo clima/região.

Desde 2012, os pesquisadores vem reunindo dados sobre os níveis de fenóis nas uvas e a fase de amadurecimento para cada variedade. Cerca de 20 variedades foram selecionadas pela micro-fermentação deste ano em lotes single vineyard de 30 kg de uvas cada. A equipe de pesquisadores irá analisar os vinhos acabados. Em seguida, os sindicatos de viticultores para as muitas denominações de Bordeaux vão analisar os dados e escolher um punhado de castas que eles acreditam que possam produzir vinhos com características típicas de sua denominação. As denominações pedirão então para que alguns produtores, voluntariamente, cultivem tais castas experimentais, sabendo que os frutos não poderão ser usados para os vinhos AOC. Eles poderão ser vendidos como Vin de France.

Vale ressaltar que, fundamental para o projeto é o objetivo da manutenção, em vez da mudança, do perfil típico dos vinhos de Bordeaux. O Bordelais julga um vinho pela sua capacidade de envelhecer graciosamente, mesmo que o consumidor em geral não mantem seus vinhos guardados por longos períodos. Entretanto, esta é uma marca de qualidade enraizada na psique Bordelais.

Depois, há o sistema de denominações de origem francesa, regulamentada pelo Institut national de l'origine et de la qualité (INAO). O status de Appellation é concedido quando um vinho pode provar que tem uma qualidade única amarrado a um lugar específico. O cronograma para a introdução de uma nova uva nas regras de uma denominação de origem é longo. "É necessário analisar os resultados, prosseguir com os testes comerciais, e através de uma organização que faz o teste de degustação, justificar a manutenção da tipicidade dos seus vinhos. E, finalmente, eles devem participar do processo de regulamentação.

Apesar dos desafios, as pesquisas continuam, pois poderia salvar tanto uma região de vinhos e uma indústria que produz entre 600 e 800 milhões de garrafas de vinho por ano, embarcados para mais de cem países diferentes.



Matéria original em www.winespectator.com

Monday, June 22, 2015

Novidade no mercado: Familia Cassone Obra Prima Corte Reserva 2013!

Eu já provei alguns vinhos da Bodega Familia Cassone e tive oportunidade de conhecer pessoas que trabalham pela bodega para o mercado brasileiro, como a Deca e o Marcelo Cassone. Assim sendo, pude verificar o quanto são sérios e colocam muito amor no que fazem. E para eles, o mercado brasileiro de vinhos é sem dúvida uma fatia importante de sua operação. E é por isso que eles estão trazendo mais uma novidade para nós, enófilos brasileiros. Vamos saber um pouco mais sobre isso?

Antes porém, um pouco da história da bodega: "A Bodega Familia Cassone foi criada em 1998 por seu patriarca, Eduardo Cassone, sua esposa mais seus três filhos. E esta veia pelo negócio vitivinícola se deu em Eduardo em consequência do empreendedorismo de seu pai, que começou a elaborar vinhos ainda em meados dos anos 50. E grande parte desta tradição veio ainda de seus antepassados, que chegaram na Argentina em meados do século XIX, vindos do Piemonte e arredores (Itália). Todos estes fatores em conjunto somados ainda a muito trabalho e dedicação colocaram esta bodega familiar no hall das mais importantes da Argentina. A Bodega Familia Cassone esta localizada no departamento de Luján de Cuyo e segue os padrões da região, sem deixar de lado entretanto os cuidados com o meio ambiente".


O novo vinho “Obra Prima Corte Reserva 2013”, um corte de Malbec, Cabernet Franc e Cabernet Sauvignon chega ao mercado brasileiro já para este inverno. O “Obra Prima Corte Reserva” foi elaborado com por 65 % de Malbec proveniente de vinhedos próprios de 103 anos, 20% de Cabernet Sauvignon de vinhedos de 85 anos, 15% de Cabernet Franc de vinhedos jovens. Segundo Federico Cassone, winemaker da vinícola, “Cada varietal contribui para a identidade global do vinho, e juntos, eles fazem um vinho único, como nenhum de vocês já provaram antes. É um vinho que merece muita atenção, promete uma longa vida e vai melhorar ainda mais nos próximos 3 a 4 anos”.

O “Obra Prima Corte Reserva” já chega premiado ao mercado antes mesmo de seu lançamento, pois participou da degustação para o guia Descorchados 2015 e obteve 91 pontos já em sua primeira safra. No Brasil estará disponível ao mercado ao final de junho e será lançado oficialmente ao público durante o evento “Wine Weekend no Ibirapuera”. “O lançamento de mais um novo produto reforça o comprometimento Familia Cassone em inovar e oferecer ao mercado novas opções - este já é o nosso 4o lançamento desde que abrimos a filial no brasil há pouco mais de um ano” explica Marcelo Cassone gerente-geral da filial brasileira. Para os ávidos consumidores, a bodega oferece uma promoção exclusiva de pré-lançamento através de sua loja online concedendo um desconto de 20% para compras do produto até dia 03 de julho http://loja.familiacassone.com.br .

Prezados leitores, se tiverem a oportunidade de provar os vinhos da Familia Cassone, aconselho que o façam. Não irão se arrepender. Eu vou logo procurar o meu!

Até o próximo!